domingo, 13 de maio de 2012

Avatar

Ficha técnica: Avatar, 2009
Gênero: Aventura, Ação, Fantasia;
Direção: James Cameron. 
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Joel David Moore, Giovanni Ribisi, Wes Studi, Laz Alonso, Dileep Rao. 
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 162 min.
Idioma: Inglês, Espanhol.

      Se você tiver alguns bilhões sobrando, e deseja multiplicá-los, chame James Cameron. Ele sabe como fazer filmes com orçamentos gigantescos obterem bilheterias ainda maiores, mesmo que o filme não seja muito bom. Avatar é esteticamente perfeito – os efeitos especiais são maravilhosos, os cenários criados, cada detalhe minuciosamente pensado e colocado em prática.
     Já com a história e o elenco, a situação muda um pouco de figura. O protagonista não é nem um pouco carismático, não há química entre ele e a história, com os personagens, com nada. Deixou muito a desejar, e talvez sua salvação e a do filme também é que mais da metade do tempo ele estava numa fantasia azul, que talvez tenha atenuado sua inabilidade em produzir qualquer emoção nos espectadores. Já para Zoe Saldana, a situação talvez tenha sido inversa. Caso não passasse o filme inteiro sob os efeitos especiais e a fantasia azul, seus esforços seriam mais reconhecidos. Mas isso não é uma certeza tampouco.
       O elenco de apoio não fez nada por merecer um grande destaque. Weaver trabalhou bem, Michelle Rodriguez fez seu papel de sempre: de Michelle Rodriguez, uma sedutora e perigosa mulher com princípios inabaláveis e atitudes questionáveis. Lang como o coronel está caricato demais, totalmente superficial - mais do que o restante do elenco, que também está totalmente superficial, assim como o próprio filme. Já os que atuaram como conterrâneos da personagem de Saldana são difíceis de analisar.
       A história por sua vez, traz uma mensagem, ou até mais do que uma, que seriam importantes, não fosse o excesso de clichês. A questão do meio ambiente é patente, principalmente a crítica pela busca por petróleo por parte do governo dos EUA. Outra questão presente é a simbologia da colonização, sobre o que foi feito com a América e demais regiões do mundo colonizadas. No entanto, essas críticas são superficiais, e totalmente tomadas pelos clichês e previsibilidade do filme. Um heroi de guerra que chega para estudar o inimigo e acaba por se envolver com eles, apaixonar-se pela mocinha e líder do grupo, e trai seus "irmãos" já está mais do que batido no cinema: Dança com Lobos e O Último Samurai são apenas alguns dos exemplos de filmes melhores com a mesma situação.
      A questão de uma história de amor na guerra também é corriqueira, bem como todo seu desenrolar e a virada final obtida. A divisão maniqueísta entre bem e mal no filme, com o mal encarnado principalmente na pele do coronel, e os interesses do lucro no personagem de Ribisi são por demais exagerados.Militares e grandes corporações, que foram simplesmente vencidas pelos nativos - talvez uma utopia.
      Enfim, um filme com uma mensagem válida, mas que vale muito mais pelos seus efeitos especiais do que por seus questionamentos ou grandes atuações. Outro ponto positivo foi a estréia do 3D, que pelo jeito veio para ficar e engordar diversas bilheterias mundo a fora, algumas fazendo jus ao alarde sobre seus efeitos especiais, outras apenas para aumentar os preços das entradas e engordar a carteira dos produtores.
Nota 70/100

sábado, 12 de maio de 2012

Tão forte e Tão Perto

Ficha técnica: Extremely Loud & Incredibly Close, 2011
Gênero: Drama, Aventura;
Direção: Stephen Daldry.
Elenco: Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max von Sydow, Zoe Caldwell, Viola Davis, Jeffrey Wright, John Goodman. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 129 min.
Idioma: Inglês.

    Os EUA têm uma vasta produção de determinados eventos históricos que marcaram tragicamente sua história: holocausto, Vietnã, Iraque, entre outros. O 11 de setembro é mais um desses eventos. No entanto, como também é uma marca desses eventos, pouquíssimas autocríticas sobre esses eventos são feitas pelos filmes.
      Um dos questionamentos do filme é o motivo do atentado, que não fazem sentido. É uma das questões levantadas pelo protagonista, que perdeu seu pai no terrível dia. Essas atrocidades não são justificáveis, não fazem sentido, mas ao longo da história, estão cada vez mais claras e ao mesmo tempo obscuras. Os autores dos atentados, a maneira como foram planejados, destroços de aviões não encontrados, entre outros pontos, tornam este atentado uma das coisas mais inexplicáveis da história. Mas tomando a história do governo como oficial, também não há este tipo de questionamento por parte do filme.
      As vítimas do atentado foram as pessoas que perderam suas vidas e seus entes queridos, como o filme mostra o sofrimento destes. Mas as instituições estadunidenses não estão isentas de culpa, muito pelo contrário. É isto que muito me incomoda no filme. A história poderia ser sobre qualquer criança que perde seu pai, mas o foco nos atentados enfraquece muito do filme, tentando mostrar a empatia do povo pelos que sofreram com isso.
  Os atores estão muito bem, principalmente os coadjuvantes. O jovem protagonista é sobrecarregado, e talvez por isso o filme não tenha me agradado muito neste aspecto de atuação. Max von Sydow está muito bem, mas seu papel é totalmente inútil. Ele entra e sai do filme, e é como se nada tivesse acontecido, além de sua misteriosa identidade ser totalmente previsível.  Bullock também está muito bem no filme, assim como Hanks. Viola Davis realmente trabalhou muito bem, mostrando a consistência de seus trabalhos recentes, ainda que tenha atuado por pouquíssimo tempo.
     Enfim, um filme sobre uma tragédia, tratada de maneira superficial e parcial, além de não fugir de qualquer lugar comum. Ao meu ver, outro erro foi deixar que o jovem ator Thomas Horn carregasse o filme todo. Mas este filme com certeza caiu no gosto dos estadunidenses, pois uma tragédia tão recente, tratada de maneira humana apesar dos inúmeros defeitos apontados por mim. Eles certamente são simpáticos ao sofrimento dos que perderam entes queridos, e deveriam ser. E isto irá emocioná-los, e o filme provavelmente irá reavivar o sentimento de vítimas e justificar tudo que ocorreu após os atentados. Mas não os levará a questionar que são os verdadeiros culpados por tudo isso.
Nota 48/100

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

Ficha técnica: Hugo, 2011
Gênero: Drama, Aventura;
Direção: Martin Scorsese.
Elenco: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloe Grace Mortez, Sacha Baron Cohen, Helen McCrory, Emily Mortimer, Jude Law, Christopher Lee, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour, Richard Griffiths, Ray Winstone.
País: Estados Unidos.
Tempo: 126 min.
Idioma: Inglês.

         Ao assistir esse filme em casa, eu tive uma grande decepção: não ter conseguido ir vê-lo no cinema, em 3D. O filme é esteticamente perfeito, com cenários de tirar o fôlego mesmo assistindo em casa numa televisão comum. O que dirá na grande tela, com todos os efeitos pensados pelo mestre Scorsese.
         Talvez o melhore filme para família, com um excelente apelo infantil, feito nos últimos anos, se não forem consideradas as animações. O cenário é ótimo, os atores estão excelentes. O protagonista, Asa Butterfield, está ainda melhor do que no Menino do Pijama Listrado; Sacha B. Cohen encontrou um equilíbrio perfeito entre o cômico e caricaturesco e ao mesmo tempo sério e comovente, dando uma paixão irretocável ao filme. Kingsley também está muito bem, e somente Moretz que deixou um pouco a desejar, soando artificial algumas vezes. Os demais coadjuvantes estão excelentes em suas pontas, mesmo que alguns com pouquíssimas falas.
          O roteiro do filme é fantástico, merecendo ainda mais destaque do que o elenco ou efeitos visuais e produção. Em primeiro lugar, a referência ao início do cinema, e principalmente pela homenagem à Georges Méliès, que apesar de quase ninguém conhecer, todos já ouviram falar ou ao menos conhecem sua famosa imagem da lua atingida no olho. A homenagem é linda, e feita de forma um tanto irônica: um filme com todos os recursos disponíveis atuais, utilizando 3D e tudo que tem direito, se referindo e homenageando o início do cinema, inclusive aos inventores que dão nome a este blog.
          Outro ponto apontado, mas pouco explorado pelo filme, são a vida de crianças de ruas, órfãos, e os horrores da guerra. Não acho que o viés do filme deveria abordar a fundo estes aspectos, e por isso apenas essa menção me agradou. Assuntos pesados, que apesar de Scorsese saber lidar com eles muito bem, acabariam mudando o público-alvo. Mas o fato de uma guerra ter acabado com uma arte, a forma como tratamos e enxergamos crianças de rua, além da dificuldade que um órfão enfrenta estão todos presentes de forma latente no filme. E nada no filme nos impede, na verdade me estimulou, a pensar profundamente sobre essas questões.  
Interessantes também foram as disputas na temporada de premiações do cinema, estadunidense principalmente, entre Hugo e O Artista. Hugo nos traz uma referência ao cinema em sua época que era talvez a mais pura no sentido de arte, em que a criatividade de todos envolvidos na produção de um filme deveria aflorar de maneira muito forte, nada parecido com o que temos hoje. A curiosidade de hoje é que os recursos hoje talvez limitem muitas de nossas possibilidades, também as expandem simultaneamente. Mas é uma forma diferente, talvez mais afastada de um conceito de arte do período moderno. E mesmo assim, Scorsese fez desse filme uma obra de arte.
Nota 91/100

domingo, 6 de maio de 2012

Os Vingadores

Ficha técnica: The Avengers, 2012
Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura;
Direção: Joss Whedon.
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Gwyneth Paltrow, Stellan Skarsgård, Paul Bettany.
País: Estados Unidos.
Tempo: 142 min.
Idioma: Inglês.

     Para os fãs dos filmes da Marvel, o filme com certeza agradou. Ao mesmo estilo do Homem de Ferro, Capitão América e Thor, o filme conta com excelentes efeitos especiais e muita ação. É muito dinâmico, em que tudo acontece muito rápido, e a única coisa que o filme tem mais do que cenas de ação são as piadas.
      Os atores são bem carismáticos, e essa megaprodução, apesar de provavelmente quebrar muitos recordes de bilheteria, não chegou perto de superar os filmes do Batman dirigidos por Christopher Nolan. As piadas constantes tiram muito da pouca seriedade que o filme possui, além de ser totalmente maniqueísta na divisão entre o bem e o mal, e recheado de clichês.
      Os efeitos em 3D realmente me agradaram, e apesar do roteiro fraco e previsível, o diretor encontrou um bom equilíbrio entre os heróis do filme, todos compartilhando o centro das ações. Para aqueles que já haviam assistido aos filmes anteriores dos super-heróis, acredito não haver grande surpresas, mas tampouco saíram decepcionados. As minhas expectativas foram atendidas, mas elas eram incrivelmente baixas. Ao menos o filme foi melhor do que as historias individuais de cada um, com exceção do Hulk.

Nota 56/100

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Jogos Vorazes

Ficha técnica: The Hunger Games, 2012
Gênero: Ação, Ficção Científica, Drama;
Direção: Gary Ross.
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Wes Bentley, Woody Harrelson, Stanley Tucci, Elizabeth Banks, Lenny Cravitz, Amanda Stlenberg, Donald Sutherland, Liam Hemsworth.
País: Estados Unidos.
Tempo: 142 min.
Idioma: Inglês.

            Minha tendência é não criar grandes expectativas de blockbusters como este, e isso contribuiu um pouco para que eu aproveitasse o filme. A direção não é das melhores, o modo de mover (sem parar) a câmera do diretor não me agradou, e se ele tentou afirmar alguma coisa ou transmitir algo a mais, creio que falhou miseravelmente. Os atores, apesar de não trabalharem de maneira excepcional, cumprem muito bem os seus papeis, e não comprometem o filme. Jennifer Lawrence está bem no filme, mas longe de sua excelente atuação em Inverno da Alma, talvez pelo próprio estilo de filme.
             Espera-se muita ação e pouco enredo de filmes como esse, mas a ação não começa de forma imediata no filme. Entretanto, a história possui um potencial excelente para ser desenvolvido, em diversos aspectos trazidos pelo filme. Repressão, escravidão, violência como entretenimento, rebelião, ditaduras, reality show, entre outros aspectos, estão presentes no filme.
            Entretanto, talvez pelo objetivo do filme, que em última instância é o máximo de lucro possível, a maior parte deste potencial não foi desenvolvida. Talvez o livro aborde esses assuntos de maneira mais madura; mas para permitir que a faixa etária do filme incluísse adolescentes, mesmo as cenas de violência foram contidas. Apesar de mais tênues, só o fato de adolescentes estarem matando uns aos outros ao vivo em rede nacional não pode ser totalmente ignorado.
            Os jogos em si também perdem um pouco sua cara de vorazes em determinados momentos, e passam a ser mais como uma gincana algumas vezes. Enfim, um filme bom como entretenimento, e que se os próximos forem desenvolvidos com mais profundidade e maturidade, poderão ser muito melhores. Mas uma troca na direção seria muito bem-vinda.
Nota 70/100

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Pele que Habito

Ficha técnica: La Piel que Habito, 2011
Gênero: Suspense, Drama;
Direção: Pedro Almodóvar.
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Blanca Suárez, Roberto Álamo, Susi Sánchez.
País: Espanha.
Tempo: 117 min.
Idioma: Espanhol.

    Os filmes de Almodóvar têm a característica de nos trazer questões delicadas, que a maioria dos cineastas evita tocar, e “A Pele que Habito” não foge à regra. Neste filme, temas atuais como bioética, sexualidade e a ciência nos saltam aos olhos. Ouso dizer que este filme talvez esteja no mesmo nível de seu melhor trabalho na minha opinião, “Fale com ela”.
     Almodóvar trabalha de maneira excepcional a não-linearidade do filme. Já vimos muitos diretores usarem este artifício de maneira péssima ou caírem no ordinário, mas este não foi o caso. No momento em que ele começa a nos mostrar o passado, já temos uma opinião em formação sobre os personagens, e essas reviravoltas inesperadas é que fazem o filme ser tão bom.
     Além dos temas polêmicos apresentados, também há uma excelente mistura de gêneros, principalmente o “horror”, mesmo sem um único grito e com pouco sangue – utilizando muito bem os símbolos que já estão associados ao gênero na nossa mente, associados a pesadas cenas. As atuações são muito boas, apesar de não serem tão impactantes quanto o filme em si. 
A questão da bioética realmente é muito importante, e o filme não nos traz nenhuma resposta definitiva, apenas apresenta uma perspectiva. Obviamente que não defendo o sequestro e o cárcere privado, mas isso só nos mostra os extremos que a ciência e as pessoas alcançam. Em muitos momentos encontrei alguma semelhança com O Segredo dos seus Olhos ou Oldboy, mas na verdade é diferente de ambos. A grande revelação sobre o passado de Vera, e o fato de o médico Roberto estar se envolvendo com ela são realmente chocantes para diversos padrões.
   A mescla que se faz no filme entre ciência e vingança, o super-envolvimento emocional com o objeto do cientista é excelente. A contradição do ser humano, totalmente presente nos dois protagonistas também é excelente: a capacidade de amar e odiar em níveis extremos, e de como é complicado definir indivíduos por apenas determinadas ações.
    Se formos debater todas as polêmicas e ideias do filme, a discussão seria infinita. Enfim, este é um filme excelente que nos faz questionar inúmeros aspectos de nossa vida social, direitos, paradigmas éticos, científicos, entre outros. Um dos melhores filmes de Almodóvar com certeza, mas que talvez para vê-lo precisamos ao menos de uma autocrítica e uma mínima consciência de nossos preconceitos.
            Nota 92/100

sábado, 21 de abril de 2012

O Aviador

Ficha técnica: The Aviator, 2004
Gênero: Biografia, Drama;
Direção: Martin Scorsese.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Kate Beckinsale,
Alec Baldwin, John C. Reilly, Alan Alda, Ian Holm, Gwen Stefani, Matt Ross, Danny Huston, Jude Law.
País: Estados Unidos e Alemanha.
Tempo: 170 min.
Idioma: Inglês.

      Quando falamos em Martin Scorsese, um dos maiores diretores que Hollywood já produziu, e talvez o maior dos que ainda dirigem, sempre podemos colocar nossas expectativas nos níveis mais elevados. O Aviador, apesar de não estar entre os melhores filmes do diretor, ainda é um excelente filme.
     Talvez um pouco confuso, mas se tratando de Howard Hughes, isto seja até compreensível. Um filme que explicasse toda sua vida e personalidade de maneira objetiva e clara seria péssimo em razão desta pretensão. As cenas de seus momentos bizarros e tiques, intercaladas com seus momentos de brilhantismos são ótimas. Outro ponto alto são os testes com os aviões e os vôos em si, cenas muito bem dirigidas e produzidas.
        O filme passa por vários aspectos da vida de Hughes, seu envolvimento com o cinema e as atrizes, seus momentos de insanidade e paranoia, sua relação com seus funcionários, a disputa entre a TWA e Pan Am, a audiência pública após a Segunda Guerra Mundial e a construção do navio voador Hércules. Uma leve tentativa de explicar seus toques com limpeza e outros distúrbios foi feita, ao criar uma relação um tanto freudiana com sua mãe quando criança, e que a meu ver poderia ser cortada do filme. Este é o ponto baixo do longa de mais de duas horas.
      As luta contra o monopólio da Pan Am nos vôos para a Europa e os investimentos feitos pelos EUA na indústria militar durante as guerras retratam de maneira interessante a sociedade estadunidense. Apesar de não ser esse o foco do filme, os pontos levantados podem nos fazer questionamentos interessantes e reveladores.
        Apesar de esse não ser o melhor filme de Scorsese, talvez seja o melhor de DiCaprio em termos de atuação. Ele carrega muito bem o filme, e toda vez que se junta a Scorsese, podemos sempre esperar algo excelente. Talvez a única crítica que cabe aqui é que mais ao final do filme, quando se esperava um Hughes mais maduro, ele ainda parecia um menino que se divertia com sua fortuna, ainda que tenha demonstrado mais seriedade em determinados momentos. Mas talvez esse fosse um pouco do verdadeiro Howard, por isso considero a atuação de DiCaprio impecável.
     Os coadjuvantes também estão excelentes: Blanchett como Katherine Hepburn está excelente em cada minuto na tela, e mesmo Beckinsale nos surpreende com sua atuação. Reilly, Baldwin e Alda estão todos muito bem também. Um elenco excelente, em que o diretor possibilitou que cada um nos proporcionasse o melhor de seu trabalho.
    Um filme que apesar de enaltecer muitas das qualidades de Hughes, não o pinta apenas como um santo e gênio. Podemos ver também a maneira como ele lidava com as mulheres e o fato de que apesar de toda sua genialidade, se não fosse pelo dinheiro herdado, muitas de suas atitudes nobres e de suas loucuras não seriam possíveis.

Nota 86/100

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sete Dias com Marilyn

Ficha técnica: My Week with Marilyn, 2011
Gênero: Biografia, Drama;
Direção: Simon Curtis
Elenco: Michelle Williams, Eddie Redmayne, Kenneth Branagh, Julia Ormond, Judi Dench, Emma Watson, Toby Jones, Dominic Cooper
País: Estados Unidos e Reino Unido.
Tempo: 99 min.
Idioma: Inglês.

       Marilyn Monroe foi uma das mais famosas e polêmicas atriz de Hollywood. Este filme nos mostra os dias em que Monroe foi à Inglaterra para contracenar com Laurence Olivier no filme O Príncipe Encantado, que também é produzido e dirigido por ele.
       Quando falamos de Marilyn Monroe, surgem diversas opiniões. O filme, a princípio, nos traz uma Marilyn um tanto egocêntrica, irresponsável e de questionável capacidade para atuar. Seus atrasos, falas não decoradas e arrogância forma uma imagem inicial muito negativa dela. Entretanto, ao longo do filme, temos outras características realçadas: manipuladora, carente, depressiva, atenciosa, instável, etc. Desta maneira, o filme tenta não se apoiar de maneira definitiva em nenhuma opinião, apesar de construir uma primeira imagem da atriz e depois questioná-la.
       Obviamente, o filme encara a situação sob a percepção de Colin Clark, que era um diretor assistente iniciante e de acordo com seus escritos, passou uma semana com Marilyn, enquanto seu marido a deixou na Inglaterra. Olivier, apesar de todo seu conhecimento sobre cinema e dedicação ao filme, também é mostrado muito arrogante em certas horas, talvez até de maneira despretensiosa pelo filme.
        As atuações de Michelle Williams e Kenneth Branagh estão excelentes. Eddie Redmayne, apesar de não comprometer, acaba um tanto apagado entre os dois atores, e não revelou muita química com Williams, apesar de isso ter inclusive dado um significado diferente e talvez até mais interessante para a trama. Judi Dench faz uma excelente ponta, e como sempre, rouba a atenção em todas as cenas em que aparece. Emma Watson também aparece pouco mas bem no filme, apesar de tampouco revelar muita química com Redmayne. Mas pelo menos conseguiu uma atuação boa num filme bom após o fim da saga Harry Potter, o que nos mostra que sua carreira deve continuar firme.  
         Um filme que tenta nos mostrar diferentes aspectos da personalidade de Marilyn Monroe, mas sem fazer juízo de valor e sem enfatizar demais apenas um destes aspectos. Um excelente filme como entretenimento, mas sem grandes revelações e nada de muito impacto ou reflexão.
Nota 76/100

sábado, 14 de abril de 2012

Patton - Rebelde ou Herói?

Ficha técnica: Patton, 1970
Gênero: Guerra, Biografia, Drama;
Direção: Franklin J. Schaffner
Elenco: George C. Scott, Karl Malden.
País: Estados Unidos.
Tempo: 172 min.
Idioma: Inglês, Francês, Alemão.

       O aclamado filme sobre o controverso general George Patton Jr. me agradou muito e me fez refletir sobre alguns aspectos das guerras e suas hipocrisias e absurdos. O general em questão é tratado como louco ou insano, mas considerado um dos melhores militares dos EUA durante o conflito. Ao mesmo tempo, ele tenta se afastar da política, numa ingenuidade que acima dos generais, as guerras são feitas pelos políticos.
      O filme nos mostra algum dos horrores da guerra (desrespeito pela vida humana acima de tudo, neste caso), como não poderia deixar de mostrar, apesar de não ser este o foco. Os holofotes estão sobre Patton, suas declarações e atitudes polêmicas, e as controvérsias com os demais militares.
       Se as falas e situações mostradas são reais ou não, será impossível termos certeza acerca de tudo. Entretanto, ele é uma pessoa que comporta infinitas idiossincrasias, assim como a guerra. Ao mesmo tempo que os generais o punem por tratar mal um soldado, os mesmos generais tratam seus soldados como número durante todas as guerras.
A desculpa utilizada para não se glorificar Patton é sua irreverência e atitudes polêmicas, mas o filme as traz como, apesar de algum egocentrismo por parte dele, muito objetivas e bem estruturadas. A história nos faz criar uma simpatia pelo personagem, talvez inclusive com uma visão romântica de um comandante patriota e de reputação ilibada, encarando toda a situação de suas controversas atitudes de maneira ingênua, apenas como um incompreendido – não há nenhum questionamento mais sério sobre seus altos e baixos dentro do exército; mas tampouco há qualquer tomada de posição questionando a mesma atitude do exército. Um filme patriota ao extremo, inclusive com uma certa arrogância até mesmo com relação aos países aliados e à Inglaterra, e que fica em cima do muro nas questões internas.
         Outro ponto em que o filme deixou a desejar é o fato de não mostrarem a história de Patton antes da Segunda Guerra, em que ele realmente fazia o que pregava: ser duro nas batalhas - isso não era algo da boca pra fora, visto que durante a Primeira Guerra lutou até desmaiar por perder sangue durante uma batalha. Não estou defendendo sua postura, mas a construção e contextualização do personagem é essencial para que ele realmente não pareça um louco. 
A atuação de Scott é excelente, ajudada pela semelhança física dele com o verdadeiro Patton. A trilha sonora e efeitos do filme é excelente, e as cenas de batalhas muito bem trabalhadas, fazendo um bom retrato da guerra.
Nota 88/100

domingo, 1 de abril de 2012

J. Edgar

Ficha técnica: J. Edgar, 2011
Gênero: Drama;
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Leonardo DiCaprio, Armie Hammer, Judi Dench, Naomi Watts, Josh Lucas.
País: Estados Unidos.
Tempo: 137 min.
Idioma: Inglês. 

      Este longa-metragem criou em mim grandes expectativas: direção de Clint Eastwood e Leonardo DiCaprio como protagonista, no papel de J. Edgar Hoover – me parecia uma combinação perfeita. Confesso que o filme me decepcionou.
    O filme veio com uma ótica um pouco diferente da qual eu esperava, talvez pelo fato de ser apenas um recorte da vida dele, afinal, somente o FBI ele comandou por 48 anos, e tudo não caberia num único filme de pouco mais de duas horas.
        Entretanto, o filme gira em torno da relação (um tanto freudiana) de Hoover com sua mãe, de sua sexualidade reprimida e sua paranoia por aparência e grandeza. Muita coisa já foi falada sobre os métodos que Hoover utilizava enquanto comandava a organização, através de chantagens, grampos ilegais, espionagem, ignorando direitos humanos e civis, entre outras violações.
          Apesar de não trazer grandes novidades sobre sua personalidade, o filme foca em sua vida pessoal, e sua relação de amor reprimido com seu amigo e parceiro, segundo em comando, Clyde Tolson. A relação com sua secretária Helen Gandy (Naomi Watts), fiel segredo de seus arquivos pessoais, após o pedido de casamento, passou despercebida no restante do filme.
        As atuações foram boas, DiCaprio esteve um pouco abaixo de sua média, mas as de Judi Dench (mãe de Hoover) e Armie Hammer (Clyde Tolson) foram muito bem executadas. A maquiagem, no entanto, estava péssima – Watts e Hammer pareceriam ter saídos de um filme de terror, embora no caso de DiCaprio, ela estivesse um pouco melhor, ou talvez menos assustadora. 
       A sexualidade reprimida foi o centro do filme, talvez por isso levou Hoover, na lógica do filme, a perder a confiança nas pessoas. As acusações sofridas dele não participar das ações em campo não justificavam, pois afinal, ele era o cérebro não das operações, mas de toda a instituição, e não havia necessidade de também fazer este trabalho; entretanto, tampouco deveria mentir e fantasiar sobre suas histórias.
        Enfim, o filme está longe dos melhores de Clint e de DiCaprio, e apesar de não fazer nem mesmo uma crítica mais severa a tudo que envolveu a criação do FBI e os métodos utilizados por Hoover, faz uma abordagem interessante.
Nota 78/100