quarta-feira, 8 de outubro de 2014

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Ficha Técnica: X-Men: Days of Future Past, 2014.
Gênero: Ação, Aventura, Ficção-Científica.
Direção: Bryan Singer.
Elenco: Hugh Jackman, James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Halle Berry, Nicholas Hoult, Ellen Page, Peter Dinklage, Patrick Stewart, Ian McKellen, Shawn Ashmore, Omar Sy, Evan Peters, Daniel Cudmore, Bingbing Fan, Josh Helman, Booboo Stewart, Lucas Till, Adam Canto.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 131 min. 
Idioma: Inglês.

    O quinto filme da franquia X-Men (sem contar os dois que envolvem apenas Wolverine) vem com a difícil missão de tentar amarrar a trilogia inicial com o bom X-Men: Primeira Classe. Isso porque este filme de 2011 acabou por gerar (ou enfatizar ainda mais) algumas incoerências entre os personagens – se considerarmos os filmes de Wolverine, tudo estaria perdido. 
      E desta forma, o diretor Bryan Singer encontrou talvez uma maneira de consertar essa bagunça toda – viajando no tempo e colocando a casa em ordem. Contudo, isso resolve em partes os problemas, deixando ainda muitos furos para os próximos longas, mas ao mesmo tempo resolvendo muitos problemas. Pra começar, a própria existência de Xavier, em seu próprio corpo, já não encontra explicação (ele havia sido desintegrado por Jean Grey); ou como Magneto recuperou seus poderes (havia perdido eles em razão da vacina aplicada pelo Fera no Confronto Final).
            Dias de um Futuro Esquecido continua com o estilo dos anteriores, de cada vez mais vincular fatos históricos reais com a atuação dos mutantes – II Guerra Mundial, Crise dos Mísseis, Guerra do Vietnã, assassinato de JFK, etc. E isso, ao meu ver, além de ótima escolha, é feito de forma muito competente. As cenas de ação estão ainda superiores – Magneto continua a impressionar com seu poder e ações (não contente em mover pontes e navios, agora é um estádio); mas o destaque desta vez é para a batalha final, ápice do filme. No início já temos uma prévia, mas a final, que conta com mais mutantes (e todos morrem!) é realmente impressionante. Ver tantos mutantes poderosos, um a um, sendo derrotados – Colossus, Bishop, Bing, Apache, Magneto, Tempestade, Iceman, Mancha Solar. Realmente foi o ápice de ação do filme. 
    Outra sequência digna de nota é a fuga do pentágono, em que um show de imagens é proporcionado pelo diretor ao colocar Mercúrio (Evan Peters, bem no papel) em ação. Talvez um certo exagero, que podemos perdoar por licença poética. Afinal, da maneira que é colocado, ele seria o herói mais poderoso de todos, sem chance para ninguém enfrenta-lo. As cenas em que Mística (Lawrence) resgata seus companheiros do exército também são bem trabalhadas, bem como os confrontos entre eles no passado. 
Ainda temos a ótima junção dos elencos da trilogia clássica com o filme de 2011 – conseguindo concentrar as ótimas interpretações que todos podem dar – Fassbender e McKellen, McAvoy e Stewart, Hugh Jackman, Jennifer Lawrence. Todos os principais atores conseguem ótimas atuações. Talvez a grande decepção tenha sido Peter Dinklage (Bolívar Trask), que ficou realmente subaproveitado.
Enfim, um bom retorno do grupo de heróis às telonas, mas que ainda possuem muito o que explicar. Mantém a evolução constante do argumento social (temas como preconceito, darwinismo), que seguem amadurecendo, dentro da superficialidade que é normal dentro deste estilo de filmes. Esperamos que os furos sejam realmente consertados, tendo em vista o fantástico potencial que a série possui.
Nota 80/100

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Como Treinar o Seu Dragão

Ficha TécnicaHow to Train Your Dragon, 2010.
Gênero: Animação, Comédia, Aventura.
Direção: Dean DeBlois, Chris Sanders.
Elenco: Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, T.J. Miller, Kristen Wiig.
País: Estados Unidos.
Tempo: 98 min. 
Idioma: Inglês.

   É sempre muito difícil comparar uma animação destinada em grande parte ao público infantil (ainda que tenha como objetivo agradar ao público adulto) com os demais filmes produzidos. Shrek conseguiu isso de maneira fantástica, ao contar, por exemplo, com inúmeras referências a filmes que o público mais jovem certamente não conhecia, além de seu enredo interessante. Up! Altas aventuras também consegue superar esta dicotomia geracional, e talvez o número um seja Wall-E, com as referências a outros filmes (2001: Uma Odisseia no Espaço, principalmente), além da temática atual e abordagem madura, ainda que atinja também o público infantil. E estes são apenas alguns exemplos (Toy Story evolui fabulosamente).
     Desta forma, é com esta perspectiva em mente que procuro assistir às animações destinadas ao público infantil. Como Treinar o Seu Dragão não alcança os níveis acima mencionados, mas apresenta um roteiro não tão infantil quanto se pode esperar. Talvez, a ausência de personagens tão marcantes e carismáticos seja um ponto fraco, além do filme ir perdendo a força do argumento ao longo do tempo, ao optar pelas cenas de ação (que vale dizer, são muito bem feitas).
   Mas a mensagem passada pelo filme (e quando se trata de crianças, isso é fundamental) é realmente muito positiva, buscando de uma forma distinta encarar algo tido sempre como prejudicial, diferente e malvado. O incentivo à compreensão do outro neste longa está presente de forma clara e leve. A temática dos dragões é muito bem tratada, de acordo com as tradicionais mitologias em grande parte. E os efeitos especiais e produção em geral também estão em altíssimo nível. 
      A relação de Soluço com pai, que se sente cobrado por ser filho do maior líder e combatente de dragões da vila, também é um ponto bem trabalhado, importante inclusive para os pais que vão aos cinemas. O treinamento, a relação com os colegas, o bullying, o encontro com Banguela (Dragão Fúria da Noite), o sucesso no treinamento e a recusa em enfrentar e matar os supostos inimigos é, realmente a força do roteiro. A posterior batalha contra o gigantesco dragão revela-se clichê e onde o roteiro perde força, mas sendo ainda um bom filme e ótimo entretenimento.


Nota 72/100

sábado, 27 de setembro de 2014

Psicopata Americano

Ficha Técnica: American Psycho, 2000.
Gênero: Crime, Drama.
Direção: Mary Harron.
Elenco: Christian Bale, Samantha Mathis, Chloë Sevigny, Reese Whiterspoon, Jared Leto, Willem Dafoe, Cara Seymour, Justin Theroux, Josh Lucas, Bill Sage, Matt Ross, Guinever Turner.
País: Estados Unidos.
Tempo: 102 min. 
Idioma: Inglês.

     Um filme que se tornou um clássico cult do suspense e crime no cinema, que conta com uma forte atuação de Christian Bale, algumas cenas pesadas, mas dentro de alguns limites, críticas ao american way of life e um final confuso e enigmático. Essas talvez sejam as características mais marcantes do filme.
     Patrick Bateman (Bale) é um “empresário”, vice-presidente da empresa de moda do pai, que leva uma vida fútil junto com seus companheiros, disputando quem tem o melhor cartão de visitas ou quem consegue fazer reservas nos melhores restaurantes. Além disso, fica evidente o narcisismo do protagonista e o vazio na vida dele, direcionado ao consumismo, com o cuidado com o corpo e a higiene obsessiva.
    E desse etilo de vida superficial é que ele extrai sua psicopatia assassina, buscando talvez romper com o marasmo e quebrando não somente as regras do bom-moço que apresenta durante o dia, mas transformando-se em um serial killer. A maneira como mata suas vítimas também é peculiar, com uma preliminar recheada de discursos acadêmicos sobre astros da música. Mas é possível perceber o quão excitado e ansioso ele está nos momentos que antecedem o crime. Contudo, não são somente as prostitutas e mendigos que ele mata – acabando inclusive com seu rival no mundo dos negócios (Jared Leto), além de ter cogitado assassinar a própria secretária (Chloë Sevigny). Vale dizer que a única pessoa que nunca passou perigo foi sua namorada (Reese Whiterspoon), mas talvez ele não a considerasse importante o suficiente para mata-la.
    No entanto, o final confuso deixa margem para muitas interpretações – seria ele bipolar, visto que era chamado de diversos nomes? Os crimes realmente aconteceram, ou foram imaginados por ele? Afinal, quando ele retorna ao apartamento de Paul Allen, que ele matou, e depois passou a esconder os corpos de suas vítimas, este está vazio e ninguém o acusa. Ele foi se tornando cada vez mais descuidado nos crimes que é impossível que ninguém tenha percebido. Afinal, até trocar tiro e matar policiais ele fez. No entanto, ao relatar tudo para seu advogado (que não o reconhece, mas como falei, isso ocorre inúmeras vezes). A blindagem de sua classe social é tão grande que ninguém desconfia dele? O interesse pelo lucro (no caso do apartamento, por exemplo) acabou protegendo-o? 
A dúvida permaneceu ao final do filme, e ainda que não me agradam filmes com um viés didático, que tentam explicar tudo o que ocorre, tampouco gosto quando o filme “se perde” em seu desenrolar. As dúvidas foram tão imensas que acabam por enfraquecer estes argumentos que poderiam ser bem direcionados e mais consistentes. O que mais segura o filme durante seus 100 minutos certamente é a atuação de Bale, acima de tudo, e não seu roteiro.
Nota 76/100


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Carrie, a Estranha

Ficha TécnicaCarrie, 2013.
Gênero: Terror, Drama.
Direção: Kimberly Peirce.
Elenco: Chloë Grace Moretz, Julianne Moore, Gabriella Wilde, Judy Greer, Ansel Elgort, Portia Doubleday, Zoë Belkin, Alex Russell, Barry Shabaka Henley, Samantha Weinstein, Karissa Strain, Katie Strain.
País: Estados Unidos.
Tempo: 100 min. 
Idioma: Inglês.

  Remakes são sempre complicados, mas alguns conseguem se superar – pro bem e pro mal. Infelizmente, este é um caso de superação pro mal – a expectativa já era baixa, mas ainda assim, o filme revelou-se uma decepção sem tamanho. A diferença de qualidade é tão evidente, ao compararmos este longa com o filme de Brian de Palma que não fosse o roteiro simples, nem poderia ser considerado um remake de tão distintos em qualidade que são.
     Podemos elogiar o trabalho de Peirce ao adaptar a história ao cotidiano atual, com social e tecnologicamente. E só. Qualquer aspecto do poder de persuasão feminino relacionado ao sexo, presente no filme anterior, inexiste neste. Julianne Moore faz bem o papel de Margaret, mãe de Carrie, ainda que em alguns momentos um pouco caricato. Já a protagonista, vivida por Chloë Moretz, decepciona. Mas o roteiro tampouco ajuda.
       A história é contada não a partir da ótica de Carrie, em que todos ao seu redor a importunavam e a consideravam estranha. Neste filme, deixa-se claro quem eram os bons e os maus alunos e amigos da história. Aqueles que apenas foram vítimas inocentes da fúria de Carrie, fazendo com que a personagem perca muito de seu carisma e compaixão que inicialmente podem existir. Aliás, o didatismo da diretora está presente em todas as cenas, de forma excessiva. Não há espaço para ambiguidades e nem mesmo para a imaginação – tudo é mastigado e direcionado. Além disso, o elemento surpresa, já não basta todos conhecerem a história, está ainda mais perdido, visto que ela descobre e pratica seus poderes antes da famosa cena do baile. 
     Um filme irrelevante e totalmente dispensável – ao contrário do primeiro, que tornou-se um clássico do terror. Tenho minhas dúvidas inclusive se podemos classificar este como do gênero terror. A cena do baile é realmente lamentável, quando ela começa a executar sua vingança, além de ser recheadas de clichês. Me parecia muito mais um filme de ficção, ou mesmo super-heróis. Talvez se adequasse mais como “X-Men Origins: Jean Grey”.




Nota 46/100

domingo, 21 de setembro de 2014

Nebraska

Ficha Técnica: Nebraska, 2013.
Gênero: Drama.
Direção: Alexander Payne.
Elenco: Bruce Dern, Will Forte, June Squibb, Bob Odenkirk, Stacy Keach, Mary Louise Wilson, Rance Howard, Angela McEwan.
País: Estados Unidos.
Tempo: 115 min. 
Idioma: Inglês.

    Este drama/comédia de Alexander Payne apresenta seu estilo em outros filmes anteriores. Contudo, se compararmos Sideways, Os Descendentes e Nebraska, a sensação é que o aspecto dramático vai se intensificando. Enquanto que Sideways aparenta ser uma comédia com uma pitada de drama, Os Descendentes se divide mais – além das cenas mais cômicas na família, há o amigo da filha, personagem para aliviar a carga dramática da morte e do adultério da mãe. Isso tudo acompanhado do drama familiar. Por último, chegamos a Nebraska, que se apresenta como um drama, com pitadas de comédia. 
     As atuações são realmente espetaculares. Bruce Dern realmente está fantástico, com ótimo apoio de June Squibb. Will Forte e Bob Odenkirk (ator que fez Saul Goodman) fazem um bom papel, sendo o primeiro o responsável por conduzir a trama junto com Dern – e talvez por isso, em razão da exigência, tenha a performance mais fraca entre os quatro.
      A escolha pelo preto e branco é realmente excelente, como uma volta ao passado – da mesma forma que Woody Grant (Dern) retorna ao passado quando sai em busca de seu R$ 1 milhão. Os conflitos familiares que surgem – principalmente durante a viagem, entre o núcleo mais próximo (casal e filhos) e o núcleo estendido. O fato de se lidar com a velhice dentro da família também é abordado, revelando a dificuldade de cada um em se relacionar com o idoso Woody Grant. 
   Apesar de não nos trazer algo inovador e contar com um tempo relativamente curto, os personagens são bem trabalhados e desenvolvidos. Não irá apresentar uma grande questão antropológica ou social, e sim a dificuldade do cotidiano do idoso que vai se tornando senil e a situação que sua família deve enfrentar em razão disso.






Nota 90/100

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Noé

Ficha Técnica: Noah, 2014.
Gênero: Ação, Aventura, Drama, Bíblico.
Direção: Darren Aronofsky.
Elenco: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Ray Winstone, Emma Watson, Anthony Hopkins, Logan Lerman, Douglas Booth, Nick Nolte, Leo McHugh Carroll, Marton Csokas, Madison Davenport.
País: Estados Unidos.
Tempo: 138 min. 
Idioma: Inglês.

     Depois dos épicos de super-heróis das histórias infantis (João e Maria, João e o Pé de feijão, O Mágico de Oz, etc.), surgem os épicos de fantasia bíblicos. Apesar de muitos esperarem, este não é um novo Os Dez Mandamentos. E essa diferença não se dá por conta do excelente diretor Darren Aronofsky, que infelizmente tem um dos piores filmes de sua carreira. 
  Temos o consagrado Russell Crowe no papel principal, voltando a ser acompanhado de Jennifer Connelly – eles reeditam a parceria de Uma Mente Brilhante – contudo, em filme inferior e atuações ainda mais inferiores (aquele talvez tenha sido o melhor trabalho do australiano). Emma Watson tem boa atuação, Hopkins faz seu papel de sempre (um velho sábio) na pele de Matusalém, Winstone é o vilão Tubal-caim por demais caricaturado e os filhos de Noé com Naamé não merecem nenhum destaque. Apesar de tudo, Crowe realmente decepciona, mantendo a mesma feição, não conseguindo trazer uma característica mais humana para o protagonista.
            O filme conta com bons efeitos especiais, apesar de muitas vezes parecerem desnecessários. A cena da batalha, para minha surpresa, me remontou à trilogia do Senhor dos Anéis, com as criaturas gigantes esmagando os invasores, enquanto Noé liderava tudo. A surpresa foi no sentido negativo, realmente desproporcional. 
            Houve uma tentativa em questionar as decisões de certa forma fanáticas e irracionais de Noé, mas tudo acabou se perdendo em meio a tanta confusão e pobreza de roteiro e seus personagens. O clichê de o vilão entrar na arca, comer as cobras e tudo que está por trás desta ação é lamentável. Não esperava uma adaptação bíblica da história, uma ponta ingênua de esperança talvez tenha criado a expectativa de uma crítica a alguns aspectos da religião, que aparentemente apareceram e rapidamente saíram. Sobrou apenas uma mistura de fantasia, criacionismo, evolucionismo e moralismo, que tornou um filme digno de desapontamento.
        Esse sentimento somente não foi maior em razão do conflito interno pelo qual o fanatismo de Noé o levou, em determinados momentos, às últimas consequências. Outro ponto que talvez não tenha agradado a muitas religiões foi a visão negativa de um Deus vingativo e cruel, que deixou de fora da arca, junto com os membros violentos do grupo vilão, uma população desesperada e abandonada.

Nota 52/100

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O Doador de Memórias

Ficha Técnica: The Giver, 2014.
Gênero: Drama, Ficção-Científica, Romance.
Direção: Phillip Noyce.
Elenco: Brenton Thwaites, Odeya Rush, Jeff Bridges, Meryl Streep, Alexander Skarsgård, Katie Holmes, Cameron Monaghan, Emma Tremblay, Taylor Swift.
País: Estados Unidos.
Tempo: 97 min. 
Idioma: Inglês.

     Neste novo filme com um futuro distópico, apesar de todo potencial contido no enredo, é certo dizer que foi desapontador, ao menos para aqueles que esperavam algo menos raso, mais trabalho e discussões mínimas sobre alguns temas como totalitarismos, desigualdades sociais e diferenças, liberdade, etc.
     O filme baseia-se em um livro, o qual não li, por isso talvez seja mais completo. Pois além da superficialidade com a qual temas interessantes e complexos são tratados, há muitos furos e coisas que temos apenas que “engolir” no filme, que talvez possam fazer algum sentido maior no livro (a escolha de Jonas, a atitude do doador, etc.). Desta maneira, o filme revela-se no máximo um “1984”, de Orwell, em versão para adolescentes, feito pela Hollywood atual, em que tudo deve conter o romance inocente e outros aspectos previsíveis. É incrível como algo pode ser realmente muito semelhante, e ao mesmo tempo, tão inferior em qualidade.  
    Falou-se em semelhanças entre o longa e outras distopias da moda, começando por Jogos Vorazes, mas passando por Divergente e Ender’s Game. Apesar disso, há diferenças, ao menos em relação aos filmes de Jennifer Lawrence, ainda que se possa perceber a influência – talvez mais do estilo e direção do filme do que da história propriamente dita (que no caso de O Doador de Memórias, a obra original é mais antiga).
  Contudo, além da pressa em se trabalhar o roteiro, as macro questões do filme são abordadas de forma tão superficial, que a própria revolta do protagonista perde um pouco de sentido, e talvez por isso pareça ainda mais absurda. As memórias apagadas, nas mãos apenas de um único indivíduo, o motivo das escolhas erradas da humanidade (tão criticadas pelo filme e base de todo argumento para o modelo de sociedade), a predeterminação da vida de todos, o convívio social bizarro, o controle por parte do governo, as formas reprimidas de se expressar, todas elas são pouco trabalhadas e/ou questionadas, e a simples resposta para tudo, ao final – o amor – chega a ser patético, de tão ingênuo e raso. E com um final totalmente em decadência, anticlímax, decepcionante e simplista, que apenas confirma estas características que podem ser observadas durante todo o filme. 
     As atuações estão adequadas à mediocridade do longa – nem mesmo Meryl Streep (a chefe-anciã) e Jeff Bridges (o doador) salvam o filme, ainda que não atuem mal. Bridges até traz um tom amargo ao seu personagem, enquanto que Streep consegue não tornar caricata sua personagem, que supostamente seria a vilã – talvez a única qualidade do filme, que preferiu não dividir entre bons e maus seus personagens. Os protagonistas, apesar de novos, não comprometem – mas todos os atores certamente teriam atuado melhor se o roteiro assim exigisse ou mesmo permitisse.
      Um filme que se tornou apenas um leve entretenimento, sem grandes reflexões, mesmo que se esforce bastante – apenas podemos ver o que ele poderia ser, mas em nenhum momento ele tem relance desta potencialidade.  A direção está interessante com a questão do jogo de cores, mas a forma como conduziu tudo, principalmente as cenas finais, tornam o trabalho de mediano para ruim.







Nota 59/100

sábado, 13 de setembro de 2014

Círculo de Fogo

Ficha TécnicaPacific Rim, 2013.
Gênero: Ação, Ficção-Científica.
Direção: Guillermo del Toro.
Elenco: Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Diego Klattenhoff, Burn Gorman, Max Martini, Robert Kazinsky, Ron Perlman, Clifton Collins Jr..
País: Estados Unidos.
Tempo: 131 min. 
Idioma: Inglês, Japonês.

     Gostaria de saber onde este filme pode ser classificado por ter superado as expectativas. Não, isso ele não fez; tampouco não as alcançou. É um filme que atente à expectativa natural que ele gera. Monstros e robôs gigantes se digladiando, os monstros alienígenas que surgem de uma fenda no Pacífico e querem destruir a Terra, enquanto que os robôs são fabricados pela humanidade (que aparentemente está unindo esforços para enfrentar a ameaça, através de diversos países), e pilotados por dois indivíduos que fazem uma conexão mental (cerebral, tanto faz) e geralmente são parentes. Uma bela homenagem aos desenhos e seriados japoneses dos anos 1980 e 1990 (Power Rangers talvez o mais recente).
            O roteiro, apesar desse pano de fundo razoável de fim de mundo, peca principalmente na tentativa de criar o romance entre Raleigh (Hunnam) e Mako (Kikuchi), que não possuem química alguma e pouca empatia perante o público. A figura de liderança do comandante Pentecost (Elba) tampouco é tão convincente. Salvo a atuação razoável de Perlman, na pele de Hannibal Chau, os demais passam despercebidos, quando muito.
                     
Mas as cenas de ação são realmente impressionantes, não tão confusas – eu não assisti ao filme no cinema – e com um roteiro superior ao de Transformers, por exemplo, torna estas cenas ainda mais interessantes. Contudo, não podemos falar em grande filme de ação ou do gênero – é um filme que cumpre quase que inteiramente a sua proposta (além do romance fracassado e desnecessário, a construção das personagens é bem pobre e de clichês).







Nota 54/100

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Os 12 Macacos

Ficha Técnica: Twelve Monkeys, 1995.
Gênero: Ação, Suspense.
Direção: Terry Gilliam.
Elenco: Bruce Willis, Madeleine Stowe, Brad Pitt, Christopher Plummer, Jon Seda, Christopher Meloni, David Morse, Frank Goshin, Vernon Campbell.
País: Estados Unidos.
Tempo: 129 min. 
Idioma: Inglês.

      Filme que se tornou uma referência da ficção científica dos anos 1990, Os 12 Macacos acabou me decepcionando um pouco, tendo em vista que esperava mais do trabalho de Terry Gilliam. Mas vale a pena dedicar o tempo para assistir a este trabalho, que consegue lidar bem com a questão da viagem no tempo – algo que considero extremamente difícil, e que sempre acaba deixando muitos furos ou apelando para absurdos (mesmo dentro do universo da ficção científica).
    Ao retratar o envio de um prisioneiro ao passado para descobrir a origem do vírus que dizimou cinco bilhões de pessoas e obrigou os sobreviventes a viverem debaixo da terra, a abordagem partilha da teoria de que é impossível de mudar o passado, visto que já ocorreu. Acaba por deixar um tom fatalista ao final, que além de apresentar o desfecho de um enredo interessante (o protagonista vê seu “EU” futuro sendo assassinado), demonstra que mesmo que ele Cole (Bruce Willis) esteja voltando no tempo, o que ele faz na verdade é o presente, e quando ele retorna, nada muda.
            Contudo, o aspecto mais interessante do filme para mim não é a teoria de viagem no tempo, e sim a da sanidade mental. Ao menos para mim, começa a gerar a dúvida do que realmente é verdade – a mesma dúvida que afeta o protagonista. A todo momento eu esperava a revelação de que tudo aquilo era parte de um tratamento (talvez causado pelos próprios traumas da infância). O filme prefere não firmar posição sobre isso. Ainda que a grande maioria dos espectadores e críticos esteja convicta de que é superada a questão do que é real ou alucinação, eu continuei na dúvida mesmo com o desfecho do filme. E essa dúvida que ficou pairando no ar é muito interessante e bem colocada.
     Todo o aspecto de ter sua realidade questionada também é interessante – e nos mostra novamente como podemos produzir os loucos da nossa sociedade, simplesmente por estarem divergindo da conduta considerada normal. Obviamente não é algo trabalhado como em Um Estranho no Ninho, mas está no pano de fundo.
     As atuações no filme foram adequadas, porém sem muitos destaques. Exceção seja feita ao trabalho de Brad Pitt, no papel do interno e ativista Jeffrey Goines. Sua atuação alucinada e acelerada realmente roubam toda a cena do filme. Madeleine Stowe é esforçada, mas talvez pela previsibilidade de sua personagem (o pequeno romance entre ela e Cole é clichê e desnecessário). Conforme mencionei, o roteiro é bem amarrado, com produção e direção interessantes.

Nota 73/100

domingo, 7 de setembro de 2014

À Prova de Morte

Ficha TécnicaDeath Proof, 2007.
Gênero: Ação, Suspense.
Direção: Quentin Tarantino.
Elenco: Kurt Russell, Zoë Bell, Rosario Dawnson, Vanessa Ferlito, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Jordan Ladd, Rose McGowan, Mary Elizabeth Winstead, Quentin Tarantino, Marcy Harriell, Eli Roth, Omar Doom, Monica Staggs, Michael Bacall.
País: Estados Unidos.
Tempo: 113 min. 
Idioma: Inglês.

      Um filme de Tarantino que não ganhou a repercussão no cinema como Bastardos Inglórios, Django Livre ou os dois volumes de Kill Bill; tampouco ganhou o reconhecimento posterior de Pulp Fiction ou Cães de Aluguel. Mas é realmente um filme “bem” Tarantino, ainda que sem algo mais profundo ou uma trama mais elaborada, seu estilo está presente.
     Podemos perceber isso através dos ótimos diálogos do filme (a compra de maconha, o fato da jovem andar armada, o diálogo entre os policiais, etc.), as cenas de ação e violência (o exagero que lhe é peculiar, principalmente no acidente de automóvel), a metalinguagem (de seus filmes e do cinema), trilha sonora poderosa, homenagens (clássicos filmes de automóveis e dublês são a bola da vez), dentre outras de suas características.
       O filme consegue divertir e nos deixar tenso em vários momentos; traz um conjunto de atuações muito boas, com destaque para Kurt Russell (Stuntman Mike), que faz seu “vilão” na medida correta; as garotas todas fazem ótimos papéis, inclusive a dublê Zoë Bell, que interpreta a si mesma. Rosario Dawnson, Vanessa Ferlito (cena fantástica da dança), Rose McGowan e Tracie Thoms (conseguiu divertir naturalmente) foram talvez os destaques, mas todas atuam bem.
            Ao buscar imitar um filme B, realmente alcança-se a perfeição através das imperfeiçoes. Os defeitos propositais nos deixam pensando que realmente é uma produção B, mas de excelente qualidade. Não há uma grande história por trás, ainda que as personagens femininas sejam bem trabalhadas. Já Mike (Russell) não oferece muitas explicações, ainda que várias hipóteses por tentar assassinar as garotas com seu carro à prova de morte. Vale muito ser visto, realmente podendo divertir se estivermos preparados para o estilo “Tarantino”. Há o clássico twist na trama que parecia seguir um determinado rumo (principalmente se você não leu a sinopse), e um final ainda mais eletrizante e inesperado.







Nota 78/100