segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Os Infiltrados

Ficha Técnica: The Departed, 2006.
Gênero: Suspense, Crime.
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin, Ray Winstone, Anthony Anderson, James Badge Dale, Mark Rolston, David O'Hara.
País: Estados Unidos, Hong Kong. 
Tempo: 151 min. 
Idioma: Inglês. 

      Scorsese no seu melhor! Esse é o maior elogio que se pode fazer ao filme que rendeu a Martin Scorsese, um dos maiores (senão o maior) diretores em atividade, seu primeiro Oscar, um tanto tardio e mais do que merecido. Aqui ele retorna aos filmes que retratam a violência urbana, gênero que o lançou ao sucesso com Taxi Driver e sob o qual ele produziu excelentes obras, como Bons Companheiros. 
       O longa trata sobre dois policiais infiltrados – Billy Costigan (DiCaprio), trabalhando como infiltrado numa organização criminosa para a polícia de Boston; e Colin Sullivan (Damon), um detetive que na realidade está infiltrado na polícia a serviço do líder desta máfia irlandesa, Frank Costello (Nicholson). 
        O enredo é empolgante, causando suspense e mistério na medida certa, com a tradicional violência do diretor, mas que não é desproposital em nenhum momento. Na realidade, torna o filme mais real. A sensação de insegurança e medo que sentimos nas inúmeras delicadas e perigosas situações pelas quais os personagens principais passam são ótimas. E ainda que haja uma diferença de caráter entre bem e mal entre os dois, não podemos fazer muitos julgamentos, pois Sullivan foi desde criança influenciado e criado pelo mafioso, sendo um produto do ambiente criado por ele, conforme o mesmo afirma no início do filme. 
      A história, adaptada de um filme japonês, é repleta de reviravoltas e surpresas, dirigido de maneira sublime. Temos talvez o melhor headshot do cinema nos últimos tempos (ou no mínimo empatado com o de Brad Pitt em Queime depois de ler). Sem dúvida, a melhor sequência deles. Ironias estão presente o tempo inteiro na história, bem como a ação. 
       A trilha sonora é magistral, com músicas dos Stones, Pink Floyd, Lennon e a excelente música tema da banda Dropkick Murphys – Shipping up to Boston. As atuações são espetaculares. Nicholson está excelente e rouba todas as cenas. Seu personagem exala a violência, e percebemos o quão desconfortável é estar ao seu redor. Damon e DiCaprio estão interessantemente parecidos fisicamente (grande sacada), mas ao mesmo tempo não poderiam ser tão diferentes, fazendo o mesmo trabalho (espiões) de forma excelente e tão divergente. Os coadjuvantes estão todos ótimos – Baldwin, Sheen e Winstone fazem ótimo trabalho, e o destaque entre eles vai para Farmiga e principalmente Wahlberg. 
     A forma como o filme nos faz criar expectativas e as destrói sobre seu final é fantástico. Nos proporciona um final não convencional e inesperado, mesmo que estivéssemos preparados para algum grande twist ou uma grande surpresa – muito em razão da forma que o filme se desenvolve. O jogo de câmeras, os flashbacks e as cenas simultâneas em lugares diferentes trabalham numa harmonia fora de série. 
       Além disso, o sarcasmo e as falas de Costello estão entre as melhores do filme. Outro ponto forte são as conversas entre Costigan e a psiquiatra (Farmiga), que nos apresenta uma sutil mas importante crítica ao sistema policial e seus membros. Aliás, esse triângulo amoroso formado pelos protagonistas e ela é excelente, que ao invés de apenas acrescentar algo dramático ou romântico à trama, nos brinda com mais ironias, tensões e um mistério final que não acaba sendo resolvido, para o nosso bem.            
      Também nos serve de excelente exemplo sobre como lidar com as aparências, que realmente podem nos enganar muito além do que imaginamos. Um dos melhores filmes de Scorsese – ainda que não seja algo extremamente profundo, deveria servir de manual em como se fazer um bom filme, com todos os seus elementos harmonizados de forma magistral.

Nota 97/100
 

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