segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Dia em que eu Não Nasci

Ficha técnica: Das Lied in mir, 2010
Gênero: Drama;
Direção: Florian Micoud Cossen. 
Elenco: Jessica Schwarz, Michael Gwisdek, Rafael Ferro, Beatriz Spelzini, Alfredo Castellani, Marcela Ferrari, Carlos Portaluppi. 
País: Alemanha, Argentina.
Tempo: 94 min.
Idioma: Alemão, Espanhol.

    Esse filme meu surpreendeu imensamente, de maneira muito positiva. Ele começa simples, inclusive com alguns clichês, e segue numa crescente de emoções e reviravoltas que nos envolve profundamente.
      Pouco se fala nas ditaduras militares que ocorreram na América Latina durante a segunda metade do século XX – muitas delas apoiadas pelos EUA e Ocidente como um todo, e tantas outras ainda não devidamente investigadas e julgadas pelos próprios países. Ela trouxe consequências tanto em questões de nível macroestrutural e social, quando no micro, individual, para cada família e pessoa. Este filme tem como foco o universo individual, a influência da ditadura argentina (talvez a co maior número de mortos e desaparecidos) na vida das pessoas, mas perpassando as questões do nível macrossocial também.
     A história nos apresenta Maria, interpretada pela excelente Jessica Schwarz, que após viver na Alemanha durante toda sua juventude, descobre na verdade ter sido adotada, e que seus verdadeiros pais desapareceram durante o regime militar argentino, enquanto ela ainda tinha três anos de idade.
      No início, o longa aparenta ser apenas um drama sobre questões como adoção, busca por pais biológicos e sua história, e dilemas enfrentados por essas pessoas – contar ou não a verdade sobre a adoção, buscar ou não os verdadeiros pais, dentre outros dilemas, abordados de maneira excelente. O pai de Maria está relutante em ajudá-la, mas tudo indica ser apenas um medo natural de perdê-la.
       No entanto, a grande reviravolta começa quando Maria, com extrema facilidade, encontra a família de sua mãe – dois tios, uma avó e muitos outros parentes. Ela começa a questionar seu pai sobre o fato de ele nunca ter procurado sua família, visto que foi tão fácil encontrá-los tantos anos depois. Na medida que a história vai se revelando, o filme consegue transmitir muito bem a angústia das personagens para o espectador, tanto a família dos desaparecidos, quanto de Maria e seu pai – que na verdade, havia roubado ela da família de sua mãe biológica.
      A esse sentimento conflituoso se somam outros aspectos do filme – a dificuldade de comunicação de Maria com sua família biológica (ela não fala nada em espanhol, enquanto a família mal consegue falar o inglês) geram cenas muitas vezes cômicas, outras tantas ainda mais dramáticas, em razão da dificuldade em se  expressar. Essa dificuldade traz para dentro da família o policial Alejandro, com o qual Maria tem um caso e que fala alemão fluente, fazendo o papel de intérprete.
      Outro aspecto da ditadura ali sutilmente apresentado é a questão da polícia, uma herança do regime militar, odiada por muitos no país em razão das brutalidades que cometeram – e ele mesmo acrescenta também sobre se a própria Maria deveria fazer tantas perguntas, que podem levar ao conflito final tão doloroso.
      O elenco todo está muito bem no filme, fazendo tudo parecer muito natural. As tomadas de câmera do diretor são excelentes, muitas vezes focando no ponto de vista do personagem, outras em ângulos que nos deixam minimamente intrigados. Um ótimo filme, que ao final apenas desejamos que saber mais sobre a história tão envolvente.


Nota 95/100

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