quarta-feira, 16 de maio de 2012

Closer - Perto Demais

Ficha técnica: Closer, 2004
Gênero: Drama, Romance;
Direção: Mike Nichols. 
Elenco: Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen, Natalie Portman. 
País: Estados Unidos, Reino Unido.
Tempo: 104 min.
Idioma: Inglês.

    Este é mais um tiro certeiro de Mike Nichols. Um filme excelente, e o excelente e reduzido elenco é uma de suas melhores armas, pois há como trabalhar a profundidade dos quatro protagonistas da história e de como se relacionam.
    Os atores estão ótimos. Evidentemente, Natalie Portman rouba a cena, mas seu papel lhe possibilita esta atuação mais forte, assim como Clive Owen, que talvez tenha feito deste seu melhor trabalho até agora, mesmo não sendo seu melhor filme (Sin City torna a escolha difícil). Julia Roberts está muito bem no papel, totalmente adequada ao personagem. Law também faz um excelente trabalho. É também pela atuação destes quatro que o filme é tão bom, pois exige muito deles. Os diálogos são excelentes, com os tons de humor e agressividade exatos, talvez uma característica inerente de uma boa peça de teatro, que deve ser imprescindivelmente aproveitada quando adaptada ao cinema.
     O filme nos mostra os casais que se conheceram de forma inusitada, e têm muita intimidade na relação, ao falar abertamente de sexo e sentimentos. No entanto, ao longo do filme, vão aparecendo mentiras, traições, desinteresse, mágoas, desrespeito, entre outros problemas da vida conjugal. A visão de ser humano apresentada no filme é bem negativa, e o que talvez torne o filme um tanto perturbador é a aparente proximidade com a nossa realidade.
  Os personagens vão tendo seu caráter, moral e dignidade destruídos ao longo dos relacionamentos, ao menos para os padrões de nossa sociedade ocidental. Os aparentemente adultos e maduros casais agem de maneira cada vez mais imatura e hipócrita a cada ataque que sofrem em seus egos infantis. Ao final, os dois “largados” no meio da trama acabam saindo por cima, mas talvez a única pessoa que termina o filme com dignidade seja Alice (Portman) – ou Jane Jones – uma dignidade possível para quem passou por tantas mágoas e humilhações. Justamente aquela que tinha a profissão moralmente condenável pela nossa sociedade, aquela que não tinha estudo ou ambições profissionais.
     O desfecho do filme é realmente excelente, quando Dan (Law) descobre que nem o verdadeiro nome daquela que ele julgava amar e conhecer tão profundamente ele realmente sabia – não que isso tivesse a menor importância. Todos ali aparentemente buscavam a felicidade, mas não sabiam lidar com ela, ou mesmo a reconheciam quando estavam em sua presença. E nessa busca, ironicamente acabaram infelizes. Mas o filme também nos mostra que essa sensação não deve necessariamente durar para sempre, assim como qualquer outro sentimento.

Nota 89/100

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