Ficha Técnica: Gonzaga - de Pai pra filho, 2012
Gênero: Drama, Biografia, Musical.
Direção: Breno Silveira.
Elenco: Adelio Lima, Chambinho do Acordeon, Land Vieira, Julio Andrade, Giancarlo di Tomazzio, Alison Santos, Nanda Costa, Ana Roberta Gualda, Claudio Jaborandy, Cyria Coentro, Silvia Buarque, Luciano Quirino, Olivia Araujo, Zezé Motta, Domingos Montagner, Cecília Dassi.
País: Brasil.
Tempo: 130 min.
Idioma: Português.
Um projeto ousado do
diretor Breno Silveira, ao contar a conturbada história de pai e filho, dois
monstros da música popular brasileira. Ao menos, com uma vantagem ele começa –
a trilha sonora do filme é excelente, pois é composta pelas belíssimas canções de Luiz
Gonzaga e seu filho, Gonzaguinha.
O filme tem dois
focos principais: a carreira do Rei do Baião, desde sua adolescência na cidade
de Exú, até o sucesso imenso em todo o Brasil e posteriormente, o retorno aos
tempos difíceis; e a relação dele com seu filho e também músico, Gonzaguinha. Conforme
a história vai sendo contada, perpassam os momentos históricos do Brasil de
maneira muito sutil, mas na medida certa – coronelismo, esquecimento do
nordeste, Revolução de 30, Ditadura Militar, dentre outros aspectos. Temas espinhosos
como o preconceito (classe, cor), pobreza e machismo são tratados, ainda que de
maneira não evidente, mas inteligentemente.
Para os críticos do
politicamente correto dos dias de hoje, podemos observar o quanto as piadas e
brincadeiras “inocentes” podem prejudicar e fazer mal a uma pessoa – as humilhações
sofridas por Luiz Gonzaga deixam isto muito claro. Sua carreira brilhante como
representante do nordeste é ressaltada, com a figura do cantor do povo, sendo
um dos pontos altos do filme, que emociona de diferentes maneiras.
A relação com seu
filho também mostra um outro lado do cantor. O suposto abandono do pai (afetivo
mais do que qualquer outro) que o menino sofreu após a perda da mãe, a dor de
ambos e as diferentes maneiras de expressar isso, até a conversa final onde se
magoaram e se reconciliaram, auge do filme e de grande atuação.
Os atores estão muito
bem – foi acertada a escolha de três atores para cada um dos protagonistas, em três
diferentes fases da vida. Todos trabalharam bem, mas para mim, o maior destaque
é Julio Andrade, que era o próprio Gonzaguinha, e não um ator. Chambinho também
fez um excelente papel, e Adelio protagonizou com Andrade as cenas mais
emocionantes do filme. Os coadjuvantes estão muito bem, com um destaque especial
para os pais de Gonzagão e o casal de amigos que o acolheu quando chegou ao Rio
de Janeiro.
Um filme que faz jus
à carreira dos compositores e que ousa em mostrar a relação conflituosa e
pesada entre pai e filho. Nos faz refletir sobre o preço do sucesso e fama,
muito diferentes naquela época, e as consequências que a infância de um indivíduo
tem por toda sua vida. Sabe combinar muito bem as músicas e os momentos em que
foram compostas, com uma bela fotografia, tanto do RJ como do Sertão, além de
boa direção.
Nota 85/100