sábado, 28 de julho de 2012

Amnésia

Ficha técnica: Memento, 2000
Gênero: Drama, Mistério, Suspense.
Direção: Christopher Nolan. 
Elenco: Guy Pearce, Carrie-Anne Moss, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Russ Fega, Jorga Fox, Stephen Tobolowsky, Harriet Sanson Harris. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 113 min.
Idioma: Inglês.

     Ao assistir ao segundo filme da carreira de Nolan, já podemos perceber que desde o começo ele imprime sua marca pessoal em suas obras. No entanto, talvez como reflexo de seu início de carreira, apesar da ousada história, não há nada muito profundo, grandes questionamentos ou coisa do tipo. Estes aspectos engrandeceriam ainda mais o excelente filme que é Amnésia (que ao meu ver, é uma péssima tradução).
       A história é contada de maneira linear, mas não usual: cronologicamente inversa. Mesmo assim, é cheio de surpresas, a cada pedaço que juntamos do quebra-cabeça, e o final da história (início do filme), torna-se cada vez mais surpreendente, na medida que a confusão no início diminui.
A direção é primorosa, totalmente ousada, que nos causa uma certa confusão, mas não deixa o espectador se perder por completo, pois na medida em que o filme se desenvolve, algumas dúvidas desaparecem, dando lugar para desconfianças que nos prendem toda a atenção. 
O elenco está muito bem – Guy Pearce é o centro do filme, e seu excelente trabalho contribuiu para tornar o longa ainda melhor. Moss também faz um belo trabalho, ótimo para quem saiu das grandes cenas de ações do excelente Matrix. Pantoliano também acrescenta muito ao filme – e os personagens destes três são os principais causadores das nossas dúvidas e incertezas.
Um ótimo filme do excelente diretor Christopher Nolan, que desde o início de sua carreira aparenta acertar muito mais do que errar. É um filme que se assistido pela segunda vez, vai tornar as coisas ainda mais claras e melhores. Entretanto, apenas uma vez basta para identificarmos um ótimo roteiro, direção ousada e bem relacionada com a história em si, que nos traz esta ordem não-cronológica de maneira inovadora e original, em muitos aspectos.
Nota 86/100

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha

Ficha técnica: The Amazing Spider-Man, 2012
Gênero: Ação, Fantasia;
Direção: Marc Webb. 
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifan, Martin Sheen, Sally Field, Denis Leary, Campbell Scott. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 136 min.
Idioma: Inglês.

     Quais os motivos que levam a se fazer um reboot de um filme que teve sua trilogia finalizada há cinco anos? Essa resposta, no caso do Homem-Aranha, é perda dos direitos de filmagem da Sony sobre o personagem. Ao se repetir uma história já contada, espera-se que ela traga uma nova visão ou que a versão anterior tenha sido ruim, e deseja-se fazer jus ao original. Neste caso, a trilogia de Sam Raimi era ruim, mas há realmente alguma diferença para esta, além dos efeitos em 3D?
    O diretor Webb nos traz praticamente a mesma história, com atores diferentes (e alguns deles ainda inferiores). As mesmas mensagens, uma nova namorada, um heroi um pouco menos atrapalhado, um novo vilão (mas com o mesmo plano e mesma história de vida de sempre), dentre outros problemas.
    Desconheço os quadrinhos, mas qual a necessidade se ser fiel a eles, se os considerarmos inadequados – afinal, o filme poderia muito bem se encaixar na trilogia anterior. Os efeitos são excelentes, e o 3D foi muito bem utilizado, mas eles ainda são similares aos da trilogia anterior, apenas com uma tecnologia inferior (não para a época). As atuações estão razoáveis, e dentro da estrutura extremamente limitada que este filme, todos se saíram bem.
    O vilão é novamente um cientista que força os limites da natureza, tudo sai do controle, e por fim cria um plano diabólico de destruição. Nem mesmo o papel de grandes empresas, ganância humana e da sociedade, ética ou qualquer destas questões que deixariam a história um pouco mais complexa e interessante são ao menos tangenciados.
Ao menos as tentativas de fazer o público rir a cada minuto não estão presente, como em OsVingadores (talvez a cada cinco minutos). Mas nem por isso devemos levar este filme a sério. Não há sequer um motivo razoável para a realização dele da maneira que foi feita, a não ser os lucros que trarão à Sony e assegurar os direitos de filmagem.
     As mudanças no roteiro como a ausência de Mary Jane, a menção aos pais de Peter Parker, a ausência do jornal e da carreira de Parker como fotógrafo além do discreto papel das Indústrias Oscorp não alteram a essência da história, indicando apenas que num futuro próximo podemos esperar mais do mesmo sobre a saga do heroi, e que estes elementos faltando irão retornar a série. Esse retorno provavelmente irão tornar o filme ainda mais parecido aos de Raimi, e ainda mais desnecessários.
Nota 55/100

sábado, 21 de julho de 2012

Nove Rainhas

Ficha técnica: Nueve Reinas, 2000
Gênero: Crime, Drama, Suspense;
Direção: Fabián Bielinsky. 
Elenco: Ricardo Darín, Gastón Pauls, Leticia Brédice, Ignasi Abidal, Oscar Nuñez, Tomás Fonzi, Leo Dyzen. 
País: Argentina.
Tempo: 114 min.
Idioma: Espanhol.

    Um filme com muitas reviravoltas e um final inesperado, Nove Rainhas faz jus à fama do cinema argentino, trazendo um excelente roteiro, uma boa direção não convencional, ótimas atuações e um pano de fundo arrebatador – a crise econômica da Argentina.
      Darín e Pauls estão ótimos no filme, e contribuem muito para sua qualidade, pois são os responsáveis por conduzir o filme praticamente sozinhos. A química entre os dois é ótima, e suas caracterizações levam o espectador a formular os estereótipos que fazem a surpresa ser ainda maior. Os demais coadjuvantes também fazem um ótimo trabalho, com destaque merecido para Abadal.
     A história é envolvente, e na medida em que a trama se desenvolve, torna-se mais “séria”, juntamente com a própria situação pela qual se encontram os protagonistas, dois golpistas portenhos. O filme passa a ideia constante de que sempre há alguém tirando uma vantagem em cada situação, mesmo daqueles que se julgam mais espertos, e de maneira sutil, nos mostra um país que enfrenta uma severa crise econômica, com excelentes cenas. A crise econômica argentina é mostrada através de cenas sutis, no entanto fortes (como o garoto do metrô), de maneiras mais óbvias (a crise no banco) ou mesmo com algumas metáforas (no caso da proposta final de Vidal).
    O cenário (Buenos Aires) é excelente, e tanto a trilha sonora quanto o visual do filme procuram não distrair o espectador do ritmo veloz em que a trama é conduzida, sendo uma grande sacada do diretor. Há também uma semelhança com Os Suspeitos ou Snatch, mas o pano de fundo argentino torna o filme único e acima destes dois.
A diferença entre os dois protagonistas e a discussão sobre ética e moral entre ambos é muito interessante, apesar de previsível, em razão da falta de escrúpulos de um comparada com a insegurança do outro. No entanto, o final acaba se postando um tanto moralista, buscando justificar alguns atitudes e desmontar qualquer outro argumento, e talvez seja a única derrapada real deste excelente filme.       
Nota 91/100

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sombras da Noite

Ficha técnica: Dark Shadows, 2012
Gênero: Comédia, Fantasia;
Direção: Tim Burton. 
Elenco: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green, Jackie Earle Haley, Johnny Lee Miller, Bella Heathcote, Chloë Grace Moretz, Gulliver McGrath, Christopher Lee, Alice Cooper. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 113 min.
Idioma: Inglês. 

      O novo filme do trio Burton-Depp-Carter é um remake de uma antiga série estadunidense, exibida ao final da década de 1960. Como nunca assisti ao seriado, não posso fazer comparações, me atendo apenas ao filme, que se revelou decepcionante e sem propósito.
     A história de um vampiro que retorna ao convívio (Depp) familiar após 200 anos trancado num caixão está recheada de clichês e alguns bons momentos. Depp está bem no papel, mas longe de suas melhores atuações. Os muitos personagens do filme são apresentados de maneira interessante no início, mas suas histórias vão se perdendo, e com uma das co-protagonistas deixando de aparecer inúmeras vezes (Heathcote).
    Eva Green no papel da vilã talvez tenha tido a melhor atuação, mas nada espetacular. O elenco não compromete, mas talvez em razão da história desconexa e de pouco espaço para grandes atuações, não foi possível um trabalho de destaque. Pfeiffer e Carter estão bem no filme, mas a última com muito menos qualidade do que algumas de suas parcerias com o marido (Sweeney Todd e Alice). Moretz faz um papel bem diferente do que em Hugo Cabret, mas apesar deste ponto positivo, sua personagem está um tanto quanto caricaturesca.
     A trilha sonora do filme é realmente interessante, talvez o melhor aspecto, pois está em consonância com os momentos e a história em si; outro ponto positivo é a mescla entre o ambiente noir e cores fortes que Burton trabalha tão bem. Apesar disso, já tivemos filmes em que mesmo este aspecto tenha sido melhor apresentado.
    Enfim, um filme previsível, que se perde ao longo da fraca trama, com divisões maniqueístas, alguns requintes de humor de pouco sucesso e mais um trabalho muito abaixo da média da parceira entre Depp e Burton. Termina com um final totalmente convencional, principalmente para os padrões de Burton, e muito decepcionante como um todo.


Nota 51/100

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Espião Que Sabia Demais

Ficha técnica: Tinker Tailor Soldier Spy, 2011
Gênero: Drama, Suspense;
Direção: Tomas Alfredson. 
Elenco: Gary Oldman, Colin Firth, Toby Jones, Benedict Cumberbatch, Stephen Graham, Kathy Burke, Tom Hardy. 
País: Reino Unido, França, Alemanha.
Tempo: 127 min.
Idioma: Inglês, Russo, Húngaro.

    Este filme de espionagem foge das convencionais cenas de ação que geralmente envolvem o gênero – perseguições, tiros e explosões não estão presentes, mas ainda há uma boa dose de violência.
     Apesar de trazer um bom panorama do que foi a espionagem britânica durante a Guerra Fria, um papel coadjuvante entre as ações da CIA e da KGB e pouco glamour, a trama se revela complicada e ao mesmo tempo recheada de clichês, ainda que tenha sido muito elogiada pela crítica. A história de um ex-espião que é retirado da aposentadoria após a morte de seu ex-chefe com o propósito de realizar um último trabalho, que é encontrar o agente-duplo da organização, não pode ser considerada original.
     Em razão de uma fama maior de um dos atores que fazem o papel dos suspeitos, ao meu ver a trama ficou previsível, e sua estrutura não-linear não me agradou, e sim tornou o filme de difícil compreensão. As aclamadas atuações também merecem um olhar mais crítico: todos parecem atuar de maneira semelhante, não sei se propositalmente, mas não foi um ponto positivo do filme. Os atores parecem ter os mesmos tons de voz, feições, etc. Cabe ressaltar o destaque de Cumberbatch, em meio a tantos bons e veteranos atores, fez o melhor trabalho do filme, indo além das interpretações razoáveis dos demais.
     Enfim, um filme que apesar da boa trilha sonora e do bom panorama apresentado da época, ficou aquém de minhas expectativas – não consegue prender a atenção do espectador, muito menos surpreendê-lo. Nada muito profundo, original ou impactante.
Nota 67/100

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Margin Call - O Dia Antes do Fim

Ficha técnica: Margin Call, 2011
Gênero: Drama, Suspense;
Direção: J.C. Chandor. 
Elenco: Kevin Spacey, Zachary Quinto, Paul Bettany, Jeremy Irons, Penn Badgley, Simon Baker, Demi Moore, Stanley Tucci, Aasif Mandvi. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 107 min.
Idioma: Inglês.
  
     Primeiramente, devemos lembrar que este não é um documentário sobre a crise econômica, e sim um filme no formato de um drama/suspense – e por isso, ainda que ele não tenha obtido êxito ao tentar explicar a crise, esse não deveria ser encarado como seu principal objetivo. Aos que desejam realmente tentar compreender a crise, o documentário Inside Job é excelente.
      O filme nos mostra as ações que levam uma empresa/corporação/grupo de investimentos a deflagrar uma crise economia (na verdade, a que vivemos neste momento). De maneira supérflua, as sucessivas crises econômicas inerentes ao capitalismo são apresentadas, e como fugir delas é impossível, se desejamos permanecer neste sistema.
       O desemprego, a desigualdade social e o fato que aqueles que causam as crises não perdem com ela, e sim a população “normal” – todos esses fatos estão postos em Margin Call para os espectadores mais atentos. O drama não está na presente nas relações humanas do filme, e sim na sua falta de humanidade. Os seres humanos são tratados como dados, são relações desumanizadas – tanto no momento da relação direta (as demissões e o absurdo de ser escoltado para fora da firma) como no momento da indireta, ao se avaliar os danos causados pelas ações dos executivos.
O individualismo, talvez uma das marcas da nossa sociedade atual, impera no filme. Mesmo aqueles que se sentem mal e não concordam com o que estão fazendo, não conseguem mudar ou mesmo deixar a situação – e muitos nem sequer tentam. O elenco é excelente; Kevin Spacey em mais uma ótima atuação, Zachary Quinto e Paul Bettany também aparecem muito bem, e o destaque fica com Jeremy Irons, com brilhante atuação, apesar de curta.
Um filme que, apesar de não ser brilhante, nos traz um bom panorama dos bastidores da ação de uma corporação na crise; tem seu mérito pelo tema atual e de muita relevância, mas talvez enfrente dificuldades em captar uma grande audiência, em razão do seu formato que, aliás, é excelente.
Nota 91/100

terça-feira, 3 de julho de 2012

Trainspotting - Sem Limites

Ficha técnica: Trainspotting, 1996
Gênero: Crime, Drama;
Direção: Danny Boyle. 
Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremmer, Johnny Lee Miller, Robert Carlyle, Kevin McKidd, Kelly Macdonald, Peter Mullan, James Cosmo, Eileen Nicholas, Susan Vidler, Pauline Lynch. 
País: Reino Unido.
Tempo: 94 min.
Idioma: Inglês.

    Muito se falou de Trainspotting fazer apologia às drogas, principalmente heroína; quem sai com essa sensação do filme, não o compreendeu inteiramente. Esse debate ainda trouxe alguns danos ao filme, pois colocou a questão das drogas como central e única no longa. Essa questão é realmente importante, mas apenas um complemento sobre algo maior – relacionamentos e sociedade.
    O filme tornou-se um clássico, bem como muitas de suas cenas. A sequência inicial em que Renton (McGregor) dita o poema “Choose a life, choose a job...”, no decorrer da trama, começa a fazer mais sentido. Ele afirma ter escolhido as drogas, para fugir deste padrão moral de normalidade imposto pela sociedade a todos, “escravizando-os” sob este modo de vida. E a ironia surge pelo fato de ele tornar-se escravo de outra escolha, a heroína.
     A questão das drogas é tratada sem julgamentos morais, de forma crua (sendo esta uma grande virtude do filme) – os prazeres que ela nos traz são mostrados de maneira evidente, induzindo sim o espectador a usá-la. Mas em seguida, as gravíssimas consequências que elas nos trazem são esfregadas nas nossas caras, tornando esse desejo no espectador efêmero, bem como o próprio efeito da droga. Danny Boyle nos apresenta cenas em que praticamente podemos sentir o que as pessoas estão passando naquele momento, harmonizando de maneira magistral as imagens, trilha sonora e sensações causadas, inclusive com cenas escatológicas.
Outra crítica apresentada é a hipocrisia da sociedade com relação às drogas, quando alguns produtos como o álcool e remédios – considerados legais – também podem trazer efeitos tão negativos quanto o das ilegais, mas são socialmente aceitos. A impressão que nos dá é que todos na sociedade precisam de seus vícios – sejam eles o trabalho, a “vida normal”, as drogas, a violência (explícito no caso de Begbie, em brilhante interpretação de Carlyle) ou o álcool, dentre outros.
O elenco está excelente, com atuações fortes e impactantes, bem como os diálogos do filme, se adequando perfeitamente à história. O domínio da cultura pop e cult do diretor, além de algumas semelhanças com Tarantino – nas discussões e teorias sobre Sean Connery, 007 e Escócia – somente trazem mais virtudes a este excelente filme.

                    

Nota 96/100