Mostrando postagens com marcador 2000's. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2000's. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de setembro de 2014

Psicopata Americano

Ficha Técnica: American Psycho, 2000.
Gênero: Crime, Drama.
Direção: Mary Harron.
Elenco: Christian Bale, Samantha Mathis, Chloë Sevigny, Reese Whiterspoon, Jared Leto, Willem Dafoe, Cara Seymour, Justin Theroux, Josh Lucas, Bill Sage, Matt Ross, Guinever Turner.
País: Estados Unidos.
Tempo: 102 min. 
Idioma: Inglês.

     Um filme que se tornou um clássico cult do suspense e crime no cinema, que conta com uma forte atuação de Christian Bale, algumas cenas pesadas, mas dentro de alguns limites, críticas ao american way of life e um final confuso e enigmático. Essas talvez sejam as características mais marcantes do filme.
     Patrick Bateman (Bale) é um “empresário”, vice-presidente da empresa de moda do pai, que leva uma vida fútil junto com seus companheiros, disputando quem tem o melhor cartão de visitas ou quem consegue fazer reservas nos melhores restaurantes. Além disso, fica evidente o narcisismo do protagonista e o vazio na vida dele, direcionado ao consumismo, com o cuidado com o corpo e a higiene obsessiva.
    E desse etilo de vida superficial é que ele extrai sua psicopatia assassina, buscando talvez romper com o marasmo e quebrando não somente as regras do bom-moço que apresenta durante o dia, mas transformando-se em um serial killer. A maneira como mata suas vítimas também é peculiar, com uma preliminar recheada de discursos acadêmicos sobre astros da música. Mas é possível perceber o quão excitado e ansioso ele está nos momentos que antecedem o crime. Contudo, não são somente as prostitutas e mendigos que ele mata – acabando inclusive com seu rival no mundo dos negócios (Jared Leto), além de ter cogitado assassinar a própria secretária (Chloë Sevigny). Vale dizer que a única pessoa que nunca passou perigo foi sua namorada (Reese Whiterspoon), mas talvez ele não a considerasse importante o suficiente para mata-la.
    No entanto, o final confuso deixa margem para muitas interpretações – seria ele bipolar, visto que era chamado de diversos nomes? Os crimes realmente aconteceram, ou foram imaginados por ele? Afinal, quando ele retorna ao apartamento de Paul Allen, que ele matou, e depois passou a esconder os corpos de suas vítimas, este está vazio e ninguém o acusa. Ele foi se tornando cada vez mais descuidado nos crimes que é impossível que ninguém tenha percebido. Afinal, até trocar tiro e matar policiais ele fez. No entanto, ao relatar tudo para seu advogado (que não o reconhece, mas como falei, isso ocorre inúmeras vezes). A blindagem de sua classe social é tão grande que ninguém desconfia dele? O interesse pelo lucro (no caso do apartamento, por exemplo) acabou protegendo-o? 
A dúvida permaneceu ao final do filme, e ainda que não me agradam filmes com um viés didático, que tentam explicar tudo o que ocorre, tampouco gosto quando o filme “se perde” em seu desenrolar. As dúvidas foram tão imensas que acabam por enfraquecer estes argumentos que poderiam ser bem direcionados e mais consistentes. O que mais segura o filme durante seus 100 minutos certamente é a atuação de Bale, acima de tudo, e não seu roteiro.
Nota 76/100


domingo, 7 de setembro de 2014

À Prova de Morte

Ficha TécnicaDeath Proof, 2007.
Gênero: Ação, Suspense.
Direção: Quentin Tarantino.
Elenco: Kurt Russell, Zoë Bell, Rosario Dawnson, Vanessa Ferlito, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Jordan Ladd, Rose McGowan, Mary Elizabeth Winstead, Quentin Tarantino, Marcy Harriell, Eli Roth, Omar Doom, Monica Staggs, Michael Bacall.
País: Estados Unidos.
Tempo: 113 min. 
Idioma: Inglês.

      Um filme de Tarantino que não ganhou a repercussão no cinema como Bastardos Inglórios, Django Livre ou os dois volumes de Kill Bill; tampouco ganhou o reconhecimento posterior de Pulp Fiction ou Cães de Aluguel. Mas é realmente um filme “bem” Tarantino, ainda que sem algo mais profundo ou uma trama mais elaborada, seu estilo está presente.
     Podemos perceber isso através dos ótimos diálogos do filme (a compra de maconha, o fato da jovem andar armada, o diálogo entre os policiais, etc.), as cenas de ação e violência (o exagero que lhe é peculiar, principalmente no acidente de automóvel), a metalinguagem (de seus filmes e do cinema), trilha sonora poderosa, homenagens (clássicos filmes de automóveis e dublês são a bola da vez), dentre outras de suas características.
       O filme consegue divertir e nos deixar tenso em vários momentos; traz um conjunto de atuações muito boas, com destaque para Kurt Russell (Stuntman Mike), que faz seu “vilão” na medida correta; as garotas todas fazem ótimos papéis, inclusive a dublê Zoë Bell, que interpreta a si mesma. Rosario Dawnson, Vanessa Ferlito (cena fantástica da dança), Rose McGowan e Tracie Thoms (conseguiu divertir naturalmente) foram talvez os destaques, mas todas atuam bem.
            Ao buscar imitar um filme B, realmente alcança-se a perfeição através das imperfeiçoes. Os defeitos propositais nos deixam pensando que realmente é uma produção B, mas de excelente qualidade. Não há uma grande história por trás, ainda que as personagens femininas sejam bem trabalhadas. Já Mike (Russell) não oferece muitas explicações, ainda que várias hipóteses por tentar assassinar as garotas com seu carro à prova de morte. Vale muito ser visto, realmente podendo divertir se estivermos preparados para o estilo “Tarantino”. Há o clássico twist na trama que parecia seguir um determinado rumo (principalmente se você não leu a sinopse), e um final ainda mais eletrizante e inesperado.







Nota 78/100

domingo, 31 de agosto de 2014

Os Falsários

Ficha Técnica: Die Fälscher2007.
Gênero: Drama, Guerra.
Direção: Stefan Ruzowitzky.
Elenco: Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow, Martin Brambach, August Zirner, Veit Stübner, Sebastian Urzendowsky, Andreas Schmidt, Tilo Prückner, Lenn Kurdjawizki.
País: Áustria, Alemanha.
Tempo: 98 min. 
Idioma: Alemão, Russo, Inglês, Hebraico.

    A temática da Segunda Guerra e do Holocausto aparecem novamente no cinema, mas desta vez não em Hollywood, e sim na Alemanha. Mas claro que agradou à academia estadunidense, que lhe atribuíram o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, ainda que seja um bom filme. Podemos dizer que a Academia Estadunidense de Cinema, talvez por conta de sua composição, tem uma certa queda por estes filmes, principalmente se falam do holocausto judeu.
            Há certa semelhança com o clássico de Spielberg, A Lista de Schindler, visto que apesar de se tratar de um campo de concentração, parte da história gira em torno daqueles que mesmo sendo contrários ao nazismo, acabaram por trabalhar em seu favor. Mas diferentemente de Schindler, neste caso estamos falando dos próprios judeus nos campos de concentração.
     O filme nos traz a história do artista que ganha a vida através da falsificação de dinheiro, o judeu Sorowitsch “Solly”, interpretado muito bem por Karl Markovics. Ao ser pego pela SS, é enviado a um campo de concentração. Seus dotes artísticos lhe garantem sua sobrevivência e inclusive um tratamento mais diferenciado, pois pintava retratos dos oficiais nazistas. Contudo, com a derrota alemã se aproximando, Solly é enviado para Sachsenhausen, um novo campo de concentração, onde irá coordenar uma equipe de judeus na falsificação de passaportes e de notas de libra e dólar para a Alemanha Nazista.
            Seu trabalho é comandado por Herzog, o mesmo oficial que o prendeu no passado, e por conta disso, havia sido promovido. Ele trata Solly e os demais especialistas judeus de forma distinta de como os demais prisioneiros (sobre o comando de outros oficiais) são tratados. Possuem aposentos e comida melhores, descanso e até mesmo lazer, além de não serem torturados fisicamente. O trabalho deles passa a ser cada vez mais importante para o Regime Nazista, visto que a Alemanha estava à beira da falência, perdendo a guerra, e ainda tinha o plano de quebrar a economia britânica e estadunidense através da falsificação, enchendo os mercados financeiros destes países de moedas falsas.
           Após o sucesso com a libra, a SS solicita a falsificação do dólar. No entanto, neste momento passam a surgir as divergências e questões morais e éticas entre os prisioneiros. Eles sabem que o trabalho dele está apoiando o regime alemão, que destrói o seu povo, e principalmente um deles, Burger (excelente atuação de August Diehl), começa a sabotar a fabricação dos dólares. Além disso, mesmo dentro do campo de concentração, eles eram os únicos judeus a serem tratados de forma diferenciada. Isto passa a gerar o dilema ético entre os prisioneiros e a aumentar as tensões entre eles. Ao mesmo tempo, passam a ser pressionados por Herzog (os demais guardas não compartilhavam da filosofia do comandante) e sofrem a ameaça final de serem executados. Muitos queriam entregar Burger aos nazistas, mas Solly os proíbe e falsifica sozinho o dólar, salvando a vida dos companheiros, a contragosto do próprio Burger, que diferentemente de Solly, preferia morrer.
            A tortura psicológica está presente o tempo inteiro – apoiar o nazismo, fingir que nada acontece enquanto ao lado seu povo é executado diariamente, não saber se aquela boa-vontade dos oficiais pode mudar de uma hora para a outra, etc. Mas somente Burger quer lutar e se rebelar. Solly gostava da vida boa, e quer apenas sobreviver, enquanto os demais ou pensam igual, ou apenas têm medo. A grande questão colocada por Burger, que o nazismo somente funcionava porque os prisioneiros cooperavam, tem sim seu fundo de verdade – da mesma forma que na escravidão, se os negros e índios se recusassem a trabalhar, seriam mortos, mas não produziriam nada. No entanto, estes sistemas funcionaram enquanto possível, mesmo com momentos de rebeliões e revoltas. É realmente justo exigir o heroísmo de um indivíduo? É correto condená-lo por apenas querer sobreviver? Eles não estavam assassinando ninguém, nem mesmo a mando de superiores (diferentemente de Herzog, que como muitos oficiais nazistas, afirmaram somente terem cumprido ordens). Apenas fabricavam o que lhe era solicitado.
     Esta foi a maior operação de falsificação da história, conhecida como “Operação Bernard”. Talvez o ponto mais fraco do filme seja tentar ser muito didático. Ao colocar a mesa de ping pong para seus prisioneiros, Herzog explica exatamente a razão (motivação, etc.). Melhor seria deixar a dúvida no ar sobre suas intenções, como no caso do banho (a suspeita de serem assassinados por gás era forte) ou do suicídio de um colega no final (talvez por não ter suportado ver a situação dos outros prisioneiros, quando tomaram o controle do campo). O excessivo didatismo realmente atrapalha um pouco, bem como a já quase exaurida temática do holocausto judeu – no entanto, com relação a isso, há sim inovações. O lado dos judeus que, obrigados ou não, cooperaram com o nazismo; o terror psicológico, de uma forma mais refinada do que geralmente se mostra. E a própria questão da falsificação, algo novo ao menos para mim.

Nota 83/100

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Retrato de Dorian Gray

Ficha TécnicaDorian Gray, 2009.
Gênero: Drama, Fantasia, Suspense.
Direção: Oliver Parker.
Elenco: Ben Barnes, Colin Firth, Ben Chaplin, Rebecca Hall, Rachel Hurd-Wood, Emilia Fox, Fiona Shaw, Caroline Goodall, Johnny Harris, Max Irons.
País: Reino Unido.
Tempo: 112 min.
Idioma: Inglês.

    Ainda não li este clássico da literatura mundial, de Oscar Wilde. Contudo, exatamente por ser um clássico, sua abordagem é conhecida mundialmente, mesmo para os que não o leram. E nada do que se esperava estava presente no filme.
   Ao que me parece, o panorama do livro é a questão das aparências e beleza em conflito com a moral, e a supervalorização destes aspectos na sociedade. Contudo, o filme fica preso à questão do suspense, da ação, sem colocar qualquer profundidade. A transformação do personagem principal (Barnes) é dada como natural, passando de um ‘bom moço’ para um homicida egocêntrico em pouco tempo.
     Colin Firth vai bem em seu papel, mas o arquétipo do malandro e malvado que influencia o bom menino no começo acaba minando qualquer possibilidade de desenvolver o personagem. O mesmo se aplica ao trabalho de Basil (Chaplin), que tem sua atração por Gray totalmente descontextualizada. Barnes não compromete com sua atuação, mas tampouco aprimora a trama.
   A produção do filme está razoável, com destaque para a maquiagem utilizada. A direção se perde, junto com o roteiro – de um início empolgante e que atrai a atenção do espectador, acaba desviando do caminho, tornando-se cansativo e fazendo com que percamos o interesse. Enfim, um filme dispensável, que apenas não se revelou ainda pior em razão de contar com uma boa história – o livro.
Nota 54/100

domingo, 22 de dezembro de 2013

Duelo de Titãs

Ficha TécnicaRemember the Titans, 2000.
Gênero: Biografia, Drama, Esporte.
Direção: Boaz Yakin.
Elenco: Denzel Washington, Will Patton, Wood Harris, Ryan Hurst, Donald Faison, Craig Kirkwood, Ethan Suplee, Kip Pardue, Hayden Panettiere, Ryan Gosling, Earl Poitier, Kate Bosworth, Burgess Jenkins, Nicole Ari Parker.
País: Estados Unidos.
Tempo: 100 min. 
Idioma: Inglês.

    O esporte é um tema muito recorrente no cinema hollywoodiano. Também é comum a utilização de contextos sociais e de superação (dentro e fora do esporte) aliados a esta categoria de cinema. Como grande fã de esportes e também desta contextualização, talvez não consiga ter o mesmo tipo de objetividade como em outras análises. Mas é ótimo poder contar também com a questão da transformação social causada pela prática esportiva, através da valorização do coletivo. 
    Neste longa temos uma história real de um treinador negro que assume a equipe de futebol americano de uma escola do colegial em seu primeiro ano de integração racial. A animosidade surge desde que o técnico, ainda que reconhecidamente competente, toma o lugar do antigo treinador, que apesar das divergências, assume o cargo da coordenação defensiva.
     Apesar dos clichês de superação, última bola, melhores atletas “inimigos” que se tornam amigos, dentre outros, o filme cumpre bem o papel de ambientar o telespectador no ambiente de preconceito racial nos EUA na época. Faz também um bom trabalho ao apontar outros preconceitos, como de gordos ou homossexuais, além de evitar o estereótipo do “branco malvado”. Temos as cenas de racismo forte, que nos causam (ou deveriam) náuseas, mas também a dificuldade em se adaptar de todos a este novo “modelo” de sociedade.
     As atuações dos técnicos (Washington e Patton) são excelentes, e o destaque para Panettiere, ainda criança – sendo o lado cômico do filme, que conta com pesados momentos dramáticos. O elenco dos jovens atletas é bom e, apesar de não termos nenhuma grande atuação de destaque, o trabalho conjunto deles contribui para a produção. O filme conta com ótima trilha sonora, enquanto que as cenas do futebol são boas, apesar de não serem o forte do longa. Um filme ótimo para o entretenimento, com cunho social importante e fundamental, principalmente dentro da sociedade estadunidense, ainda que não seja muito profundo, além de ser ótimo entretenimento.

Nota 80/100

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Invictus

Ficha Técnica: Invictus, 2009.
Gênero: Drama, História, Biografia.
Direção: Clint Eastwood.
Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Adjoa Andoh, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Julian Lewis Jones, Marguerite Wheatley, Leleti Khumalo, Patrick Lyster, Shakes Myeko, Robert Hobbs, McNeil Hendricks.
País: Estados Unidos.
Tempo: 134 min. 
Idioma: Inglês.

     Como sou um grande fã de esportes (e seus filmes), minha análise desse longa de Clint Eastwood pode revelar-se distorcida por meu grande apreço pelo esporte. Fato que pode ser agravado por envolver a figura de um dos maiores líderes de toda a história, Nelson Mandela. Sua história de vida tão intensa, suas polêmicas posturas antes, durante e depois do deplorável regime do apartheid poderiam render inúmeros filmes. Contudo, a escolha de Clint Eastwood para o filme foi a relação entre o primeiro presidente negro sul-africano com o time de rúgbi da África do Sul, os Springboks, e a inesperada vitória do time na Copa do Mundo de 1995, em casa, tornando-se referência em histórias de superação e trabalho coletivo.
   O longa conta com cenas dirigidas de forma belíssima, principalmente as que envolveram as partidas de rúgbi, mas não restrita somente a elas (os treinos nos rincões do país e a visita á prisão da Ilha Robben). A atuação de Freeman como Mandela é muito boa, trazendo a serenidade que o presidente aparente nos passar, mas ao mesmo tempo seu pragmatismo e visão de longo prazo. Damon faz também excelente trabalho como o capitão da equipe, Pienaar. O restante do elenco está muito bem, ainda que não tenham tanto espaço.
    Ao nos trazer o envolvimento de Nelson Mandela com a equipe nacional de rúgbi durante a surpreendente campanha de 1995, Clint Eastwood nos mostra, ainda que de forma superficial e tangencial, o panorama político e social que a África do Sul vivia após o regime do apartheid. Podemos ver a tensão racial a flor da pele, e um pouco das dificuldades econômicas e políticas que o presidente Mandela teve que enfrentar, e como utilizou o rúgbi para amenizar alguns aspectos.
  O filme nos mostra o grande líder que Mandela foi, tanto antes como durante o seu governo, mostrando um homem que não temia tomar as decisões que considerasse corretas, ainda que fossem impopulares. Também deixa claro que em muitos aspectos, não era apenas para evitar algum revanchismo ou vingança, mas uma escolha tática e pragmática que se revelaria acertada posteriormente, ao menos de acordo com o filme. Contudo, apesar desta excelente análise de conjuntura, o presidente também tinha seus defeitos, e podemos ver como a relação com sua família era complicada e difícil (como tende a ser para todos grandes líderes e militantes) – e como ele encarou como mais uma missão que deveria cumprir em nome de seu povo.
  Também podemos perceber, ainda que de forma leve, mas clara, o racismo ainda persistente nesta sociedade – o que não seria novidade, visto que um regime de segregação racial institucionalizado vigorava até pouco tempo atrás. Desta forma, o próprio Mandela, que passou mais de 20 anos preso, teve que dar o exemplo para evitar que um conflito civil se instalasse no país.
     Portanto, dentre muitos aspectos que formaram a trajetória deste símbolo na luta contra o racismo e pela igualdade, talvez o filme atribua um papel maior aos Springboks e ao rúgbi como um todo, ainda que somente a história da superação da equipe, por si só, já seria digna de nota. Não conheço o quanto de atenção Mandela deu aos bastidores do campeonato, ou o quanto ele pensou sobre o assunto, mas certamente teve um papel importante, e desta vez, o esporte foi utilizado para unir um país tão dividido e destruído.

Nota 85/100

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Se Beber, Não Case!

Ficha Técnica: The Hangover, 2009.
Gênero: Comédia.
Direção: Todd Phillips.
Elenco: Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ed Helms, Heather Graham, Sasha Barresse, Ken Jeong, Rachel Harris, Mike Tyson, Mike Epps, Jeffrey Tambor.
País: Estados Unidos, Alemanha.
Tempo: 100 min. 
Idioma: Inglês.

    Acredito que após inúmeros posts e análises de filmes, minha posição com relação a este longa de Todd Phillips não seja uma surpresa. Afinal, já expressei minha opinião sobre comédias, política, preconceitos etc. Por isso, não me surpreendo ao assistir esse filme de estrondoso sucesso de bilheteria e críticas (as mais superficiais e comerciais) e considerá-lo terrível.
     O longa nos traz muitos clichês, humor questionável e pastelão, ainda que tenha alguns momentos que nos arranque alguns risos. Longe de ser uma comédia brilhante, nem mesmo me agrada como comédias mais inteligentes, mesmo as comédias-românticas (muitas vezes dramáticas) como 50% ou O Lado Bom da Vida, pois ela não trata de nada sério, e ao meu ver, tampouco nos traz alguma inovação, ainda que a questão de reconstrução do passado aos poucos seja relativamente nova no gênero.
   O elenco formado por atores desconhecidos do grande público é uma virtude, trazendo interpretações novas e trejeitos diferentes do que estamos acostumados, mas nada de grandes atuações, ainda que tenha servido para lançar todos à fama. A trilha sonora é interessante, mas a direção e muitos dos diálogos deixam a desejar. Mike Tyson foi uma grande sacada, de marketing principalmente.
    Talvez pelo fato de eu ter tido grande resistência para assistir o filme, e após a insistência de muitas pessoas, tenha criado alguma expectativa mínima, o filme revelou-se tudo que eu esperava antes de ser convencido do contrário: clichê, ruim e bem problemático em alguns aspectos.

            Nota 53/100

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Piaf - Um Hino ao Amor

Ficha Técnica: La môme, 2007.
Gênero: Biografia, Drama, Musical.
Direção: Olivier Dahan.
Elenco: Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Jean-Pierre Martins, Caroline Sihol, Marc Barbé, Pauline Burlet, Clotilde Courau.
País: França.
Tempo: 140 min. 
Idioma: Francês, Inglês.

   Mesmo que Edith Piaf não tivesse se tornado uma das maiores intérpretes francesas (e talvez do mundo) de todos os tempos, sua história de vida já seria digna de um filme. Tendo em vista que ela tornou-se o que tornou-se, merecia um filme ainda muito melhor do que este realizado por Olivier Dahan.
   O ponto alto do filme é Marion Cotillard – que revela-se uma das melhores atrizes de sua geração. Ela incorpora Piaf de uma tal forma que esquecemos que é uma atriz. Com sua atuação poderosa, realmente carrega o filme em seus momentos mais fracos, e evita que o mesmo torno-se um fracasso. O restante do elenco também está muito bem, mas chega a ser injusto para os demais ter que ser comparado com o trabalho de Cotillard neste longa.
   Somado a isso, a trilha sonora do filme tampouco poderia ser ruim. As belas músicas cantadas por Edith Piaf tornam-se ainda mais poderosas dentro do contexto em que nasceu e viveu. A maquiagem do filme também está impecável, enquanto que a fotografia, ainda que tenha tido a ótima ideia de vincular a pobreza às cores escuras, para contrastar com o auge da carreira dela, acabou se perdendo e muitas vezes dificultando a visualização do que se passava.
    O filme, apesar de longo, deixa de explorar muitas coisas da vida dela – utiliza a morte da filha como uma revelação final e surpreendente para os que não conheciam a história. E ainda que deixe subentendido, não aborda a questão da relação mãe e filha, da ausência da figura materna que Edith sofreu e replicou. Mas em geral, fica evidente o quão sofrida e difícil foi a vida da dela. Abandonada mais de uma vez enquanto criança, criada em ambientes não apropriados como as ruas, o abandono da avó materna, o circo e o pai bêbado (o que aqui deixo de fora o bordel em que a avó trabalhava, pois aparentemente foi amada e bem cuidada por lá, ainda que seja um ambiente tido como inapropriado).
   À dura infância, seguiu-se a carreira de cantora de ruas e cabarés, sendo sempre aliciada para que entrasse no mundo da prostituição. Até mesmo ao ser descoberta por Leplée, ainda enfrenta muitas dificuldades, e a situação somente piora após sua morte. Mesmo quando alcança seu auge profissional, com ótimos compositores lhe escrevendo músicas e com espaço na mídia, o filme transparece que a vida inteira ela sofreu. Muitas perdas de pessoas queridas, exposição extrema, saúde frágil, drogas e remédios demais – uma vida de excessos e ausências – extremos que a levam deste mundo ainda muito cedo.
   E talvez o grande paradoxo, a insistência dela, acima de tudo, em amar, bem como a paixão que tinha pela música. Contudo, a forma como nos foi contada tornou o filme confuso. O excesso de não linearidade da história, somado ao enredo confuso, dificulta ao telespectador compreender o que se passa. Até mesmo reconhecer alguns dos personagens torna-se uma tarefa difícil. Para mais de duas horas de filme, sentimos que muito do tempo não foi bem utilizado. E talvez esta direção e roteiros confusos venham a ter prejudicado o filme, que tinha tudo para ser um dos melhores do ano.

Nota 78/100

sábado, 2 de novembro de 2013

Donnie Darko

Ficha Técnica: Donnie Darko, 2001.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Richard Kelly.
Elenco: Jake Gyllenhaal, Mary McDonnell, Jena Malone, Maggie Gyllenhaal, Drew Berrymore, Holmes Osborne, Daveigh Chase, Patrick Swayze, Jolene Purdy, Stuart Stone, Beth Grant, Seth Rogen, Noah Wyle, Patience Cleveland.
País: Estados Unidos.
Tempo: 113 min. 
Idioma: Inglês.

     O filme tornou-se um clássico do universo cult e alternativo. Com excelentes atuações, principalmente para Jake Gyllenhaal, em início de carreira, Donnie Darko nos traz um menino com indícios de esquizofrenia, porém muito inteligente, que além de estar entupido de psicotrópicos, aparentemente é sonâmbulo.
    Dentro deste cenário, em que muitas coisas não fazem sentido, e ao final do filme você não vai entender, Donnie Darko revela-se um rapaz gentil e que questiona os absurdos impostos por normas sociais conservadores em sua pequena e pacata cidade. Ao mesmo tempo, discussões sobre viagem no tempo, somadas a um coelho gigante e assustador chamado Frank, que dá ordens a Donnie, acabamos encontrando elementos de ficção e suspense no longa.
   Há uma possível interpretação em que toda história direciona para que Donnie aceite a sua morte de forma autêntica, que seja uma escolha sua, para evitar tudo que ele presenciou em sua “viagem ao futuro”, caso não tivesse morrido com a queda da turbina em seu quarto. Mas em meio a tudo isso, temos diálogos interessantes, como com as professoras de literatura (Berrymore) e de Educação Física (Grant) e com o professor de física (Wyle). Outro papel importante é o de Patrick Swayze, que faz Jim Cunningham, pedófilo desmascarado por Donnie, com a “ajuda” de Frank.
    Desta forma, um filme propositalmente confuso, mas ao mesmo tempo intrigante, como deveria ser a mente de Donnie Darko e que nos apresenta algo original, ainda que não tão profundo, mas com mensagens diferentes, e questionando alguns aspectos das normas sociais. Não vou me estender muito, afinal, como posso divagar tanto sobre um filme que não é possível entender prontamente, mas que nos deixa reflexivos por um tempo, mesmo sem que possamos identificar o porquê.



Nota 76/100


sexta-feira, 22 de março de 2013

Ratatouille

Ficha Técnica: Ratatouille, 2007.
Gênero: Animação, Comédia.
Direção: Brad Bird, Jan Pinkava.
Elenco: Patton Oswalt, Lou Romano, Ian Holm, Janeane Garofalo, Peter Sohn, Peter O'Toole, Brad Garrett, Will Arnett, Brian Dennehy.
País: Estados Unidos.
Tempo: 111 min. 
Idioma: Inglês, Francês.

     Atualmente, não podemos mais considerar apenas o público infantil ao se tratar de animações, ainda que este público seja o principal deste gênero. E exatamente por este aspecto, Ratatouille falha com os dois lados – o público infantil e o adulto. Com o adulto, simplesmente pelo fato do filme ser extremamente infantil.
      Com o público infantil, ele vem carregado de lições de morais, algumas delas apresentadas de forma questionáveis. A primeira é não roubar: tudo bem, sabemos que o roubo não é algo positivo, mas mesmo Aladdin, um filme muito mais antigo, da época final do "conto de fadas", trabalha melhor a questão do roubo pela sobrevivência, a fome ou outro motivo. Ou seja, o filme é totalmente maniqueísta neste aspecto, tornando-o infantil e ao mesmo tempo prejudicial para as crianças; outra lição é a de que basta querer, e conseguiremos o que comer – basta olhar para o mundo e reparar no absurdo desta frase. Até mesmo uma criança pode notar. E ele fica martelando outros clichês sobre família, amigos e tudo mais – que são importantes, mas sozinhos não fazem um filme nem ao menos bom. Outro aspecto em que o filme falha é a comédia: não são tantos momentos de riso e divertimento que o filme nos proporciona - apenas alguns esporádicos e isolados.
       A divisão maniqueísta dos personagens está presente – vilões e mocinhos, ainda que um dos malvados, o mais interessante, o crítico Anton Ego (nome sugestivo, voz de Peter O’Toole) seja mais elaborado. Este personagem também é utilizado, ironicamente, para dar uma “cutucada” nos críticos – o que poderia amenizar minha crítica. Mas são duas coisas diferentes, a crítica a uma refeição, comida ou prato, e outra a um filme. Coisas totalmente distintas, ainda que a observação seja muito válida e nos faça pensar sobre a relação entre o crítico e aquele que realmente produz alguma coisa.
      Os demais personagens são interessantes, mas nada de muito novo ou diferente. Aliás, ratos e humanos não é algo tão novo no mundo das animações. No início do filme, achei positivo como eles eram mostrados – as pessoas de fato tinham nojo e medo deles. Com razão! São animais associados à sujeira e responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças. Mas no final, me senti assistindo ao filme da Cinderella – A Gata Borralheira, pois ratos e algumas pessoas se relacionam muito bem. Além de tudo, estes animais na cozinha, aí está algo que nos causa no mínimo grande desconforto, ainda que seja um desenho. Ao menos o filme é visualmente muito bom.





Nota 61/100

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Dogville

Ficha Técnica: Dogville, 2003.
Gênero: Drama.
Direção: Lars von Trier.
Elenco: Nicole Kidman, Paul Bettany, Stellan Skarsgard, Patricia Clarkson, Chloë Sevigny, Jeremy Davies, Philip Baker Hall, Siobhan Fallon, John Hurt, Lauren Bacall, Harriet Anderson, James Caan, Zeljko Ivanek, Bem Gazzara, Blair Brown, Cleo King, Bill Raymond, Miles Purinton.
País: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Itália, França, Alemanha, Noruega, Reino Unido, Holanda.
Tempo: 178 min. 
Idioma: Inglês.

       Lars von Trier é um diretor polêmico e impactante – e sua polêmica vai além de seus filmes e mesmo de sua postura política. Ele se utiliza das suas polêmicas como marketing, atraindo mais atenção para seus filmes. Independentemente de aprovar ou não essa sua atitude (deixando claro que defendo e acho ótimo o envolvimento dele com questões políticas e sociais de forma geral), seu filme deve ser analisado para além disso. Provocante, certamente não conseguirei ser breve ao falar sobre ele.
      E Dogville é um excelente filme! As quase três horas de filme passam quase que sem perceber; é difícil argumentar que ele poderia ser muito mais curto. O filme é infinitamente melhor do que o bom Melancolia. Mas ao mesmo tempo, se não fosse pelo fato de estarmos vendo tudo que acontece através de uma câmera, que também produz cortes de cenas e imagens, poderíamos muito bem classificar Dogville como uma peça de teatro. Mas diferentemente de Carnage, que foi baseado em uma peça de teatro, o roteiro deste longa foi escrito diretamente para o cinema. Ainda que assim como o mencionado filme de Polanski, o cenário seja um só, naquele a sala de estar continha de fato as paredes e portas, era completo; em Dogville, o cenário consiste apenas em alguns objetos, e as paredes e portas são riscos no chão.
Essa atitude ousada deixa o filme ainda melhor, apesar de algumas críticas, e me chama a atenção por dois motivos. Além de ser algo muito bem feito, e os personagens agem como se todas as portas, janelas e paredes estivesse ali, inclusive com o barulho das portas e chaves; mas também há um outro detalhe: demonstra a falta de privacidade de uma vila tão pequena, em que todos sabem da vida de todos, evidenciado para o espectador também através da ausência de paredes. Podemos observar tudo que acontece na cidade com o mesmo plano de visão. Um paradoxo com a sociedade atual, cada vez mais individualista e ao mesmo tempo, com menor privacidade – talvez uma semelhança muito maior com o passado do que gostaríamos de acreditar. O jogo de luz para diferenciar dias e noites, momentos tensos ou alegres e estações do ano também foi utilizado de maneira inteligente. 
O elenco, reconhecidamente de peso, também é brilhante. A ausência destes efeitos especiais e cenários variados, mesmo paredes, acaba por exigir muito dos atores, sendo juntamente com o roteiro forte, o que sustenta o filme. Nicole Kidman está muito bem no papel. Paul Bettany, um ator ao meu ver subestimado, tendo em vista seu grande potencial, está excelente. E podemos contar com grandes nomes que fornecem atuações fortes como Lauren Bacall, Philip Baker Hall, Stellan Skarsgård, Jeremy Davies, Ben Gazzara e Patricia Clarkson. Além da poderosa narração de John Hurt. Talvez muitos considerem que parte deste grande elenco coadjuvante foi subaproveitado, com exceção de Bettany, Skarsgård e Clarkson, principalmente tendo em vista as quase três horas de filme. Mas há um equilíbrio razoável entre todos o destaque de todos, e o fato de a história não se fragmentar em várias tramas menores e paralelas dá ainda mais força e profundidade ao centro da história – a relação de Grace (Kidman) com a cidade de maneira geral.
O diretor e roteirista nos apresenta uma crítica à sociedade dos EUA, que fica um pouco explícita ao final do filme, com a música que toca juntamente com as impactantes fotos – o individualismo na sociedade estadunidense é evidentemente atacado. No entanto, este longa é muito mais uma crítica social geral do que a um país ou comunidade específico. Podemos observar claramente a visão negativa e pessimista do ser humano, e também a tentativa de desromantizar a visão do passado, de cidades pequenas e inocentes, em que a vida era melhor, sem violência ou mesmo a inocente visão de que era pura e sem maldade. Há muito mais semelhanças do que diferenças, em termos sociais, e também o forte argumento de que pouco evoluímos ou regredimos em relação ao passado. A humanidade de cada um é demonstrada através da desumanidade.
Ao final do filme, após Grace ter sido humilhada, injustiçada, escravizada e abusada de todas as formas possíveis e imagináveis pela cidade, surge um dilema moral e de consciência para a protagonista. Ela não perdoa o pai (Caan), uma das grandes revelações do filme, por agir da forma que age comandando um grupo gangster. No entanto, está aceitando todas as maldades e fraquezas daquela população, a qual ela apenas ajudou e que sabe da inocência dela. A discussão sobre o contexto e as condições que ela tem com o pai é excelente, mostrando realmente como é difícil estipular que somos todos apenas um produto do nosso meio. Mas talvez essa mudança de opinião de Grace, seja o ponto mais fraco do filme. A mudança é muito súbita, tendo em vista tudo que nos foi apresentado, mas é válida – e ela nos mostra o “rebaixamento” de Grace ao nível dos habitantes da cidade, julgando-os e exterminando-os como animais que são e supostamente merecem tal destino – uma poderosa metáfora do nome do filme, que também dá nome a cidade. Mas ao meu entender, em nenhum momento o filme defende o lado de Grace (somente alguém que não compreendeu a história pode acreditar que o diretor defenda aquele extermínio).
A presença de crianças e deficientes torna a carnificina ainda mais impactante, pois seriam supostamente mais inocentes e do que qualquer outro habitante. O envolvimento dela com Tom (Bettany) e seu aparentemente verdadeiro amor que eles sentem um pelo outro torna seu final ainda mais trágico. Sua incapacidade de manter seus princípios e honestidade com Grace quando a cidade começa a pressioná-lo, ele acaba por traí-la mais de uma vez (no caso do dinheiro, e depois no telefonema) tornam sua morte talvez a mais justificada para o espectador, ainda que ele tenha sido o único que genuinamente gostou dela e procurou ajudá-la. E em razão disso, esse seu voluntarismo verdadeiro começa a ser posto em xeque, visto apenas como uma forma de confirmar suas teorias e ter mais alguém sob sua influência intelectual.
Também percebemos que, na lógica do filme de uma visão negativa sobre o ser humano, os indivíduos evitam-se colocar em situações que possam prejudicá-los, ainda que por uma causa correta e contra algo que sabem estar totalmente errado. Há sempre uma balança que vai pesar as vantagens e riscos de todas as atitudes. E para manter esta linha de raciocínio, toda hipocrisia, formas de submissão e barbaridade pode não ser o suficiente.


Nota 99/100