Gênero: Drama, Fantasia.
Direção: Benh Zeitlin.
Elenco: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Gina Montana, Levy Easterly, Lowell Landes, Pamela Harper.
País: Estados Unidos.
Tempo: 93 min.
Idioma: Inglês.
Este filme é afortunado por ganhar (ainda que merecidamente, mas
muitos com os mesmos méritos passam batidos) destaque da Academia de Cinema na
premiação do Oscar e assim ganhar um impulso em sua divulgação. No entanto, no
Brasil ele é um pouco prejudicado pela tradução terrível feita de seu título,
subvertendo totalmente o significado original e a inteligentíssima metáfora que
ele representa.
O filme conta com
atuações surpreendentes e excelentes, com o grande destaque sendo Wallis no
papel de Hushpuppy. Mas Henry, que faz seu pai Wink também fez um ótimo
trabalho. Os dois protagonizam cenas fortes e emocionantes entre pai e filha,
mostrando uma relação de afetividade profunda e conturbada pelos acontecimentos
da vida.
A história se passa
na Bathtub, supostamente numa ilha
isolada do restante do estado da Louisiana após o furacão Katrina. Obviamente
as pessoas que ali vivem são condenadas por continuarem ali, sendo
constantemente arrastas de volta para a “civilização”. Mas a história poderia
muito bem se passar em diversos lugares do mundo, incluindo o Brasil. Situações
em que pessoas são obrigadas e forçadas a deixar suas casas, a contragosto, às
vezes sendo uma decisão própria em razão das circunstâncias (nem sempre
catástrofes naturais); outras tantas vezes sendo obrigadas pelo governo, que
geralmente ignora as necessidades reais destas pessoas e os motivos por não
desejarem abandonar o lugar.
O filme é claro em
nos mostrar a pobreza e precariedade do lugar em que vive esta comunidade. A
dureza imposta à sua população é muito bem retratada por Hushpuppy, que apesar
de ter apenas seis anos, já está endurecida pela vida e pelo pai que busca
prepará-la para continuar enfrentando as dificuldades quando ele partir. A temática
é excelente, e a mistura que Zeitlin faz entre fantasia e realidade, muito em razão
de ter como protagonista e narradora da trama a menina, encaixa perfeitamente. Entretanto,
o filme mostra-se um pouco confuso em determinados momentos – o que chega a
atrapalhar o andamento e a fluidez desta maravilhosa história, que em compensação
é carregada de forma brilhante pelos seus atores.
No filme, a escola ensina às crianças sobre os
animais, e inclui aí os seres humanos; no decorrer do filme, a forma como a
comunidade vive, e é vista pela “civilização” também se encaixa nesta visão:
quem são os animais, as bestas selvagens? Apenas aqueles da imaginação de
Hushpuppy? Ela, seu pai e os outros habitantes de Bathtub? Os outros, que desejam levar uma suposta maneira melhor de
se viver? Ou mesmo toda nossa sociedade, que não compreende o outro e tem
dificuldade em se relacionar com o diferente?
Nota
85/100