segunda-feira, 21 de maio de 2012

50%

Ficha técnica: 50/50, 2011
Gênero: Drama, Comédia;
Direção: Jonathan Levine. 
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen, Anna Kendrick, Bryce Dallas-Howard, Anjelica Huston, Serge Houde, Matt Frewer, Philip Baker Hall. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 100 min.
Idioma: Inglês.

    Uma comédia sobre câncer sempre vai lidar com temas que estão extremamente distantes do que podemos considerar cômico, e por isso esse é um filme ousado. Apesar da ousadia, não é totalmente original – comédias sobre situações trágicas, como doenças, também são comuns.
      O filme traz muitos das dificuldades enfrentadas por pacientes que sofrem com câncer, principalmente os danos psicológicos causados pela doença. E mesmo assim, ele o faz rir em diversos momentos. Há um excelente equilíbrio entre os momentos de drama e comédia, e este talvez seja um dos dois pontos mais fortes do filme.
O outro aspecto positivo é a atuação de Joseph Gordon-Levitt. Apesar de um bom elenco de apoio, ele é o centro do filme, e que o carrega de maneira agradável para o espectador, mesmo um tema denso como o nele tratado. As dificuldades de aceitação da doença, de conviver com ela, e principalmente de seus parentes e amigos mais próximos lidarem com isso foram muito bem apresentadas. Não há formula para casos assim, cada pessoa lida de uma maneira, com um determinado contexto, e o filme não tenta apresentar qualquer forma fixa. E sob esta ótica, foi muito interessante o que nos mostrou – a maior dificuldade de lidar com a situação foram para os amigos e parentes. 
O fato de sua namorada o trair e o largar enquanto enfrentava a doença talvez seja mais comum em casos como este do que imaginamos, e nos faz criar uma simpatia ainda maior pelo personagem principal. A difícil relação com mãe também nos mostra que nem sempre, em casos graves como este, pequenas coisas sejam facilmente superadas. Já as conseqüências físicas do tratamento da doença, ao meu ver foram atenuadas, principalmente num caso tão grave como o dele. Mas isso não tira a qualidade do filme, e talvez até tenha sido necessária para manter o estilo cômico.
      Howard também está muito bem no filme, e na minha opinião, a melhor coadjuvante ao lado de Kendrick. Esta fez uma papel parecido com o seu em Amor sem Escalas – uma recém-formada promissora lidando com uma situação que ela deveria estar preparada para enfrentar, mas descobre não estar. Rogen e Huston estão um tanto caricatos ao meu ver, mas não comprometem o filme – e ele ainda nos faz rir bastante. Uma menção honrosa aos dois atores que fizeram os companheiros de quimioterapia, nos proporcionando excelentes momentos.
        Um tema delicado trazido pelo filme, e que ao meu ver lhe conta pontos positivos, foi a questão das drogas – mais especificamente a maconha. Na minha interpretação, o filme faz uma ligeira defesa da legalização da maconha, pois nos mostra como os doentes a utilizaram de maneira positiva e saudável, na medida do possível. Se ela realmente faz bem em alguns casos, é uma extensa discussão, com divergentes opiniões, mas é bom nos fazer pensar realmente sobre este fato.
       Outro aspecto que me agradou foi o fato de sua terapia ter sido um completo desastre – com exceção dos momentos em que, ao invés de agir como terapeuta, a personagem de Kendrick era uma amiga. Não sei se foi essa a intenção do diretor, mas me fez pensar em até que ponto essas ajudas distantes e sem ligação alguma podem realmente ajudar. Um bom filme, que apesar de simples, me agradou e me surpreendeu por me levar a alguns questionamentos.
Nota 81/100

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