quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Deus só Atende aos Domingos

Ficha Técnica: Des nouvelles du bon Dieu, 1996.
Gênero: Drama, Comédia.
Direção: Didier Le Pêcheur
Elenco: Marie Trintignat, Christian Charmetant, Maria de Medeiros, Michel Vuillermoz, Isabelle Candelier, Artus de Penguern, Jean Yanne .
País: França. 
Tempo: 97 min.
Idioma: Francês. 

    Um filme francês que discute a existência de Deus e a forma como Ele rege nossas ações em nossas vidas. Todos os componentes para um ótimo filme, mas que fracassa miseravelmente. E ao meu ver, o erro começa na escolha do gênero do filme – não teve tato para tratar de uma assunto profundo, polêmico e complexo como este, escolhendo piadas erradas em péssimos momentos. 
      Os atores são razoáveis, mas a forma caricaturesca que retratam seus personagens não me agradou. A história beira ao absurdo em determinados momentos. Não há um começo lógico, apenas personagens jogados que surgem aleatoriamente e têm ideias aleatórias sobre Deus. Ainda que possua muito potencial, o fato de tratar de maneira cômica muitas coisas não contribuiu nada para o filme. 
     Mesmo a conversa com Deus, ao meu ver, nada interessante. Apresentá-los como um escritor, caíram no argumento comum de que temos um destino traçado para nossas vidas, e assim temos filmes que dizem o mesmo de maneira muito melhor. 
    Propõe-se grandioso, e busca quebrar tabus e criticar a Igreja, mas ao tratar o assunto todo de forma cômica (e ainda sem graça), perde qualquer credibilidade que caberia. Total desperdício de potencial.

Nota 58/100
 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

007 - Operação Skyfall

Ficha Técnica: Skyfall, 2012
Gênero: Ação, Aventura.
Direção: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice Marlohe, Albert Finney, Ben Whishaw, Rory Kinnear, Ola Rapace.
País: Reino Unido, Estados Unidos. 
Tempo: 143 min.
Idioma: Inglês. 

    Pela primeira vez, assisti um filme da franquia de James Bond por inteiro. Além de tudo, fui ao cinema. E a primeira impressão que fiquei foi que não perdi nada em nunca ter visto qualquer outro filme do 007 antes. Mas comecemos pelos pontos positivos.
   A abertura do filme, uma sequência de imagens com Adele cantando a música tema, me agradou muito - belo trabalho artístico. Melhor do que a sequência de ação anterior, que abre o filme. E Javier Bardem fez ótima atuação, dentro da limitação que o filme impõe. A primeira parte, em que seu personagem Silva se encontra com Bond (Craig) é muito interessante. Depois, ao se tornar um louco terrorista, que acaba por desconstruir todo frágil argumento inicial de que muitos terroristas são criados pelas próprias agências de inteligência (mesmo que supostamente contra a vontade delas), sua atuação cai no ordinário. 
    Os demais atores estão bem. Dench é excelente, Craig talvez não seja tão bom quanto, mas tem potencial e é muito melhor do que Brosnan, o último Bond. A “Bond girl” do filme, apesar de linda, esteve com fraquíssima atuação e pouco destaque. No entanto, mesmo sob direção de Sam Mendes, o filme continua sendo uma sequência de explosões, ações improváveis em que sabemos quem será o vencedor, o discurso patriótico exagerado (estes sim muito mais fanáticos do que os terroristas) e a paranoia de segurança que envolve as agências de espionagem – no depoimento de M (Dench) para os ministros, confirmada pela sequência de atentados que se segue. 
     O filme busca colocar momentos cômicos (uma nova moda do cinema mainstream de ação) que dessa vez encontraram o tom certo. E o final para M também ao menos foi diferente, ainda que a partir de certo momento, passa a ser esperado. Um filme comum de ação, que pra quem gosta de grandes sequências aleatórias de explosões e de super-heróis, sairá satisfeito.

Nota 57/100
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Guerreiro

Ficha Técnica: Warrior, 2011
Gênero: Drama, Esporte.
Direção: Gavin O'Connor
Elenco: Tom Hardy, Joel Edgerton, Nick Nolte, Jennifer Morrison, Frank Grillo, Kevin Dunn, Maximiliano Hernández, Vanessa Martinez, Kurt Angle, Erik Apple, Gavin O'Connor.
País: Estados Unidos. 
Tempo: 140 min.
Idioma: Inglês. 

     Talvez este filme lance uma nova moda no cinema: filmes de MMA, substituindo os filmes de boxe ou dividindo com eles o sucesso. Afinal, MMA e UFC aparentam ser o esporte do momento, com grande investimento em marketing e tentando espalhar sua marca globalmente. 
     O filme tem muita influência dos filmes de boxe, contando com inúmeros de seus clichês como azarões, russos/soviéticos malvados, superações, famílias destruídas e esposas aflitas. Talvez o ponto alto do filme esteja em seus atores. Hardy e Edgerton estão muito bem nos papéis, conduzindo o filme de forma excelente. Morrison, Grillo e Dunn também fazem ótimas aparições. Mas o grande destaque é realmente o veterano Nick Nolte, pais dos dois lutadores – ele realmente transforma o filme, além de permitir um excelente trabalho dos protagonistas enquanto contracena com qualquer um deles (vale ressaltar que os três não aparecem juntos em nenhuma cena). 
     Já o filme em si, além de contar com sequências de acontecimentos improváveis e forçadas (característico destes filmes de lutadores que superam adversidades), divide o enredo em dois: um drama familiar excelente, que poderia ser melhor trabalhado; e as lutas de MMA, que são é sim o outro foco principal do filme. 
         O diretor faz um ótimo trabalho na primeira metade do filme, demonstrando como pais podem afetar profundamente a vida de seus filhos, não somente quando crianças. Na realidade, ainda demonstra que eles podem destruir inclusive uma relação de irmãos, que acabam tomando decisões drásticas e que exigem uma maturidade que ainda não têm, e vai assombrá-los pelo resto de suas vidas. Também nos mostra o arrependimento do pai, ou mesmo a dor que sente, mas que simplesmente não se curam com a idade. Certas feridas acabam durando pra sempre. Ainda temos a crise econômica nos EUA sutilmente mostrada. 
      No entanto, apesar de não se utilizar de flashbacks (ponto positivo) para contar a história de vida de ambos, ele opta por, na segunda metade do longa (as lutas), um final previsível da competição, e não fornece um desfecho para o drama familiar, deixando muitas coisas no ar. Não que isso seja necessário, é uma estratégia legítima e muito boa. Eu apenas esperava um desfecho por ser o melhor aspecto da história contada, que não é retomada em nenhum momento da segunda metade, quando começam as lutas. Um filme normal, que apesar das boas atuações e de um certo potencial, deixa muito a desejar – acabou tornando-se mais do mesmo, apenas com uma nova roupagem.

Nota 69/100
 

domingo, 11 de novembro de 2012

As Neves do Kilimanjaro

Ficha Técnica: Les Neiges du Kilimandjaro, 2011
Gênero: Drama.
Direção: Robert Guédiguian
Elenco: Jean-Pierre Darroussin, Ariane Ascaride, Gérard Meylan, Marilyne Canto, Grégoire Leprince-Ringuet, Anais Demoustier, Adrien Jolivet, Karole Rocher, Robinson Stévenin, Yann Loubatière, Jean-Baptiste Fonck, Emilie Piponnier, Raphael Hidrot, Pierre Niney.
País: França. 
Tempo: 107 min.
Idioma: Francês. 
   
     Este é um filme que acredito ser impossível de ser feito nos EUA, sob os mesmos moldes. Ao menos no grande cinema. O mais próximo que conheço dele seria Sindicato de Ladrões, mas mesmo este tem um final decepcionante e que ao meu ver, acaba por contribuir para alienação do trabalhador. 
        O filme se passa na cidade portuária de Marselha, na França. Ele começa com um homem, Michel (Darroussin), sorteando 20 nomes de funcionários da empresa portuária que seriam demitidos, para “salvar” a classe durante a crise europeia, que é um dos planos de fundo do filme. Mesmo sem precisar, Michel coloca seu nome no pote, e acaba sendo um dos sorteados. Alguns críticos acusaram o longa de panfletário, mas a crítica não procede. O filme tem obviamente um viés marxista claro, até pelo personagem de Michel, um líder sindical. No entanto, o filme apresenta o choque de valores e gerações na França atual, mas ao invés de fazer julgamentos, ele toma partido de um dos lados (o marxista, com ressalvas), mas não de forma panfletária – é melhor que se escolha um lado do que a pretensa neutralidade.
      Michel é casado com Marie-Claire (Ascaride), uma faxineira, que partilha dos mesmos ideias do marido e entende sua posição de não se colocar fora do sorteio, como queria seu amigo de longa data e concunhado Raoul (Meylan), também funcionário da empresa mas que não estava entre os possíveis demitidos por ser líder sindical, casado com a irmã de Marie-Claire, Denise (Canto).
       Michel e Marie-Claire são um casal de classe média baixa na França (obviamente esta classificação não pode ser aplicada da mesma forma ao Brasil, pois o estado de bem-estar social prevalece, ainda que muito decadente e com diversos cortes de direitos, no país). Após uma festa de bodas de pérola, os dois ganham de presente uma viagem ao Kilimanjaro de todos os convidados, com uma bonita cena em que os filhos e netos entregam o presente. Logo depois, o casal de amigos (parentes) são assaltados, e todo o dinheiro, as passagens, os cartões com as senhas e o HQ do Homem-Aranha são levados pelos assaltantes, que machucam o ombro de Michel e deixam sequelas psicológicas em Denise, além de baterem em Marie.
     Uma sequência de fatos inusitados e improváveis, mas que apesar disso, não afetam o filme, Michel descobre que um dos assaltantes era Christophe (Ringuet), um funcionário demitido junto com ele. Após a descoberta, a polícia prende o rapaz, que aos 22 anos cuidava de seus dois irmãos menores, que não conheciam o pai e a mãe (Rocher) era ausente. A partir daí, o casal protagonista começa a se não estariam eles afastados de seus valores e ideais, se não teriam tornado-se burgueses. Ao interrogar o jovem, Michel perde o controle e o acaba por agredi-lo, mostrando também uma nova contradição sua, entre aquilo que acredita e no que realmente faz (outra importante foi a questão do Homem-Aranha, pois considera o inglês um idioma de colonizadores, mas seu ídolo era o super-herói). Contradições estas inerentes aos seres humanos, e apresentadas ao longo do filme, e Michel tenta justificar para si mesmo o uso da violência através da violência e humilhação que os assaltantes usaram contra ele e sua família – vingança que ele mesmo tanto reprova. Outro aspecto interessante, de maneira sutilmente mostrada, é a conduta do policial – que desrespeita regras e deixa a vítima interrogar e agredir o acusado – mostrando a hipocrisia da França como alta civilização e antro dos direitos humanos do mundo ocidental.
    O filme desenrola-se de maneira a mostrar também a confrontação de valores entre ideologias e gerações, principalmente com os filhos, que não aceitam as posições dos pais – um claro confronto de valores socialistas e burgueses na França atual, que coincide muitas vezes com o confronto entre valores destas gerações diferentes. Além disso, temos um fato muito comum em que filhos desejam ditar a vida dos pais quando mais velhos.
      Outro aspecto interessante é que, ao final, é difícil definir os personagens de forma maniqueísta, entre bem e mal, um ponto muito positivo do filme, semelhante ao iraniano A Separação; a mãe de Christophe, o próprio Christophe, os casais Michel e Marie, Raoul e Denise, e mesmo os filhos deles, são todos colocados dentro do contexto em que vivem se que se façam pré-julgamentos; questionamentos sobre os valores da esquerda também são feitos, como o sorteio promovido para escolher os demitidos, a posição social dos líderes sindicais e a corrupção destes valores pela globalização e pelo desmantelamento do estado de bem-estar social francês.
     Os atores fazem um excelente trabalho no filme, todos muito bem. A fotografia e direção são interessantes, com a cidade de Marselha sempre ao fundo, principalmente seu porto. A trilha sonora peca em utilizar uma música pop de língua inglesa, ao se tratar de um tema tão francês, questionando sua esquerda peculiar, com base em um poema de Victor Hugo – desnecessário. A utilização das crianças para convencer o espectador sobre os argumentos e valores socialistas frente aos liberais e burgueses também foi apelativa, buscando mexer no emocional dos que estão assistindo. Fora isso, um ótimo filme, que ainda no século XXI nos mostra que temas como luta de classes estão tão atuais, apesar de muitos dizerem o contrário.

Nota 97/100
 

sábado, 10 de novembro de 2012

Gonzaga - de Pai pra Filho

Ficha Técnica: Gonzaga - de Pai pra filho, 2012
Gênero: Drama, Biografia, Musical.
Direção: Breno Silveira.
Elenco: Adelio Lima, Chambinho do Acordeon, Land Vieira, Julio Andrade, Giancarlo di Tomazzio, Alison Santos, Nanda Costa, Ana Roberta Gualda, Claudio Jaborandy, Cyria Coentro, Silvia Buarque, Luciano Quirino, Olivia Araujo, Zezé Motta, Domingos Montagner, Cecília Dassi.
País: Brasil. 
Tempo: 130 min.
Idioma: Português.

   Um projeto ousado do diretor Breno Silveira, ao contar a conturbada história de pai e filho, dois monstros da música popular brasileira. Ao menos, com uma vantagem ele começa – a trilha sonora do filme é excelente, pois é composta pelas belíssimas canções de Luiz Gonzaga e seu filho, Gonzaguinha. 
     O filme tem dois focos principais: a carreira do Rei do Baião, desde sua adolescência na cidade de Exú, até o sucesso imenso em todo o Brasil e posteriormente, o retorno aos tempos difíceis; e a relação dele com seu filho e também músico, Gonzaguinha. Conforme a história vai sendo contada, perpassam os momentos históricos do Brasil de maneira muito sutil, mas na medida certa – coronelismo, esquecimento do nordeste, Revolução de 30, Ditadura Militar, dentre outros aspectos. Temas espinhosos como o preconceito (classe, cor), pobreza e machismo são tratados, ainda que de maneira não evidente, mas inteligentemente.
    Para os críticos do politicamente correto dos dias de hoje, podemos observar o quanto as piadas e brincadeiras “inocentes” podem prejudicar e fazer mal a uma pessoa – as humilhações sofridas por Luiz Gonzaga deixam isto muito claro. Sua carreira brilhante como representante do nordeste é ressaltada, com a figura do cantor do povo, sendo um dos pontos altos do filme, que emociona de diferentes maneiras.
    A relação com seu filho também mostra um outro lado do cantor. O suposto abandono do pai (afetivo mais do que qualquer outro) que o menino sofreu após a perda da mãe, a dor de ambos e as diferentes maneiras de expressar isso, até a conversa final onde se magoaram e se reconciliaram, auge do filme e de grande atuação.
     Os atores estão muito bem – foi acertada a escolha de três atores para cada um dos protagonistas, em três diferentes fases da vida. Todos trabalharam bem, mas para mim, o maior destaque é Julio Andrade, que era o próprio Gonzaguinha, e não um ator. Chambinho também fez um excelente papel, e Adelio protagonizou com Andrade as cenas mais emocionantes do filme. Os coadjuvantes estão muito bem, com um destaque especial para os pais de Gonzagão e o casal de amigos que o acolheu quando chegou ao Rio de Janeiro.
     Um filme que faz jus à carreira dos compositores e que ousa em mostrar a relação conflituosa e pesada entre pai e filho. Nos faz refletir sobre o preço do sucesso e fama, muito diferentes naquela época, e as consequências que a infância de um indivíduo tem por toda sua vida. Sabe combinar muito bem as músicas e os momentos em que foram compostas, com uma bela fotografia, tanto do RJ como do Sertão, além de boa direção.

Nota 85/100     

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Capitães da Areia

Ficha Técnica: Capitães da Areia, 2011
Gênero: Drama.
Direção: Cecília Amado e Guy Gonçalves.
Elenco: Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Roberio Lima, Israel Gouvea, Paulo Abade, Elielson Conceição, Jordan Matheus, Evaldo Maurício, Heder Novaes, Marinho Gonçalves, Ana Cecília, Jussilene Santana, Felipe Duarte, Edelvan de Deus, Zéu Britto, Diogo Lopes Filho, Jamaclei Pinho, Elcian Gabriel.
País: Brasil, Portugal.
Tempo: 96 min.
Idioma: Português. 

    Adaptar uma das maiores obra de um dos nossos maiores escritores para o cinema não é tarefa fácil. E é exatamente este excelente roteiro pro trás do filme, o livro de Jorge Amado, que salva o filme de um fracasso completo. O livro nos traz uma série de personagens muito bem trabalhados e profundos, com inúmeras situações encadeadas de tal maneira que acabam por envolver o leitor. 
      O longa realmente mantém alguns dos pontos principais do livro, como o aspecto humano dos meninos de rua e a mistura de uma infância que foi roubada, mas ainda permanece nos corações dos capitães. Mas o filme pára por aí. As muitas histórias de vida dos meninos são contadas de forma atropelada; os personagens não conseguem emocionar o espectador, a situação não é complexada da mesma brilhante forma que Jorge Amado faz em sua obra. Talvez o fato de o filme ser muito curto para uma adaptação como esta, mas as histórias ficaram rasas, bem como o filme em si: não há todo o contexto da miséria e injustiça social, e de como parte da população (principalmente carente) simpatizavam com os meninos. 
    Houve também uma mudança do desfecho de determinados personagens, que na verdade tiveram seu fim brevemente narrado por um dos capitães, sendo um ponto muito negativo do filme. O final do Sem-Pernas foi o mais modificado, atenuando seu trágico final de maneira muito simples. Os atores fizeram um trabalho razoável, dentro dos limites estruturais do filme, que não deixaram muito espaço para grandes atuações. 
     Como já expressei anteriormente, adaptações de livros são sempre complicadas. Mas me questiono se aqueles que não leram o livro entenderam o filme – uma certa confusão de personagens me ocorreu em determinados momentos – mesmo tendo lido a obra há pouco tempo. Um filme que não capta nem parcialmente a imensa magia e emoção de sua obra original, mas que ainda assim foi salvo por ela de se tornar um filme completamente medíocre.
Nota 60/100
 
  

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um Conto Chinês

Ficha Técnica: Un Cuento Chino, 2011
Gênero: Comédia, Drama.
Direção: Sebastián Borensztein.
Elenco: Ricardo Darín, Ignacio Huang, Muriel Santa Ana, Iván Romanelli.
País: Argentina, Espanha.
Tempo: 93 min.
Idioma: Espanhol, Mandarin. 

     Este excelente filme do também excelente cinema argentino não é muito profundo ou tenso – uma ótima mistura de drama e comédia, que dentre muitas de suas virtudes, soube ser breve e preciso, não tentando nos fazer gargalhar, e sim nos divertir e envolver.
    A história do chinês Jung (Ingacio Huang) que cai de pára-quedas na vida de Roberto (Ricardo Darín) nos mostra de maneira muito real, cômica e irritante as dificuldades que a barreira do idioma estrangeiro pode nos impor. O diretor fez uma perfeita escolha ao não colocar legendas nas falas de Jung, deixando o espectador com uma sensação muito real da situação ali retratada.
    Apesar de alguns estereótipos – Roberto é o solteiro, sozinho e metódico, e Jung representa o senso comum que temos dos chineses – este não é o foco do filme, e sim a relação criada pela situação de ambos. O fato de poucos se importarem com o chinês acaba por incutir uma responsabilidade ainda maior de Roberto sobre o rapaz, mesmo que inconscientemente e contra sua vontade.
    Os atores estão ótimos – Darín é certamente um dos grandes de sua geração – e a química entre ele, suas reações muito reais e a situação em que metade das falas do filme não é compreensível para a maior parte do seu público exigem muito de seu trabalho, e ele realmente dá conta. Huang também está muito bem, e muitas vezes, mesmo sem entendê-lo, compreendemos o que passa apenas por suas expressões. Muriel também faz uma boa participação, apesar de ter uma personagem mais fraca. 
   O filme busca um final feliz para ambos, nos traz lições de vida com base no estereótipos – enfim, a mensagem dele não é nem um pouco original. Mas seu enredo, o desenrolar dela, é o que realmente importa e fazem dele um bom filme. Faz jus à fama do cinema argentino, que já nos brindou com os excelentes O Segredo de seus Olhos, O dia em que eu não nasci (co-produção) e Nove Rainhas.
Nota 78/100

sábado, 3 de novembro de 2012

Quero Ser Grande

Ficha Técnica: Big, 1988
Gênero: Comédia, Drama.
Direção: Penny Marshall.
Elenco: Tom Hanks, Elizabeth Perkins, Robert Loggia, Jared Rushton, John Heard, David Moscow, Jon Lovitz, Mercedes Ruehl, Josh Clark.
País: Estados Unidos.
Tempo: 104 min.
Idioma: Inglês. 
  
     Este foi o filme que rendeu a Tom Hanks sua primeira indicação ao Oscar – merecidamente. Hanks fez o papel de uma criança de 12/13 anos no corpo de um adulto sem parecer um retardado – melhor ainda, de atuando de maneira excelente e convincente, sendo um dos pontos altos deste filme. 
     O longa é evidentemente direcionado para um público familiar, mas ainda assim consegue atingir um amplo espectro de audiência. Ele não pretende-se sério a todo o momento, mas nos mostras algumas facetas da sociedade que nos podem fazer pensar.
Ele nos traz as angústias infantis às quais os adultos e pais pouco atentam; a vontade deles sentirem-se independentes e “gente grande”, de atenção e mesmo de ajuda durante os conflitos que passam a enfrentar desde pequenos, na escola e em casa. E nos mostra que essa “pressa” em amadurecer pode realmente prejudicar a infância de uma pessoa e afetá-la pela vida inteira – talvez os colegas de trabalho de Baskin, inclusive seu chefe, nos mostre isso de maneira sutil. 
      O filme também satiriza o ambiente e a forma de trabalho das grandes empresas, ao colocarem uma criança num cargo de extrema importância. Nos mostra como as empresas muitas vezes apenas criam algo sem realmente se conectar com a realidade – ainda que o filme evite entrar no tema perigoso da invenção de necessidades pela indústria, com consequências profundas na população. 
      Temos também a antológica cena do piano no chão, em que Hanks e Loggia tocam o teclado gigante com os pés. Um bom filme, com muitos momentos engraçados e divertidos, principalmente causados pela situação da criança no “mundo adulto” e pela ótima atuação de Hanks.

Nota 77/100