segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O Doador de Memórias

Ficha Técnica: The Giver, 2014.
Gênero: Drama, Ficção-Científica, Romance.
Direção: Phillip Noyce.
Elenco: Brenton Thwaites, Odeya Rush, Jeff Bridges, Meryl Streep, Alexander Skarsgård, Katie Holmes, Cameron Monaghan, Emma Tremblay, Taylor Swift.
País: Estados Unidos.
Tempo: 97 min. 
Idioma: Inglês.

     Neste novo filme com um futuro distópico, apesar de todo potencial contido no enredo, é certo dizer que foi desapontador, ao menos para aqueles que esperavam algo menos raso, mais trabalho e discussões mínimas sobre alguns temas como totalitarismos, desigualdades sociais e diferenças, liberdade, etc.
     O filme baseia-se em um livro, o qual não li, por isso talvez seja mais completo. Pois além da superficialidade com a qual temas interessantes e complexos são tratados, há muitos furos e coisas que temos apenas que “engolir” no filme, que talvez possam fazer algum sentido maior no livro (a escolha de Jonas, a atitude do doador, etc.). Desta maneira, o filme revela-se no máximo um “1984”, de Orwell, em versão para adolescentes, feito pela Hollywood atual, em que tudo deve conter o romance inocente e outros aspectos previsíveis. É incrível como algo pode ser realmente muito semelhante, e ao mesmo tempo, tão inferior em qualidade.  
    Falou-se em semelhanças entre o longa e outras distopias da moda, começando por Jogos Vorazes, mas passando por Divergente e Ender’s Game. Apesar disso, há diferenças, ao menos em relação aos filmes de Jennifer Lawrence, ainda que se possa perceber a influência – talvez mais do estilo e direção do filme do que da história propriamente dita (que no caso de O Doador de Memórias, a obra original é mais antiga).
  Contudo, além da pressa em se trabalhar o roteiro, as macro questões do filme são abordadas de forma tão superficial, que a própria revolta do protagonista perde um pouco de sentido, e talvez por isso pareça ainda mais absurda. As memórias apagadas, nas mãos apenas de um único indivíduo, o motivo das escolhas erradas da humanidade (tão criticadas pelo filme e base de todo argumento para o modelo de sociedade), a predeterminação da vida de todos, o convívio social bizarro, o controle por parte do governo, as formas reprimidas de se expressar, todas elas são pouco trabalhadas e/ou questionadas, e a simples resposta para tudo, ao final – o amor – chega a ser patético, de tão ingênuo e raso. E com um final totalmente em decadência, anticlímax, decepcionante e simplista, que apenas confirma estas características que podem ser observadas durante todo o filme. 
     As atuações estão adequadas à mediocridade do longa – nem mesmo Meryl Streep (a chefe-anciã) e Jeff Bridges (o doador) salvam o filme, ainda que não atuem mal. Bridges até traz um tom amargo ao seu personagem, enquanto que Streep consegue não tornar caricata sua personagem, que supostamente seria a vilã – talvez a única qualidade do filme, que preferiu não dividir entre bons e maus seus personagens. Os protagonistas, apesar de novos, não comprometem – mas todos os atores certamente teriam atuado melhor se o roteiro assim exigisse ou mesmo permitisse.
      Um filme que se tornou apenas um leve entretenimento, sem grandes reflexões, mesmo que se esforce bastante – apenas podemos ver o que ele poderia ser, mas em nenhum momento ele tem relance desta potencialidade.  A direção está interessante com a questão do jogo de cores, mas a forma como conduziu tudo, principalmente as cenas finais, tornam o trabalho de mediano para ruim.







Nota 59/100

Nenhum comentário:

Postar um comentário