terça-feira, 3 de julho de 2012

Trainspotting - Sem Limites

Ficha técnica: Trainspotting, 1996
Gênero: Crime, Drama;
Direção: Danny Boyle. 
Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremmer, Johnny Lee Miller, Robert Carlyle, Kevin McKidd, Kelly Macdonald, Peter Mullan, James Cosmo, Eileen Nicholas, Susan Vidler, Pauline Lynch. 
País: Reino Unido.
Tempo: 94 min.
Idioma: Inglês.

    Muito se falou de Trainspotting fazer apologia às drogas, principalmente heroína; quem sai com essa sensação do filme, não o compreendeu inteiramente. Esse debate ainda trouxe alguns danos ao filme, pois colocou a questão das drogas como central e única no longa. Essa questão é realmente importante, mas apenas um complemento sobre algo maior – relacionamentos e sociedade.
    O filme tornou-se um clássico, bem como muitas de suas cenas. A sequência inicial em que Renton (McGregor) dita o poema “Choose a life, choose a job...”, no decorrer da trama, começa a fazer mais sentido. Ele afirma ter escolhido as drogas, para fugir deste padrão moral de normalidade imposto pela sociedade a todos, “escravizando-os” sob este modo de vida. E a ironia surge pelo fato de ele tornar-se escravo de outra escolha, a heroína.
     A questão das drogas é tratada sem julgamentos morais, de forma crua (sendo esta uma grande virtude do filme) – os prazeres que ela nos traz são mostrados de maneira evidente, induzindo sim o espectador a usá-la. Mas em seguida, as gravíssimas consequências que elas nos trazem são esfregadas nas nossas caras, tornando esse desejo no espectador efêmero, bem como o próprio efeito da droga. Danny Boyle nos apresenta cenas em que praticamente podemos sentir o que as pessoas estão passando naquele momento, harmonizando de maneira magistral as imagens, trilha sonora e sensações causadas, inclusive com cenas escatológicas.
Outra crítica apresentada é a hipocrisia da sociedade com relação às drogas, quando alguns produtos como o álcool e remédios – considerados legais – também podem trazer efeitos tão negativos quanto o das ilegais, mas são socialmente aceitos. A impressão que nos dá é que todos na sociedade precisam de seus vícios – sejam eles o trabalho, a “vida normal”, as drogas, a violência (explícito no caso de Begbie, em brilhante interpretação de Carlyle) ou o álcool, dentre outros.
O elenco está excelente, com atuações fortes e impactantes, bem como os diálogos do filme, se adequando perfeitamente à história. O domínio da cultura pop e cult do diretor, além de algumas semelhanças com Tarantino – nas discussões e teorias sobre Sean Connery, 007 e Escócia – somente trazem mais virtudes a este excelente filme.

                    

Nota 96/100

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