Gênero: Drama, Crime;
Direção: Fernando Meirelles.
Elenco: Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino, Phellipe Haagensen, Douglas Silva, Alice Braga, Jonathan Haagensen, Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Michel de Souza, Roberta Rodrigues, Luiz Otávio, Darlan Cunha, Renato de Souza, Gero Camilo, Charles Paraventi.
Elenco: Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino, Phellipe Haagensen, Douglas Silva, Alice Braga, Jonathan Haagensen, Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Michel de Souza, Roberta Rodrigues, Luiz Otávio, Darlan Cunha, Renato de Souza, Gero Camilo, Charles Paraventi.
País: Brasil, França.
Tempo: 130 min.
Idioma: Português.
É um filme de grande motivo de orgulho e decepção para nosso país. Orgulho
para nosso cinema nacional, pois é um filme excelente, e muito próximo da
realidade; a decepção também é pela história retratada ser tão próxima da
realidade.
Este é o melhor longa
de Meirelles, e também o que o lançou ao cinema mundial como um dos melhores
diretores da atualidade. Cidade de Deus nos mostra uma realidade muito
violenta, e apesar das fortes cenas, elas não são de conteúdo apelativo, e há um
enredo e contexto que envolvem essa violência retratada no filme.
O início do filme,
que marca também o “surgimento” do crime na Cidade de Deus, um bairro distante
dos principais cartões postais do Rio de Janeiro, feito para a uma classe
baixa, que revela uma certa ausência do Estado, com exceção de sua face
violenta.
O filme nos lembra em
partes as produções norte-americanas sobre a máfia italiana, em razão da violência
e das disputas entre as gangues. Com diversas cenas pesadas e chocantes, não somente
pelos crimes ali apresentados, mas também em razão do fato de os criminosos não
terem mais de 25 anos, sendo muitos deles ainda crianças. Esse fato se deve, em
grande parte, ao nível da violência sobre o qual todos ali vivem, ou na verdade
sobrevivem, que lhes dá uma baixíssima expectativa de vida.
No entanto, este
filme vai mais além da grande parte dos filmes de máfia. Ele nos mostra a
origem de muitos dos problemas ali apontados, o descaso com que comunidades
como a CDD são tratadas, desde os diversos problemas de infraestrutura
(asfalto, eletricidade, escolas, desemprego) até a perversidade do sistema,
preconceito e a falta de opções, não somente para as crianças.
O ciclo de violência que
marginaliza as crianças e as introduz ao mundo do crime é apresentado de
maneira crua, brutal e muito real, mas também podemos observar a dificuldade
enfrentada por aqueles que não desejam ser parte desse mundo, mas acabam
arrastados para dentro ele (Mané Galinha) ou são afetados por ele (família de
Buscapé). O desprezo com o qual a vida humana é tratada também é chocante.
As dificuldades enfrentadas pelo protagonista
deixam patente a questão da desigualdade e perversidade do sistema em que
vivemos; devemos pensar sim nele como um exemplo, mas ele é apenas a exceção
que confirma a regra. Não vivemos numa sociedade em que as oportunidades estão postas
de maneira igual para todos, nem mesmo semelhantes. Somos em grande parte, conseqüências
dos contextos em que nascemos, com um reduzido número de escolhas, e por isso,
somos todos responsáveis por seus diversos aspectos.
Os atores escolhidos para o filme estão excelentes.
Selecionados por um projeto criado para o filme, são em sua grande maioria
amadores e moradores das comunidades em que o longa foi filmado, e talvez por
isso tenham dado tanta naturalidade e força aos personagens. Os poucos
profissionais estão muito bem também – Nachtergaele, Braga, Seu Jorge.
A trilha sonora do filme é impecável – não somente
pelas músicas escolhidas (Tim Maia Racional, Seu Jorge, Cartola, Raul Seixas,
Simonal) mas também pelo fato de muitas delas terem origem e retratarem as
comunidades carentes da cidade. Enfim, uma grande produção, brilhantemente
dirigida e conduzida, que todos os brasileiros deveriam ter a obrigação de
assistir, talvez o nosso melhor filme nacional.
Nota 100/100


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