sábado, 26 de outubro de 2013

Gravidade

Ficha TécnicaGravity, 2013.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Alfonso Cuarón.
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris, Phaldut Sharma.
País: Estados Unidos.
Tempo: 91 min. 
Idioma: Inglês.

   Havia uma grande expectativa criada em torno deste filme. No entanto, eu não compartilhava deste sentimento. Um filme de ficção científica, no espaço, com a Sandra Bullock? Onde muitos viam um imenso potencial de sucesso, eu via um grande potencial para o fracasso. E talvez exatamente por isso que minha análise possa ser ainda mais questionável, pois o filme realmente me surpreendeu de maneira positiva.
   Tecnicamente, o filme é impecável. Uma experiência extremamente sensorial em que Cuarón nos faz sentir como se estivéssemos no espaço, ou ao menos nos transmite o que é realmente (claro que dentro dos limites estruturais) uma experiência no espaço sem gravidade, oxigênio, som, dentre outros aspectos que tornam o espaço uma região extremamente perigosa. Os efeitos especiais (e espaciais) são fantásticos – o 3D é muito bem utilizado, as tomadas de câmeras com vistas para terra, em primeira pessoas, o fogo e as lágrimas e as cenas de explosões e colisões são realmente maravilhosas.
    A trilha sonora está em perfeita consonância com o restante do filme, sendo um excelente acréscimo. E as metáforas são ótimas – com destaque para as mais do que comentadas cenas da posição fetal e a cena final, desde a queda da espaçonave e todo o drama na água, até ela se levantar, como se estivéssemos presenciando o processo evolutivo da humanidade de milhões de anos em apenas alguns segundos.
    Com relação às atuações, Sandra Bullock realmente surpreendeu. Ela é responsável pela maior parte do filme, tendo conduzido muito bem todo o longa. As cenas de perigo mortal foram muito bem trabalhadas, com sua respiração e desespero parecendo bem reais e acrescentando muito ao filme. George Clooney usa de todo seu carisma e charme para acrescentar um pouco de leveza à trama, tendo em vista que era o astronauta mais experiente e o comandante da equipe. E mesmo suas conversas aparentemente despropositais em momentos de tensão atendem a duas propostas: a da realidade do filme, de ajudar a Dra. Stone (Bullock) a manter a calma; e a de apresentar a personagem aos telespectadores, sendo responsável por uma das grandes revelações do filme, quando ela menciona da morte prematura de sua filha.
    O diretor acertou em focar em apenas um personagem e meio (Clooney tem uma importante porém breve participação). Apesar de não ser um grande tratado sobre o indivíduo ou sociedade, também apresenta sua profundidade ao lidar com a personagem de Bullock. Um filme que mantém a tensão por todos os seus 90 minutos – duração esta acertada pelos produtores e diretor. Muito mais do que isso poderia prejudicar o filme, que foi executado de forma excelente.

Nota 94/100

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