quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Invictus

Ficha Técnica: Invictus, 2009.
Gênero: Drama, História, Biografia.
Direção: Clint Eastwood.
Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Adjoa Andoh, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Julian Lewis Jones, Marguerite Wheatley, Leleti Khumalo, Patrick Lyster, Shakes Myeko, Robert Hobbs, McNeil Hendricks.
País: Estados Unidos.
Tempo: 134 min. 
Idioma: Inglês.

     Como sou um grande fã de esportes (e seus filmes), minha análise desse longa de Clint Eastwood pode revelar-se distorcida por meu grande apreço pelo esporte. Fato que pode ser agravado por envolver a figura de um dos maiores líderes de toda a história, Nelson Mandela. Sua história de vida tão intensa, suas polêmicas posturas antes, durante e depois do deplorável regime do apartheid poderiam render inúmeros filmes. Contudo, a escolha de Clint Eastwood para o filme foi a relação entre o primeiro presidente negro sul-africano com o time de rúgbi da África do Sul, os Springboks, e a inesperada vitória do time na Copa do Mundo de 1995, em casa, tornando-se referência em histórias de superação e trabalho coletivo.
   O longa conta com cenas dirigidas de forma belíssima, principalmente as que envolveram as partidas de rúgbi, mas não restrita somente a elas (os treinos nos rincões do país e a visita á prisão da Ilha Robben). A atuação de Freeman como Mandela é muito boa, trazendo a serenidade que o presidente aparente nos passar, mas ao mesmo tempo seu pragmatismo e visão de longo prazo. Damon faz também excelente trabalho como o capitão da equipe, Pienaar. O restante do elenco está muito bem, ainda que não tenham tanto espaço.
    Ao nos trazer o envolvimento de Nelson Mandela com a equipe nacional de rúgbi durante a surpreendente campanha de 1995, Clint Eastwood nos mostra, ainda que de forma superficial e tangencial, o panorama político e social que a África do Sul vivia após o regime do apartheid. Podemos ver a tensão racial a flor da pele, e um pouco das dificuldades econômicas e políticas que o presidente Mandela teve que enfrentar, e como utilizou o rúgbi para amenizar alguns aspectos.
  O filme nos mostra o grande líder que Mandela foi, tanto antes como durante o seu governo, mostrando um homem que não temia tomar as decisões que considerasse corretas, ainda que fossem impopulares. Também deixa claro que em muitos aspectos, não era apenas para evitar algum revanchismo ou vingança, mas uma escolha tática e pragmática que se revelaria acertada posteriormente, ao menos de acordo com o filme. Contudo, apesar desta excelente análise de conjuntura, o presidente também tinha seus defeitos, e podemos ver como a relação com sua família era complicada e difícil (como tende a ser para todos grandes líderes e militantes) – e como ele encarou como mais uma missão que deveria cumprir em nome de seu povo.
  Também podemos perceber, ainda que de forma leve, mas clara, o racismo ainda persistente nesta sociedade – o que não seria novidade, visto que um regime de segregação racial institucionalizado vigorava até pouco tempo atrás. Desta forma, o próprio Mandela, que passou mais de 20 anos preso, teve que dar o exemplo para evitar que um conflito civil se instalasse no país.
     Portanto, dentre muitos aspectos que formaram a trajetória deste símbolo na luta contra o racismo e pela igualdade, talvez o filme atribua um papel maior aos Springboks e ao rúgbi como um todo, ainda que somente a história da superação da equipe, por si só, já seria digna de nota. Não conheço o quanto de atenção Mandela deu aos bastidores do campeonato, ou o quanto ele pensou sobre o assunto, mas certamente teve um papel importante, e desta vez, o esporte foi utilizado para unir um país tão dividido e destruído.

Nota 85/100

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