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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Curtindo a Vida Adoidado

Ficha TécnicaFerris Bueller's Day Off, 1986.
Gênero: Comédia.
Direção: John Hughes.
Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones, Jennifer Grey, Cindy Pickett, Edie McClurg, Charlie Sheen.
País: Estados Unidos.
Tempo: 103 min. 
Idioma: Inglês.


   Curtindo a Vida Adoidado pode ser considerado um marco do cinema nos anos 1980. E mesmo não sendo um grande filme, acabou tornando-se um clássico e uma referência. Uma comédia que realmente nos faz rir e nos diverte. Que traz cenas inusitadas, quase impossíveis, e não se pretende sério em nenhum momento. E talvez essa seja sua maior qualidade.
      Com atuações memoráveis, cenas hilárias e ótima trilha sonora, o filme mostra como o aluno de colegial Ferris Bueller se dedica com afinco para poder matar aula, se divertir e não dedicar na escola durante aquele dia. As cenas clássicas da Ferrari, dos cachorros e do Desfile são conhecidas por praticamente toda uma geração.
    Ao mesmo estilo de Quero ser Grande, este longa torna-se ainda mais engraçado e melhor, ainda que, ironicamente, talvez seja menos profundo. Mas também possui diálogos inteligentes e engraçados, como o momento em que o diretor fala ao telefone pensando ser Ferris. O recurso de ter o personagem conversando com a câmera também é muito bem utilizado.
     Broderick atua com excelência no papel que iria marcá-lo por toda sua vida. Alan Ruck (Cameron), Mia Sara (Sloane) e Jennifer Grey (Jeanie) também estão excelentes, sendo essenciais para a qualidade do filme; mas o meu destaque como coadjuvante vai para o diretor Ed Rooney (Jones), que junto com Broderick e Ruck é responsável pelas cenas mais engraçadas do filme. A ponta de Charlie Sheen também é engraçada.
     Um clássico da Sessão da Tarde, como dizemos, que é sempre bom para ver e rever, pois nos diverte com sua principal qualidade: ser simples e divertido, mas sem exagerar em algum humor pastelão, ainda que o utilize. E que ao meu ver, agrada não somente aos adolescentes pelo fato de Ferris estar matando aula, mas também aos adultos, que sempre sentirão uma eventual necessidade jogar tudo para o alto e apenas se divertir de forma irresponsável. E talvez seja esta a insatisfação do diretor com Ferris, pois certamente o aluno precisa muito menos desses momentos do que um diretor de escola.

 
 


Nota 83/100

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Escolha de Sofia

Ficha Técnica: Sophie's Choice, 1982.
Gênero: Drama, Romance.
Direção: Alan J. Pakula
Elenco: Meryl Streep, Peter MacNicol, Kevin Kline, Greta Turken, Rita Karin, Stephen D. Newman, Gunther Maria Halmer.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 150 min. 
Idioma: Inglês, Polonês, Alemão. 

     Um filme que por tratar de holocausto, nazismo, IIGM e campos de concentração poderia ser repetitivo. Um tema tão recorrente em Hollywood, mas que é abordado de forma muito interessante, e bem audacioso, ainda mais se considerarmos que surgiu no início dos anos 1980. Pakula nos mostra grande habilidade para dirigir diversos gêneros – após o excelente Todos os Homens do Presidente, temos uma grande mudança, e ouso dizer ainda uma melhora, em A Escolha de Sofia.
O filme também conta com grandes atuações. Meryl Streep está excelente, como é de conhecimento até do mundo mineral. Esta é sua mais aclamada atuação, justamente. Além do sotaque e mudanças físicas, cada expressão dela nos brinda com o seu melhor. Todo alvoroço em torno de seu trabalho acabou por ofuscar o primoroso trabalho de Kline como Nathan. Um personagem que está sempre com os nervos à flor da pele, vivendo numa montanha russa emocional. Após a revelação de sua doença (uma das grandes surpresas do filme, ainda que em partes esperada), tudo faz sentido. Mas esse é exatamente o primor da atuação dele – não vemos um louco estereotipado, e sim “um louco normal” – em nenhum momento ele se apresenta caricato, e sim traz ainda mais intensidade para o drama.
MacNicol como o escritor Stingo vai muito bem, ainda que não mereça tanto destaque quanto seus dois companheiros. O filme, apesar de seus 150 minutos, passa muito rápido. O fato de ele ser longo e totalmente centrado em apenas três personagens dá uma profundidade invejável aos protagonistas, que é potencializado pelo sublime trabalho dos atores.
 A história nos mostra o holocausto e principalmente as consequências na vida cotidiana daqueles que sobreviveram a este horror. Outro ponto positivo é ir além dos judeus – neste caso, o foco principal são os poloneses, algo não tão comum no cinema estadunidense. A cena da escolha final que dá título ao filme talvez seja uma das mais emocionantes do cinema – 55 segundos, menos de um minuto, para escolher entre um dos filhos. E apesar de ela ter mencionado que a menina tinha morrido, não sabíamos que era ela quem definira o destino das crianças. Na realidade, nem podíamos esperar que a menina tivesse realmente morrido logo na chegada à Auschwitz, pois Sofia contara tantas mentiras ao longo da trama que essa pudesse ser apenas mais uma.
No entanto, apesar desta impactante escolha final, Sofia faz escolhas difíceis ao longo de toda sua vida – roubar ou não o rádio; entre o pai nazista (e polonês, contradição da época e ainda presente na própria Polônia, apresentada de maneira muito sutil e inteligente) e um conceito minimamente civilizado de justiça e humanidade; entre Nathan, seu namorado problemático, e seu mais novo e melhor amigo/confidente Stingo; contar ou não a verdade sobre seu passado. Muitas destas escolhas eram impossíveis de serem feitas, e tampouco tinham uma resposta correta – na verdade, a perversidade é que em muitos casos, as duas opções eram simplesmente erradas e absurdas.
Toda esta carga emocional é carregada pela personagem, que perde muito do ânimo em viver. Apesar de aparentar ser o porto seguro da relação com Nathan, talvez ela também se apóie nele e na necessidade que tinha de sua companhia, de dar esse suporte a ele. E ao receber a proposta de Stingo para morar junto, casar e ter filhos, talvez tenha sido o momento que confirmou o que sempre suspeitou: sua vida nunca mais poderia voltar à mínima normalidade, tamanho foi seu sofrimento em tão curto período de vida.
 
Nota 97/100

sábado, 3 de novembro de 2012

Quero Ser Grande

Ficha Técnica: Big, 1988
Gênero: Comédia, Drama.
Direção: Penny Marshall.
Elenco: Tom Hanks, Elizabeth Perkins, Robert Loggia, Jared Rushton, John Heard, David Moscow, Jon Lovitz, Mercedes Ruehl, Josh Clark.
País: Estados Unidos.
Tempo: 104 min.
Idioma: Inglês. 
  
     Este foi o filme que rendeu a Tom Hanks sua primeira indicação ao Oscar – merecidamente. Hanks fez o papel de uma criança de 12/13 anos no corpo de um adulto sem parecer um retardado – melhor ainda, de atuando de maneira excelente e convincente, sendo um dos pontos altos deste filme. 
     O longa é evidentemente direcionado para um público familiar, mas ainda assim consegue atingir um amplo espectro de audiência. Ele não pretende-se sério a todo o momento, mas nos mostras algumas facetas da sociedade que nos podem fazer pensar.
Ele nos traz as angústias infantis às quais os adultos e pais pouco atentam; a vontade deles sentirem-se independentes e “gente grande”, de atenção e mesmo de ajuda durante os conflitos que passam a enfrentar desde pequenos, na escola e em casa. E nos mostra que essa “pressa” em amadurecer pode realmente prejudicar a infância de uma pessoa e afetá-la pela vida inteira – talvez os colegas de trabalho de Baskin, inclusive seu chefe, nos mostre isso de maneira sutil. 
      O filme também satiriza o ambiente e a forma de trabalho das grandes empresas, ao colocarem uma criança num cargo de extrema importância. Nos mostra como as empresas muitas vezes apenas criam algo sem realmente se conectar com a realidade – ainda que o filme evite entrar no tema perigoso da invenção de necessidades pela indústria, com consequências profundas na população. 
      Temos também a antológica cena do piano no chão, em que Hanks e Loggia tocam o teclado gigante com os pés. Um bom filme, com muitos momentos engraçados e divertidos, principalmente causados pela situação da criança no “mundo adulto” e pela ótima atuação de Hanks.

Nota 77/100         

sábado, 8 de setembro de 2012

Amadeus

Ficha técnica: Amadeus, 1984
Gênero: Drama, Biografia.
Direção: Milos Forman. 
Elenco: Tom Hulce, F. Murray Abraham, Elizabeth Berridge, Simon Callow, Jeffrey Jones, Roy Dotrice. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 160 min.
Idioma: Inglês, Italiano, Alemão.
  
    Milos Forman é um dos melhores diretores que o cinema já viu. Seus dramas atingem um nível de intensidade muito grande, além de grande habilidade ao lidar com personalidades polêmicas. Amadeus é um excelente filme, ainda que tudo que se passa no filme pode não ter sido inteiramente verdade, muito da vida deste gênio e da história em si me parecem críveis. 
     A virtude mais evidente do filme é sua trilha sonora – obviamente, todas as grandes obras de Mozart estão presente, e o diretor soube explorá-las de diversas maneiras magníficas – quando se lê uma partitura, ou mesmo quando o gênio está compondo. Outro ponto positivo é o título do filme. O nome do meio de Mozart significa “amado de Deus”, e é esta a definição dada pelo italiano Salieri ao compositor austríaco.

     Muitos afirmaram que Salieri não tinha essa relação de inveja com Mozart, mas será que alguém pode realmente afirmar isto? Ainda que a relação não tenha sido tão destrutiva como a apresentada no filme, é plausível crer que não somente Salieri, mas todos os compositores da época invejam Wolfgang Amadeus Mozart.
     O filme nos mostra a força que o ódio e a inveja de uma pessoa sobre outrem, e como esse sentimento pode realmente atrapalhar, prejudicar ou mesmo arruinar a vida de alguém. A morte de Mozart nos é mostrada da mesma forma que a história – uma leve suspeita de assassinato, afinal o compositor morreu muito jovem de fato, ainda que a tendência seja que todos acreditem que ele tenha realmente adoecido.
   Forman nos deixa dúvida sobre dois aspectos marcantes da personalidade de Mozart: sua genialidade, que realmente transborda através de sua música; e sua personalidade irreverente, com um lado um tanto alucinado, e que demonstrava a intensidade e paixão com que ele encarava não somente a música e seus relacionamentos pessoais, mas a vida como um todo. Esse desequilíbrio pode ainda ser visto até mesmo como consequência de sua genialidade, tendo em vista a mente brilhante do compositor.
  As atuações dos dois protagonistas estão ótimas, ainda que eu considere Abraham um tanto superestimado neste filme. Os cenários, figurinos e maquiagem contribuem imensamente para o filme, mas realmente, a música é talvez o grande destaque, como não poderia deixar de ser.
Nota 96/100