quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Piaf - Um Hino ao Amor

Ficha Técnica: La môme, 2007.
Gênero: Biografia, Drama, Musical.
Direção: Olivier Dahan.
Elenco: Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Jean-Pierre Martins, Caroline Sihol, Marc Barbé, Pauline Burlet, Clotilde Courau.
País: França.
Tempo: 140 min. 
Idioma: Francês, Inglês.

   Mesmo que Edith Piaf não tivesse se tornado uma das maiores intérpretes francesas (e talvez do mundo) de todos os tempos, sua história de vida já seria digna de um filme. Tendo em vista que ela tornou-se o que tornou-se, merecia um filme ainda muito melhor do que este realizado por Olivier Dahan.
   O ponto alto do filme é Marion Cotillard – que revela-se uma das melhores atrizes de sua geração. Ela incorpora Piaf de uma tal forma que esquecemos que é uma atriz. Com sua atuação poderosa, realmente carrega o filme em seus momentos mais fracos, e evita que o mesmo torno-se um fracasso. O restante do elenco também está muito bem, mas chega a ser injusto para os demais ter que ser comparado com o trabalho de Cotillard neste longa.
   Somado a isso, a trilha sonora do filme tampouco poderia ser ruim. As belas músicas cantadas por Edith Piaf tornam-se ainda mais poderosas dentro do contexto em que nasceu e viveu. A maquiagem do filme também está impecável, enquanto que a fotografia, ainda que tenha tido a ótima ideia de vincular a pobreza às cores escuras, para contrastar com o auge da carreira dela, acabou se perdendo e muitas vezes dificultando a visualização do que se passava.
    O filme, apesar de longo, deixa de explorar muitas coisas da vida dela – utiliza a morte da filha como uma revelação final e surpreendente para os que não conheciam a história. E ainda que deixe subentendido, não aborda a questão da relação mãe e filha, da ausência da figura materna que Edith sofreu e replicou. Mas em geral, fica evidente o quão sofrida e difícil foi a vida da dela. Abandonada mais de uma vez enquanto criança, criada em ambientes não apropriados como as ruas, o abandono da avó materna, o circo e o pai bêbado (o que aqui deixo de fora o bordel em que a avó trabalhava, pois aparentemente foi amada e bem cuidada por lá, ainda que seja um ambiente tido como inapropriado).
   À dura infância, seguiu-se a carreira de cantora de ruas e cabarés, sendo sempre aliciada para que entrasse no mundo da prostituição. Até mesmo ao ser descoberta por Leplée, ainda enfrenta muitas dificuldades, e a situação somente piora após sua morte. Mesmo quando alcança seu auge profissional, com ótimos compositores lhe escrevendo músicas e com espaço na mídia, o filme transparece que a vida inteira ela sofreu. Muitas perdas de pessoas queridas, exposição extrema, saúde frágil, drogas e remédios demais – uma vida de excessos e ausências – extremos que a levam deste mundo ainda muito cedo.
   E talvez o grande paradoxo, a insistência dela, acima de tudo, em amar, bem como a paixão que tinha pela música. Contudo, a forma como nos foi contada tornou o filme confuso. O excesso de não linearidade da história, somado ao enredo confuso, dificulta ao telespectador compreender o que se passa. Até mesmo reconhecer alguns dos personagens torna-se uma tarefa difícil. Para mais de duas horas de filme, sentimos que muito do tempo não foi bem utilizado. E talvez esta direção e roteiros confusos venham a ter prejudicado o filme, que tinha tudo para ser um dos melhores do ano.

Nota 78/100

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