quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Escolha de Sofia

Ficha Técnica: Sophie's Choice, 1982.
Gênero: Drama, Romance.
Direção: Alan J. Pakula
Elenco: Meryl Streep, Peter MacNicol, Kevin Kline, Greta Turken, Rita Karin, Stephen D. Newman, Gunther Maria Halmer.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 150 min. 
Idioma: Inglês, Polonês, Alemão. 

     Um filme que por tratar de holocausto, nazismo, IIGM e campos de concentração poderia ser repetitivo. Um tema tão recorrente em Hollywood, mas que é abordado de forma muito interessante, e bem audacioso, ainda mais se considerarmos que surgiu no início dos anos 1980. Pakula nos mostra grande habilidade para dirigir diversos gêneros – após o excelente Todos os Homens do Presidente, temos uma grande mudança, e ouso dizer ainda uma melhora, em A Escolha de Sofia.
O filme também conta com grandes atuações. Meryl Streep está excelente, como é de conhecimento até do mundo mineral. Esta é sua mais aclamada atuação, justamente. Além do sotaque e mudanças físicas, cada expressão dela nos brinda com o seu melhor. Todo alvoroço em torno de seu trabalho acabou por ofuscar o primoroso trabalho de Kline como Nathan. Um personagem que está sempre com os nervos à flor da pele, vivendo numa montanha russa emocional. Após a revelação de sua doença (uma das grandes surpresas do filme, ainda que em partes esperada), tudo faz sentido. Mas esse é exatamente o primor da atuação dele – não vemos um louco estereotipado, e sim “um louco normal” – em nenhum momento ele se apresenta caricato, e sim traz ainda mais intensidade para o drama.
MacNicol como o escritor Stingo vai muito bem, ainda que não mereça tanto destaque quanto seus dois companheiros. O filme, apesar de seus 150 minutos, passa muito rápido. O fato de ele ser longo e totalmente centrado em apenas três personagens dá uma profundidade invejável aos protagonistas, que é potencializado pelo sublime trabalho dos atores.
 A história nos mostra o holocausto e principalmente as consequências na vida cotidiana daqueles que sobreviveram a este horror. Outro ponto positivo é ir além dos judeus – neste caso, o foco principal são os poloneses, algo não tão comum no cinema estadunidense. A cena da escolha final que dá título ao filme talvez seja uma das mais emocionantes do cinema – 55 segundos, menos de um minuto, para escolher entre um dos filhos. E apesar de ela ter mencionado que a menina tinha morrido, não sabíamos que era ela quem definira o destino das crianças. Na realidade, nem podíamos esperar que a menina tivesse realmente morrido logo na chegada à Auschwitz, pois Sofia contara tantas mentiras ao longo da trama que essa pudesse ser apenas mais uma.
No entanto, apesar desta impactante escolha final, Sofia faz escolhas difíceis ao longo de toda sua vida – roubar ou não o rádio; entre o pai nazista (e polonês, contradição da época e ainda presente na própria Polônia, apresentada de maneira muito sutil e inteligente) e um conceito minimamente civilizado de justiça e humanidade; entre Nathan, seu namorado problemático, e seu mais novo e melhor amigo/confidente Stingo; contar ou não a verdade sobre seu passado. Muitas destas escolhas eram impossíveis de serem feitas, e tampouco tinham uma resposta correta – na verdade, a perversidade é que em muitos casos, as duas opções eram simplesmente erradas e absurdas.
Toda esta carga emocional é carregada pela personagem, que perde muito do ânimo em viver. Apesar de aparentar ser o porto seguro da relação com Nathan, talvez ela também se apóie nele e na necessidade que tinha de sua companhia, de dar esse suporte a ele. E ao receber a proposta de Stingo para morar junto, casar e ter filhos, talvez tenha sido o momento que confirmou o que sempre suspeitou: sua vida nunca mais poderia voltar à mínima normalidade, tamanho foi seu sofrimento em tão curto período de vida.
 
Nota 97/100

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