Gênero: Drama.
Direção: Alejandro González Iñárritu.
Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanaa Bouchaib, Guillermo Estrela, Eduard Fernández, Cheikh Ndiaye, Diaryatou Daff, Taisheng Chen, Lang Sofia Lin.
País: Espanha, México.
Tempo: 148 min.
Idioma: Espanhol, Chinês.
A Barcelona mostrada neste filme de Iñárritu é muito diferente do que
estamos acostumados a ver nos filmes e do senso comum em geral. Basta compará-la
com Vicky Cristina Barcelona de Woody
Allen e não será nem mesmo possível afirmar que se trata da mesma cidade. O
pano de fundo da história de Uxbal (Bardem) é o “submundo” da cidade catalã, a exploração
de imigrantes ilegais, corrupção e outros problemas.
Javier Bardem interpreta de forma brilhante o protagonista, pai de
dois filhos que os sustenta agenciando (e explorando) imigrantes africanos e
chineses em subempregos na cidade. Mas ele está longe de ser um grande
explorador mafioso – também passa por dificuldades para criar os filhos, subornar
a polícia corrupta e violenta, além de lidar com a ex-esposa problemática
(Álvarez, excelente atuação), dependente química e bipolar, e um irmão que o
trai. Ao descobrirmos que seu irmão estava dormindo com sua ex-esposa é talvez a
maior surpresa do filme.
Uxbal, que também é médium,
sofre uma reviravolta em sua vida ao ser diagnosticado com câncer, com poucos
meses de vida. Uma abordagem interessante do diretor ao colocar uma pessoa tão próxima
da morte (ao trazer mensagens daqueles que se foram) agora tendo que encarar
sua própria morte. Ele se preocupa com o futuro dos filhos, mas também com a
possibilidade de ser esquecido por eles após sua morte. Desde o começo fica
claro que o protagonista não é um santo – explora os imigrantes de diversas
formas, mas ao mesmo tempo se envolve com eles e procura lhes dar o mínimo de
dignidade. O que torna a morte dos chineses e a deportação do senegalês ainda
mais devastadora para ele.
Diferente de filmes anteriores
de Iñárritu, este não possui diversas tramas paralelas que se cruzam, ainda que
possamos observar tramas menores (algumas de pouca relevância para a história
central) ocorrendo, buscando levar o filme além do aspecto introspectivo e
individual da história de Uxbal. A denúncia da situação dos imigrantes é
realmente de grande importância. Mas ao mesmo tempo, o filme não nos traz nada
de inovador ou diferentes reflexões e grandes dilemas morais, ainda que seja um
longa forte e impactante. Talvez algumas das histórias e personagens
secundárias pudessem ser melhor desenvolvidos, em detrimento de outras de menor
relevância.
O filme também procura
demonstrar, através da fotografia e cenários, uma Barcelona escura e problemática.
Demonstra a visão de mundo pessimista do diretor, mas de forma sólida. A atuação
de Bardem realmente é espetacular, conseguindo carregar o filme praticamente
sozinho, ainda que tenha recebido ótimas colaborações de alguns coadjuvantes,
com destaque para as crianças e Álvarez. Ao final, mesmo que tenha se afeiçoado
à Ige (Daff), torna a explorá-la – mas numa situação que provavelmente qualquer
pai ou mãe faria o mesmo, para garantir o futuro dos filhos.
Nota 81/100


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