terça-feira, 22 de maio de 2012

Doutor Jivago

Ficha técnica: Doctor Zhivago, 1965
Gênero: Drama, Romance, Guerra;
Direção: David Lean. 
Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Alec Guinness, Rod Steiger, Tom Courtenay, Jeffrey Rockland. 
País: Estados Unidos, Itália.
Tempo: 197 min.
Idioma: Inglês e Italiano.

      David Lean é daqueles diretores que produzem épicos do cinema – grandes orçamentos, produção luxuosa. Um precursor talvez de Spielberg ou Cameron. Este filme, que tem mais de três horas de duração, talvez seja sua maior produção. A fotografia do filme é fantástica, bem como as paisagens; a trilha sonora é linda, grandes atores – enfim, todos os elementos de uma grande produção tecnicamente perfeita de Hollywood.
       Já a história em si, nos lembra um pouco filmes como Casablanca e E o vento levou..., grandes histórias de amor em tempos de difíceis de guerra. Mas obviamente, tem sua originalidade, pois o pano de fundo da participação russa na I Guerra Mundial e a subseqüente revolução no país era um tema (e talvez ainda o seja) pouco retratado no cinema ocidental.
       A história, no entanto, toma um claro posicionamento político anti-bolchevique. Mostra muitas das atrocidades e violência do regime, mas tampouco é favorável ao czarismo, pois nos foi mostrado no início do filme a repressão sanguinolenta da polícia contra os pacíficos manifestantes. Apesar da impressão de que o regime bolchevique levou o país a miséria, não foi isso que ocorreu, e se for prestada a devida atenção ao filme, podemos perceber que a vida na Rússia já era muito difícil antes, e o próprio envolvimento na guerra com a Alemanha é questionável (envolvimento este que foi uma decisão do governo czarista).
       As críticas ao regime dos bolcheviques talvez estejam exageradas em alguns momentos, mas são válidas e não podem ser ignoradas. O que talvez tenha faltado foi uma discussão ou análise um pouco mais profunda do contexto histórico, visto que o filme teria condições de realizar isso nas mais de três horas de história. Mas independente da opinião política do diretor, o filme possui um roteiro bem amarrado, que lhe garante uma boa consistência.
       Omar Sharif está muito bem no filme, bem como Christie, Chaplin, Steiger, Guinness e os demais atores. A sua grande incerteza durante o filme é que o guia, além de suas convicções políticas e tentativas por parte do governo de suprimir a individualidade do país – talvez a crítica mais feroz do filme. E por isso é que ele sai retratado como heroi – afinal, manteve sua individualidade até o final. Essa posição agradaria inclusive aos espectadores mais conservadores, que poderão ignorar facilmente o fato de ele ter traído a esposa que estava grávida.
       Enfim, um filme que poderia ter seu tempo reduzido – mesmo com as maravilhosas paisagens e uma excelente história, as mais de três horas me pareceram um exagero. Não devemos encarar o filme como a pura verdade sobre o regime bolchevique, mas podemos observar a fragilidade do ser humano em grandes acontecimentos históricos – guerras, revoluções, etc. Acima de tudo, um clássico do cinema que deve ser visto, respeitado, ainda que possa e ao meu ver deva ser criticado.
Nota 84/100

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