Ficha Técnica: The Departed, 2006.
Gênero: Suspense, Crime.
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin, Ray Winstone, Anthony Anderson, James Badge Dale, Mark Rolston, David O'Hara.
País: Estados Unidos, Hong Kong.
Tempo: 151 min.
Idioma: Inglês.
Scorsese no seu melhor! Esse é o maior elogio que se pode fazer ao
filme que rendeu a Martin Scorsese, um dos maiores (senão o maior) diretores em atividade, seu primeiro Oscar, um tanto tardio e
mais do que merecido. Aqui ele retorna aos filmes que retratam a violência urbana,
gênero que o lançou ao sucesso com Taxi Driver e sob o qual ele produziu
excelentes obras, como Bons Companheiros.
O longa trata sobre
dois policiais infiltrados – Billy Costigan (DiCaprio), trabalhando como
infiltrado numa organização criminosa para a polícia de Boston; e Colin
Sullivan (Damon), um detetive que na realidade está infiltrado na polícia a
serviço do líder desta máfia irlandesa, Frank Costello (Nicholson).
O enredo é empolgante,
causando suspense e mistério na medida certa, com a tradicional violência do
diretor, mas que não é desproposital em nenhum momento. Na realidade, torna o
filme mais real. A sensação de insegurança e medo que sentimos nas inúmeras delicadas
e perigosas situações pelas quais os personagens principais passam são ótimas. E
ainda que haja uma diferença de caráter entre bem e mal entre os dois, não podemos
fazer muitos julgamentos, pois Sullivan foi desde criança influenciado e criado
pelo mafioso, sendo um produto do ambiente criado por ele, conforme o mesmo
afirma no início do filme.
A história, adaptada
de um filme japonês, é repleta de reviravoltas e surpresas, dirigido de maneira
sublime. Temos talvez o melhor headshot do
cinema nos últimos tempos (ou no mínimo empatado com o de Brad Pitt em Queime depois de ler). Sem dúvida, a
melhor sequência deles. Ironias estão presente o tempo inteiro na história, bem
como a ação.
A trilha sonora é
magistral, com músicas dos Stones, Pink Floyd, Lennon e a excelente música tema
da banda Dropkick Murphys – Shipping up
to Boston. As atuações são espetaculares. Nicholson está excelente e rouba
todas as cenas. Seu personagem exala a violência, e percebemos o quão desconfortável
é estar ao seu redor. Damon e DiCaprio estão interessantemente parecidos
fisicamente (grande sacada), mas ao mesmo tempo não poderiam ser tão diferentes,
fazendo o mesmo trabalho (espiões) de forma excelente e tão divergente. Os coadjuvantes
estão todos ótimos – Baldwin, Sheen e Winstone fazem ótimo trabalho, e o
destaque entre eles vai para Farmiga e principalmente Wahlberg.

A forma como o filme nos faz criar expectativas e as destrói
sobre seu final é fantástico. Nos proporciona um final não convencional e
inesperado, mesmo que estivéssemos preparados para algum grande twist ou uma
grande surpresa – muito em razão da forma que o filme se desenvolve. O jogo de câmeras,
os flashbacks e as cenas simultâneas em lugares diferentes trabalham numa
harmonia fora de série.
Além disso, o sarcasmo e as falas de Costello estão entre
as melhores do filme. Outro ponto forte são as conversas entre Costigan e a
psiquiatra (Farmiga), que nos apresenta uma sutil mas importante crítica ao
sistema policial e seus membros. Aliás, esse triângulo amoroso formado pelos
protagonistas e ela é excelente, que ao invés de apenas acrescentar algo dramático
ou romântico à trama, nos brinda com mais ironias, tensões e um mistério final que
não acaba sendo resolvido, para o nosso bem.
Também nos serve de excelente exemplo sobre como lidar
com as aparências, que realmente podem nos enganar muito além do que
imaginamos. Um dos melhores filmes de Scorsese – ainda que não seja algo
extremamente profundo, deveria servir de manual em como se fazer um bom filme,
com todos os seus elementos harmonizados de forma magistral.
Nota 97/100