quarta-feira, 30 de outubro de 2013

X-Men: Primeira Classe

Ficha TécnicaX-Men: First Class, 2011.
Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura.
Direção: Matthew Vaughn.
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence, Rose Byrne, Álex González, Jason Flemyng, Zoe Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult, Caleb Landry Jones, Edi Gathegi, Lucas Till, Oliver Platt, Bill Milner, Glenn Morshower.
País: Estados Unidos.
Tempo: 132 min. 
Idioma: Inglês, Alemão, Russo, Francês, Espanhol.


   É realmente interessante observar esse movimento dos quadrinhos para as telas de cinema, o qual eu já mencionei. As adaptações tornaram-se um imenso sucesso e uma grande fonte de dinheiro para a indústria cinematográfica – a ponto de se passarem a adaptar qualquer história de qualquer forma. E isso nos brindou com a trilogia do Batman, de Christopher Nolan, mas também nos trouxe filmes como O Lanterna Verde. Mas tudo começou com a franquia dos X-Men.
    A primeira trilogia realmente é muito interessante, com algum grau de profundidade, além das ótimas cenas de ação e personagens cativantes. Sempre deixei claro que o meu favorito é o Batman – não o super-herói em si, mas toda a história, que é muito mais madura e com algum grau de profundidade.
    E o panorama dos x-men sempre esteve marcado por este algo a mais – talvez não como no caso do Batman, mas a questão do preconceito, do diferente, do perigo e do que é considerado “humano” perante outras criaturas está ali, evidente. E a maneira como os mutantes lidam com isso também é uma analogia à forma como outros preconceitos foram combatidos, o mais claro deles na questão do racismo, em posições divergentes entre Martin Luther King, Malcom X e os Panteras Negras. Todos lutam com um mesmo objetivo, ou ao menos causas semelhantes, ainda que com táticas totalmente diversas. O mesmo temos entre Magneto e Charles Xavier.
     Longe de colocar os dois em posições opostas de arquétipos do bem e do mal, podemos observar a causa justa das lutas de ambos, e ainda que o filme sempre tome partido de um lado, o dos X-Men, não deslegitima totalmente a posição de Magneto. Os filmes anteriores também trabalhavam isso, mas acredito que neste a divisão ficou menos maniqueísta ainda. Talvez pela existência do terceiro vilão – o maior defeito do filme. Após todo esse trabalho de desenvolver os dois personagens principais de forma profunda, nos apresentam um gênio egocêntrico, torturador e desumano que deseja dominar o mundo. E ainda o vinculam ao nazismo. O puro arquétipo do mal, sem propósito algum.
     Gostei muito do vínculo que fizeram com a história – Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, Crise dos Mísseis. Todas estes links, ao meu ver, acrescentam um pouco mais de realidade à trama, fortalecendo as metáforas trabalhadas no filme. Os efeitos especiais estão novamente excelentes, com algumas impossibilidades físicas tornando-se totalmente verossímil, não somente nos poderes de Magneto e Summers, mas também no vôo de Banshee e nas desaparições de Azazel.
     Os atores também foram muito bem escolhidos. Os protagonistas são excelentes, McAvoy faz um ótimo Xavier, mas o destaque vai para Fassbender, que faz Magneto. Ainda que ele tenha o personagem mais interessante, também é o melhor ator e se destaca diante dos demais. Kevin Bacon, em razão principalmente de seu papel, está subaproveitado, enquanto que Lawrence faz um ótimo misto de inocência e amadurecimento. Os demais coadjuvantes fazem todo um bom trabalho, e todos têm seu espaço em determinado momento.
    Apesar de não ser um grande filme profundo, cumpre o propósito básico de sua categoria, que é entreter o público, e acrescenta um algo a mais, ainda que não desenvolva nada muito profundamente. Talvez nos próximos filmes, o antagonismo entre Magneto e Xavier seja ainda mais aprofundado, de forma mais elaborada. É o que espero.



Nota 82/100

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