sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Noé

Ficha Técnica: Noah, 2014.
Gênero: Ação, Aventura, Drama, Bíblico.
Direção: Darren Aronofsky.
Elenco: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Ray Winstone, Emma Watson, Anthony Hopkins, Logan Lerman, Douglas Booth, Nick Nolte, Leo McHugh Carroll, Marton Csokas, Madison Davenport.
País: Estados Unidos.
Tempo: 138 min. 
Idioma: Inglês.

     Depois dos épicos de super-heróis das histórias infantis (João e Maria, João e o Pé de feijão, O Mágico de Oz, etc.), surgem os épicos de fantasia bíblicos. Apesar de muitos esperarem, este não é um novo Os Dez Mandamentos. E essa diferença não se dá por conta do excelente diretor Darren Aronofsky, que infelizmente tem um dos piores filmes de sua carreira. 
  Temos o consagrado Russell Crowe no papel principal, voltando a ser acompanhado de Jennifer Connelly – eles reeditam a parceria de Uma Mente Brilhante – contudo, em filme inferior e atuações ainda mais inferiores (aquele talvez tenha sido o melhor trabalho do australiano). Emma Watson tem boa atuação, Hopkins faz seu papel de sempre (um velho sábio) na pele de Matusalém, Winstone é o vilão Tubal-caim por demais caricaturado e os filhos de Noé com Naamé não merecem nenhum destaque. Apesar de tudo, Crowe realmente decepciona, mantendo a mesma feição, não conseguindo trazer uma característica mais humana para o protagonista.
            O filme conta com bons efeitos especiais, apesar de muitas vezes parecerem desnecessários. A cena da batalha, para minha surpresa, me remontou à trilogia do Senhor dos Anéis, com as criaturas gigantes esmagando os invasores, enquanto Noé liderava tudo. A surpresa foi no sentido negativo, realmente desproporcional. 
            Houve uma tentativa em questionar as decisões de certa forma fanáticas e irracionais de Noé, mas tudo acabou se perdendo em meio a tanta confusão e pobreza de roteiro e seus personagens. O clichê de o vilão entrar na arca, comer as cobras e tudo que está por trás desta ação é lamentável. Não esperava uma adaptação bíblica da história, uma ponta ingênua de esperança talvez tenha criado a expectativa de uma crítica a alguns aspectos da religião, que aparentemente apareceram e rapidamente saíram. Sobrou apenas uma mistura de fantasia, criacionismo, evolucionismo e moralismo, que tornou um filme digno de desapontamento.
        Esse sentimento somente não foi maior em razão do conflito interno pelo qual o fanatismo de Noé o levou, em determinados momentos, às últimas consequências. Outro ponto que talvez não tenha agradado a muitas religiões foi a visão negativa de um Deus vingativo e cruel, que deixou de fora da arca, junto com os membros violentos do grupo vilão, uma população desesperada e abandonada.

Nota 52/100

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