Ficha técnica: Doctor Zhivago, 1965
Gênero: Drama, Romance, Guerra;
Direção: David Lean.
Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Alec Guinness, Rod Steiger, Tom Courtenay, Jeffrey Rockland.
Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Alec Guinness, Rod Steiger, Tom Courtenay, Jeffrey Rockland.
País: Estados Unidos, Itália.
Tempo: 197 min.
Idioma: Inglês e Italiano.
David Lean é daqueles diretores que produzem épicos
do cinema – grandes orçamentos, produção luxuosa. Um precursor talvez de
Spielberg ou Cameron. Este filme, que tem mais de três horas de duração, talvez seja sua maior produção. A fotografia do filme é fantástica, bem como as paisagens; a trilha sonora é linda, grandes atores – enfim, todos os elementos de uma grande
produção tecnicamente perfeita de Hollywood.
Já a história em si,
nos lembra um pouco filmes como Casablanca
e E o vento levou..., grandes
histórias de amor em tempos de difíceis de guerra. Mas obviamente, tem sua
originalidade, pois o pano de fundo da participação russa na I Guerra Mundial e
a subseqüente revolução no país era um tema (e talvez ainda o seja) pouco
retratado no cinema ocidental.
A história, no
entanto, toma um claro posicionamento político anti-bolchevique. Mostra muitas
das atrocidades e violência do regime, mas tampouco é favorável ao czarismo,
pois nos foi mostrado no início do filme a repressão sanguinolenta da polícia
contra os pacíficos manifestantes. Apesar da impressão de que o regime
bolchevique levou o país a miséria, não foi isso que ocorreu, e se for prestada
a devida atenção ao filme, podemos perceber que a vida na Rússia já era muito
difícil antes, e o próprio envolvimento na guerra com a Alemanha é questionável
(envolvimento este que foi uma decisão do governo czarista).

Omar Sharif está
muito bem no filme, bem como Christie, Chaplin, Steiger, Guinness e os demais
atores. A sua grande incerteza durante o filme é que o guia, além de suas
convicções políticas e tentativas por parte do governo de suprimir a
individualidade do país – talvez a crítica mais feroz do filme. E por isso é
que ele sai retratado como heroi – afinal, manteve sua individualidade até o
final. Essa posição agradaria inclusive aos espectadores mais conservadores,
que poderão ignorar facilmente o fato de ele ter traído a esposa que estava
grávida.
Enfim, um filme que poderia ter seu tempo reduzido –
mesmo com as maravilhosas paisagens e uma excelente história, as mais de três
horas me pareceram um exagero. Não devemos encarar o filme como a pura verdade
sobre o regime bolchevique, mas podemos observar a fragilidade do ser humano em
grandes acontecimentos históricos – guerras, revoluções, etc. Acima de tudo, um
clássico do cinema que deve ser visto, respeitado, ainda que possa e ao meu ver
deva ser criticado.
Nota 84/100
Nenhum comentário:
Postar um comentário