Gênero: Drama, História.
Direção: Pablo Larraín.
Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Luis Gnecco, Antonia Zegers, Néstor Cantillana, Pascal Montero, Jaime Vadell, Elsa Poblete.
País: Chile, França, México, EUA.
Tempo: 118 min.
Idioma: Espanhol.
Filmado de forma a
aparentar um documentário da época das campanhas, No traz Bernal em excelente atuação como Rene Saavedra, um filho de
uma família de militantes que foram exilados. Ao retornar para o país, o
publicitário torna-se parte da minoria da elite econômica chilena que
desfrutava do desenvolvimento do país, enquanto que mais de 40% vivia de forma
miserável e a liberdade de expressão e direitos humanos eram violados
diariamente.
Também podemos
perceber a pressão psicológica exercida pelo regime ainda que os tempos
estivessem menos violentos e truculentos. Mas acredito que para todos que se
opuseram à ditadura, fica a sensação de que o plebiscito nada foi além de um
grande golpe e inovação de marketing da esquerda, e talvez seja onde o filme
perca alguns pontos. A mensagem positiva foi, sem dúvida alguma, essencial para
a vitória. Mas a questão envolvendo a denúncia, o enfrentamento à opressão,
todos estes aspectos poderiam ser ainda mais trabalhados. Certamente os artifícios
comerciais foram fundamentais – e cada vez mais são parte da política. Mas também
é inegável que a forma como foi vendida a ideia pode ter afetado a transição para
a democracia.
Ao descobrir que este
filme é o final de uma trilogia de Larraín sobre a ditadura de Pinochet no
Chile, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que preciso assistir aos
outros dois – Tony Manero e Post Mortem.
Este longa chileno nos conta de forma brilhante os bastidores da campanha
publicitária referente ao plebiscito de 1988 no país, que decidiria sobre a
continuidade (sim) ou não do governo ditatorial de Augusto Pinochet.

No início é difícil
compreender as razões que levam ao publicitário – tão bem ajustado aos
confortos que a elite do capitalismo chileno desfrutava – aceitar dirigir os 15
minutos da campanha do Não (No) na televisão. Contudo, aos poucos podemos
compreendê-lo melhor, ainda que as razões não fiquem clara – o que somente
torna o filme ainda melhor. Talvez nem ele mesmo soubesse. Mas surgem elementos
que acrescentam muito ao personagem – o filho, a esposa militante, constantemente
em problemas com a polícia chilena, a família já mencionada, a disputa com o
sócio-chefe e diretor rival, o protagonismo e reconhecimento profissional, etc.
O racha dentro da
esquerda chilena, que após anos de repressão está parcialmente destruída e
procura se reconstruir, também fica evidente. Os diferentes partidos nanicos
querem a todo custo mostrar as crueldades e absurdos cometidos pelo ditador e
seu governo, aproveitar o momento para denunciar tudo que não puderam durante
os 15 anos, visto que não se iludem com a possibilidade de, se vencerem, terem
sua vitória reconhecida. O general fazia o plebiscito apenas por pressão
internacional, mas continuava tendo apoio de grandes potências e em nenhum
momento cogitava deixar o poder.
Desta forma, apesar
das divergências na esquerda e insistência em mostrar as atrocidades cometidas
pela ditadura, Saavedra consegue emplacar sua ideia da mensagem positiva – o arco-íris,
a mudança, jingles. Enfim, ele tem sucesso em vender mais esta ideia. O filme também
trabalha a questão moral que ele enfrenta, com o passado de sua família e o
fato de ele agora não estar mais trabalhando naquele ideal. Este é um fator que
o impele cada vez mais para dentro do trabalho, que o envolve, bem como as
saudades da esposa, que no fim das contas, lhe foi “tirada” pela ditadura.

Nota 92/100
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