sábado, 27 de setembro de 2014

Psicopata Americano

Ficha Técnica: American Psycho, 2000.
Gênero: Crime, Drama.
Direção: Mary Harron.
Elenco: Christian Bale, Samantha Mathis, Chloë Sevigny, Reese Whiterspoon, Jared Leto, Willem Dafoe, Cara Seymour, Justin Theroux, Josh Lucas, Bill Sage, Matt Ross, Guinever Turner.
País: Estados Unidos.
Tempo: 102 min. 
Idioma: Inglês.

     Um filme que se tornou um clássico cult do suspense e crime no cinema, que conta com uma forte atuação de Christian Bale, algumas cenas pesadas, mas dentro de alguns limites, críticas ao american way of life e um final confuso e enigmático. Essas talvez sejam as características mais marcantes do filme.
     Patrick Bateman (Bale) é um “empresário”, vice-presidente da empresa de moda do pai, que leva uma vida fútil junto com seus companheiros, disputando quem tem o melhor cartão de visitas ou quem consegue fazer reservas nos melhores restaurantes. Além disso, fica evidente o narcisismo do protagonista e o vazio na vida dele, direcionado ao consumismo, com o cuidado com o corpo e a higiene obsessiva.
    E desse etilo de vida superficial é que ele extrai sua psicopatia assassina, buscando talvez romper com o marasmo e quebrando não somente as regras do bom-moço que apresenta durante o dia, mas transformando-se em um serial killer. A maneira como mata suas vítimas também é peculiar, com uma preliminar recheada de discursos acadêmicos sobre astros da música. Mas é possível perceber o quão excitado e ansioso ele está nos momentos que antecedem o crime. Contudo, não são somente as prostitutas e mendigos que ele mata – acabando inclusive com seu rival no mundo dos negócios (Jared Leto), além de ter cogitado assassinar a própria secretária (Chloë Sevigny). Vale dizer que a única pessoa que nunca passou perigo foi sua namorada (Reese Whiterspoon), mas talvez ele não a considerasse importante o suficiente para mata-la.
    No entanto, o final confuso deixa margem para muitas interpretações – seria ele bipolar, visto que era chamado de diversos nomes? Os crimes realmente aconteceram, ou foram imaginados por ele? Afinal, quando ele retorna ao apartamento de Paul Allen, que ele matou, e depois passou a esconder os corpos de suas vítimas, este está vazio e ninguém o acusa. Ele foi se tornando cada vez mais descuidado nos crimes que é impossível que ninguém tenha percebido. Afinal, até trocar tiro e matar policiais ele fez. No entanto, ao relatar tudo para seu advogado (que não o reconhece, mas como falei, isso ocorre inúmeras vezes). A blindagem de sua classe social é tão grande que ninguém desconfia dele? O interesse pelo lucro (no caso do apartamento, por exemplo) acabou protegendo-o? 
A dúvida permaneceu ao final do filme, e ainda que não me agradam filmes com um viés didático, que tentam explicar tudo o que ocorre, tampouco gosto quando o filme “se perde” em seu desenrolar. As dúvidas foram tão imensas que acabam por enfraquecer estes argumentos que poderiam ser bem direcionados e mais consistentes. O que mais segura o filme durante seus 100 minutos certamente é a atuação de Bale, acima de tudo, e não seu roteiro.
Nota 76/100


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