Ficha técnica: American History X, 1998
Gênero: Drama, Crime.
Direção: Tony Kaye.
Elenco: Edward Norton, Edward Furlong, Beverly D'Angelo, Avery Brooks, Jennifer Lien, Ethan Suplee, Elliott Gould, Fairuza Balk, Stacy Keach, William Russ.
Elenco: Edward Norton, Edward Furlong, Beverly D'Angelo, Avery Brooks, Jennifer Lien, Ethan Suplee, Elliott Gould, Fairuza Balk, Stacy Keach, William Russ.
País: Estados Unidos.
Tempo: 119 min.
Idioma: Inglês.
O filme trata de temas muito delicados, que no cinema geralmente acabam criando obras carregadas de estereótipos e senso-comum, muitas vezes com cenas impressionantes, mas sem sentido algum. O filme de Tony Kaye contraria todas essas tendências.
Tendo em vista a história
americana da luta pelos direitos civis e a tardia consolidação deles para as “imensas
minorias” no país, podemos observar um paradoxo na democracia mais antiga do
mundo, em que o neonazismo encontra um terreno fértil para florescer, ainda que
os próprios estadunidenses tenham sido um dos responsáveis pela derrota do
nazismo durante a IIGM.

Os diálogos, assim
como as cenas em si, são fortes, muito bem escritos, e as excelentes atuações dos
atores somada aos closes nos rostos deles feitos pelo diretor tornam as cenas
de discussão e relatos (que constituem a maior parte do filme) tão fortes quanto
às pesadas cenas de violência. As cenas em preto e branco, quando retratam o passado, também foram uma excelente escolha do diretor.

O filme não cai no
erro de simplesmente justificar as atitudes de Derek e Danny (Furlong) como mera consequência
da morte do pai, numa dura revelação ao mostrar que esta ideologia já estava
presente muito antes. Derek nos traz uma fala importante, ao mencionar que Lincoln
libertou os negros da escravidão há 150 anos, e mesmo assim eles ainda
continuam com a desculpa de “desigualdades sociais, racismo, etc.” Indo além
deste argumento, fica evidente para os mais atentos que apenas o fim da escravidão
não bastou para superar séculos de opressão. Opressão esta que ainda perdura
nos dias de hoje, como o próprio Derek percebeu na prisão conversando com seu
colega de trabalho – o preconceito do sistema judiciário, já mencionado pela
sua família anteriormente.
Edward Norton está excelente no papel, certamente
uma das melhores atuações deste excelente ator. Furlong também está muito bem,
assim como todo o elenco. Danny, que a princípio não concordava com os excessos
de seu irmão, e se assustou quando ele matou os negros que quebraram seu carro,
acaba por abraçar toda a ideologia, talvez para justificar as atitudes do próprio
irmão. Ao longo de todo filme, temos sinais de que Danny não concorda
plenamente com o que segue, e por isso, ao “mudar de lado” novamente, com a saída
do irmão da prisão, não há incoerência alguma.
As personagens são muito bem trabalhadas
psicologicamente, a história é densa, violenta e um tanto surpreendente por ser
uma incisiva e forte auto-crítica da sociedade estadunidense, algo não muito comum
no cinema deles, ao menos nesta intensidade.
Nota 98/100
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