sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Ficha TécnicaWe Need to Talk About Kevin, 2011.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Lynne Ramsay.
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Ashley Gerasimovich, Jasper Newell, Alex Manette.
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 112 min. 
Idioma: Inglês.

   Massacres em escolas, universidades e outros espaços de convívio público têm sido uma triste constante na história dos Estados Unidos. E a cada novo episódio desse, as mesmas questões são levadas ao debate: porte armas, música e filmes de interesse dos assassinos, bullying, o papel dos pais etc.
      Neste filme, a diretora Lynne Ramsay utiliza como base o livro de Lionel Shriver, o qual por sua vez se baseia em diferentes episódios de massacres executados por crianças e adolescentes. Contudo, o foco do filme é a vida da mãe do assassino Kevin (Ezra Miller), Eva (Tilda Swinton).
     As cenas a princípio desconexas deixam o filme um tanto quanto confuso, demorando para engrenar, o que acaba por prejudicar o envolvimento e a compreensão do telespectador. Achei oportuno a utilização deste recurso sem ordem cronológica, deixando um suspense sobre o que de fato ocorreu, ainda que já saibamos desde o início que algo grave ocorre. No entanto, a falta de linearidade não foi tão bem trabalhada, tornando as coisas muito confusas e desconexas por um tempo maior do que o adequado.
    As atuações são excelentes. Ezra e John C. Reilly (Franklin, pai de Kevin) estão ótimos. Fazem um trabalho fantástico dosando muito bem onde atuarem de forma mais incisiva ou não. Mas a grande estrela é Swinton, como a mãe que teve problemas com o primeiro filho desde que ele nasceu. Em nenhum momento ela exagera, mas percebemos sua aflição e sua angústia constantes. Uma das melhores atuações de sua carreira, sem sombra de dúvidas.
     Já o roteiro demonstra a responsabilidade dos pais sobre o assassino que criaram, mas ao mesmo tempo não os demoniza. Muito pelo contrário, mostra a dificuldade de se criar os filhos nesta sociedade doente que é a nossa, e que muitas coisas estão fora de controle deles. A permissividade do pai e o difícil relacionamento com a mãe são aspectos apresentados pelo filme como formadores desta catástrofe, mas deixando subentendido que muitas outras coisas integram esse panorama, muitas delas que ainda não entendemos. Talvez o fato de não deixar isso um pouco mais claro possa prejudicar o entendimento do filme, levando o telespectador a culpar a mãe de Kevin pelo ocorrido.
     Enfim, título mais adequado não poderia existir para o filme, com cenas muito fortes e angustiantes, em que percebemos que a relação entre mãe e filho está muito aquém do que a sociedade impõe e espera que seja, dentro de suas expectativas e seus padrões. E talvez o fato de deixar tão explícito para o telespectador, mas somente a mãe perceber isso, seja um ponto fraco do filme, mas que não o prejudica como um todo.

Nota 89/100

Nenhum comentário:

Postar um comentário