Gênero: Biografia, Drama, Musical.
Direção: Olivier Dahan.
Elenco: Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Jean-Pierre Martins, Caroline Sihol, Marc Barbé, Pauline Burlet, Clotilde Courau.
País: França.
Tempo: 140 min.
Idioma: Francês, Inglês.
Somado a isso, a
trilha sonora do filme tampouco poderia ser ruim. As belas músicas cantadas por
Edith Piaf tornam-se ainda mais poderosas dentro do contexto em que nasceu e
viveu. A maquiagem do filme também está impecável, enquanto que a fotografia,
ainda que tenha tido a ótima ideia de vincular a pobreza às cores escuras, para
contrastar com o auge da carreira dela, acabou se perdendo e muitas vezes
dificultando a visualização do que se passava.
Mesmo que Edith Piaf
não tivesse se tornado uma das maiores intérpretes francesas (e talvez do
mundo) de todos os tempos, sua história de vida já seria digna de um filme.
Tendo em vista que ela tornou-se o que tornou-se, merecia um filme ainda muito
melhor do que este realizado por Olivier Dahan.
O ponto alto do filme
é Marion Cotillard – que revela-se uma das melhores atrizes de sua geração. Ela
incorpora Piaf de uma tal forma que esquecemos que é uma atriz. Com sua atuação
poderosa, realmente carrega o filme em seus momentos mais fracos, e evita que o
mesmo torno-se um fracasso. O restante do elenco também está muito bem, mas
chega a ser injusto para os demais ter que ser comparado com o trabalho de
Cotillard neste longa.
Somado a isso, a
trilha sonora do filme tampouco poderia ser ruim. As belas músicas cantadas por
Edith Piaf tornam-se ainda mais poderosas dentro do contexto em que nasceu e
viveu. A maquiagem do filme também está impecável, enquanto que a fotografia,
ainda que tenha tido a ótima ideia de vincular a pobreza às cores escuras, para
contrastar com o auge da carreira dela, acabou se perdendo e muitas vezes
dificultando a visualização do que se passava.
O filme, apesar de
longo, deixa de explorar muitas coisas da vida dela – utiliza a morte da filha
como uma revelação final e surpreendente para os que não conheciam a história.
E ainda que deixe subentendido, não aborda a questão da relação mãe e filha, da
ausência da figura materna que Edith sofreu e replicou. Mas em geral, fica
evidente o quão sofrida e difícil foi a vida da dela. Abandonada mais de uma
vez enquanto criança, criada em ambientes não apropriados como as ruas, o
abandono da avó materna, o circo e o pai bêbado (o que aqui deixo de fora o
bordel em que a avó trabalhava, pois aparentemente foi amada e bem cuidada por
lá, ainda que seja um ambiente tido como inapropriado).
À dura infância,
seguiu-se a carreira de cantora de ruas e cabarés, sendo sempre aliciada para que
entrasse no mundo da prostituição. Até mesmo ao ser descoberta por Leplée,
ainda enfrenta muitas dificuldades, e a situação somente piora após sua morte. Mesmo
quando alcança seu auge profissional, com ótimos compositores lhe escrevendo
músicas e com espaço na mídia, o filme transparece que a vida inteira ela
sofreu. Muitas perdas de pessoas queridas, exposição extrema, saúde frágil,
drogas e remédios demais – uma vida de excessos e ausências – extremos que a
levam deste mundo ainda muito cedo.
E talvez o grande
paradoxo, a insistência dela, acima de tudo, em amar, bem como a paixão que
tinha pela música. Contudo, a forma como nos foi contada tornou o filme
confuso. O excesso de não linearidade da história, somado ao enredo confuso,
dificulta ao telespectador compreender o que se passa. Até mesmo reconhecer
alguns dos personagens torna-se uma tarefa difícil. Para mais de duas horas de
filme, sentimos que muito do tempo não foi bem utilizado. E talvez esta direção
e roteiros confusos venham a ter prejudicado o filme, que tinha tudo para ser
um dos melhores do ano.
Nota 78/100



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