Mostrando postagens com marcador 1990's. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1990's. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Os 12 Macacos

Ficha Técnica: Twelve Monkeys, 1995.
Gênero: Ação, Suspense.
Direção: Terry Gilliam.
Elenco: Bruce Willis, Madeleine Stowe, Brad Pitt, Christopher Plummer, Jon Seda, Christopher Meloni, David Morse, Frank Goshin, Vernon Campbell.
País: Estados Unidos.
Tempo: 129 min. 
Idioma: Inglês.

      Filme que se tornou uma referência da ficção científica dos anos 1990, Os 12 Macacos acabou me decepcionando um pouco, tendo em vista que esperava mais do trabalho de Terry Gilliam. Mas vale a pena dedicar o tempo para assistir a este trabalho, que consegue lidar bem com a questão da viagem no tempo – algo que considero extremamente difícil, e que sempre acaba deixando muitos furos ou apelando para absurdos (mesmo dentro do universo da ficção científica).
    Ao retratar o envio de um prisioneiro ao passado para descobrir a origem do vírus que dizimou cinco bilhões de pessoas e obrigou os sobreviventes a viverem debaixo da terra, a abordagem partilha da teoria de que é impossível de mudar o passado, visto que já ocorreu. Acaba por deixar um tom fatalista ao final, que além de apresentar o desfecho de um enredo interessante (o protagonista vê seu “EU” futuro sendo assassinado), demonstra que mesmo que ele Cole (Bruce Willis) esteja voltando no tempo, o que ele faz na verdade é o presente, e quando ele retorna, nada muda.
            Contudo, o aspecto mais interessante do filme para mim não é a teoria de viagem no tempo, e sim a da sanidade mental. Ao menos para mim, começa a gerar a dúvida do que realmente é verdade – a mesma dúvida que afeta o protagonista. A todo momento eu esperava a revelação de que tudo aquilo era parte de um tratamento (talvez causado pelos próprios traumas da infância). O filme prefere não firmar posição sobre isso. Ainda que a grande maioria dos espectadores e críticos esteja convicta de que é superada a questão do que é real ou alucinação, eu continuei na dúvida mesmo com o desfecho do filme. E essa dúvida que ficou pairando no ar é muito interessante e bem colocada.
     Todo o aspecto de ter sua realidade questionada também é interessante – e nos mostra novamente como podemos produzir os loucos da nossa sociedade, simplesmente por estarem divergindo da conduta considerada normal. Obviamente não é algo trabalhado como em Um Estranho no Ninho, mas está no pano de fundo.
     As atuações no filme foram adequadas, porém sem muitos destaques. Exceção seja feita ao trabalho de Brad Pitt, no papel do interno e ativista Jeffrey Goines. Sua atuação alucinada e acelerada realmente roubam toda a cena do filme. Madeleine Stowe é esforçada, mas talvez pela previsibilidade de sua personagem (o pequeno romance entre ela e Cole é clichê e desnecessário). Conforme mencionei, o roteiro é bem amarrado, com produção e direção interessantes.

Nota 73/100

domingo, 24 de agosto de 2014

Gênio Indomável

Ficha Técnica: Good Will Hunting, 1997.
Gênero: Drama.
Direção: Gus Van Sant.
Elenco: Matt Damon, Robin Williams, Ben Affleck, Stellan Skarsgad, Minnie Driver, Casey Affleck, Cole Hauser, John Mighton.
País: Estados Unidos.
Tempo: 126 min. 
Idioma: Inglês.

    Gênio Indomável é um dos clássicos dos anos 1990. Filme que colocou Matt Damon e Ben Affleck em Hollywood, além de render aos dois um Oscar por melhor roteiro original. Realmente, é um filme com uma história tocante e comovente, ainda que não tenha muita originalidade e continue com seu estilo sendo repetido até hoje. O jovem brilhante, porém rebelde, de infância difícil e tudo mais. É uma história comum, talvez não muito no mundo da matemática, mas temos também no esporte, música, etc. Mas é válido destacar as grandes atuações, a ótima direção e a excelente mensagem que transmite.
      A começar pela produção e direção, o filme consegue transmitir sua carga dramática e envolver o espectador de forma adequada, sem exageros, além de contar com ótimas cenas de humor para alternar com o drama. A trilha sonora é muito boa, além de uma ótima direção. As tomadas de câmera são excelentes, principalmente durante os encontros entre Will Hunting (Damon) e Sean (Williams).
           A atuação de Damon é realmente muito impressionante, dado que estava iniciando sua carreira. Ainda que não tenha sido nada de excepcional, realmente conseguiu fazer as diversas cenas cômicas e dramáticas de forma consistente. Affleck, que se revelou um melhor diretor (Argo) e ator, teve uma atuação adequada, bem como Skarsgard, que se encaixaou bem no papel. Minnie Driver, na pele da namorada Skylar, também faz um ótimo trabalho, conseguindo atuar nas diversas situações. Ela seria o grande destaque dentre os coadjuvantes, se não fosse o excelente trabalho de Robin Williams, no papel do psicanalista Sean. Realmente, uma pena que o falecimento do ator, que tinha um imenso potencial para filmes como este, e que ao meu ver são muito superiores às comédias clássicas. Todos os papeis dele em que é necessária uma pitada (ou mesmo muito) humor, mas sempre aliado a um fundo dramático, foi onde realizou seus melhores trabalhos.
        Com relação à mensagem, ao meu ver é o aspecto mais forte do filme. Não o aspecto do gênio (que é tão improvável que beira à insignificância em termos de uma identificação do espectador), e tampouco a questão da superação. O interessante realmente foi o aspecto do estilo de vida que todos querem: há um que está posto para todos nós (estudar, ganhar dinheiro, reconhecimento, etc.), e sem ele, não saberíamos o que seguir. Também temos o que valorizar: o conhecimento e a inteligência não são obtidos e aprimorados apenas através de livros e estudos – as experiência que temos, estas sim, refletem inclusive em como utilizaremos o que estudamos e aprendemos. A escolha e valor dos amigos e demais pessoas com as quais nos relacionamos também é algo considerado, além do próprio autoconhecimento, algo demonstrado pelas sessões de psicanálise.
       Um filme interessante, que tornou-se um clássico, talvez não pelos mesmos motivos pelos quais podemos considerar um ótimo filme, mas obrigatório para todos que gostam de cinema e apreciam seu aspecto artístico e de entretenimento.


Nota 93/100

domingo, 1 de dezembro de 2013

Quero Ser John Malkovich

Ficha TécnicaBeing John Malkovich, 1999.
Gênero: Comédia, Fantasia, Drama.
Direção: Spike Jonze.
Elenco: John Malkovich, John Cusack, Cameron Diaz, Catherine Keener, Orson Bean, Mary Kay Place, Charlie Sheen, Octavia Spencer.
País: Estados Unidos.
Tempo: 112 min. 
Idioma: Inglês.

   A princípio um filme sem pé nem cabeça, este longa acabou revelando-se de grande originalidade. Um roteiro totalmente novo, com ângulos inovadores, o filme nos traz ainda um ator representando a si mesmo, o que proporciona cenas muito divertidas.
    Em Quero Ser John Malkovich, além do próprio ator que dá nome á trama, temos boas atuações de John Cusack e Catherine Keener, além de uma irreconhecível e ótima Cameron Diaz – ainda que não sejam atuações primorosas, vão um pouco além de apenas não comprometer o longa. Além disso, há uma tentativa por parte do diretor em nos transmitir as mesmas sensações daqueles que entram na mente de Malkovich por apenas 15 minutos, como se nós mesmos estivéssemos neste lugar.
    O filme não busca dar muitas explicações, e algumas partes realmente não se tornam muito claras, ainda que o objetivo não fosse esse. Realmente, é uma comédia interessante e engraçada, principalmente por seu caráter inovador. Além de trabalhar um pouco a questão da identidade do indivíduo, que se satisfaz dentro de outras pessoas, mas nunca com a sua própria realidade. Outro ponto interessantíssimo e hilário foi quando o próprio Malkovich entra em sua mente.
   Outros elementos inovadores são as questões do titeriteiro, realmente bem diferentes e adequadas ao tema, e algo inesperado – o meio andar. A aparente total desconexão dessa estrutura torna as coisas ainda mais divertidas, principalmente com o fato de todos terem internalizado o assunto, passando a ser algo normal. Um filme que nos traz diferentes sensações, e vale pelo seu caráter inédito.






Nota 71/100

domingo, 3 de novembro de 2013

Boogie Nights: Prazer Sem Limites

Ficha Técnica: Boogie Nights, 1997.
Gênero: Drama.
Direção: Paul Thomas Anderson.
Elenco: Mark Wahlberg, Burt Reynolds, Julianne Moore, John C. Reilly, Don Cheadle, Heather Graham, Nicole Ari Parker, Luis Guzmán, William H. Macy, Joanna Gleason, Nina Hartley, Robert Ridgely, Philip Seymour Hoffman, Ricky Jay, Philip Baker Hall, Michael Jace, Thomas Jane, Alfred Molina.
País: Estados Unidos.
Tempo: 155 min. 
Idioma: Inglês.

     É inegável que Paul Thomas Anderson tenha uma característica própria de direção – dentre tomadas de câmeras longas e sem cortes, filmes longos, com diversas histórias paralelas (independente de serem todas conectadas ou não) e temas polêmicos. Além de utilizar de forma constante os mesmos atores e atrizes, o que para a sorte de todos, ele sempre escolhe bem.
     Boogie Nights é o filme que o lança em Hollywood, fazendo relativo sucesso. Isso de forma justa, tendo em vista que é um bom filme. É também um trabalho melhor do que o mais aclamado Magnolia, lançado dois anos depois. Contudo, continuo considerando que o diretor é superestimado. Não vejo nele a genialidade apontada por tantas pessoas, e sim a escolha de temas polêmicos com ótimo elenco (e bem dirigido, este crédito ele merece) e filmes muito longos.
     Neste aqui, ele retrata a ascensão, apogeu e queda de um ator no mundo pornô – Eddie Adams, ou depois, Dirk Diggler (Wahlberg). Um rapaz de 17 anos que em razão de seus atributos físicos e ótimas performances faz uma carreira meteórica na indústria pornográfica. Contudo, o envolvimento com drogas, o ego inflado, a imaturidade e a instabilidade emocional o fazem que também sua carreira entre em queda livre na mesma velocidade em que subiu.
     No início do filme me espantei com o glamour com que o cinema pornográfico é apresentado. Contudo, esta talvez fosse a forma com que Diggler via tudo isso. Após ser convidado pelo diretor Jack Horner (Burt Reynolds) para trabalhar em seus filmes, esse glamour vai se desconstruindo aos poucos. Temas como drogas, prostituição, violência, traições e ganância vão sendo inseridos no contexto, conforme os personagens que trabalham nesse meio vão sendo apresentados. Podemos observar a dificuldade de todos eles em se inserirem em outro meio que não o pornográfico, tendo em vista o preconceito que sofrem.
     Esta forma como é mostrada realmente é um dos pontos mais altos do filme, bem como as atuações. Wahlberg está realmente muito bem, e a transformação pela qual passa seu personagem é muito bem interpretada, sem exageros. Reynolds também faz um ótimo papel, que apesar de sempre tranquilo, revela seu lado descontrolado, quando sob pressão. Julianne Moore, na pele da atriz Amy Waves, também é um dos destaques – mostrando a dificuldade em exercer um papel de mãe em meio ao mundo caótico, e como isso vem a refletir de forma pesada em sua vida. Don Cheadle, Philip Seymour Hoffman, John C. Reilly, Heather Graham, Alfred Molina e William H. Macy também fazem excelente trabalho, todos com suas tramas paralelas e individuais, sem vínculo necessário ao protagonista, demonstrando todas as dificuldades que as pessoas que vivem nesse meio enfrentam.
    O diretor dosa bem a quantidade de violência e pornografia demonstrada, sem ser comedido demais, mas tampouco sem abusar destas cenas. Inclusive, nas mais violentas, em muitas delas consegue lidar com certo humor negro que atenua a situação, e deixa o telespectador surpreso por estar rindo em um momento tão tenso e pesado. Também nos brinda com alguns absurdos e cenas soltas que são divertidas e integram muito bem o panorama geral.
   Contudo, o filme revela-se muito longo, em alguns momentos intermináveis. Muitos personagens acabam se perdendo, entrando e saindo de cena sem qualquer explicação. Esse dois defeitos talvez sejam oriundos da mesma coisa: muitas histórias e muitos argumentos querem ser expostos, e para isso, muitos personagens, tornando difícil controlar todos de forma razoável. Isso também leva a uma incompletude de muitas histórias, que ficam sem desfechos, o que talvez proporcionasse um final mais profundo para a trama, é onde ela acaba por pecar mais.

Nota 86/100

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Estranho Mundo de Jack

Ficha Técnica: Nightmare Before Christmas, 1993.
Gênero: Animação, Fantasia, Musical.
Direção: Henry Selick.
Elenco: Chris Sarandon, Danny Elfman, Catherine O'Hara, William Hickey, Glenn Shadix, Paul Reubens, Ken Page, Edward Ivory.
País: Estados Unidos.
Tempo: 76 min. 
Idioma: Inglês.

   O filme larga na frente no sentido de que contraria todas as “mesmices” de filmes natalinos. E o que o é melhor, ainda em uma animação. Este filme, que conta com roteiro de Tim Burton, realmente é um dos melhores da categoria “natalinos”.
    Muito divertido, não somente para crianças, mas também adultos, conta com uma trilha sonora excelente e personagens engraçados e diferentes do que estamos acostumados. Além disso, nos traz mensagens positivas, como o fato da aparência não ter relevância alguma com relação ao que somos. No caso, os seres assustadores da Cidade Halloween eram tão amáveis quanto os da Cidade Natal.

      As músicas são realmente muito divertidas e se adéquam perfeitamente ao enredo. A estética do filme é fantástica, e as cores escuras utilizadas para caracterizar o Halloween, bem como alguns detalhes que merecem destaque: a lua cheia, todos os personagens, o prefeito de duas caras, etc. O contraste com a Cidade do Natal é realmente impactante. As expressões utilizadas no filme também são ótimas (no caso em inglês, Claus por Claws ou em português, Papai Noel por Cruel).
  Apesar das mensagens simples e clichês, o filme é direcionado especialmente para crianças, então tal perspectiva está de acordo com a proposta do filme. Além da questão das aparências, já mencionadas, temos também o aspecto do egoísmo e insatisfação crônica de Jack Skellington, que não percebe a sua volta todo carinho que tem. Um filme que além de tudo, nos apresenta uma proposta inovadora e algo totalmente original.

Nota 84/100

domingo, 20 de outubro de 2013

Advogado do Diabo

Ficha Técnica: The Devil's Advocate, 1997.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Taylor Hackford.
Elenco: Keanu Reeves, Al Pacino, Charlize Theron, Jeffrey Jones, Judith Ivey, Connie Nielsen, Craig T. Nelson, Tamara Tunie, Ruben Santiago-Hudson, Debra Monk, Chris Bauer, Laura Harrington.
País: Estados Unidos, Alemanha.
Tempo: 144 min. 
Idioma: Inglês.

      Este filme é apontado por muitos como um clássico, outros como uma obra-prima, ou mesmo como inovador. Ao meu ver,a pesar de ser um bom filme, é superestimado ao ser avaliado de tal forma. Ele peca em muitos aspectos, alguns deles essenciais, para receber tantos adjetivos positivos.
     Começando pelas atuações, temos dois opostos: um dos maiores atores de Hollywood, Pacino, espetacular como sempre. Ele está incrível, com uma atuação forte, de acordo com seu papel. A evolução de seu personagem é muito bem trabalhada por ele, com o início mais comedido e sua revelação final. Na outra ponta, temos Keanu Reeves. Realmente gostaria de saber como ele consegue, há tanto tempo, continuar a ser escalado com elencos de ponta. E este é o primeiro ponto que enfraquece o filme. Como podemos ter um protagonista tão fraco – ele chega a ser ofuscado por Al Pacino. Se você saiu com a sensação que eles dividem o protagonismo do filme, é muito mais pela atuação de ambos do que pelo espaço e tempo de tela ou pelo personagem. Não se engane, há somente um protagonista – Kevin Lomax, interpretado por Reeves.
     Charlize Theron também faz um ótimo trabalho, sendo responsável por cenas marcantes e pesadas, principalmente o momento de sua morte, que nos causa grande desespero. O restante do elenco faz ótimo trabalho, com destaque para Jones e Ivey, a mãe do protagonista. O filme também é bem dirigido, ainda que seja um pouco longo. Talvez algumas cenas desnecessárias, mas que poderiam ser substituídas, pois mesmo sendo longo, nos prende.  
    A produção é muito boa, contando com excelente trilha sonora, bons efeitos especiais e ótima maquiagem. Hackford acerta ao evitar dar muito espaço para os efeitos especiais, deixando a tensão e emoção muito mais por conta dos diálogos e do suspense criado. O sucesso do jovem advogado que nunca perdeu um caso segue uma crescente, juntamente com a tensão do filme.
     O longa nos apresenta cenas fortes, com argumentação e questionamentos pesados inclusive sobre a religião. A cena em que Milton (Pacino) questiona a posição direta de Deus, como um sádico e piadista que se diverte ao ver o homem lutar contra seus instintos que ele mesmo criou é muito interessante, além da interpretação magistral do ator.
      Contudo, o filme também é recheado de clichês, e o final acaba por decepcionar. Busca transmitir não somente o clássico julgamento moral de evitar a ganância e prepotência, saber quando perder. Tais dilemas, ainda que presentes não somente na vida do advogado, mas de todos, são lugares-comuns no cinema. Muito mais interessante seria a discussão sobre como defender de fato o professor pedófilo, visto que todos têm direito à ampla defesa e que mesmo que culpado, ele receba uma pena justa, e não seja julgado pelo clamor popular. Um maniqueísmo prejudicial para o roteiro.
    Outra mensagem moralista é a questão da tentação constante. Ao aparecer no final do filme para conversar com o Lomax novamente, agora como outra pessoa, o filme cai na questão da moral religiosa de estarmos sempre atentos para evitar a tentação constante do mal. Algo válido, mas pouco inovador para o cinema. Essa segunda chance dada ao advogado (toda a história foi apenas “um possível” futuro), me incomoda, pois nem sempre é possível voltar atrás em nossas escolhas. O final feliz garantido continua sendo uma característica exclusiva do cinema e uma constante em Hollywood.
   Portanto, apesar de um filme interessante, nunca será um clássico. O pouco reconhecimento das premiações é uma indicação boa, ainda que os festivais também esqueçam muitas vezes dos grandes filmes. Mas este não emplacou em nenhum dos estilos, o mainstream ou o alternativo.

Nota 79/100

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Questão de Honra

Ficha TécnicaA Few Good Men, 1992.
Gênero: Crime, Drama.
Direção: Rob Reiner.
Elenco: Tom Cruise, Demi Moore, Jack Nicholson, Kevin Pollack, Kevin Bacon, James Marshall, Wolfgang Bodison, J.T. Walsh, Kiefer Sutherland, J.A. Preston, .
País: Estados Unidos.
Tempo: 138 min. 
Idioma: Inglês.

     Nos EUA, a questão da dedicação dos militares é muito forte, e a propaganda envolvida para o apoio ao “trabalho” deles é muito grande. Basta lembrar que o exército deles é formando inteiramente por pessoas que escolhem esta carreira livremente, sem haver recrutamento. Este filme nos mostra um pouco alguns aspectos deste exército, e talvez o mais respeitado e fanático deles – os fuzileiros navais.
     Eles vivem sob alguns códigos, como o mencionado “Unit, Corps, God, country” – toda a dedicação deles é mostrada, e como são ótimos soldados que cumprem ordens. Há também um questionamento sobre esta extrema rigidez da corporação, se ela é realmente necessária, se o excesso de violência pode levar a casos como a morte de William Santiago. No entanto, quando se referem à base naval de Guantánamo e aos soldados que a guardam – estes são heróis! Cubanos estão treinados para matá-los, e eles devem proteger o muro, e por aí vai. Estes mesmos militares que mataram seu próprio integrante, mas certamente devem respeitar os cubanos que habitam o território que os EUA imoral e ilegalmente ocupam na ilha caribenha.     
     Procura-se questionar, em partes, a ideologia por trás do exército estadunidense. Na verdade, não tanto a ideologia e o patriotismo deles, apenas suas distorções – que acabam por prejudicar alguns homens de honra. E esta é uma contradição do filme: poucos homens de honra – então a base é uma instituição corrompida. Mas ela é também formada por heróis que realmente a fazem imprescindível?

     O filme conta com excelentes atuações – Cruise, Moore, Sutherland, Walsh, Pollak, Bacon. Todos estão muito bem no longa, ainda que o destaque seja Jack Nicholson, mesmo com pouco tempo em tela. Tom Cruise faz uma boa atuação, fazendo ótimo contraponto com a atuação mais “robótica” de Demi Moore. Apenas os dois réus nos trazem uma atuação mais discreta e de menos destaque. O julgamento realmente é muito interessante, ainda que se tenha em mente todas as críticas feitas acima. Ele é envolvente e bem dirigido, com excelentes momentos e que certamente enchem os olhos (e iludem) daqueles que pensam em estudar direito. 
     O fato de o julgamento também incluir uma certa investigação deixa o procedimento mais interessante. Entretanto também há um aspecto negativo no caso do tribunal – toda a preparação envolvida que nos é mostrada acaba por tirar qualquer surpresa. Eles buscam explicar, didaticamente inclusive, todos os passos que vão tomar, reduzindo o impacto de muitos momentos. O que demonstra grande habilidade de ainda envolver o espectador sem o fator surpresa. Enfim, um filme interessante, mas prejudicado pelo alto teor patriótico fanático.

Nota 79/100

terça-feira, 5 de março de 2013

Hurricane: o Furacão

Ficha Técnica: The Hurricane, 1999.
Gênero: Biografia, Drama, Esporte.
Direção: Norman Jewison.
Elenco: Denzel Washington, Vicellous Reon Shannon, Liev Schreiber, Deborah Kara Unger, John Hannah, Dan Hedaya, Debbi Morgan, Clancy Brown, David Paymer, Rod Steiger, Badja Djola, Harris Yulin, Vincent Pastore, Garland Whitt.
País: Estados Unidos.
Tempo: 146 min. 
Idioma: Inglês.

     Esta comovente história de injustiça nos traz Denzel Washington no papel de Rubin “Hurricane” Carter, o boxeador campeão mundial acusado injustamente de assassinato e condenado a prisão perpétua. Washington está muito bem no filme, mesmo que não possa contar com atuações do mesmo nível por parte dos coadjuvantes – as ponta de Steiger, Paymer e Djola são exceções.
       O filme retrata a luta pela liberdade e por justiça de Carter, e também para manter a sanidade dentro da prisão, visto que as perspectivas de sair de lá caiam a cada dia. O longa também retrata de forma acertada, ainda que pudesse enfatizar um pouco mais, a cara do sistema judiciário e prisional estadunidense da época – brancos preconceituosos julgando e trancando homens negros, após explorá-los e violentá-los de todas as formas fora da cadeia. Infelizmente, o retrato atual continua muito parecido com o da época mostrada no filme – principalmente com relação à população carcerária.
     O filme apenas resvala em temas que eu esperava serem mais centrais na história: o racismo e a condição da população afro-descendente nos EUA. Ao assistir ao filme, também me fez refletir sobre o sistema judiciário de forma geral, no poder conferido a juízes, promotores, investigadores e mesmo aos júris populares; e como constantemente na nossa história, tal sistema, pensado de forma a garantir a justiça e a segurança da população, tenha sido distorcido de maneiras tão absurdas e abusivas, tornando-se um instrumento de injustiça social. Mas reconheço que essa reflexão é mais pessoal do que intencionada pelo filme.
      A história de Hurricane Carter é digna de filme, ainda que este bom filme não tenha explorado todo seu potencial. Um homem que passou 30 anos, dos seus 50 vividos, encarcerado injustamente, por um sistema que o prendeu sistematicamente durante toda sua vida, merece o melhor dos filmes. Tivemos uma abordagem um pouco diferente, com a história paralela de Lesra, mostrando como a situação dele seguia um rumo semelhante ao de Hurricane, com um racismo ainda presente na sociedade e a falta de oportunidades que geram este ciclo de violência e pobreza. No entanto, Lesra e mais ainda seus amigos canadenses, tão fundamentais neste aspecto da história, foram pouco trabalhados. Esta escolha do diretor trouxe algumas perdas para a história, mas também muitos ganhos.






Nota 83/100

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Deus só Atende aos Domingos

Ficha Técnica: Des nouvelles du bon Dieu, 1996.
Gênero: Drama, Comédia.
Direção: Didier Le Pêcheur
Elenco: Marie Trintignat, Christian Charmetant, Maria de Medeiros, Michel Vuillermoz, Isabelle Candelier, Artus de Penguern, Jean Yanne .
País: França. 
Tempo: 97 min.
Idioma: Francês. 

    Um filme francês que discute a existência de Deus e a forma como Ele rege nossas ações em nossas vidas. Todos os componentes para um ótimo filme, mas que fracassa miseravelmente. E ao meu ver, o erro começa na escolha do gênero do filme – não teve tato para tratar de uma assunto profundo, polêmico e complexo como este, escolhendo piadas erradas em péssimos momentos. 
      Os atores são razoáveis, mas a forma caricaturesca que retratam seus personagens não me agradou. A história beira ao absurdo em determinados momentos. Não há um começo lógico, apenas personagens jogados que surgem aleatoriamente e têm ideias aleatórias sobre Deus. Ainda que possua muito potencial, o fato de tratar de maneira cômica muitas coisas não contribuiu nada para o filme. 
     Mesmo a conversa com Deus, ao meu ver, nada interessante. Apresentá-los como um escritor, caíram no argumento comum de que temos um destino traçado para nossas vidas, e assim temos filmes que dizem o mesmo de maneira muito melhor. 
    Propõe-se grandioso, e busca quebrar tabus e criticar a Igreja, mas ao tratar o assunto todo de forma cômica (e ainda sem graça), perde qualquer credibilidade que caberia. Total desperdício de potencial.

Nota 58/100
 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Magnólia

Ficha Técnica: Magnolia, 1999 
Gênero: Drama.
Direção: Paul Thomas Anderson.
Elenco: Julianne Moore, Tom Cruise, John C. Reilly, William H. Macy, Jason Robards, Philip Seymour Hoffman, Melora Walters, Jeremy Blackman, Philip Baker Hall, Melinda Dillon, April Grace, Luis Guzmán, Ricky Jay, Alfred Molina.
País: Estados Unidos.
Tempo: 188 min.
Idioma: Inglês. 
  
          Magnólia é um filme muito cultuado e elogiado, por seu brilhantismo, excelentes atuações, roteiro envolvente e profundo. Em partes, estes elogios são merecidos; em outras, são um exagero, ou ainda totalmente descabidos. E talvez muitos considerem que não interpretei o filme corretamente, não entendi o filme ou outra tentativa de desqualificar minha opinião. E talvez eles tenham razão, e um dia eu possa mudar minha opinião.
        As atuações estão realmente ótimas. Cruise faz um dos melhores papéis de sua vida; Julianne Moore, Seymour Hoffman, Hall, Robards e Macy estão todos bens. Mas o destaque (além de Cruise) fica para John C. Reilly e principalmente Melora Walters, que está ótima no filme. Até Alfred Molina, com uma pequena participação, faz uma ótima ponta.
       O filme se desenvolve bem, embora vá se desgastando em razão das três horas de duração, ao meu ver desnecessárias. Mas o roteiro está longe de ser chato – a minha crítica é sobre a mensagem do filme, ou reflexão, objetivo, qualquer um desses elementos necessários para se formar um grande filme. Após três horas, a única reflexão é sobre os arrependimentos da vida? Sério, arrependimentos sobre temas clichês e como isso nos afeta? Sobre traição, abandono de lar e família, vícios e qualquer outro clichê que possa ser condenado moralmente pela sociedade? Não há sequer (ou ao menos não identifiquei) algum questionamento desses padrões morais.
      O cartaz realmente é uma parte interessante do filme, e a ideia da magnólia, como todos ligados por este frágil elo das pétalas da flor que dá nome ao filme. O detalhe do sapo realmente é interessante. As metáforas estão pouco ligadas e não fazem sentido ao filme, mas revelam um julgamento moral-cristão das ações, como a traição, as chuvas de sapo, a esperança e os sentimentos paternos. Enfim, mais um filme de Paul Thomas Anderson muito elogiado que me decepcionou (Sangue Negro é o outro). Ao menos ele consegue boas atuações dos atores.
 
Nota 66/100

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Outra História Americana

Ficha técnica: American History X, 1998
Gênero: Drama, Crime.
Direção: Tony Kaye. 
Elenco: Edward Norton, Edward Furlong, Beverly D'Angelo, Avery Brooks, Jennifer Lien, Ethan Suplee, Elliott Gould, Fairuza Balk, Stacy Keach, William Russ. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 119 min.
Idioma: Inglês. 
    
       O filme trata de temas muito delicados, que no cinema geralmente acabam criando obras carregadas de estereótipos e senso-comum, muitas vezes com cenas impressionantes, mas sem sentido algum. O filme de Tony Kaye contraria todas essas tendências. 
       Tendo em vista a história americana da luta pelos direitos civis e a tardia consolidação deles para as “imensas minorias” no país, podemos observar um paradoxo na democracia mais antiga do mundo, em que o neonazismo encontra um terreno fértil para florescer, ainda que os próprios estadunidenses tenham sido um dos responsáveis pela derrota do nazismo durante a IIGM.
      O filme traz uma violência chocante para muitos espectadores, mas ao mesmo tempo condizente com as teorias ali apresentadas, e talvez isso o torne ainda mais chocante. Apesar de constantemente ser afirmado pelas personagens que a ideologia neonazista é estúpida e idiota (um dos poucos momentos de senso-comum e banalização), muitos espectadores chegam à conclusão de que há argumentos corretos no que se fala, mas as ações destes grupos são sempre excessivamente extremas. Esse sentimento e a força de muitos argumentos deixam os espectadores mais atentos incomodados com o que ouvem, pois já tivemos inúmeros exemplos de ideologias que conseguem milhões de seguidores e no futuro foram simplesmente classificadas como estúpidas, sem a compreensão e análise de todo o contexto.
      Os diálogos, assim como as cenas em si, são fortes, muito bem escritos, e as excelentes atuações dos atores somada aos closes nos rostos deles feitos pelo diretor tornam as cenas de discussão e relatos (que constituem a maior parte do filme) tão fortes quanto às pesadas cenas de violência. As cenas em preto e branco, quando retratam o passado, também foram uma excelente escolha do diretor.
     Uma das melhores discussões é a cena do jantar na família Vinyard, em que um professor judeu (Gould), Doris (D’Angelo), Davina (Lien), Derek (Norton) e sua namorada (Balk) discutem acaloradamente, até que Derek perde o controle de suas próprias ações e torna-se violento, como é o destino daqueles que seguem ideologias que se baseiam no ódio ao outro. Muitos podem considerar que por um motivo “bobo” (temas sociais; política não se discute), uma discussão de grandes proporções acabou com a família, mas este é um ponto forte do filme: a importância das posições políticas, sociais e ideológicas das pessoas certamente irão definir e serem definidas pelo caráter e conduta destes mesmos indivíduos, há uma relação dialética e inseparável.
            O filme não cai no erro de simplesmente justificar as atitudes de Derek e Danny (Furlong) como mera consequência da morte do pai, numa dura revelação ao mostrar que esta ideologia já estava presente muito antes. Derek nos traz uma fala importante, ao mencionar que Lincoln libertou os negros da escravidão há 150 anos, e mesmo assim eles ainda continuam com a desculpa de “desigualdades sociais, racismo, etc.” Indo além deste argumento, fica evidente para os mais atentos que apenas o fim da escravidão não bastou para superar séculos de opressão. Opressão esta que ainda perdura nos dias de hoje, como o próprio Derek percebeu na prisão conversando com seu colega de trabalho – o preconceito do sistema judiciário, já mencionado pela sua família anteriormente.
Edward Norton está excelente no papel, certamente uma das melhores atuações deste excelente ator. Furlong também está muito bem, assim como todo o elenco. Danny, que a princípio não concordava com os excessos de seu irmão, e se assustou quando ele matou os negros que quebraram seu carro, acaba por abraçar toda a ideologia, talvez para justificar as atitudes do próprio irmão. Ao longo de todo filme, temos sinais de que Danny não concorda plenamente com o que segue, e por isso, ao “mudar de lado” novamente, com a saída do irmão da prisão, não há incoerência alguma.
As personagens são muito bem trabalhadas psicologicamente, a história é densa, violenta e um tanto surpreendente por ser uma incisiva e forte auto-crítica da sociedade estadunidense, algo não muito comum no cinema deles, ao menos nesta intensidade.


Nota 98/100

terça-feira, 3 de julho de 2012

Trainspotting - Sem Limites

Ficha técnica: Trainspotting, 1996
Gênero: Crime, Drama;
Direção: Danny Boyle. 
Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremmer, Johnny Lee Miller, Robert Carlyle, Kevin McKidd, Kelly Macdonald, Peter Mullan, James Cosmo, Eileen Nicholas, Susan Vidler, Pauline Lynch. 
País: Reino Unido.
Tempo: 94 min.
Idioma: Inglês.

    Muito se falou de Trainspotting fazer apologia às drogas, principalmente heroína; quem sai com essa sensação do filme, não o compreendeu inteiramente. Esse debate ainda trouxe alguns danos ao filme, pois colocou a questão das drogas como central e única no longa. Essa questão é realmente importante, mas apenas um complemento sobre algo maior – relacionamentos e sociedade.
    O filme tornou-se um clássico, bem como muitas de suas cenas. A sequência inicial em que Renton (McGregor) dita o poema “Choose a life, choose a job...”, no decorrer da trama, começa a fazer mais sentido. Ele afirma ter escolhido as drogas, para fugir deste padrão moral de normalidade imposto pela sociedade a todos, “escravizando-os” sob este modo de vida. E a ironia surge pelo fato de ele tornar-se escravo de outra escolha, a heroína.
     A questão das drogas é tratada sem julgamentos morais, de forma crua (sendo esta uma grande virtude do filme) – os prazeres que ela nos traz são mostrados de maneira evidente, induzindo sim o espectador a usá-la. Mas em seguida, as gravíssimas consequências que elas nos trazem são esfregadas nas nossas caras, tornando esse desejo no espectador efêmero, bem como o próprio efeito da droga. Danny Boyle nos apresenta cenas em que praticamente podemos sentir o que as pessoas estão passando naquele momento, harmonizando de maneira magistral as imagens, trilha sonora e sensações causadas, inclusive com cenas escatológicas.
Outra crítica apresentada é a hipocrisia da sociedade com relação às drogas, quando alguns produtos como o álcool e remédios – considerados legais – também podem trazer efeitos tão negativos quanto o das ilegais, mas são socialmente aceitos. A impressão que nos dá é que todos na sociedade precisam de seus vícios – sejam eles o trabalho, a “vida normal”, as drogas, a violência (explícito no caso de Begbie, em brilhante interpretação de Carlyle) ou o álcool, dentre outros.
O elenco está excelente, com atuações fortes e impactantes, bem como os diálogos do filme, se adequando perfeitamente à história. O domínio da cultura pop e cult do diretor, além de algumas semelhanças com Tarantino – nas discussões e teorias sobre Sean Connery, 007 e Escócia – somente trazem mais virtudes a este excelente filme.

                    

Nota 96/100