Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Lynne Ramsay.
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Ashley Gerasimovich, Jasper Newell, Alex Manette.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 112 min.
Idioma: Inglês.
As cenas a princípio
desconexas deixam o filme um tanto quanto confuso, demorando para engrenar, o
que acaba por prejudicar o envolvimento e a compreensão do telespectador. Achei
oportuno a utilização deste recurso sem ordem cronológica, deixando um suspense
sobre o que de fato ocorreu, ainda que já saibamos desde o início que algo
grave ocorre. No entanto, a falta de linearidade não foi tão bem trabalhada, tornando
as coisas muito confusas e desconexas por um tempo maior do que o adequado.
Massacres em escolas, universidades e outros espaços
de convívio público têm sido uma triste constante na história dos Estados
Unidos. E a cada novo episódio desse, as mesmas questões são levadas ao debate:
porte armas, música e filmes de interesse dos assassinos, bullying, o papel dos pais etc.
Neste filme, a
diretora Lynne Ramsay utiliza como base o livro de Lionel Shriver, o qual por
sua vez se baseia em diferentes episódios de massacres executados por crianças
e adolescentes. Contudo, o foco do filme é a vida da mãe do assassino Kevin
(Ezra Miller), Eva (Tilda Swinton).

As atuações são
excelentes. Ezra e John C. Reilly (Franklin, pai de Kevin) estão ótimos. Fazem um
trabalho fantástico dosando muito bem onde atuarem de forma mais incisiva ou não.
Mas a grande estrela é Swinton, como a mãe que teve problemas com o primeiro
filho desde que ele nasceu. Em nenhum momento ela exagera, mas percebemos sua aflição
e sua angústia constantes. Uma das melhores atuações de sua carreira, sem
sombra de dúvidas.
Já o roteiro
demonstra a responsabilidade dos pais sobre o assassino que criaram, mas ao mesmo
tempo não os demoniza. Muito pelo contrário, mostra a dificuldade de se criar
os filhos nesta sociedade doente que é a nossa, e que muitas coisas estão fora
de controle deles. A permissividade do pai e o difícil relacionamento com a mãe
são aspectos apresentados pelo filme como formadores desta catástrofe, mas
deixando subentendido que muitas outras coisas integram esse panorama, muitas
delas que ainda não entendemos. Talvez o fato de não deixar isso um pouco mais
claro possa prejudicar o entendimento do filme, levando o telespectador a
culpar a mãe de Kevin pelo ocorrido.
Enfim, título mais
adequado não poderia existir para o filme, com cenas muito fortes e
angustiantes, em que percebemos que a relação entre mãe e filho está muito aquém
do que a sociedade impõe e espera que seja, dentro de suas expectativas e seus padrões.
E talvez o fato de deixar tão explícito para o telespectador, mas somente a mãe
perceber isso, seja um ponto fraco do filme, mas que não o prejudica como um
todo.
Nota 89/100