sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Ficha TécnicaWe Need to Talk About Kevin, 2011.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Lynne Ramsay.
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Ashley Gerasimovich, Jasper Newell, Alex Manette.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 112 min. 
Idioma: Inglês.

   Massacres em escolas, universidades e outros espaços de convívio público têm sido uma triste constante na história dos Estados Unidos. E a cada novo episódio desse, as mesmas questões são levadas ao debate: porte armas, música e filmes de interesse dos assassinos, bullying, o papel dos pais etc.
      Neste filme, a diretora Lynne Ramsay utiliza como base o livro de Lionel Shriver, o qual por sua vez se baseia em diferentes episódios de massacres executados por crianças e adolescentes. Contudo, o foco do filme é a vida da mãe do assassino Kevin (Ezra Miller), Eva (Tilda Swinton).
     As cenas a princípio desconexas deixam o filme um tanto quanto confuso, demorando para engrenar, o que acaba por prejudicar o envolvimento e a compreensão do telespectador. Achei oportuno a utilização deste recurso sem ordem cronológica, deixando um suspense sobre o que de fato ocorreu, ainda que já saibamos desde o início que algo grave ocorre. No entanto, a falta de linearidade não foi tão bem trabalhada, tornando as coisas muito confusas e desconexas por um tempo maior do que o adequado.
    As atuações são excelentes. Ezra e John C. Reilly (Franklin, pai de Kevin) estão ótimos. Fazem um trabalho fantástico dosando muito bem onde atuarem de forma mais incisiva ou não. Mas a grande estrela é Swinton, como a mãe que teve problemas com o primeiro filho desde que ele nasceu. Em nenhum momento ela exagera, mas percebemos sua aflição e sua angústia constantes. Uma das melhores atuações de sua carreira, sem sombra de dúvidas.
     Já o roteiro demonstra a responsabilidade dos pais sobre o assassino que criaram, mas ao mesmo tempo não os demoniza. Muito pelo contrário, mostra a dificuldade de se criar os filhos nesta sociedade doente que é a nossa, e que muitas coisas estão fora de controle deles. A permissividade do pai e o difícil relacionamento com a mãe são aspectos apresentados pelo filme como formadores desta catástrofe, mas deixando subentendido que muitas outras coisas integram esse panorama, muitas delas que ainda não entendemos. Talvez o fato de não deixar isso um pouco mais claro possa prejudicar o entendimento do filme, levando o telespectador a culpar a mãe de Kevin pelo ocorrido.
     Enfim, título mais adequado não poderia existir para o filme, com cenas muito fortes e angustiantes, em que percebemos que a relação entre mãe e filho está muito aquém do que a sociedade impõe e espera que seja, dentro de suas expectativas e seus padrões. E talvez o fato de deixar tão explícito para o telespectador, mas somente a mãe perceber isso, seja um ponto fraco do filme, mas que não o prejudica como um todo.

Nota 89/100

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

X-Men: Primeira Classe

Ficha TécnicaX-Men: First Class, 2011.
Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura.
Direção: Matthew Vaughn.
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence, Rose Byrne, Álex González, Jason Flemyng, Zoe Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult, Caleb Landry Jones, Edi Gathegi, Lucas Till, Oliver Platt, Bill Milner, Glenn Morshower.
País: Estados Unidos.
Tempo: 132 min. 
Idioma: Inglês, Alemão, Russo, Francês, Espanhol.


   É realmente interessante observar esse movimento dos quadrinhos para as telas de cinema, o qual eu já mencionei. As adaptações tornaram-se um imenso sucesso e uma grande fonte de dinheiro para a indústria cinematográfica – a ponto de se passarem a adaptar qualquer história de qualquer forma. E isso nos brindou com a trilogia do Batman, de Christopher Nolan, mas também nos trouxe filmes como O Lanterna Verde. Mas tudo começou com a franquia dos X-Men.
    A primeira trilogia realmente é muito interessante, com algum grau de profundidade, além das ótimas cenas de ação e personagens cativantes. Sempre deixei claro que o meu favorito é o Batman – não o super-herói em si, mas toda a história, que é muito mais madura e com algum grau de profundidade.
    E o panorama dos x-men sempre esteve marcado por este algo a mais – talvez não como no caso do Batman, mas a questão do preconceito, do diferente, do perigo e do que é considerado “humano” perante outras criaturas está ali, evidente. E a maneira como os mutantes lidam com isso também é uma analogia à forma como outros preconceitos foram combatidos, o mais claro deles na questão do racismo, em posições divergentes entre Martin Luther King, Malcom X e os Panteras Negras. Todos lutam com um mesmo objetivo, ou ao menos causas semelhantes, ainda que com táticas totalmente diversas. O mesmo temos entre Magneto e Charles Xavier.
     Longe de colocar os dois em posições opostas de arquétipos do bem e do mal, podemos observar a causa justa das lutas de ambos, e ainda que o filme sempre tome partido de um lado, o dos X-Men, não deslegitima totalmente a posição de Magneto. Os filmes anteriores também trabalhavam isso, mas acredito que neste a divisão ficou menos maniqueísta ainda. Talvez pela existência do terceiro vilão – o maior defeito do filme. Após todo esse trabalho de desenvolver os dois personagens principais de forma profunda, nos apresentam um gênio egocêntrico, torturador e desumano que deseja dominar o mundo. E ainda o vinculam ao nazismo. O puro arquétipo do mal, sem propósito algum.
     Gostei muito do vínculo que fizeram com a história – Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, Crise dos Mísseis. Todas estes links, ao meu ver, acrescentam um pouco mais de realidade à trama, fortalecendo as metáforas trabalhadas no filme. Os efeitos especiais estão novamente excelentes, com algumas impossibilidades físicas tornando-se totalmente verossímil, não somente nos poderes de Magneto e Summers, mas também no vôo de Banshee e nas desaparições de Azazel.
     Os atores também foram muito bem escolhidos. Os protagonistas são excelentes, McAvoy faz um ótimo Xavier, mas o destaque vai para Fassbender, que faz Magneto. Ainda que ele tenha o personagem mais interessante, também é o melhor ator e se destaca diante dos demais. Kevin Bacon, em razão principalmente de seu papel, está subaproveitado, enquanto que Lawrence faz um ótimo misto de inocência e amadurecimento. Os demais coadjuvantes fazem todo um bom trabalho, e todos têm seu espaço em determinado momento.
    Apesar de não ser um grande filme profundo, cumpre o propósito básico de sua categoria, que é entreter o público, e acrescenta um algo a mais, ainda que não desenvolva nada muito profundamente. Talvez nos próximos filmes, o antagonismo entre Magneto e Xavier seja ainda mais aprofundado, de forma mais elaborada. É o que espero.



Nota 82/100

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Estranho Mundo de Jack

Ficha Técnica: Nightmare Before Christmas, 1993.
Gênero: Animação, Fantasia, Musical.
Direção: Henry Selick.
Elenco: Chris Sarandon, Danny Elfman, Catherine O'Hara, William Hickey, Glenn Shadix, Paul Reubens, Ken Page, Edward Ivory.
País: Estados Unidos.
Tempo: 76 min. 
Idioma: Inglês.

   O filme larga na frente no sentido de que contraria todas as “mesmices” de filmes natalinos. E o que o é melhor, ainda em uma animação. Este filme, que conta com roteiro de Tim Burton, realmente é um dos melhores da categoria “natalinos”.
    Muito divertido, não somente para crianças, mas também adultos, conta com uma trilha sonora excelente e personagens engraçados e diferentes do que estamos acostumados. Além disso, nos traz mensagens positivas, como o fato da aparência não ter relevância alguma com relação ao que somos. No caso, os seres assustadores da Cidade Halloween eram tão amáveis quanto os da Cidade Natal.

      As músicas são realmente muito divertidas e se adéquam perfeitamente ao enredo. A estética do filme é fantástica, e as cores escuras utilizadas para caracterizar o Halloween, bem como alguns detalhes que merecem destaque: a lua cheia, todos os personagens, o prefeito de duas caras, etc. O contraste com a Cidade do Natal é realmente impactante. As expressões utilizadas no filme também são ótimas (no caso em inglês, Claus por Claws ou em português, Papai Noel por Cruel).
  Apesar das mensagens simples e clichês, o filme é direcionado especialmente para crianças, então tal perspectiva está de acordo com a proposta do filme. Além da questão das aparências, já mencionadas, temos também o aspecto do egoísmo e insatisfação crônica de Jack Skellington, que não percebe a sua volta todo carinho que tem. Um filme que além de tudo, nos apresenta uma proposta inovadora e algo totalmente original.

Nota 84/100

domingo, 27 de outubro de 2013

Na Estrada

Ficha Técnica: On the Road, 2012.
Gênero: Drama.
Direção: Walter Salles.
Elenco: Sam Riley, Garrett Hedlund, Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Amy Adams, Tom Sturridge, Alice Braga, Elisabeth Moss, Danny Morgan, Viggo Mortensen.
País: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Brasil, França.
Tempo: 124 min. 
Idioma: Inglês.

   A expectativa para um filme de Walter Salles com elenco internacional é sempre grande, principalmente no Brasil. Neste caso, o diretor conseguiu reunir um conjunto de estrelas para seu filme que visa adaptar o livro de Kerouac (o qual eu não li) para o cinema.         O filme retrata de forma interessante a época e os momentos vividos pelos personagens, que buscavam contrariar as regras e enfrentar alguns preconceitos da sociedade com relação a este tipo de postura. Sem laços e vínculos, ou mesmo normas sociais, o filme é carregado de sexo e drogas para retratar o movimento beat.
    Ao buscar demonstrar todo caos na vida dos personagens, em relação principalmente ao que todos estão habituados – o maior exemplo é o personagem de Moriarty (Hedlund), o filme também acaba por adquirir esta característica. Torna-se confuso, bem como a vida de seus protagonistas, com cenas soltas e desconexas – me agrada este aspecto, em que a forma como o filme é feito condiz com o período que tenta retratar. Contudo, o filme acaba se revelando muito longo e cansativo.
    As atuações foram muito boas. Stewart me surpreendeu, com muita sensualidade em diversas cenas, ainda que não possamos considerar que foi uma atuação primorosa da moça. Simplesmente porque nos acostumamos a vê-la em filmes péssimos, não quer dizer que ela teve um grande salto. Os demais protagonistas também foram bem, mas ao meu ver, apesar do grande elenco, nada que mereça muito destaque.
     Com uma trilha sonora interessante, o filme revela-se apenas razoável, nem de perto dos melhores de Walter Salles. A duração talvez prejudique ainda mais o filme, que torna-se dispensável, mas acerta na intenção de tentar demonstrar o espírito destas pessoas e do momento que viviam, além da quebra de normas e regras sociais que se revelam antiquadas e conservadoras com o passar do tempo.

Nota 74/100

sábado, 26 de outubro de 2013

Gravidade

Ficha TécnicaGravity, 2013.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Alfonso Cuarón.
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris, Phaldut Sharma.
País: Estados Unidos.
Tempo: 91 min. 
Idioma: Inglês.

   Havia uma grande expectativa criada em torno deste filme. No entanto, eu não compartilhava deste sentimento. Um filme de ficção científica, no espaço, com a Sandra Bullock? Onde muitos viam um imenso potencial de sucesso, eu via um grande potencial para o fracasso. E talvez exatamente por isso que minha análise possa ser ainda mais questionável, pois o filme realmente me surpreendeu de maneira positiva.
   Tecnicamente, o filme é impecável. Uma experiência extremamente sensorial em que Cuarón nos faz sentir como se estivéssemos no espaço, ou ao menos nos transmite o que é realmente (claro que dentro dos limites estruturais) uma experiência no espaço sem gravidade, oxigênio, som, dentre outros aspectos que tornam o espaço uma região extremamente perigosa. Os efeitos especiais (e espaciais) são fantásticos – o 3D é muito bem utilizado, as tomadas de câmeras com vistas para terra, em primeira pessoas, o fogo e as lágrimas e as cenas de explosões e colisões são realmente maravilhosas.
    A trilha sonora está em perfeita consonância com o restante do filme, sendo um excelente acréscimo. E as metáforas são ótimas – com destaque para as mais do que comentadas cenas da posição fetal e a cena final, desde a queda da espaçonave e todo o drama na água, até ela se levantar, como se estivéssemos presenciando o processo evolutivo da humanidade de milhões de anos em apenas alguns segundos.
    Com relação às atuações, Sandra Bullock realmente surpreendeu. Ela é responsável pela maior parte do filme, tendo conduzido muito bem todo o longa. As cenas de perigo mortal foram muito bem trabalhadas, com sua respiração e desespero parecendo bem reais e acrescentando muito ao filme. George Clooney usa de todo seu carisma e charme para acrescentar um pouco de leveza à trama, tendo em vista que era o astronauta mais experiente e o comandante da equipe. E mesmo suas conversas aparentemente despropositais em momentos de tensão atendem a duas propostas: a da realidade do filme, de ajudar a Dra. Stone (Bullock) a manter a calma; e a de apresentar a personagem aos telespectadores, sendo responsável por uma das grandes revelações do filme, quando ela menciona da morte prematura de sua filha.
    O diretor acertou em focar em apenas um personagem e meio (Clooney tem uma importante porém breve participação). Apesar de não ser um grande tratado sobre o indivíduo ou sociedade, também apresenta sua profundidade ao lidar com a personagem de Bullock. Um filme que mantém a tensão por todos os seus 90 minutos – duração esta acertada pelos produtores e diretor. Muito mais do que isso poderia prejudicar o filme, que foi executado de forma excelente.

Nota 94/100

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Curtindo a Vida Adoidado

Ficha TécnicaFerris Bueller's Day Off, 1986.
Gênero: Comédia.
Direção: John Hughes.
Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones, Jennifer Grey, Cindy Pickett, Edie McClurg, Charlie Sheen.
País: Estados Unidos.
Tempo: 103 min. 
Idioma: Inglês.


   Curtindo a Vida Adoidado pode ser considerado um marco do cinema nos anos 1980. E mesmo não sendo um grande filme, acabou tornando-se um clássico e uma referência. Uma comédia que realmente nos faz rir e nos diverte. Que traz cenas inusitadas, quase impossíveis, e não se pretende sério em nenhum momento. E talvez essa seja sua maior qualidade.
      Com atuações memoráveis, cenas hilárias e ótima trilha sonora, o filme mostra como o aluno de colegial Ferris Bueller se dedica com afinco para poder matar aula, se divertir e não dedicar na escola durante aquele dia. As cenas clássicas da Ferrari, dos cachorros e do Desfile são conhecidas por praticamente toda uma geração.
    Ao mesmo estilo de Quero ser Grande, este longa torna-se ainda mais engraçado e melhor, ainda que, ironicamente, talvez seja menos profundo. Mas também possui diálogos inteligentes e engraçados, como o momento em que o diretor fala ao telefone pensando ser Ferris. O recurso de ter o personagem conversando com a câmera também é muito bem utilizado.
     Broderick atua com excelência no papel que iria marcá-lo por toda sua vida. Alan Ruck (Cameron), Mia Sara (Sloane) e Jennifer Grey (Jeanie) também estão excelentes, sendo essenciais para a qualidade do filme; mas o meu destaque como coadjuvante vai para o diretor Ed Rooney (Jones), que junto com Broderick e Ruck é responsável pelas cenas mais engraçadas do filme. A ponta de Charlie Sheen também é engraçada.
     Um clássico da Sessão da Tarde, como dizemos, que é sempre bom para ver e rever, pois nos diverte com sua principal qualidade: ser simples e divertido, mas sem exagerar em algum humor pastelão, ainda que o utilize. E que ao meu ver, agrada não somente aos adolescentes pelo fato de Ferris estar matando aula, mas também aos adultos, que sempre sentirão uma eventual necessidade jogar tudo para o alto e apenas se divertir de forma irresponsável. E talvez seja esta a insatisfação do diretor com Ferris, pois certamente o aluno precisa muito menos desses momentos do que um diretor de escola.

 
 


Nota 83/100

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Depois da Terra

Ficha Técnica: After Earth, 2013.
Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura.
Direção: M. Night Shyamalan.
Elenco: Jaden Smith, Will Smith, Sophie Okonedo, Zoë Kravitz, Glenn Morshower, Kristofer Hivju, Sacha Dhawan.
País: Estados Unidos.
Tempo: 100 min. 
Idioma: Inglês.

    Um filme como este não merece que nos prolonguemos demais. Pelo visto, M. Night Shyamalan ainda não retomou sua boa e velha forma que encontramos em filmes como O Sexto Sentido ou A Vila. Quando fui assistir a este filme, o objetivo era: quero ver um filme ruim, apenas para me distrair. Mas eis que fui surpreendido – o longa era ainda pior do que eu esperava.
      A começar pelas cenas de ações, que são patéticas. Apesar de reconhecer a falta de qualidade em filmes de franquias como Homem de Ferro ou Transformers, ao menos as cenas de ação são interessantes (e no caso do Homem de Ferro, os atores também). Como gosto de filmes apocalípticos, extra-terrestres e outros assuntos semelhantes, pensei que fosse me divertir com este. Mas o filme é péssimo; nem mesmo o monstro farejador de medo (“a ursa”) salva o filme.
   Além dos absurdos e clichês de pai e filho que assistimos, tivemos que contar com um protagonista sem qualquer carisma. O rapaz (Jaden Smith) é responsável por carregar o filme inteiro com sua atuação, mas tem poucos momentos que atinge o nível do aceitável. Até mesmo Will Smith, que costuma me agradar, optou por uma atuação que ao meu ver parecia um robô. Acredito que tenha sido a escolha para construir o personagem, mas realmente ficou ruim. Já vimos o potencial em outros filmes, e por isso a situação é ainda mais decepcionante.
    E o roteiro então, sem comentários. Para além da relação mais do que batida de pai e filho, tivemos que observar apenas os dois sobrevivendo à queda da nave, o pai com a perna quebrada e depois amputada repetindo uma cena inicial, o menino que não estava preparado de repente tornar-se o melhor soldado e um pássaro predador gigante salvá-lo por puro amor! Acredito que esses elementos sejam o suficiente para classificar o filme, no mínimo, como dispensável.

Nota 35/100

domingo, 20 de outubro de 2013

Advogado do Diabo

Ficha Técnica: The Devil's Advocate, 1997.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Taylor Hackford.
Elenco: Keanu Reeves, Al Pacino, Charlize Theron, Jeffrey Jones, Judith Ivey, Connie Nielsen, Craig T. Nelson, Tamara Tunie, Ruben Santiago-Hudson, Debra Monk, Chris Bauer, Laura Harrington.
País: Estados Unidos, Alemanha.
Tempo: 144 min. 
Idioma: Inglês.

      Este filme é apontado por muitos como um clássico, outros como uma obra-prima, ou mesmo como inovador. Ao meu ver,a pesar de ser um bom filme, é superestimado ao ser avaliado de tal forma. Ele peca em muitos aspectos, alguns deles essenciais, para receber tantos adjetivos positivos.
     Começando pelas atuações, temos dois opostos: um dos maiores atores de Hollywood, Pacino, espetacular como sempre. Ele está incrível, com uma atuação forte, de acordo com seu papel. A evolução de seu personagem é muito bem trabalhada por ele, com o início mais comedido e sua revelação final. Na outra ponta, temos Keanu Reeves. Realmente gostaria de saber como ele consegue, há tanto tempo, continuar a ser escalado com elencos de ponta. E este é o primeiro ponto que enfraquece o filme. Como podemos ter um protagonista tão fraco – ele chega a ser ofuscado por Al Pacino. Se você saiu com a sensação que eles dividem o protagonismo do filme, é muito mais pela atuação de ambos do que pelo espaço e tempo de tela ou pelo personagem. Não se engane, há somente um protagonista – Kevin Lomax, interpretado por Reeves.
     Charlize Theron também faz um ótimo trabalho, sendo responsável por cenas marcantes e pesadas, principalmente o momento de sua morte, que nos causa grande desespero. O restante do elenco faz ótimo trabalho, com destaque para Jones e Ivey, a mãe do protagonista. O filme também é bem dirigido, ainda que seja um pouco longo. Talvez algumas cenas desnecessárias, mas que poderiam ser substituídas, pois mesmo sendo longo, nos prende.  
    A produção é muito boa, contando com excelente trilha sonora, bons efeitos especiais e ótima maquiagem. Hackford acerta ao evitar dar muito espaço para os efeitos especiais, deixando a tensão e emoção muito mais por conta dos diálogos e do suspense criado. O sucesso do jovem advogado que nunca perdeu um caso segue uma crescente, juntamente com a tensão do filme.
     O longa nos apresenta cenas fortes, com argumentação e questionamentos pesados inclusive sobre a religião. A cena em que Milton (Pacino) questiona a posição direta de Deus, como um sádico e piadista que se diverte ao ver o homem lutar contra seus instintos que ele mesmo criou é muito interessante, além da interpretação magistral do ator.
      Contudo, o filme também é recheado de clichês, e o final acaba por decepcionar. Busca transmitir não somente o clássico julgamento moral de evitar a ganância e prepotência, saber quando perder. Tais dilemas, ainda que presentes não somente na vida do advogado, mas de todos, são lugares-comuns no cinema. Muito mais interessante seria a discussão sobre como defender de fato o professor pedófilo, visto que todos têm direito à ampla defesa e que mesmo que culpado, ele receba uma pena justa, e não seja julgado pelo clamor popular. Um maniqueísmo prejudicial para o roteiro.
    Outra mensagem moralista é a questão da tentação constante. Ao aparecer no final do filme para conversar com o Lomax novamente, agora como outra pessoa, o filme cai na questão da moral religiosa de estarmos sempre atentos para evitar a tentação constante do mal. Algo válido, mas pouco inovador para o cinema. Essa segunda chance dada ao advogado (toda a história foi apenas “um possível” futuro), me incomoda, pois nem sempre é possível voltar atrás em nossas escolhas. O final feliz garantido continua sendo uma característica exclusiva do cinema e uma constante em Hollywood.
   Portanto, apesar de um filme interessante, nunca será um clássico. O pouco reconhecimento das premiações é uma indicação boa, ainda que os festivais também esqueçam muitas vezes dos grandes filmes. Mas este não emplacou em nenhum dos estilos, o mainstream ou o alternativo.

Nota 79/100

sábado, 19 de outubro de 2013

Dr. Fantástico

Ficha TécnicaDr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964.
Gênero: Comédia, Ficção Científica, Guerra.
Direção: Stanley Kubrick.
Elenco: Peter Sellers, George C. Scott, Sterling Hayden, Keenan Wynn, Peter Bull, Slim Pickens, James Earl Jones, Tracy Reed.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 95 min. 
Idioma: Inglês.

     Uma das melhores comédias de todos os tempos, Dr. Fantástico trata com excelente humor negro a questão do apocalipse nuclear e a Guerra Fria, durante seu auge (após a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962). A direção primorosa de Kubrick e sua excelente escolha pela trilha sonora, somado à grande atuação e roteiro fazem esse um dos melhores filmes de todos os tempos.
    Começando pelas atuações, Peter Sellers está fantástico, quase irreconhecível em seus inúmeros papéis. Obviamente, o mais interessante deles seria o Dr. Strangelove, que protagoniza algumas das melhores cenas do filme. Além disso, nos traz a ironia maior de termos, em plena Guerra Fria, após a derrotar a Alemanha Nazista, tenhamos vários de seus ex-oficiais trabalhando no governo estadunidense. Na realidade, revela-se uma crítica ao próprio posicionamento dos EUA perante o mundo no pós-guerra. Destaque também para George C. Scott, em grande atuação, bem como o restante do elenco.
   As ironias e críticas estão por toda parte: a ordem para encerrar uma briga na sala de guerra, o absurdo de não se conseguir impedir um próprio avião e a paranoia de ambos os lados com relação às táticas utilizadas pelos inimigos (como a questão da água) formam um conjunto mirabolante e inusitado de ações, mas também que nos deixa incomodados por não parecer tão impossível, ao menos para a lógica da guerra (sem entrar no mérito tecno-científico).
   As ironias com os nomes também são muito boas, bem como cenas excelentes – a do cowboy caindo montado na bomba talvez seja a mais famosa do filme. Como já mencionei aqui sobre o filme Bonnie e Clyde, que influenciaram os Irmãos Coen em seu cinema, este talvez venha a ser o melhor e primeiro filme que une humor negro e uma comédia de erros, em que absurdos possíveis determinam situações ainda mais absurdas, porém também possíveis e muitas vezes prováveis.
    Engraçado o diálogo entre o presidente dos EUA e Dmitri, em que mesmo sem ouvir o outro lado, entendemos perfeitamente o que está ocorrendo. Um questionamento importante apontado também é o poder dos militares, de ambos os lados, principalmente pelo fato de controlarem todo arsenal nuclear. Ainda que o presidente seria o único a dar a ordem, eles de fato é que executariam – e como demonstrou o filme, uma atitude individual levou ao conflito nuclear global. Essa talvez seja a crítica mais sutil implícita no filme, na relação entre as armas de destruição em massa e o real controle que temos sobre ela. Incrível que um filme tão antigo esteja tão atual, principalmente pela situação que vivemos hoje com relação à Síria.

Nota 100/100

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Grande Gatsby

Ficha Técnica: The Great Gatsby, 2013.
Gênero: Romance, Drama.
Direção: Baz Luhrmann.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Joel Edgerton, Isla Fisher, Amitabh Bachchan, Elizabeth Debicki, Jason Clarke, Adelaide Clemens.
País: Estados Unidos, Austrália.
Tempo: 143 min. 
Idioma: Inglês.

     Este clássico da literatura estadunidense já foi adaptado para o cinema diversas vezes. Esta adaptação de Baz Luhrmann é a primeira que eu vejo; eu tampouco li o livro, portanto, vou analisar apenas os aspectos do filme, sem compará-lo à obra original ou aos outros filmes realizados no passado.
     O longa tem uma das características marcantes do diretor australiano – as cores vibrantes, cenas estonteantes e altamente produzidas. As festas são o melhor reflexo dessa sua característica, e se encaixam bem na trama. Nos demais momentos, são apenas distrações. Chama-se muita atenção para todo o cenário, gerando certa distração em relação aos diálogos. Tampouco foi utilizado para demonstrar o contraste entre a pobreza e a riqueza em determinadas situações. 
     O filme é longo demais, com a narrativa, feita por Nick Carraway (Tobey Maguire), dizendo exatamente o que víamos, o que no meu entendimento é desnecessário. A história demora demais a envolver o telespectador, além de não apresentar nada de original. Talvez a trama do livro de 1925 tenha sido realmente original, mas aqui, toda a agonia e o vazio das pessoas, que poderiam ser trabalhadas de forma excelente, revelam-se simples e sem interesse.

     Os atores fazem um bom trabalho – mas talvez o enredo e a direção tenham limitado algo que poderia ter sido muito maior. Mesmo DiCaprio e Mulligan, excelentes atores, não desenvolvem todo o potencial que têm. O destaque talvez tenha sido Edgerton, que tem ótima atuação.
   A trilha sonora do filme não me agradou. Muitas vezes essa combinação de músicas atuais com contextos do passado é boa, como ocorreu em Moulin Rouge, do mesmo Baz Luhrmann. Entretanto, aqui fica totalmente fora de contexto, sem deixar clara qual a intenção em se fazer isso. Um filme dispensável e demasiadamente longo. Uma decepção, principalmente em razão das grandes expectativas que se criaram em relação a ele.




Nota 76/100