quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Separação

Ficha técnica: Jodaeiye Nader az Simin, 2011
Gênero: Drama;
Direção: Asghar Farhadi. 
Elenco: Peyman Moadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Merila Zarae'i, Ali-Asghar Shahbazi, Babak Karimi, Kimia Hosseini. 
País: Irã.
Tempo: 123 min.
Idioma: Persa.

     Ao contrário do que se espera de um filme iraniano, A Separação busca retratar problemas que por ele são considerados comuns a muitas famílias, de diversos lugares no mundo. O longa não traz as questões políticas e sócio-religiosas que envolvem o Irã como centro do filme, e sim os problemas de duas famílias – um casal burguês que está em meio ao processo de divórcio e um outro casal, mais simples, que estão passando por dificuldades financeiras enquanto aguardam o nascimento do novo filho.
     O diretor conduz o filme de maneira brilhante, com tomadas de câmeras muito interessantes, nos colocando a cada momento sob uma diferente ótica, assim como o roteiro o faz. Ao discutir a emigração do casal que está se divorciando, ele não toma partido, apontando apenas os desejos de uma pessoa deixar o país, enquanto outra quer ficar. A própria esposa afirma ser o marido um bom homem, mas não quer continuar a viver no país, sendo esse o motivo da separação. Assim, ele apresenta as dificuldades do cotidiano do matrimônio, muito similares às retratadas por filmes ocidentais.
        Essa semelhança é muito boa para quebrar o estereótipo criado sobre o Irã – que é apresentado na mídia como um país fechado, sem liberdades, repressor, composto por fanáticos. O elenco é impecável, e mesmo sem entender uma única palavra do filme, os atores conseguem te envolver de maneira forte e surpreendente.
A trama se desenvolve após a saída da mulher Simin (Leila Hatami) da casa, pois para cuidar do pai, que sofre de Alzheimer, o marido Nader (Peyman Moadi) contrata Razieh (Sareh Bayat). Esta está grávida e com o marido (Shahab Hosseini) passando por dificuldades financeiras, e por isso aceita o trabalho sem contar para o companheiro.
Após um infortúnio, Razieh perde a criança, e acusa Nader de ser o responsável, pois este a expulsou de casa após descobrir que a mulher havia deixado o seu pai amarrado sozinho na cama e saído. A questão é levada a justiça, o que ao invés de contribuir para a solução do problema, talvez tenha somente agravado a situação. Paradigmas e valores de ambas as famílias vêm à tona no filme, como honra, religião, valores matrimoniais, dentre outros.
      Assim, o espectador se encontra dividido entre o sofrimento das famílias, numa situação em que certamente não há alguém totalmente errado; em que é difícil encontrar um culpado. Mas mesmo assim, a lei e o sistema acabam por prejudicar todas as famílias – e vale ressaltar que esse sistema e a lei não são exclusivos do Irã, e sim uma situação possível nas sociedades Ocidentais. A verdade pura não é revelada em momento algum – uma virtude do filme. Não é possível fazer uma divisão maniqueísta das personagens.
       Termeh (Sarina Farhadi), filha de Nader e Simin, também acaba por enfrentar situações muito além de sua maturidade, como a escolha entre ficar com o pai no país ou abandonar tudo para ir com a mãe ao exterior, mentir perante o juiz para defender o pai, e mesmo decidir sobre o fato de Nader ser ou não culpado pelo aborto de Razieh. Um ótimo filme, que além de nos trazer uma trama muito humana, contribui para acabar com muitos estereótipos, não somente sobre a sociedade iraniana, mas como divisões maniqueístas sobre o certo e errado. Além disso, também nos traz de pano de fundo uma luta de classes, que engrandece ainda mais o filme. 
Nota 97/100

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