quarta-feira, 8 de outubro de 2014

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Ficha Técnica: X-Men: Days of Future Past, 2014.
Gênero: Ação, Aventura, Ficção-Científica.
Direção: Bryan Singer.
Elenco: Hugh Jackman, James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Halle Berry, Nicholas Hoult, Ellen Page, Peter Dinklage, Patrick Stewart, Ian McKellen, Shawn Ashmore, Omar Sy, Evan Peters, Daniel Cudmore, Bingbing Fan, Josh Helman, Booboo Stewart, Lucas Till, Adam Canto.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 131 min. 
Idioma: Inglês.

    O quinto filme da franquia X-Men (sem contar os dois que envolvem apenas Wolverine) vem com a difícil missão de tentar amarrar a trilogia inicial com o bom X-Men: Primeira Classe. Isso porque este filme de 2011 acabou por gerar (ou enfatizar ainda mais) algumas incoerências entre os personagens – se considerarmos os filmes de Wolverine, tudo estaria perdido. 
      E desta forma, o diretor Bryan Singer encontrou talvez uma maneira de consertar essa bagunça toda – viajando no tempo e colocando a casa em ordem. Contudo, isso resolve em partes os problemas, deixando ainda muitos furos para os próximos longas, mas ao mesmo tempo resolvendo muitos problemas. Pra começar, a própria existência de Xavier, em seu próprio corpo, já não encontra explicação (ele havia sido desintegrado por Jean Grey); ou como Magneto recuperou seus poderes (havia perdido eles em razão da vacina aplicada pelo Fera no Confronto Final).
            Dias de um Futuro Esquecido continua com o estilo dos anteriores, de cada vez mais vincular fatos históricos reais com a atuação dos mutantes – II Guerra Mundial, Crise dos Mísseis, Guerra do Vietnã, assassinato de JFK, etc. E isso, ao meu ver, além de ótima escolha, é feito de forma muito competente. As cenas de ação estão ainda superiores – Magneto continua a impressionar com seu poder e ações (não contente em mover pontes e navios, agora é um estádio); mas o destaque desta vez é para a batalha final, ápice do filme. No início já temos uma prévia, mas a final, que conta com mais mutantes (e todos morrem!) é realmente impressionante. Ver tantos mutantes poderosos, um a um, sendo derrotados – Colossus, Bishop, Bing, Apache, Magneto, Tempestade, Iceman, Mancha Solar. Realmente foi o ápice de ação do filme. 
    Outra sequência digna de nota é a fuga do pentágono, em que um show de imagens é proporcionado pelo diretor ao colocar Mercúrio (Evan Peters, bem no papel) em ação. Talvez um certo exagero, que podemos perdoar por licença poética. Afinal, da maneira que é colocado, ele seria o herói mais poderoso de todos, sem chance para ninguém enfrenta-lo. As cenas em que Mística (Lawrence) resgata seus companheiros do exército também são bem trabalhadas, bem como os confrontos entre eles no passado. 
Ainda temos a ótima junção dos elencos da trilogia clássica com o filme de 2011 – conseguindo concentrar as ótimas interpretações que todos podem dar – Fassbender e McKellen, McAvoy e Stewart, Hugh Jackman, Jennifer Lawrence. Todos os principais atores conseguem ótimas atuações. Talvez a grande decepção tenha sido Peter Dinklage (Bolívar Trask), que ficou realmente subaproveitado.
Enfim, um bom retorno do grupo de heróis às telonas, mas que ainda possuem muito o que explicar. Mantém a evolução constante do argumento social (temas como preconceito, darwinismo), que seguem amadurecendo, dentro da superficialidade que é normal dentro deste estilo de filmes. Esperamos que os furos sejam realmente consertados, tendo em vista o fantástico potencial que a série possui.
Nota 80/100

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Como Treinar o Seu Dragão

Ficha TécnicaHow to Train Your Dragon, 2010.
Gênero: Animação, Comédia, Aventura.
Direção: Dean DeBlois, Chris Sanders.
Elenco: Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, T.J. Miller, Kristen Wiig.
País: Estados Unidos.
Tempo: 98 min. 
Idioma: Inglês.

   É sempre muito difícil comparar uma animação destinada em grande parte ao público infantil (ainda que tenha como objetivo agradar ao público adulto) com os demais filmes produzidos. Shrek conseguiu isso de maneira fantástica, ao contar, por exemplo, com inúmeras referências a filmes que o público mais jovem certamente não conhecia, além de seu enredo interessante. Up! Altas aventuras também consegue superar esta dicotomia geracional, e talvez o número um seja Wall-E, com as referências a outros filmes (2001: Uma Odisseia no Espaço, principalmente), além da temática atual e abordagem madura, ainda que atinja também o público infantil. E estes são apenas alguns exemplos (Toy Story evolui fabulosamente).
     Desta forma, é com esta perspectiva em mente que procuro assistir às animações destinadas ao público infantil. Como Treinar o Seu Dragão não alcança os níveis acima mencionados, mas apresenta um roteiro não tão infantil quanto se pode esperar. Talvez, a ausência de personagens tão marcantes e carismáticos seja um ponto fraco, além do filme ir perdendo a força do argumento ao longo do tempo, ao optar pelas cenas de ação (que vale dizer, são muito bem feitas).
   Mas a mensagem passada pelo filme (e quando se trata de crianças, isso é fundamental) é realmente muito positiva, buscando de uma forma distinta encarar algo tido sempre como prejudicial, diferente e malvado. O incentivo à compreensão do outro neste longa está presente de forma clara e leve. A temática dos dragões é muito bem tratada, de acordo com as tradicionais mitologias em grande parte. E os efeitos especiais e produção em geral também estão em altíssimo nível. 
      A relação de Soluço com pai, que se sente cobrado por ser filho do maior líder e combatente de dragões da vila, também é um ponto bem trabalhado, importante inclusive para os pais que vão aos cinemas. O treinamento, a relação com os colegas, o bullying, o encontro com Banguela (Dragão Fúria da Noite), o sucesso no treinamento e a recusa em enfrentar e matar os supostos inimigos é, realmente a força do roteiro. A posterior batalha contra o gigantesco dragão revela-se clichê e onde o roteiro perde força, mas sendo ainda um bom filme e ótimo entretenimento.


Nota 72/100