Gênero: Musical, Romance, Drama.
Direção: Tom Hooper.
Elenco: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Eddie Redmayne, Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Amanda Seyfried, Aaron Tveit, Samantha Barks, Daniel Huttlestone, Isabelle Allen.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 158 min.
Idioma: Inglês.
Ao adaptar um dos maiores clássicos da literatura para o cinema, deve-se ter muito cuidado. Também um dos maiores clássicos da Broadway – que talvez apesar do sucesso, também não aparenta ter tanta semelhança com livro. O diretor confessou não ter lido o livro, o que já é um fator muito negativo, e por isso, como adaptava o musical, decidiu por fazer um filme musical também.
A escolha talvez fosse para aumentar a carga dramática da obra, mas acabou saindo de maneira péssima. Eu tampouco li o livro, mas não creio que a proporção mostrada entre os triângulos amorosos previsíveis e o sofrimento amoroso dos personagens, em contraste com a miséria e sofrimento material/humano que enfrentam esteja assim representada no livro. E aparentemente, Hooper tampouco leu muitos livros de história. Os trechos em que os atores cantam individualmente são cansativos, com closes exagerados, e em sua maior parte dispensáveis – tornando o filme excessivamente longo e cansativo. É repetitivo, todos sofrendo pelo amor não correspondido – e talvez o sucesso de Hathaway seja explicado por cantar lindamente exatamente o aspecto central do livro – a miséria e sofrimento humano. Já as cenas cantadas coletivamente foram todas excelentes, com destaque para a cena de abertura, realmente impressionante.
No entanto, em razão do excesso de melodrama e sofrimento amoroso, o início da história ficou corrido – toda a transformação de Valjean (Jackman), o sofrimento de Fantine (Hathaway) – talvez a parte mais pesada do filme, em que ela vende seus cabelos, dentes e corpo por dinheiro – enfim, toda a miséria acaba sendo retratada, ainda que de forma intensa, em pouco tempo, para depois tornar-se um drama amoroso. Mesmo o levante de Paris de 1832 acaba perdendo seu sentido, pois aparenta ser apenas alguns insatisfeitos um pouco sem motivo, dando lugar aos triângulos amorosos. Confesso que estou curioso para saber qual o espaço dedicado por Victor Hugo em seu livro a cada assunto. O final, com Marius (Redmayne) sobrevivendo ao enfrentamento com a polícia, abandonando a luta e os companheiros mortos, retornando a casa do tio, casando-se com Cosette (Seyfried) e deixando para trás todo seu discurso revolucionário e social é realmente um soco no estômago – um final que vai agradar aos conservadores da classe média – e talvez por isso Hooper tenha sido escolhido, após ter filmado O Discurso do Rei (filme superior a este), mostrou-se adequado para tais padrões. A revolução popular e legítima atrapalhando as instituições de exploração burguesas.
O papel da Igreja também
é apresentado de forma dúbia – não sei até que ponto ela poderia apoiar uma revolução
de caráter social no moldes socialistas – é sabido que de forma geral, sempre
tenha sido uma grande opositora. Mas a preocupação do sofrimento humano e da redenção
do homem não está descolada da instituição. A produção técnica do filme é
excelente, ainda que um cinema ruim tenha prejudicado minha percepção, as cenas
são muito bem feitas – desde maquiagem, figurino e som.
A escolha dos atores foi acertada – muitos com experiência musical. Jackman vem da Broadway, estando muito bem e adaptado a tais papéis, sendo ideal para o protagonista. Hathaway estava excelente, embora ela devesse ter mais tempo em cena. Crowe não compromete, embora não atinja o nível de Jackman. Seyfried, Carter e Cohen já participaram de musicais antes, mantendo um bom nível, assim como Redmayne e Barks. Aliás, as personagens de Helena B. Carter e Sacha B. Cohen, ainda que sirvam para aliviar a tensão do filme (sou contra tais alívios desnecessários – a história deveria ser tensa como a realidade), são mostrados como dois pilantras picaretas, e não da forma real como deveriam – exploravam a pobre menina e sua mãe. A falta de seriedade de seus personagens ficou um pouco descolada, ao meu ver, destoando da temática. Os dois atores mirins - Allen e Huttlestone - estão fantásticos, principalmente o menino, um dos poucos pontos altos do filme.
Enfim, um filme que
assassina história, sociologia e provavelmente a literatura. A escolha por um
formato cantado do começo ao fim não me agrada – os monólogos cantados estão presentes
em exagero. Uma grande decepção, com valores conservadores e mesmo reacionários
constantemente apresentados, transformando uma tragédia social em drama
pessoal.
Ao adaptar um dos maiores clássicos da literatura para o cinema, deve-se ter muito cuidado. Também um dos maiores clássicos da Broadway – que talvez apesar do sucesso, também não aparenta ter tanta semelhança com livro. O diretor confessou não ter lido o livro, o que já é um fator muito negativo, e por isso, como adaptava o musical, decidiu por fazer um filme musical também.
A escolha talvez fosse para aumentar a carga dramática da obra, mas acabou saindo de maneira péssima. Eu tampouco li o livro, mas não creio que a proporção mostrada entre os triângulos amorosos previsíveis e o sofrimento amoroso dos personagens, em contraste com a miséria e sofrimento material/humano que enfrentam esteja assim representada no livro. E aparentemente, Hooper tampouco leu muitos livros de história. Os trechos em que os atores cantam individualmente são cansativos, com closes exagerados, e em sua maior parte dispensáveis – tornando o filme excessivamente longo e cansativo. É repetitivo, todos sofrendo pelo amor não correspondido – e talvez o sucesso de Hathaway seja explicado por cantar lindamente exatamente o aspecto central do livro – a miséria e sofrimento humano. Já as cenas cantadas coletivamente foram todas excelentes, com destaque para a cena de abertura, realmente impressionante.
No entanto, em razão do excesso de melodrama e sofrimento amoroso, o início da história ficou corrido – toda a transformação de Valjean (Jackman), o sofrimento de Fantine (Hathaway) – talvez a parte mais pesada do filme, em que ela vende seus cabelos, dentes e corpo por dinheiro – enfim, toda a miséria acaba sendo retratada, ainda que de forma intensa, em pouco tempo, para depois tornar-se um drama amoroso. Mesmo o levante de Paris de 1832 acaba perdendo seu sentido, pois aparenta ser apenas alguns insatisfeitos um pouco sem motivo, dando lugar aos triângulos amorosos. Confesso que estou curioso para saber qual o espaço dedicado por Victor Hugo em seu livro a cada assunto. O final, com Marius (Redmayne) sobrevivendo ao enfrentamento com a polícia, abandonando a luta e os companheiros mortos, retornando a casa do tio, casando-se com Cosette (Seyfried) e deixando para trás todo seu discurso revolucionário e social é realmente um soco no estômago – um final que vai agradar aos conservadores da classe média – e talvez por isso Hooper tenha sido escolhido, após ter filmado O Discurso do Rei (filme superior a este), mostrou-se adequado para tais padrões. A revolução popular e legítima atrapalhando as instituições de exploração burguesas.

A escolha dos atores foi acertada – muitos com experiência musical. Jackman vem da Broadway, estando muito bem e adaptado a tais papéis, sendo ideal para o protagonista. Hathaway estava excelente, embora ela devesse ter mais tempo em cena. Crowe não compromete, embora não atinja o nível de Jackman. Seyfried, Carter e Cohen já participaram de musicais antes, mantendo um bom nível, assim como Redmayne e Barks. Aliás, as personagens de Helena B. Carter e Sacha B. Cohen, ainda que sirvam para aliviar a tensão do filme (sou contra tais alívios desnecessários – a história deveria ser tensa como a realidade), são mostrados como dois pilantras picaretas, e não da forma real como deveriam – exploravam a pobre menina e sua mãe. A falta de seriedade de seus personagens ficou um pouco descolada, ao meu ver, destoando da temática. Os dois atores mirins - Allen e Huttlestone - estão fantásticos, principalmente o menino, um dos poucos pontos altos do filme.

Nota
67/100
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