Gênero: Drama, Comédia.
Direção: Woody Allen.
Elenco: Cate Blanchett, Sally Hawkins, Andrew Dice Clay, Bobby Cannavale, Alec Balwdin, Michael Stuhlbarg, Max Casella, Alden Ehrenreich, Louis C.K., Peter Sarsgaard, Joy Carlin, Daniel Jenks.
País: Estados Unidos.
Tempo: 98 min.
Idioma: Inglês.
Neste longa, ele se
recupera do último fracasso (Para Roma,com Amor), que foi realmente uma decepção, mas traz um tom muito mais
dramático, superando o aspecto cômico do filme. É claro que ainda podemos
perceber a influência de seu estilo de comédia-romântica, mas ele o utiliza bem
para compor a dramaticidade – como a histeria de sua personagem principal, a
antagonista Jasmine (Blanchett). Eu tendo a apreciar mais os filmes de Allen
quando trazem este aspecto dramático, como o caso de Vicky, Cristina Barcelona. Apesar de não atingir o mesmo nível desse
(o filme que se passa na Espanha é melhor e menos dramático), Blue Jasmine revela-se um bom filme.
Cate Blanchett
realmente é brilhante no papel – o filme depende inteiramente dela. Se
fracassasse, arruinaria o filme junto. Mas ela faz exatamente o oposto,
elevando sua qualidade ainda mais. Hawkins, na pele de Ginger, somente não ganha
mais destaque em razão da excelente atuação de Blanchett. Ainda assim, consegue
se destacar em variados momentos. O restante do elenco também faz ótimo papel,
com destaque para o irritadiço Cannavale, Baldwin (bem como sempre), Stuhlbarg,
Louis C.K. (grata surpresa), dentre outros.
Considerado um
clássico, ainda não pude assistir ao filme Um
Bonde Chamado Desejo, que tanto foi comentado após muitos assistirem ao
último longa de Woody Allen. Desta forma, minha análise será sem incluir esta
perspectiva, que para alguns foi motivo de forte crítica, enquanto que outros
consideraram um aspecto positivo do filme.
Sou um fã de Woody
Allen, acredito que ela seja um dos maiores cineastas que temos quando se trata
do gênero da comédia. Não somente foge ao estilo de besteirol americano, que
apesar de legítimo e agradar a boa parte do público, para mim beira ao ridículo
muitas vezes. É claro que sou capaz de rir e de me divertir com muitos filmes
que não são tão cultuados, mas em regra, não me agradam (Se Beber, não Case! foi um grande sucesso, e eu o considerei
medíocre). A comédia talvez seja um dos gêneros mais difíceis para se fazer um
bom filme, mas geralmente Woody Allen obtém sucesso.

Apesar de não nos
apresentar todo o panorama econômico da crise, a questão das diferenças de
classes tão evidente no filme (Jasmine e sua irmã, Ginger), o filme acerta em
carregar a questão dramática da personagem, criando uma profundidade sobre
alguém tão superficial e fútil. O estio do diretor/roteirista não comportaria este
aspecto socioeconômico, e talvez por isso eu nem esperasse muito do filme neste
sentido. Mas foi muito bem conduzido ao analisar o caso de Jasmine, que antes
rica e vivendo para se afirmar como tal perante à sociedade, vai a falência,
perde tudo e vem morar com a irmã, que ela tanto desprezou enquanto desfrutava
do bom e do melhor.

O título também é
muito bom, em associando a flor jasmim com o nome da personagem, utilizando o
duplo sentido da palavra azul em inglês. Ótima escolha não ter optado por uma tradução
no português. Um trabalho que apesar de não figurar entre as obras primas de
Woody Allen, recupera sua imagem desgastada em seu último trabalho e produz
novamente algo de significativo para o cinema. A ausência de um final feliz, marcante nas obras de Allen, repete-se
aqui – o que pode gerar um sentimento de dúvidas, visto que apesar de termos
curiosidade para saber o que acontecerá com Jasmine, e apesar de gozar de um
carisma perante o público, poucos deveriam estar torcendo para sua felicidade. Mas neste caso, não há diferenciação de classes (ou qualquer outra): o
final feliz esperado por todos tampouco se aplica a sua irmã Ginger.
Nota 80/100
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