
Gênero: Crime, Drama.
Direção: Matteo Garrone.
Elenco: Salvatore Abruzzese, Salvatore Cantalupo, Gianfelice Imparato, Toni Servillo, Vincenzo Altamura, Maria Nazionale, Ciro Petrone, Marco Macor, Carmine Paternoster.
Elenco: Salvatore Abruzzese, Salvatore Cantalupo, Gianfelice Imparato, Toni Servillo, Vincenzo Altamura, Maria Nazionale, Ciro Petrone, Marco Macor, Carmine Paternoster.
País: Itália.
Tempo: 137 min.
Idioma: Napolitano, Italiano.
Este filme teve a infelicidade de, ao menos no Brasil (não sei ao redor do mundo), ser considerado o Cidade de Deus italiano. Sim, há certa semelhança entre os dois filmes, mas no quesito qualidade, o brasileiro é muito superior. Gomorra foi classificado como um retrato frio, violento e real da máfia italiana na região de Nápoles. Estes elementos estão presentes no filme, evidentemente, mas tanto no quesito violência e talvez no realidade, não são tão próximos como o filme de Meirelles, muito mais violento e por isso, real.
Este filme teve a infelicidade de, ao menos no Brasil (não sei ao redor do mundo), ser considerado o Cidade de Deus italiano. Sim, há certa semelhança entre os dois filmes, mas no quesito qualidade, o brasileiro é muito superior. Gomorra foi classificado como um retrato frio, violento e real da máfia italiana na região de Nápoles. Estes elementos estão presentes no filme, evidentemente, mas tanto no quesito violência e talvez no realidade, não são tão próximos como o filme de Meirelles, muito mais violento e por isso, real.
Talvez Garrone (diretor) tenha tido um compreensível
receio por sua vida ao filmar Gomorra, algo que Roberto Saviano, autor do livro
homônimo no qual o filme se baseia, não teve, tendo em vista que após o sucesso
de seu filme, foi jurado de morte pela máfia italiana ali retratada, Camorra.
O filme nos traz cinco diferente histórias, nas
quais todas as personagens têm suas vidas afetadas e envolvidas pela Camorra, e
nos mostra o quanto esta organização criminosa pode determinar os rumos de
todos que ali residem, quer eles queiram ou não se envolver com a organização. Não
há qualquer glamour dos filmes hollywoodianos sobre máfias e mafiosos – a maneira
que as pessoas se vestem, de se relacionar, as disputas entre as máfias – o cenário
é de uma Itália decadente, pobre e violenta, muito bem retratado pelos locais
em que se passam as histórias. Este cenário chega a ser uma surpresa para
aqueles que vêem a Itália como um dos centros da Europa e do mundo civilizado,
local da alta costura, cultura romana e um dos principais centros turísticos do
mundo.
Os atores fazem um excelente trabalho, com destaque
para o menino Totó (Abruzzese) e para o alfaiate Pasquale (Cantalupo). As histórias
todas mostram se relacionadas de certa maneira, e o elo entre elas é a Comorra –
e ao final, todos deverão prestar contas aos mafiosos, de alguma maneira.
No entanto, o filme demora a engrenar – as histórias
são confusas, e este elo, apesar de perceptível, não nos ajuda a compreender o
que se passa. Tampouco há um trabalho para que nos aproximemos das personagens –
o menino Totó e os dois jovens que ambicionam chefiar a máfia seriam ótimas oportunidades,
mas isso não ocorre. Para aqueles que viram Cidade
de Deus, não há cenas tão chocantes, nem mesmo grandes viradas nas vidas
das pessoas, em seus princípios ou personalidades. A inevitabilidade do destino
de crime e violentos está ali, mas não parece ser tão viril como no caso do
longa brasileiro – exceção com a cena final de Totó e Maria.
Enfim, um bom filme, corajoso e excelente por seu
formato e roteiro, mas talvez suas histórias poderiam ser mais claros em
determinados momentos – ao ficar sem entender o que se passa por um longo período,
o espectador pode perder o interesse. Os personagens também mereciam ter seu
lado psicossocial melhor trabalhado, principalmente com os excelentes atores
ali disponíveis.
Nota 87/100