segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Biutiful

Ficha Técnica: Biutiful, 2010.
Gênero: Drama.
Direção: Alejandro González Iñárritu.
Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanaa Bouchaib, Guillermo Estrela, Eduard Fernández, Cheikh Ndiaye, Diaryatou Daff, Taisheng Chen, Lang Sofia Lin.
País: Espanha, México.
Tempo: 148 min. 
Idioma: Espanhol, Chinês. 

        A Barcelona mostrada neste filme de Iñárritu é muito diferente do que estamos acostumados a ver nos filmes e do senso comum em geral. Basta compará-la com Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen e não será nem mesmo possível afirmar que se trata da mesma cidade. O pano de fundo da história de Uxbal (Bardem) é o “submundo” da cidade catalã, a exploração de imigrantes ilegais, corrupção e outros problemas. 
     Javier Bardem interpreta de forma brilhante o protagonista, pai de dois filhos que os sustenta agenciando (e explorando) imigrantes africanos e chineses em subempregos na cidade. Mas ele está longe de ser um grande explorador mafioso – também passa por dificuldades para criar os filhos, subornar a polícia corrupta e violenta, além de lidar com a ex-esposa problemática (Álvarez, excelente atuação), dependente química e bipolar, e um irmão que o trai. Ao descobrirmos que seu irmão estava dormindo com sua ex-esposa é talvez a maior surpresa do filme. 
      Uxbal, que também é médium, sofre uma reviravolta em sua vida ao ser diagnosticado com câncer, com poucos meses de vida. Uma abordagem interessante do diretor ao colocar uma pessoa tão próxima da morte (ao trazer mensagens daqueles que se foram) agora tendo que encarar sua própria morte. Ele se preocupa com o futuro dos filhos, mas também com a possibilidade de ser esquecido por eles após sua morte. Desde o começo fica claro que o protagonista não é um santo – explora os imigrantes de diversas formas, mas ao mesmo tempo se envolve com eles e procura lhes dar o mínimo de dignidade. O que torna a morte dos chineses e a deportação do senegalês ainda mais devastadora para ele. 
     Diferente de filmes anteriores de Iñárritu, este não possui diversas tramas paralelas que se cruzam, ainda que possamos observar tramas menores (algumas de pouca relevância para a história central) ocorrendo, buscando levar o filme além do aspecto introspectivo e individual da história de Uxbal. A denúncia da situação dos imigrantes é realmente de grande importância. Mas ao mesmo tempo, o filme não nos traz nada de inovador ou diferentes reflexões e grandes dilemas morais, ainda que seja um longa forte e impactante. Talvez algumas das histórias e personagens secundárias pudessem ser melhor desenvolvidos, em detrimento de outras de menor relevância. 
  O filme também procura demonstrar, através da fotografia e cenários, uma Barcelona escura e problemática. Demonstra a visão de mundo pessimista do diretor, mas de forma sólida. A atuação de Bardem realmente é espetacular, conseguindo carregar o filme praticamente sozinho, ainda que tenha recebido ótimas colaborações de alguns coadjuvantes, com destaque para as crianças e Álvarez. Ao final, mesmo que tenha se afeiçoado à Ige (Daff), torna a explorá-la – mas numa situação que provavelmente qualquer pai ou mãe faria o mesmo, para garantir o futuro dos filhos.

Nota 81/100

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