domingo, 8 de setembro de 2013

Hitchcock

Ficha TécnicaHitchcock, 2012.
Gênero: Biografia, Drama.
Direção: Sacha Gervasi.
Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston, Toni Collette, Michael Stuhlbarg, Michael Wincott, Jessica Biel, James D'Arcy, Richard Portnow, Kurtwood Smith, Ralph Macchio.
País: Estados Unidos.
Tempo: 98 min. 
Idioma: Inglês.

      O título do filme pode nos levar a um engano: não se trata de uma cinebiografia do famoso Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins). Na realidade, o filme busca mostrar apenas uma parte da vida do diretor – a filmagem de Psicose, um dos maiores clássicos do mestre do suspense e do cinema como um todo. No entanto, já começa errando – com o título.
     O filme baseia-se no livro que conta os bastidores deste clássico do terror, mas acaba divergindo bastante. Ainda que nos traga alguns elementos importantes e interessantes sobre a filmagem (a compra dos livros de Psicose, a hipoteca da casa, a relação do diretor com as protagonistas etc.), ele também inventa muitas partes que não ocorreram ou que não temos registro algum. Por isso, quando não podemos acreditar totalmente no que o filme diz, acaba perdendo sua força biográfica.
      Ele aparenta trazer um maior reconhecimento para Alma Reville (Helen Mirren), esposa do diretor, demonstrando que ela teve fundamental participação em seus filmes – não apenas dando o suporte que espera-se de um cônjuge, mas também trabalhando diretamente em todos os seus filmes. Comentou-se que no livro, o papel de Alma é limitado, e que o suposto affair dela com Whitfield Cook (Danny Huston) inexiste, bem como o próprio personagem do roteirista. A relação do casal é o centro da trama, com Mirren sendo tão protagonista quanto Hopkins, mas ao fim do filme, pouco ficamos sabendo sobre eles – com algumas sugestões não trabalhadas, como o fato de não dividirem a mesma cama.
          Contudo, todas estas dúvidas levantadas e desconstruções feitas sobre o filme acabam por deixar ele pouco crível. Foi muito interessante ver os obstáculos enfrentados pelo diretor, como a censura, a empresa Paramount, a falta de recursos – todos estes elementos os quais os espectadores nunca têm acesso. E a maneira como Hitchcock estava determinado a rodar o filme, sabendo que seria um sucesso (com base principalmente no fato de matar a mocinha do filme – Janet Leigh (Scarlett Johansson) nos primeiros 40 minutos), nos mostra um pouco da genialidade do diretor. Foi curioso perceber como ele pensou o filme do começo ao fim, inclusive como deveria ser exibido, com o manual para os cinemas. E também percebemos como mesmo com tudo isso, muitas vezes o reconhecimento demora a vir – no caso de Psicose, foi instantâneo; para Um Corpo que Cai, demorou demais – no longa ainda é comentado como um fracasso.
    Entretanto, os bastidores não vão muito além do que o mencionado – mesmo a cena do chuveiro foi mostrada apenas uma vez. Gervasi fez a péssima escolha por tentar trabalhar mais o lado psicológico de Hitchcock durante as filmagens, o que sem base nenhuma sugere um certo sadismo e senilidade como características do diretor.
     As atuações estão satisfatórias: Hopkins sempre gera grandes expectativas, mas desta vez não passou do mediano, talvez pelo fato do personagem não ser tão bem trabalhado no roteiro. Mirren realmente é o grande destaque, tendo mais espaço para criar. Johansson, Stuhlbarg, Collette, Biel e outros têm pouco espaço, não podendo se extrair nada muito profundo de qualquer um deles. Ficam apenas sugestões no ar sobre como foram os bastidores do filme e o real papel de cada um deles.
     Apesar de apresentarem aspectos importantes já mencionados, ou mesmo a escolha da trilha sonora, na qual Hitchcock estava relutante em aceitá-la, e o juramento feito por toda equipe antes do início das filmagens, o filme mostra-se raso, com aquela sensação de grande oportunidade perdida.

Nota 75/100