sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

Ficha técnica: Hugo, 2011
Gênero: Drama, Aventura;
Direção: Martin Scorsese.
Elenco: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloe Grace Mortez, Sacha Baron Cohen, Helen McCrory, Emily Mortimer, Jude Law, Christopher Lee, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour, Richard Griffiths, Ray Winstone.
País: Estados Unidos.
Tempo: 126 min.
Idioma: Inglês.

         Ao assistir esse filme em casa, eu tive uma grande decepção: não ter conseguido ir vê-lo no cinema, em 3D. O filme é esteticamente perfeito, com cenários de tirar o fôlego mesmo assistindo em casa numa televisão comum. O que dirá na grande tela, com todos os efeitos pensados pelo mestre Scorsese.
         Talvez o melhore filme para família, com um excelente apelo infantil, feito nos últimos anos, se não forem consideradas as animações. O cenário é ótimo, os atores estão excelentes. O protagonista, Asa Butterfield, está ainda melhor do que no Menino do Pijama Listrado; Sacha B. Cohen encontrou um equilíbrio perfeito entre o cômico e caricaturesco e ao mesmo tempo sério e comovente, dando uma paixão irretocável ao filme. Kingsley também está muito bem, e somente Moretz que deixou um pouco a desejar, soando artificial algumas vezes. Os demais coadjuvantes estão excelentes em suas pontas, mesmo que alguns com pouquíssimas falas.
          O roteiro do filme é fantástico, merecendo ainda mais destaque do que o elenco ou efeitos visuais e produção. Em primeiro lugar, a referência ao início do cinema, e principalmente pela homenagem à Georges Méliès, que apesar de quase ninguém conhecer, todos já ouviram falar ou ao menos conhecem sua famosa imagem da lua atingida no olho. A homenagem é linda, e feita de forma um tanto irônica: um filme com todos os recursos disponíveis atuais, utilizando 3D e tudo que tem direito, se referindo e homenageando o início do cinema, inclusive aos inventores que dão nome a este blog.
          Outro ponto apontado, mas pouco explorado pelo filme, são a vida de crianças de ruas, órfãos, e os horrores da guerra. Não acho que o viés do filme deveria abordar a fundo estes aspectos, e por isso apenas essa menção me agradou. Assuntos pesados, que apesar de Scorsese saber lidar com eles muito bem, acabariam mudando o público-alvo. Mas o fato de uma guerra ter acabado com uma arte, a forma como tratamos e enxergamos crianças de rua, além da dificuldade que um órfão enfrenta estão todos presentes de forma latente no filme. E nada no filme nos impede, na verdade me estimulou, a pensar profundamente sobre essas questões.  
Interessantes também foram as disputas na temporada de premiações do cinema, estadunidense principalmente, entre Hugo e O Artista. Hugo nos traz uma referência ao cinema em sua época que era talvez a mais pura no sentido de arte, em que a criatividade de todos envolvidos na produção de um filme deveria aflorar de maneira muito forte, nada parecido com o que temos hoje. A curiosidade de hoje é que os recursos hoje talvez limitem muitas de nossas possibilidades, também as expandem simultaneamente. Mas é uma forma diferente, talvez mais afastada de um conceito de arte do período moderno. E mesmo assim, Scorsese fez desse filme uma obra de arte.
Nota 91/100

Nenhum comentário:

Postar um comentário