sábado, 11 de janeiro de 2014

Ficha TécnicaNo, 2012.
Gênero: Drama, História.
Direção: Pablo Larraín.
Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Luis Gnecco, Antonia Zegers, Néstor Cantillana, Pascal Montero, Jaime Vadell, Elsa Poblete.
País: Chile, França, México, EUA.
Tempo: 118 min. 
Idioma: Espanhol.

            Ao descobrir que este filme é o final de uma trilogia de Larraín sobre a ditadura de Pinochet no Chile, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que preciso assistir aos outros dois – Tony Manero e Post Mortem. Este longa chileno nos conta de forma brilhante os bastidores da campanha publicitária referente ao plebiscito de 1988 no país, que decidiria sobre a continuidade (sim) ou não do governo ditatorial de Augusto Pinochet.
            Filmado de forma a aparentar um documentário da época das campanhas, No traz Bernal em excelente atuação como Rene Saavedra, um filho de uma família de militantes que foram exilados. Ao retornar para o país, o publicitário torna-se parte da minoria da elite econômica chilena que desfrutava do desenvolvimento do país, enquanto que mais de 40% vivia de forma miserável e a liberdade de expressão e direitos humanos eram violados diariamente.
            No início é difícil compreender as razões que levam ao publicitário – tão bem ajustado aos confortos que a elite do capitalismo chileno desfrutava – aceitar dirigir os 15 minutos da campanha do Não (No) na televisão. Contudo, aos poucos podemos compreendê-lo melhor, ainda que as razões não fiquem clara – o que somente torna o filme ainda melhor. Talvez nem ele mesmo soubesse. Mas surgem elementos que acrescentam muito ao personagem – o filho, a esposa militante, constantemente em problemas com a polícia chilena, a família já mencionada, a disputa com o sócio-chefe e diretor rival, o protagonismo e reconhecimento profissional, etc.
            O racha dentro da esquerda chilena, que após anos de repressão está parcialmente destruída e procura se reconstruir, também fica evidente. Os diferentes partidos nanicos querem a todo custo mostrar as crueldades e absurdos cometidos pelo ditador e seu governo, aproveitar o momento para denunciar tudo que não puderam durante os 15 anos, visto que não se iludem com a possibilidade de, se vencerem, terem sua vitória reconhecida. O general fazia o plebiscito apenas por pressão internacional, mas continuava tendo apoio de grandes potências e em nenhum momento cogitava deixar o poder.
            Desta forma, apesar das divergências na esquerda e insistência em mostrar as atrocidades cometidas pela ditadura, Saavedra consegue emplacar sua ideia da mensagem positiva – o arco-íris, a mudança, jingles. Enfim, ele tem sucesso em vender mais esta ideia. O filme também trabalha a questão moral que ele enfrenta, com o passado de sua família e o fato de ele agora não estar mais trabalhando naquele ideal. Este é um fator que o impele cada vez mais para dentro do trabalho, que o envolve, bem como as saudades da esposa, que no fim das contas, lhe foi “tirada” pela ditadura.
            Também podemos perceber a pressão psicológica exercida pelo regime ainda que os tempos estivessem menos violentos e truculentos. Mas acredito que para todos que se opuseram à ditadura, fica a sensação de que o plebiscito nada foi além de um grande golpe e inovação de marketing da esquerda, e talvez seja onde o filme perca alguns pontos. A mensagem positiva foi, sem dúvida alguma, essencial para a vitória. Mas a questão envolvendo a denúncia, o enfrentamento à opressão, todos estes aspectos poderiam ser ainda mais trabalhados. Certamente os artifícios comerciais foram fundamentais – e cada vez mais são parte da política. Mas também é inegável que a forma como foi vendida a ideia pode ter afetado a transição para a democracia.

Nota 92/100

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