quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cavalo de Guerra

Ficha Técnica: War Horse, 2011
Gênero: Drama, Guerra.
Direção: Steve Spielberg.
Elenco: Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Celine Buckens, Benedict Cumberbatch, Leonard Carow, David Kross, Robert Emms, Matt Milne, Eddie Marsan.
País: Estados Unidos, Índia.
Tempo: 146 min.
Idioma: Inglês. 

    Ao meu ver, Spielberg é um diretor superestimado em Hollywood. Ainda que seja um ótimo diretor, tem um ótimo tato para bilheteria, megaproduções e filmes de puro entretenimento, não podemos colocá-lo ao lado de diretores como Kubrick ou Scorsese. 
      Cavalo de Guerra é um filme razoável, ainda que seja longo demais, sem aparentar um motivo real. Apesar de ser previsível do começo ao fim, a fotografia é ótima, e o ponto alto do filme são as cenas de guerra. Da mesma forma que Spielberg nos brindou com uma excelente sequência de abertura em O Resgate do Soldado Ryan, com uma ótima cena do desembarque na Normandia, aqui temos as cenas das trincheiras trazidas de forma muito real e verossímil, com atenção aos mínimos detalhes. A fotografia do filme também é ótima, combinando belas paisagens com situações calmas, mas também lugares chocantes ao se deparar com a guerra.     
      O filme também nos mostra alguns dos horrores da guerra, ainda que busque aliviar a sensação de desconforto que pode nos causar – com exceção das cenas nas trincheiras, as demais não são tão fortes (deserção, enfermarias, etc.), o que ao meu ver reduz a qualidade do filme. Os atores estão bem, nada a se destacar, ainda mais pelo fato de que talvez o cavalo tenha feito o trabalho mais difícil na atuação. Muitos atores estrangeiros trabalham no filme, mas me decepcionei ao ver que ele era todo em inglês – Spielberg tem os recursos necessários para que cada um fale a língua materna do personagem que representa.
A primeira vez que assisti ao trailer, me pareceu um pouco infantil a ideia do cavalo e do menino. Mas assim que comecei o filme, percebi que a ideia era mostrar os diferentes locais e situações de sofrimento que a IGM causou, acompanhando a trajetória do cavalo, e aí a ideia tornou-se válida. No entanto, Spielberg tenta humanizar demais o animal, fazendo perder um pouco da seriedade do longa.
Um filme que vale o tempo que nos dedicamos, mas não por uma segunda vez, e que talvez vá ficar esquecido na filmografia de Spielberg, pois não entra na qualidade de filmes com A Cor Púrpura, nem das grandes produções como Jurassic Park ou Indiana Jones, muito menos na combinação dos dois, como O Resgate do Soldado Ryan ou A Lista de Schindler.








Nota 69/100

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Shame

Ficha Técnica: Shame, 2011
Gênero: Drama.
Direção: Steve McQueen.
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Nicole Beharie.
País: Reino Unido.
Tempo: 101 min.
Idioma: Inglês.

      O filme nos traz um protagonista que apesar de seu sucesso profissional e com as mulheres, sofre de um distúrbio mental que ele tenta manter sob controle: vício em sexo – ainda que a história nos dê indícios de outros vícios de Brandon (Fassbender). 
     Ao tratar deste tema polêmico, o diretor não nos poupa de qualquer cena de nudez ou sexo – um excelente artifício para nos transmitir talvez o que esteja passando na cabeça do protagonista o tempo todo. No entanto, as cenas de sexo que o envolvem não demonstram prazer, e sim sua frustração e sofrimento.
      Brandon mantém seu vício sob controle, sem que lhe cause constrangimentos ou transtornos maiores. No entanto, a chegada de sua invasiva e carente irmã, Sissy (Mulligan), para ficar “por uns tempos” em seu apartamento acaba com sua tranquilidade. O filme opta por não explorar o passado deles, mas deixa evidente que tiveram uma infância/adolescência difícil, e ambos carregam as consequências deste passado até hoje, afetando totalmente o relacionamento entre eles e com os outros. Inclusive, podemos interpretar em determinado momento a sugestão de uma relação incestuosa, mas que o diretor não deixa claro.
    Esta opção de não trabalhar o passado dos personagens para desenvolver/justificar o lado psicológico deles é válida: podemos considerar que estamos conhecendo-os naquele momento, que de fato é o que está acontecendo. O expectador não tem quer ser onisciente sobre tudo filme. 
     Outro ponto que o filme traz, mas infelizmente desenvolve muito pouco, é a suposta obrigação social que as pessoas têm de cuidar dos demais membros de sua família (sem incluir aqui, obviamente, os filhos). Essa discussão foi um tanto breve no filme, ainda que interessante. Enquanto a irmã afirma que gosta do irmão e que eles são a única família e devem se ajudar, ela mesma não respeita o mínimo espaço de Brandon, ou demonstra uma real preocupação com ele; nem mesmo para as regras de sua casa ela se atenta, ainda que demonstre carinho. Por outro lado, Brandon a trata com frieza, e sua presença na casa vai irritando ele continuamente, muito em razão do seu vício não poder mais ser livremente demonstrado dentro de seu lar.
    A dificuldade de um relacionamento mais profundo com as pessoas vai se tornando patente no protagonista ao longo do filme – atingindo seu ápice quando sai com uma colega de trabalho, o único momento não superficial dele, que acaba de maneira frustrante, com Brandon tendo que chamar novamente uma prostituta, pois aparentemente a intimidade não o excita.
      Entretanto, apesar do bom argumento do filme, talvez o excesso de cenas longas (New York, New York; correndo; metrô) e de cenas de sexo, o filme parece não se desenvolver conforme o esperado. As questões trazidas pelo longa poderiam ser mais aprofundadas, ou mesmo novas questões que as relacionasse. No entanto, o filme apenas mostra dois irmãos com distúrbios e como eles se mantêm no seu relacionamento social. As atuações de Fassbender e Mulligan são excelentes, dando uma intensidade melhor ao filme, que apesar de mais de 100 minutos, nos traz uma história curta.

Nota 74/100

domingo, 14 de outubro de 2012

Melancolia

Ficha Técnica: Melancolia, 2011
Gênero: Drama, Ficção-Científica.
Direção: Lars von Trier.
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgård, Kiefer Sutherland, Stellan Skarsgård, John Hurt, Charlotte Rampling, Cameron Spurr, Jesper Christensen.
País: Dinamarca, França, Suécia, Alemanha.
Tempo: 136 min.
Idioma: Inglês.

       O polêmico diretor dinamarquês vem com este novo filme nos dar uma diferente perspectiva do cinema sobre o fim do mundo. E talvez tenha feito o melhor filme sobre este tema – com certeza o melhor que eu tenha visto, indo muito além do que qualquer filme de Hollywood no caso.
     O filme se divide em três partes – o prólogo, com cenas em câmera lenta, sob a trilha sonora de Tristão & Isolda, já nos dão uma pista sobre o fim do mundo imaginado pela personagem de Dunst. As cenas são muito belas, e não tão cansativas quanto o início de A Árvore da Vida, apesar de terem o mesmo estilo (que nos lembra 2001).
            As duas próximas partes (maior parte do filme) são divididas entre Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Grainsbourg), duas irmãs. A primeira parte (Justine) é festa de casamento de Justine, organizada por Claire. A segunda (Claire) se concentra após a festa, na casa de Claire, enquanto aguardam a passagem/colisão de Melancolia, o planeta que se escondia atrás do sol e agora vem em direção a Terra.
     No primeiro ato, o diretor nos brinda com sua crítica às tradições sociais (burguesas) atuais – festa de casamento, instituição falida da família, importância do trabalho. Ele nos mostra o pior lado de tudo isso, com o foco em Dunst e sua depressão, que ela tenta vencer durante o casamento, mas falha miseravelmente. A irmã Claire é a personagem forte neste momento, que organiza a festa e tenta manter todas as aparências, segurando todas as bombas relógios da família – a indiferença e frieza da mãe (Rampling), o pai (Hurt) sem compostura, noiva depressiva, noivo (A. Skarsgård) insatisfeito e nervoso, chefe inescrupuloso (S. Skarsgård) dentre outros problemas. Mas ao mesmo tempo, a justificativa para todas as ações de Justine gritam aos nossos ouvidos – a família desestruturada. E assim, a crítica à família como instituição acaba perdendo muito de sua força e caindo no lugar-comum.
     O segundo ato, Justine está novamente depressiva, algumas semanas após o casamento fracassado, e vem para que sua irmão cuide dela. Nesta parte, Lars von Trier faz severa crítica (até mesmo zomba) da ciência e dos cientistas, com suas certezas e arrogâncias. A “certeza” em que tudo acabará bem, o excesso de confiança e falsa tentativa de passar segurança de John (Sutherland) é evidente, e sua morte covarde é o ápice desta crítica. Há também uma inversão de personalidade nas irmãs – com o fim do mundo se aproximando, Claire vai perdendo o controle, enquanto Justine recupera a serenidade – afinal, esta última não tinha mais “nada” a perder, enquanto Claire tinha a tradicional vida feliz – filho, marido e bens.
       Os atores estão muito bem – apesar de muito se falar de ser o melhor papel de Dunst, ainda prefiro As Virgens Suicidas – mas ela está realmente muito bem no filme, com ótimas mudanças de humor e comportamento. Grainsbourg também está ótima. As duas atuações se completam na realidade, deixando o filme ainda melhor. Os coadjuvantes também estão bem, inclusive a surpresa de Sutherland, fugindo das ações. John Hurt merece um destaque especial, afinal, em pouquíssimas falas, acaba sempre roubando a cena.
     A fotografia e os efeitos do filme estão ótimos. A imagem azulada em razão da aproximação de melancolia foi uma ótima sacada. O diretor abusou menos da violência e nudez, se compararmos ao seu filme anterior, O Anticristo. No entanto, a dose foi certa, e apesar da intensidade maior do outro filme, ainda que algumas cenas dele tenham sido muito apelativas (felizmente Melancolia não faz isso), este último talvez tenha buscado uma profundidade psicológica maior. Mas buscar não significa necessariamente alcançar, e o longa realmente não nos traz tanta inovação ou questionamento, apesar de ser um bom filme.


Nota 77/100

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Magnólia

Ficha Técnica: Magnolia, 1999 
Gênero: Drama.
Direção: Paul Thomas Anderson.
Elenco: Julianne Moore, Tom Cruise, John C. Reilly, William H. Macy, Jason Robards, Philip Seymour Hoffman, Melora Walters, Jeremy Blackman, Philip Baker Hall, Melinda Dillon, April Grace, Luis Guzmán, Ricky Jay, Alfred Molina.
País: Estados Unidos.
Tempo: 188 min.
Idioma: Inglês. 
  
          Magnólia é um filme muito cultuado e elogiado, por seu brilhantismo, excelentes atuações, roteiro envolvente e profundo. Em partes, estes elogios são merecidos; em outras, são um exagero, ou ainda totalmente descabidos. E talvez muitos considerem que não interpretei o filme corretamente, não entendi o filme ou outra tentativa de desqualificar minha opinião. E talvez eles tenham razão, e um dia eu possa mudar minha opinião.
        As atuações estão realmente ótimas. Cruise faz um dos melhores papéis de sua vida; Julianne Moore, Seymour Hoffman, Hall, Robards e Macy estão todos bens. Mas o destaque (além de Cruise) fica para John C. Reilly e principalmente Melora Walters, que está ótima no filme. Até Alfred Molina, com uma pequena participação, faz uma ótima ponta.
       O filme se desenvolve bem, embora vá se desgastando em razão das três horas de duração, ao meu ver desnecessárias. Mas o roteiro está longe de ser chato – a minha crítica é sobre a mensagem do filme, ou reflexão, objetivo, qualquer um desses elementos necessários para se formar um grande filme. Após três horas, a única reflexão é sobre os arrependimentos da vida? Sério, arrependimentos sobre temas clichês e como isso nos afeta? Sobre traição, abandono de lar e família, vícios e qualquer outro clichê que possa ser condenado moralmente pela sociedade? Não há sequer (ou ao menos não identifiquei) algum questionamento desses padrões morais.
      O cartaz realmente é uma parte interessante do filme, e a ideia da magnólia, como todos ligados por este frágil elo das pétalas da flor que dá nome ao filme. O detalhe do sapo realmente é interessante. As metáforas estão pouco ligadas e não fazem sentido ao filme, mas revelam um julgamento moral-cristão das ações, como a traição, as chuvas de sapo, a esperança e os sentimentos paternos. Enfim, mais um filme de Paul Thomas Anderson muito elogiado que me decepcionou (Sangue Negro é o outro). Ao menos ele consegue boas atuações dos atores.
 
Nota 66/100

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Xeque-Mate

Ficha Técnica: Lucky Number Slevin, 2006
Gênero: Crime, Drama, Mistério;
Direção: Paul McGuigan.
Elenco: Josh Hartnett, Bruce Willis, Morgan Freeman, Lucy Liu, Ben Kingsley, Stanley Tucci, Michael Rubenfeld, Peter Outerbridge, Scott Gibson, Sam Jaeger.
País: Estados Unidos, Alemanha.
Tempo: 110 min.
Idioma: Inglês.

    O filme conta com grandes atores (Morgan Freeman e Ben Kingsley são reconhecidamente excelentes atores) – tanto no aspecto de atuações como de vendas de filme em si e status de estrela (Liu, Willis). No entanto, apenas esta união não basta, e foi o que ocorreu com Xeque-Mate.
         O início do filme é excelente. A primeira história apresentada, que dá o tom do filme, é mostrada de maneira ótima, envolvendo todos os espectadores. O que se segue no presente da história do filme, de início parece muito bom. Uma mistura de Tarantino (diálogos aparentemente despropositais e corriqueiros ao lado de uma violência crua) e Irmãos Coen (comédia de erros com finais trágicos, humor negro) me fez aumentar minhas expectativas para o que viria a seguir.
       No entanto, o longa prefere seguir o caminho dos clichês e da previsibilidade. Um espectador mais atento consegue decifrar toda trama que supostamente possui inúmeras reviravoltas depois da primeira hora do filme; mesmo outro mais desatento, após a morte do filho do Rabino, conecta todas as histórias do filme.
     As atuações em si, não foram nada especiais. Willis está muito bem, dentro da sua zona de conforto, já tendo interpretado papeis como esse anteriormente, de maneira melhor; Freeman e Kingsley não acrescentam nada ao filme, embora ambos tenham bom desempenho como chefes gangsteres – Freeman talvez com um pouco mais de qualidade, variando entre ameaças e bom humor, todos com classe. 
         Hartnett faz uma atuação que não demonstra muitas emoções (o que inclusive tenta ser explicado pelo filme, e assim, não podemos culpá-lo pois não cabia a ele decidir), mas apesar de nos propiciar momentos interessantes, não serviu bem ao filme como um todo. Incrivelmente, Liu talvez seja a que mais se destacou, com uma atuação mais espontânea; a surpresa talvez pelo fato de ela não estar envolvida em nenhuma cena de ação deste filme.
        Um filme bom como entretenimento, que pode nos prender a atenção, mas pouco irá acrescentar ao espectador. Se você não tiver visto este pôster em que Hartnett segura uma arma na pose de "homem mau", talvez a surpresa seja um pouco maior, mas não vai melhorar muita coisa. A crítica fica para o criador do pôster também, afinal um spoiler desses não deve acontecer! Não crie grandes expectativas, e talvez você possa se divertir um pouco mais.


Nota 68/100

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Dia em que eu Não Nasci

Ficha técnica: Das Lied in mir, 2010
Gênero: Drama;
Direção: Florian Micoud Cossen. 
Elenco: Jessica Schwarz, Michael Gwisdek, Rafael Ferro, Beatriz Spelzini, Alfredo Castellani, Marcela Ferrari, Carlos Portaluppi. 
País: Alemanha, Argentina.
Tempo: 94 min.
Idioma: Alemão, Espanhol.

    Esse filme meu surpreendeu imensamente, de maneira muito positiva. Ele começa simples, inclusive com alguns clichês, e segue numa crescente de emoções e reviravoltas que nos envolve profundamente.
      Pouco se fala nas ditaduras militares que ocorreram na América Latina durante a segunda metade do século XX – muitas delas apoiadas pelos EUA e Ocidente como um todo, e tantas outras ainda não devidamente investigadas e julgadas pelos próprios países. Ela trouxe consequências tanto em questões de nível macroestrutural e social, quando no micro, individual, para cada família e pessoa. Este filme tem como foco o universo individual, a influência da ditadura argentina (talvez a co maior número de mortos e desaparecidos) na vida das pessoas, mas perpassando as questões do nível macrossocial também.
     A história nos apresenta Maria, interpretada pela excelente Jessica Schwarz, que após viver na Alemanha durante toda sua juventude, descobre na verdade ter sido adotada, e que seus verdadeiros pais desapareceram durante o regime militar argentino, enquanto ela ainda tinha três anos de idade.
      No início, o longa aparenta ser apenas um drama sobre questões como adoção, busca por pais biológicos e sua história, e dilemas enfrentados por essas pessoas – contar ou não a verdade sobre a adoção, buscar ou não os verdadeiros pais, dentre outros dilemas, abordados de maneira excelente. O pai de Maria está relutante em ajudá-la, mas tudo indica ser apenas um medo natural de perdê-la.
       No entanto, a grande reviravolta começa quando Maria, com extrema facilidade, encontra a família de sua mãe – dois tios, uma avó e muitos outros parentes. Ela começa a questionar seu pai sobre o fato de ele nunca ter procurado sua família, visto que foi tão fácil encontrá-los tantos anos depois. Na medida que a história vai se revelando, o filme consegue transmitir muito bem a angústia das personagens para o espectador, tanto a família dos desaparecidos, quanto de Maria e seu pai – que na verdade, havia roubado ela da família de sua mãe biológica.
      A esse sentimento conflituoso se somam outros aspectos do filme – a dificuldade de comunicação de Maria com sua família biológica (ela não fala nada em espanhol, enquanto a família mal consegue falar o inglês) geram cenas muitas vezes cômicas, outras tantas ainda mais dramáticas, em razão da dificuldade em se  expressar. Essa dificuldade traz para dentro da família o policial Alejandro, com o qual Maria tem um caso e que fala alemão fluente, fazendo o papel de intérprete.
      Outro aspecto da ditadura ali sutilmente apresentado é a questão da polícia, uma herança do regime militar, odiada por muitos no país em razão das brutalidades que cometeram – e ele mesmo acrescenta também sobre se a própria Maria deveria fazer tantas perguntas, que podem levar ao conflito final tão doloroso.
      O elenco todo está muito bem no filme, fazendo tudo parecer muito natural. As tomadas de câmera do diretor são excelentes, muitas vezes focando no ponto de vista do personagem, outras em ângulos que nos deixam minimamente intrigados. Um ótimo filme, que ao final apenas desejamos que saber mais sobre a história tão envolvente.


Nota 95/100

sábado, 15 de setembro de 2012

Branca de Neve e o Caçador

Ficha técnica: Snow White and the Huntsman, 2012
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia, Drama;
Direção: Rupert Sanders. 
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Sam Claflin, Sam Spruell, Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone, Toby Jones, Brian Gleeson, Vincent Regan, Noah Huntley. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 127 min.
Idioma: Inglês.

   Considero muito interessante a ideia de adaptar histórias infantis consagradas no cinema através de animações para filmes live-action e um roteiro mais maduro. Mas o interessante acaba na ideia inicial, no caso do filme Branca de Neve e o Caçador.
Apesar dos lindos cenários e bons efeitos especiais, a história não nos envolve, nos comove, nos faz rir ou nos provoca qualquer outro sentimento minimamente mais forte. Além dos efeitos especiais e cenário, as cenas com os anões também foram muito bem montadas.
Mas o roteiro é carregado de clichês, como um triângulo amoroso de adolescentes, que parece ser uma constante nos filmes atuais direcionados ao grande público. Não se deixe enganar, pois não há   qualquer drama real ou inovações em termos de relacionamentos neste triângulo.
O filme também serviu para consagrar Kirsten Stewart como uma das piores atriz de sua geração – continua com a mesma falta de expressão que a marcou na saga dos filmes de vampiros (Crepúsculo), que coincidentemente, também nos apresenta um triângulo amoroso. Ao menos Stewart tem demonstrado uma constante – sua atuação é sempre a mesma. Há momentos constrangedores em que ela tenta invocar as massas, como um líder – e talvez o fato de o roteiro ser fraco tenha contribuído ainda mais para estes embaraços.
Charlize Theron está muito abaixo de seu potencial, mas tendo em vista todo contexto que a cerca no filme, não podemos exigir muito mais do que sua modesta atuação nos apresentou. Ao menos foi talvez o destaque do filme em termos de atuações. Hemsworth tampouco fez algo de novo – é o mesmo Thor, que ao invés de utilizar um martelo, usa um machado.
Enfim, um filme que poderia ter sido melhor elaborado, com uma ideia interessante, mas que decepciona com divisões maniqueístas entre o bem e o mal, sem propósito algum, de maneira talvez mais inocente do que na própria animação. Um aspecto menos negativo é a fidelidade à história em alguns detalhes, que podem trazer boas lembranças para aqueles que já viram o clássico da Disney.

   Nota 42/100

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lanterna Verde

Ficha técnica: Green Lantern, 2011
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia;
Direção: Martin Campbell . 
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Tim Robbins, Mark Strong, Jay O. Sanders, Taika Waititi, Angela Bassett, Temuera Morrison, Geoffrey Rush, Michael Clarke Duncan. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 114 min.
Idioma: Inglês. 

     Após dois excelentes filmes do Batman, fui ingênuo ao criar uma expectativa razoável com relação a este filme, visto que também é um super-heroi da DC Comics. Uma combinação entre péssimas atuações, direção e roteiro nos leva a este desastre que é o filme. 
     O filme ficou no meio termo entre as ações cômicas de heróis (quase todos da Marvel), evitando muitas cenas que busquem provocar risos, e algo um pouco mais sério, não como Batman, mas talvez uma tentativa de se aproximar da franquia dos X-Men.
Enfim, foi um total fracasso. Reynolds está péssimo, bem como todo o elenco. Ao menos filmes do Homem de Ferro e Os Vingadores nos provocam mais risos, apesar de terem um roteiro mais infantil e fraco. Não há uma atmosfera de empatia com o heroi, não há um romance, não há um grande vilão nem cenas cômicas, tampouco grandes cenas de ação – o objetivo do filme não está claro, além de vender mais uma franquia de super-herois para o público.
Um filme totalmente dispensável, que provavelmente deixou os fãs dos Quadrinhos decepcionados, a não ser que a HQ seja tão ruim quanto sua adaptação para o cinema.
 

Nota 45/100

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Albert Nobbs

Ficha técnica: Albert Nobbs, 2011
Gênero: Drama.
Direção: Rodrigo García
Elenco: Glenn Cose, Mia Wasikowska, Janet McTeer, Aaron Johnson, Pauline Collins, Brendan Gleesson, Bronagh Gallagher.
Tempo: 113 min.
País: Reino Unido, EUA, Irlanda e França.
Idioma: Inglês. 

      O filme nos traz a história de uma mulher que por mais de 30 anos vive travestida como um homem, fazendo isso para fugir de seus problemas, muitos deles com origem no machismo da sociedade irlandesa no século XIX.
     Apesar do potencial da história, ela não foi tão bem trabalhada. Ainda que Glenn Close como a personagem título e Janet McTeer com outra mulher travestida de homem estão ótimas nos papeis, mas não conseguem salvar o filme.

       Muitos personagens simplesmente não se encaixam na trama, e o filme não se afirma em nenhum dos argumentos que ali estão. Temos a diferença entre as duas mulheres travestidas, uma feliz no seu casamento homossexual, outra que apenas buscou fugir do problema criando um personagem para tal, mas perdeu seu foco. A questão do machismo, feminismo, todos esses argumentos pode ser percebidos no longa, mas não são desenvolvidos em algo profundo ou questionador. Nem mesmo os personagens adquirem a profundidade e complexidade que se espera de um filme como esse.
      O filme tem seus aspectos positivos além das atuações – é uma história impressionante, nos mostra muitas das consequências causadas pela repressão moral, tanto no nível social quanto individual. Entretanto, deixa muito a desejar em inúmeros aspectos, principalmente no fato de que não há nada além de ser uma história que mereça ser contada – os produtores pegaram esta vantagem e não trabalharam nada muito além disso.
Nota 70/100