segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vicky Cristina Barcelona

Ficha técnica: Vicky Cristina Barcelona, 2008
Gênero: Drama, Comédia, Romance;
Direção: Woody Allen. 
Elenco: Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem, Penélope Cruz, Patricia Clarkson, Chris Messina, Kevin Dunn, Christopher Evan Welch, Josep Maria Domènech. 
País: Espanha, Estados Unidos.
Tempo: 96 min.
Idioma: Inglês, Espanhol. 
    
     Este é um dos meus filmes favoritos de Woody Allen, ainda que eu não seja um grande fã ou mesmo um profundo conhecedor de sua obra. Mas o tom cômico de seu estilo está tênue e equilibrado neste filme, dando uma seriedade maior, e a fantasia/absurdo, marca de alguns de seus filmes, não aparece, e isto me agradou.
     A fotografia do filme é excelente, tendo utilizado muito bem a bela cidade de Barcelona. Apesar disso, a história poderia se passar em qualquer lugar dos EUA, não tendo uma profunda relação com o cenário que a cerca – mas a intenção do diretor está clara (está recebendo apoio das localidades em que filma para que as divulgue em seus filmes), e não é um ponto negativo a meu ver, embora alguns elementos locais mais fortes e menos estereotipados confeririam mais força à trama.
As atuações dos espanhóis foram excelentes – Penélope Cruz e Javier Bardem dão uma ótima dinâmica ao filme. Scarlett Johansson e Rebecca Hall também estão ótimas, apesar de seus personagens serem um pouco menos complexos, o que talvez tenha limitado o trabalho delas.
Allen questiona algumas das instituições burguesas como o casamento e a família, mas ao mesmo tempo nos mostra como mesmo sabendo o que elas representam, desejando superá-las, é difícil para qualquer um. A indecisão e certeza de um futuro vazio e talvez infeliz de Vicky (Hall) é angustiante, e mesmo assim, ela não consegue coragem para mudá-lo. Cristina (Johansson) possui uma mente mais aberta, e também buscou superar estes paradigmas, mas também não conseguiu encontrar uma alternativa com a qual conseguisse viver.
Ao mesmo tempo, os que teoricamente teriam superado estas “imposições” sociais e deveriam encarar a vida de forma leve tampouco vivem um mar de rosas – Maria Elena (Cruz) e Juan Antonio (Bradem) estão em constante sofrimento e tristeza, talvez em razão da instabilidade do relacionamento e ardente paixão que sentem um pelo outro.
Enfim, um ótimo filme de Allen, mesmo com o objetivo propagandista por trás dele, com excelentes atuações e fotografia, além de uma visão não convencional e provocadora sobre relacionamentos amorosos. Há uma certa semelhança com Closer ainda que este último seja mais original e melhor trabalhado.
Nota 86/100

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