domingo, 20 de outubro de 2013

Advogado do Diabo

Ficha Técnica: The Devil's Advocate, 1997.
Gênero: Drama, Suspense.
Direção: Taylor Hackford.
Elenco: Keanu Reeves, Al Pacino, Charlize Theron, Jeffrey Jones, Judith Ivey, Connie Nielsen, Craig T. Nelson, Tamara Tunie, Ruben Santiago-Hudson, Debra Monk, Chris Bauer, Laura Harrington.
País: Estados Unidos, Alemanha.
Tempo: 144 min. 
Idioma: Inglês.

      Este filme é apontado por muitos como um clássico, outros como uma obra-prima, ou mesmo como inovador. Ao meu ver,a pesar de ser um bom filme, é superestimado ao ser avaliado de tal forma. Ele peca em muitos aspectos, alguns deles essenciais, para receber tantos adjetivos positivos.
     Começando pelas atuações, temos dois opostos: um dos maiores atores de Hollywood, Pacino, espetacular como sempre. Ele está incrível, com uma atuação forte, de acordo com seu papel. A evolução de seu personagem é muito bem trabalhada por ele, com o início mais comedido e sua revelação final. Na outra ponta, temos Keanu Reeves. Realmente gostaria de saber como ele consegue, há tanto tempo, continuar a ser escalado com elencos de ponta. E este é o primeiro ponto que enfraquece o filme. Como podemos ter um protagonista tão fraco – ele chega a ser ofuscado por Al Pacino. Se você saiu com a sensação que eles dividem o protagonismo do filme, é muito mais pela atuação de ambos do que pelo espaço e tempo de tela ou pelo personagem. Não se engane, há somente um protagonista – Kevin Lomax, interpretado por Reeves.
     Charlize Theron também faz um ótimo trabalho, sendo responsável por cenas marcantes e pesadas, principalmente o momento de sua morte, que nos causa grande desespero. O restante do elenco faz ótimo trabalho, com destaque para Jones e Ivey, a mãe do protagonista. O filme também é bem dirigido, ainda que seja um pouco longo. Talvez algumas cenas desnecessárias, mas que poderiam ser substituídas, pois mesmo sendo longo, nos prende.  
    A produção é muito boa, contando com excelente trilha sonora, bons efeitos especiais e ótima maquiagem. Hackford acerta ao evitar dar muito espaço para os efeitos especiais, deixando a tensão e emoção muito mais por conta dos diálogos e do suspense criado. O sucesso do jovem advogado que nunca perdeu um caso segue uma crescente, juntamente com a tensão do filme.
     O longa nos apresenta cenas fortes, com argumentação e questionamentos pesados inclusive sobre a religião. A cena em que Milton (Pacino) questiona a posição direta de Deus, como um sádico e piadista que se diverte ao ver o homem lutar contra seus instintos que ele mesmo criou é muito interessante, além da interpretação magistral do ator.
      Contudo, o filme também é recheado de clichês, e o final acaba por decepcionar. Busca transmitir não somente o clássico julgamento moral de evitar a ganância e prepotência, saber quando perder. Tais dilemas, ainda que presentes não somente na vida do advogado, mas de todos, são lugares-comuns no cinema. Muito mais interessante seria a discussão sobre como defender de fato o professor pedófilo, visto que todos têm direito à ampla defesa e que mesmo que culpado, ele receba uma pena justa, e não seja julgado pelo clamor popular. Um maniqueísmo prejudicial para o roteiro.
    Outra mensagem moralista é a questão da tentação constante. Ao aparecer no final do filme para conversar com o Lomax novamente, agora como outra pessoa, o filme cai na questão da moral religiosa de estarmos sempre atentos para evitar a tentação constante do mal. Algo válido, mas pouco inovador para o cinema. Essa segunda chance dada ao advogado (toda a história foi apenas “um possível” futuro), me incomoda, pois nem sempre é possível voltar atrás em nossas escolhas. O final feliz garantido continua sendo uma característica exclusiva do cinema e uma constante em Hollywood.
   Portanto, apesar de um filme interessante, nunca será um clássico. O pouco reconhecimento das premiações é uma indicação boa, ainda que os festivais também esqueçam muitas vezes dos grandes filmes. Mas este não emplacou em nenhum dos estilos, o mainstream ou o alternativo.

Nota 79/100

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