Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Taylor Hackford.
Elenco: Keanu Reeves, Al Pacino, Charlize Theron, Jeffrey Jones, Judith Ivey, Connie Nielsen, Craig T. Nelson, Tamara Tunie, Ruben Santiago-Hudson, Debra Monk, Chris Bauer, Laura Harrington.
País: Estados Unidos, Alemanha.
Tempo: 144 min.
Idioma: Inglês.
Outra mensagem
moralista é a questão da tentação constante. Ao aparecer no final do filme para
conversar com o Lomax novamente, agora como outra pessoa, o filme cai na questão
da moral religiosa de estarmos sempre atentos para evitar a tentação constante
do mal. Algo válido, mas pouco inovador para o cinema. Essa segunda chance dada
ao advogado (toda a história foi apenas “um possível” futuro), me incomoda,
pois nem sempre é possível voltar atrás em nossas escolhas. O final feliz
garantido continua sendo uma característica exclusiva do cinema e uma constante
em Hollywood.
Este filme é apontado por muitos como um clássico, outros como uma
obra-prima, ou mesmo como inovador. Ao meu ver,a pesar de ser um bom filme, é
superestimado ao ser avaliado de tal forma. Ele peca em muitos aspectos, alguns
deles essenciais, para receber tantos adjetivos positivos.
Começando pelas atuações,
temos dois opostos: um dos maiores atores de Hollywood, Pacino, espetacular
como sempre. Ele está incrível, com uma atuação forte, de acordo com seu papel.
A evolução de seu personagem é muito bem trabalhada por ele, com o início mais
comedido e sua revelação final. Na outra ponta, temos Keanu Reeves. Realmente gostaria
de saber como ele consegue, há tanto tempo, continuar a ser escalado com
elencos de ponta. E este é o primeiro ponto que enfraquece o filme. Como podemos
ter um protagonista tão fraco – ele chega a ser ofuscado por Al Pacino. Se você
saiu com a sensação que eles dividem o protagonismo do filme, é muito mais pela
atuação de ambos do que pelo espaço e tempo de tela ou pelo personagem. Não se
engane, há somente um protagonista – Kevin Lomax, interpretado por Reeves.
Charlize Theron também
faz um ótimo trabalho, sendo responsável por cenas marcantes e pesadas,
principalmente o momento de sua morte, que nos causa grande desespero. O restante
do elenco faz ótimo trabalho, com destaque para Jones e Ivey, a mãe do
protagonista. O filme também é bem dirigido, ainda que seja um pouco longo. Talvez
algumas cenas desnecessárias, mas que poderiam ser substituídas, pois mesmo
sendo longo, nos prende.
A produção é muito
boa, contando com excelente trilha sonora, bons efeitos especiais e ótima maquiagem.
Hackford acerta ao evitar dar muito espaço para os efeitos especiais, deixando
a tensão e emoção muito mais por conta dos diálogos e do suspense criado. O sucesso
do jovem advogado que nunca perdeu um caso segue uma crescente, juntamente com
a tensão do filme.
O longa nos apresenta
cenas fortes, com argumentação e questionamentos pesados inclusive sobre a religião.
A cena em que Milton (Pacino) questiona a posição direta de Deus, como um sádico
e piadista que se diverte ao ver o homem lutar contra seus instintos que ele mesmo
criou é muito interessante, além da interpretação magistral do ator.
Contudo, o filme também
é recheado de clichês, e o final acaba por decepcionar. Busca transmitir não somente
o clássico julgamento moral de evitar a ganância e prepotência, saber quando perder.
Tais dilemas, ainda que presentes não somente na vida do advogado, mas de
todos, são lugares-comuns no cinema. Muito mais interessante seria a discussão sobre
como defender de fato o professor pedófilo, visto que todos têm direito à ampla
defesa e que mesmo que culpado, ele receba uma pena justa, e não seja julgado
pelo clamor popular. Um maniqueísmo prejudicial para o roteiro.
Outra mensagem
moralista é a questão da tentação constante. Ao aparecer no final do filme para
conversar com o Lomax novamente, agora como outra pessoa, o filme cai na questão
da moral religiosa de estarmos sempre atentos para evitar a tentação constante
do mal. Algo válido, mas pouco inovador para o cinema. Essa segunda chance dada
ao advogado (toda a história foi apenas “um possível” futuro), me incomoda,
pois nem sempre é possível voltar atrás em nossas escolhas. O final feliz
garantido continua sendo uma característica exclusiva do cinema e uma constante
em Hollywood.
Portanto, apesar de
um filme interessante, nunca será um clássico. O pouco reconhecimento das premiações
é uma indicação boa, ainda que os festivais também esqueçam muitas vezes dos
grandes filmes. Mas este não emplacou em nenhum dos estilos, o mainstream ou o alternativo.
Nota 79/100


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