sexta-feira, 27 de abril de 2012

Jogos Vorazes

Ficha técnica: The Hunger Games, 2012
Gênero: Ação, Ficção Científica, Drama;
Direção: Gary Ross.
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Wes Bentley, Woody Harrelson, Stanley Tucci, Elizabeth Banks, Lenny Cravitz, Amanda Stlenberg, Donald Sutherland, Liam Hemsworth.
País: Estados Unidos.
Tempo: 142 min.
Idioma: Inglês.

            Minha tendência é não criar grandes expectativas de blockbusters como este, e isso contribuiu um pouco para que eu aproveitasse o filme. A direção não é das melhores, o modo de mover (sem parar) a câmera do diretor não me agradou, e se ele tentou afirmar alguma coisa ou transmitir algo a mais, creio que falhou miseravelmente. Os atores, apesar de não trabalharem de maneira excepcional, cumprem muito bem os seus papeis, e não comprometem o filme. Jennifer Lawrence está bem no filme, mas longe de sua excelente atuação em Inverno da Alma, talvez pelo próprio estilo de filme.
             Espera-se muita ação e pouco enredo de filmes como esse, mas a ação não começa de forma imediata no filme. Entretanto, a história possui um potencial excelente para ser desenvolvido, em diversos aspectos trazidos pelo filme. Repressão, escravidão, violência como entretenimento, rebelião, ditaduras, reality show, entre outros aspectos, estão presentes no filme.
            Entretanto, talvez pelo objetivo do filme, que em última instância é o máximo de lucro possível, a maior parte deste potencial não foi desenvolvida. Talvez o livro aborde esses assuntos de maneira mais madura; mas para permitir que a faixa etária do filme incluísse adolescentes, mesmo as cenas de violência foram contidas. Apesar de mais tênues, só o fato de adolescentes estarem matando uns aos outros ao vivo em rede nacional não pode ser totalmente ignorado.
            Os jogos em si também perdem um pouco sua cara de vorazes em determinados momentos, e passam a ser mais como uma gincana algumas vezes. Enfim, um filme bom como entretenimento, e que se os próximos forem desenvolvidos com mais profundidade e maturidade, poderão ser muito melhores. Mas uma troca na direção seria muito bem-vinda.
Nota 70/100

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Pele que Habito

Ficha técnica: La Piel que Habito, 2011
Gênero: Suspense, Drama;
Direção: Pedro Almodóvar.
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Blanca Suárez, Roberto Álamo, Susi Sánchez.
País: Espanha.
Tempo: 117 min.
Idioma: Espanhol.

    Os filmes de Almodóvar têm a característica de nos trazer questões delicadas, que a maioria dos cineastas evita tocar, e “A Pele que Habito” não foge à regra. Neste filme, temas atuais como bioética, sexualidade e a ciência nos saltam aos olhos. Ouso dizer que este filme talvez esteja no mesmo nível de seu melhor trabalho na minha opinião, “Fale com ela”.
     Almodóvar trabalha de maneira excepcional a não-linearidade do filme. Já vimos muitos diretores usarem este artifício de maneira péssima ou caírem no ordinário, mas este não foi o caso. No momento em que ele começa a nos mostrar o passado, já temos uma opinião em formação sobre os personagens, e essas reviravoltas inesperadas é que fazem o filme ser tão bom.
     Além dos temas polêmicos apresentados, também há uma excelente mistura de gêneros, principalmente o “horror”, mesmo sem um único grito e com pouco sangue – utilizando muito bem os símbolos que já estão associados ao gênero na nossa mente, associados a pesadas cenas. As atuações são muito boas, apesar de não serem tão impactantes quanto o filme em si. 
A questão da bioética realmente é muito importante, e o filme não nos traz nenhuma resposta definitiva, apenas apresenta uma perspectiva. Obviamente que não defendo o sequestro e o cárcere privado, mas isso só nos mostra os extremos que a ciência e as pessoas alcançam. Em muitos momentos encontrei alguma semelhança com O Segredo dos seus Olhos ou Oldboy, mas na verdade é diferente de ambos. A grande revelação sobre o passado de Vera, e o fato de o médico Roberto estar se envolvendo com ela são realmente chocantes para diversos padrões.
   A mescla que se faz no filme entre ciência e vingança, o super-envolvimento emocional com o objeto do cientista é excelente. A contradição do ser humano, totalmente presente nos dois protagonistas também é excelente: a capacidade de amar e odiar em níveis extremos, e de como é complicado definir indivíduos por apenas determinadas ações.
    Se formos debater todas as polêmicas e ideias do filme, a discussão seria infinita. Enfim, este é um filme excelente que nos faz questionar inúmeros aspectos de nossa vida social, direitos, paradigmas éticos, científicos, entre outros. Um dos melhores filmes de Almodóvar com certeza, mas que talvez para vê-lo precisamos ao menos de uma autocrítica e uma mínima consciência de nossos preconceitos.
            Nota 92/100

sábado, 21 de abril de 2012

O Aviador

Ficha técnica: The Aviator, 2004
Gênero: Biografia, Drama;
Direção: Martin Scorsese.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Kate Beckinsale,
Alec Baldwin, John C. Reilly, Alan Alda, Ian Holm, Gwen Stefani, Matt Ross, Danny Huston, Jude Law.
País: Estados Unidos e Alemanha.
Tempo: 170 min.
Idioma: Inglês.

      Quando falamos em Martin Scorsese, um dos maiores diretores que Hollywood já produziu, e talvez o maior dos que ainda dirigem, sempre podemos colocar nossas expectativas nos níveis mais elevados. O Aviador, apesar de não estar entre os melhores filmes do diretor, ainda é um excelente filme.
     Talvez um pouco confuso, mas se tratando de Howard Hughes, isto seja até compreensível. Um filme que explicasse toda sua vida e personalidade de maneira objetiva e clara seria péssimo em razão desta pretensão. As cenas de seus momentos bizarros e tiques, intercaladas com seus momentos de brilhantismos são ótimas. Outro ponto alto são os testes com os aviões e os vôos em si, cenas muito bem dirigidas e produzidas.
        O filme passa por vários aspectos da vida de Hughes, seu envolvimento com o cinema e as atrizes, seus momentos de insanidade e paranoia, sua relação com seus funcionários, a disputa entre a TWA e Pan Am, a audiência pública após a Segunda Guerra Mundial e a construção do navio voador Hércules. Uma leve tentativa de explicar seus toques com limpeza e outros distúrbios foi feita, ao criar uma relação um tanto freudiana com sua mãe quando criança, e que a meu ver poderia ser cortada do filme. Este é o ponto baixo do longa de mais de duas horas.
      As luta contra o monopólio da Pan Am nos vôos para a Europa e os investimentos feitos pelos EUA na indústria militar durante as guerras retratam de maneira interessante a sociedade estadunidense. Apesar de não ser esse o foco do filme, os pontos levantados podem nos fazer questionamentos interessantes e reveladores.
        Apesar de esse não ser o melhor filme de Scorsese, talvez seja o melhor de DiCaprio em termos de atuação. Ele carrega muito bem o filme, e toda vez que se junta a Scorsese, podemos sempre esperar algo excelente. Talvez a única crítica que cabe aqui é que mais ao final do filme, quando se esperava um Hughes mais maduro, ele ainda parecia um menino que se divertia com sua fortuna, ainda que tenha demonstrado mais seriedade em determinados momentos. Mas talvez esse fosse um pouco do verdadeiro Howard, por isso considero a atuação de DiCaprio impecável.
     Os coadjuvantes também estão excelentes: Blanchett como Katherine Hepburn está excelente em cada minuto na tela, e mesmo Beckinsale nos surpreende com sua atuação. Reilly, Baldwin e Alda estão todos muito bem também. Um elenco excelente, em que o diretor possibilitou que cada um nos proporcionasse o melhor de seu trabalho.
    Um filme que apesar de enaltecer muitas das qualidades de Hughes, não o pinta apenas como um santo e gênio. Podemos ver também a maneira como ele lidava com as mulheres e o fato de que apesar de toda sua genialidade, se não fosse pelo dinheiro herdado, muitas de suas atitudes nobres e de suas loucuras não seriam possíveis.

Nota 86/100

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sete Dias com Marilyn

Ficha técnica: My Week with Marilyn, 2011
Gênero: Biografia, Drama;
Direção: Simon Curtis
Elenco: Michelle Williams, Eddie Redmayne, Kenneth Branagh, Julia Ormond, Judi Dench, Emma Watson, Toby Jones, Dominic Cooper
País: Estados Unidos e Reino Unido.
Tempo: 99 min.
Idioma: Inglês.

       Marilyn Monroe foi uma das mais famosas e polêmicas atriz de Hollywood. Este filme nos mostra os dias em que Monroe foi à Inglaterra para contracenar com Laurence Olivier no filme O Príncipe Encantado, que também é produzido e dirigido por ele.
       Quando falamos de Marilyn Monroe, surgem diversas opiniões. O filme, a princípio, nos traz uma Marilyn um tanto egocêntrica, irresponsável e de questionável capacidade para atuar. Seus atrasos, falas não decoradas e arrogância forma uma imagem inicial muito negativa dela. Entretanto, ao longo do filme, temos outras características realçadas: manipuladora, carente, depressiva, atenciosa, instável, etc. Desta maneira, o filme tenta não se apoiar de maneira definitiva em nenhuma opinião, apesar de construir uma primeira imagem da atriz e depois questioná-la.
       Obviamente, o filme encara a situação sob a percepção de Colin Clark, que era um diretor assistente iniciante e de acordo com seus escritos, passou uma semana com Marilyn, enquanto seu marido a deixou na Inglaterra. Olivier, apesar de todo seu conhecimento sobre cinema e dedicação ao filme, também é mostrado muito arrogante em certas horas, talvez até de maneira despretensiosa pelo filme.
        As atuações de Michelle Williams e Kenneth Branagh estão excelentes. Eddie Redmayne, apesar de não comprometer, acaba um tanto apagado entre os dois atores, e não revelou muita química com Williams, apesar de isso ter inclusive dado um significado diferente e talvez até mais interessante para a trama. Judi Dench faz uma excelente ponta, e como sempre, rouba a atenção em todas as cenas em que aparece. Emma Watson também aparece pouco mas bem no filme, apesar de tampouco revelar muita química com Redmayne. Mas pelo menos conseguiu uma atuação boa num filme bom após o fim da saga Harry Potter, o que nos mostra que sua carreira deve continuar firme.  
         Um filme que tenta nos mostrar diferentes aspectos da personalidade de Marilyn Monroe, mas sem fazer juízo de valor e sem enfatizar demais apenas um destes aspectos. Um excelente filme como entretenimento, mas sem grandes revelações e nada de muito impacto ou reflexão.
Nota 76/100

sábado, 14 de abril de 2012

Patton - Rebelde ou Herói?

Ficha técnica: Patton, 1970
Gênero: Guerra, Biografia, Drama;
Direção: Franklin J. Schaffner
Elenco: George C. Scott, Karl Malden.
País: Estados Unidos.
Tempo: 172 min.
Idioma: Inglês, Francês, Alemão.

       O aclamado filme sobre o controverso general George Patton Jr. me agradou muito e me fez refletir sobre alguns aspectos das guerras e suas hipocrisias e absurdos. O general em questão é tratado como louco ou insano, mas considerado um dos melhores militares dos EUA durante o conflito. Ao mesmo tempo, ele tenta se afastar da política, numa ingenuidade que acima dos generais, as guerras são feitas pelos políticos.
      O filme nos mostra algum dos horrores da guerra (desrespeito pela vida humana acima de tudo, neste caso), como não poderia deixar de mostrar, apesar de não ser este o foco. Os holofotes estão sobre Patton, suas declarações e atitudes polêmicas, e as controvérsias com os demais militares.
       Se as falas e situações mostradas são reais ou não, será impossível termos certeza acerca de tudo. Entretanto, ele é uma pessoa que comporta infinitas idiossincrasias, assim como a guerra. Ao mesmo tempo que os generais o punem por tratar mal um soldado, os mesmos generais tratam seus soldados como número durante todas as guerras.
A desculpa utilizada para não se glorificar Patton é sua irreverência e atitudes polêmicas, mas o filme as traz como, apesar de algum egocentrismo por parte dele, muito objetivas e bem estruturadas. A história nos faz criar uma simpatia pelo personagem, talvez inclusive com uma visão romântica de um comandante patriota e de reputação ilibada, encarando toda a situação de suas controversas atitudes de maneira ingênua, apenas como um incompreendido – não há nenhum questionamento mais sério sobre seus altos e baixos dentro do exército; mas tampouco há qualquer tomada de posição questionando a mesma atitude do exército. Um filme patriota ao extremo, inclusive com uma certa arrogância até mesmo com relação aos países aliados e à Inglaterra, e que fica em cima do muro nas questões internas.
         Outro ponto em que o filme deixou a desejar é o fato de não mostrarem a história de Patton antes da Segunda Guerra, em que ele realmente fazia o que pregava: ser duro nas batalhas - isso não era algo da boca pra fora, visto que durante a Primeira Guerra lutou até desmaiar por perder sangue durante uma batalha. Não estou defendendo sua postura, mas a construção e contextualização do personagem é essencial para que ele realmente não pareça um louco. 
A atuação de Scott é excelente, ajudada pela semelhança física dele com o verdadeiro Patton. A trilha sonora e efeitos do filme é excelente, e as cenas de batalhas muito bem trabalhadas, fazendo um bom retrato da guerra.
Nota 88/100

domingo, 1 de abril de 2012

J. Edgar

Ficha técnica: J. Edgar, 2011
Gênero: Drama;
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Leonardo DiCaprio, Armie Hammer, Judi Dench, Naomi Watts, Josh Lucas.
País: Estados Unidos.
Tempo: 137 min.
Idioma: Inglês. 

      Este longa-metragem criou em mim grandes expectativas: direção de Clint Eastwood e Leonardo DiCaprio como protagonista, no papel de J. Edgar Hoover – me parecia uma combinação perfeita. Confesso que o filme me decepcionou.
    O filme veio com uma ótica um pouco diferente da qual eu esperava, talvez pelo fato de ser apenas um recorte da vida dele, afinal, somente o FBI ele comandou por 48 anos, e tudo não caberia num único filme de pouco mais de duas horas.
        Entretanto, o filme gira em torno da relação (um tanto freudiana) de Hoover com sua mãe, de sua sexualidade reprimida e sua paranoia por aparência e grandeza. Muita coisa já foi falada sobre os métodos que Hoover utilizava enquanto comandava a organização, através de chantagens, grampos ilegais, espionagem, ignorando direitos humanos e civis, entre outras violações.
          Apesar de não trazer grandes novidades sobre sua personalidade, o filme foca em sua vida pessoal, e sua relação de amor reprimido com seu amigo e parceiro, segundo em comando, Clyde Tolson. A relação com sua secretária Helen Gandy (Naomi Watts), fiel segredo de seus arquivos pessoais, após o pedido de casamento, passou despercebida no restante do filme.
        As atuações foram boas, DiCaprio esteve um pouco abaixo de sua média, mas as de Judi Dench (mãe de Hoover) e Armie Hammer (Clyde Tolson) foram muito bem executadas. A maquiagem, no entanto, estava péssima – Watts e Hammer pareceriam ter saídos de um filme de terror, embora no caso de DiCaprio, ela estivesse um pouco melhor, ou talvez menos assustadora. 
       A sexualidade reprimida foi o centro do filme, talvez por isso levou Hoover, na lógica do filme, a perder a confiança nas pessoas. As acusações sofridas dele não participar das ações em campo não justificavam, pois afinal, ele era o cérebro não das operações, mas de toda a instituição, e não havia necessidade de também fazer este trabalho; entretanto, tampouco deveria mentir e fantasiar sobre suas histórias.
        Enfim, o filme está longe dos melhores de Clint e de DiCaprio, e apesar de não fazer nem mesmo uma crítica mais severa a tudo que envolveu a criação do FBI e os métodos utilizados por Hoover, faz uma abordagem interessante.
Nota 78/100