domingo, 30 de dezembro de 2012

O Curioso Caso de Benjamin Button

Ficha Técnica: The Curious Case of Benjamin Button, 2008.
Gênero: Drama, Fantasia.
Direção: David Fincher
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Tilda Swinton, Julia Ormond, Jason Flemyng, Jared Harris, Elle Fanning, Mahershala Ali, Danny Vinson.
País: Estados Unidos.
Tempo: 166 min. 
Idioma: Inglês. 

     David Fincher é um dos melhores diretores de Hollywood e adora inovar – e inovações podem ser um tremendo sucesso ou fracasso. Este não está entre o melhores filmes do diretor, mas é melhor, por exemplo, do que Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. 
     O filme trata de um tema comumente abordado pelo cinema – sentimentos humanos ao longo da vida, envelhecimento, morte. Um clássico drama, mas que é contado de uma forma inteiramente nova. A história de um bebê que nasce num corpo já velho, mas que ao invés de continuar a envelhecer a cada dia, como qualquer ser humano, ele rejuvenesce. No entanto, apesar da estranheza, ele também se aproxima da morte a cada dia, como todo ser humano. 
     O filme traz atuações ótimas de Pitt e Blanchett, que demonstram excelente química entre eles, e conseguem dar o tom certo aos personagens ao longo de praticamente uma vida inteira, desde muito jovens até a velhice. Todo o elenco de coadjuvantes também está ótimo, Swinton, Flemyn e Harris acrescentam muito à trama, e o grande destaque vai para Henson. 
      A maquiagem do filme também o coloca em outro patamar, deixando-os velhos, mas sem que percam as características físicas de cada um. Fotografia e efeitos especiais também merecem elogios. O roteiro é muito bom, a forma de narrativa está excelente, ainda que haja muita semelhança com Forrest Gump, tendo em vista que é o mesmo roteirista (Eric Roth). Esta semelhança não é um defeito, mas perde um pouco o caráter de originalidade. 
      O que torna o filme além do ordinário é a maneira que os conflitos pessoais enfrentados pelos seres humanos ao longo da vida nos é mostrada. A questão de como se encarar a morte de pessoas queridas, religião, sentimentos maternos e paternos, envelhecimento, beleza, amor, companheirismo, preconceitos – todos estes elementos estão presentes de forma suave e inusitada, deixando o filme muito forte. 
     Contudo, o protagonista principal é o tempo. A pequena história contada no início do filme é excelente, uma bela metáfora para o que está por vir. E como podemos encarar a passagem do tempo de formas diferentes, com valores diferentes. A cena do acidente de Daisy é ótima, mostrando como a sucessão de simples acontecimentos corriqueiros no espaço-tempo acabam por resultar em algo tão impactante em nossas vidas. O longa também tem a virtude de não tentar explicar a situação de Benjamin de forma alguma, o que se tornaria um absurdo. E que realmente, envelhecer nem sempre pode nos tornar melhores pessoas – continuamos a cometer erros e, acima de tudo, a nunca ter certeza de ter feito a escolha correta em diversas situações.
  Nota 88/100

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