quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Lado Bom da Vida

Ficha Técnica: Silver Linings Playbook, 2012.
Gênero: Comédia, Romance, Drama.
Direção: David O. Russell.
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris Tucker, Anupam Kher, John Ortiz, Shea Whigham, Julia Stiles, Dash Mihok, Brea Bee, Paul Herman.
País: Estados Unidos.
Tempo: 122 min. 
Idioma: Inglês.


    Posso ter uma tendência em criticar essas comédias-românticas dramáticas, principalmente quando fazem tanto sucesso como este O Lado Bom da Vida. Apesar da minha amargura, o filme é bom, vai nos fazer rir – conta realmente com momentos hilários. Contudo, mantenho a posição de que as comédias, na forma com são feitas atualmente, em sua grande maioria, possuem uma limitação estrutural (de forma, conteúdo, polêmicas, público-alvo etc.) que dificilmente pode elevar tal filme a um outro patamar. Mas é possível, como mostrou o grande Kubrick em Dr. Fantástico.
Este filme foi um sucesso de público e nas cerimônias de premiação. Ainda que não tenha levado muitos prêmios, suas inúmeras indicações acabaram por contribuir ainda mais para seu sucesso nas bilheterias, e mesmo nas críticas realizadas, ninguém se atrevia a falar mal deste filme. Não que ele mereça tantas críticas, mas houve muito exagero. A constante nas premiações era Jennifer Lawrence, que no papel de Tiffany levou seu primeiro Oscar – e esta é a primeira prova de como o longa está superestimado. Ganhou de Emanuelle Riva (Amor), que teve de longe a melhor interpretação de todas as concorrentes. Talvez o fato de ser francesa tenha pesado contra.
As atuações são realmente muito boas – inclusive a de Lawrence, que está muito bem no papel. Mas não a ponto de ganhar tantos prêmios. Não foi algo soberbo, como vimos na própria Emanuelle Riva ou em sua conterrânea Marion Cotillard, por Piaf. Ganhou o Globo de Ouro de Meryl Streep, ainda que não seja um trabalho como A Escolha de Sofia ou A Dama de Ferro. Foi sim um trabalho excelente, que poderia ter sido utilizado para reparar algumas injustiças ou como reconhecimento de uma carreira sólida (o que ocorreu com Kate Winslet, ao vencer por O Leitor, que não está nem próximo de seus melhores trabalhos ou filmes). Mas uma atriz tão jovem, que tem uma boa atuação, é exagero. Melhor seria se tivesse ganho então por O Inverno da Alma – não que tenha sido uma atuação melhor do que a de Portman por O Cisne Negro.
Bradley Cooper realmente me surpreende, com excelente atuação. Jacki Weaver sólida novamente, bem como Robert De Niro. O quarteto dá grande força ao filme, sendo responsável em partes pelo grande alarde e atenção que recebe. A direção de David O. Russell está sólida novamente, mantendo o mesmo estilo que o tornou conhecido do grande público em O Vencedor. Trilha sonora sempre muito bem escolhida (Led Zeppelin sempre presente, ainda bem), mas ainda que tenha extraído novamente grandes atuações, em alguns momentos a troca de cenas e acontecimentos foi acelerada demais. Contudo, o fato de não ser um filme tão profundo acaba por não ser prejudicado por este tipo de situação.
Já o roteiro em si, é recheado de clichês, como toda comédia-romântica. Todos esperavam por um final feliz, que realmente ocorre, sem nenhuma grande surpresa. E ele consegue nos transmitir um pouco da dificuldade em lidar com doenças relacionadas a vícios, dependências e transtornos comportamentais. Logicamente, pelo fato de ser uma comédia, nem ao menos flerta com a realidade desta situação de fato, tratando tudo com muita leveza. Não é um erro ou defeito, apenas uma opção legítima dos produtores e diretores, mas que me conduz ao meu argumento original – estruturalmente, este gênero, neste formato pasteurizado hollywoodiano, acaba sendo limitado.
Apesar destas amargas críticas de minha parte, um filme que me divertiu muito, com uma das melhores cenas sendo a que surge a grande aposta final, em que Tiffany, perante a família, deixa de ser a louca viúva vadia que atrapalha a recuperação de Pat para se tornar a solução para todos os problemas, com base em “sólidos” argumentos sem lógica alguma. Algumas outras cenas, que em um drama tradicional seriam extremamente pesadas, também tornam-se hilárias, como o episódio do livro de Hemingway, as perseguições de Tiffany enquanto Pat tenta correr e os ensaios e danças de ambos, com participação especial de Tucker. O próprio Pat, ao falar constantemente e de forma quase doentia de sua esposa Nikki – uma das responsáveis pelo seu surto, juntamente com a preocupada porém perturbada família, ajuda a criar este clima cômico, visto que seus planos são cada vez mais mirabolantes.

Nota 81/100

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