
Gênero: Drama;
Direção: Florian Micoud Cossen.
Elenco: Jessica Schwarz, Michael Gwisdek, Rafael Ferro, Beatriz Spelzini, Alfredo Castellani, Marcela Ferrari, Carlos Portaluppi.
Elenco: Jessica Schwarz, Michael Gwisdek, Rafael Ferro, Beatriz Spelzini, Alfredo Castellani, Marcela Ferrari, Carlos Portaluppi.
País: Alemanha, Argentina.
Tempo: 94 min.
Idioma: Alemão, Espanhol.
Esse filme meu surpreendeu imensamente, de maneira muito positiva. Ele
começa simples, inclusive com alguns clichês, e segue numa crescente de emoções
e reviravoltas que nos envolve profundamente.
Pouco se fala nas
ditaduras militares que ocorreram na América Latina durante a segunda metade do
século XX – muitas delas apoiadas pelos EUA e Ocidente como um todo, e tantas
outras ainda não devidamente investigadas e julgadas pelos próprios países. Ela
trouxe consequências tanto em questões de nível macroestrutural e social,
quando no micro, individual, para cada família e pessoa. Este filme tem como
foco o universo individual, a influência da ditadura argentina (talvez a co
maior número de mortos e desaparecidos) na vida das pessoas, mas perpassando as
questões do nível macrossocial também.
A história nos apresenta
Maria, interpretada pela excelente Jessica Schwarz, que após viver na Alemanha
durante toda sua juventude, descobre na verdade ter sido adotada, e que seus
verdadeiros pais desapareceram durante o regime militar argentino, enquanto ela
ainda tinha três anos de idade.
No início, o longa aparenta ser apenas um
drama sobre questões como adoção, busca por pais biológicos e sua história, e
dilemas enfrentados por essas pessoas – contar ou não a verdade sobre a adoção,
buscar ou não os verdadeiros pais, dentre outros dilemas, abordados de maneira
excelente. O pai de Maria está relutante em ajudá-la, mas tudo indica ser
apenas um medo natural de perdê-la.
No entanto, a grande
reviravolta começa quando Maria, com extrema facilidade, encontra a família de
sua mãe – dois tios, uma avó e muitos outros parentes. Ela começa a questionar
seu pai sobre o fato de ele nunca ter procurado sua família, visto que foi tão fácil
encontrá-los tantos anos depois. Na medida que a história vai se revelando, o
filme consegue transmitir muito bem a angústia das personagens para o
espectador, tanto a família dos desaparecidos, quanto de Maria e seu pai – que na
verdade, havia roubado ela da família de sua mãe biológica.
A esse sentimento
conflituoso se somam outros aspectos do filme – a dificuldade de comunicação de
Maria com sua família biológica (ela não fala nada em espanhol, enquanto a
família mal consegue falar o inglês) geram cenas muitas vezes cômicas, outras
tantas ainda mais dramáticas, em razão da dificuldade em se expressar. Essa dificuldade traz para dentro
da família o policial Alejandro, com o qual Maria tem um caso e que fala alemão
fluente, fazendo o papel de intérprete.
Outro aspecto da
ditadura ali sutilmente apresentado é a questão da polícia, uma herança do
regime militar, odiada por muitos no país em razão das brutalidades que
cometeram – e ele mesmo acrescenta também sobre se a própria Maria deveria
fazer tantas perguntas, que podem levar ao conflito final tão doloroso.

Nota 95/100
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