Gênero: Drama.
Direção: Susanne Bier.
Elenco: Mikael Persbrandt, William Jøhnk Nielsen, Markus Rygaard, Trine Dyrholm, Ulrich Thomsen, Simon Maagaard Holm, Kim Bodnia.
País: Dinamarca, Suécia.
Tempo: 119 min.
Idioma: Dinamarquês, Inglês.
No meu entender, o filme busca contrastar o cenário de miséria e
guerra civil em algum ponto da África com uma pequena, “civilizada e
desenvolvida” cidade do próspero Reino da Dinamarca. Neste contraste, o Bier
procura nos mostrar situações semelhantes em contextos diferentes, com base nas
relações violentas de cada sociedade. Ainda que seja um
paralelo interessante e que conte com excelentes atuações (o grande destaque é
Nielsen, que faz um trabalho excepcional), tal comparação beira o absurdo.
Não
que ela não seja possível, mas o centro da história mostrada é a situação das
crianças que se tornam amigas e que passam por grandes traumas na Dinamarca – a
África é deixada praticamente de lado. O sofrimento dos meninos é muito grande,
perder a mãe, o bullying sofrido na escola – todos são situações que não desejamos
a ninguém, e o fato de provavelmente haver um sofrimento muito maior na situação
mostrada na África não minimiza ou torna legítima a situação enfrentada pelas
crianças.

O único porém é que a situação da África é mostrada
de maneira tão superficial que a comparação é estabelecida nesses termos
distorcidos mostrados no filme. Quantas das crianças ali não perderam a mãe, ou
pai, um irmão ou qualquer pessoa querida; quantas não passaram por traumas
imensos – e nada disso é mostrado, tornando possível tal distorção.
A própria trama dinamarquesa não nos mostra nada de
original, ainda que seja um excelente drama (talvez a tentativa de comparar os dois
mundos contribua de maneira negativa para o filme). Há uma certa ironia com o
qual a diretora chama de um mundo melhor a Dinamarca com a África e surgem
tantas turbulências no cenário europeu. Mas essa ironia também é fraca, pois de
fato o mundo é melhor lá – pessoas não são mutiladas diariamente, e quando o são,
o atendimento médico é infinitamente melhor; pessoas não estão sendo deslocadas
para campos de refugiados, longe de suas casas; ainda que deixe evidente uma relação
de xenofobia na escola, não é o suficiente para dar força ao título. Não é o
mundo perfeito, mas é evidentemente melhor.
Talvez um sentimento de culpa da própria diretora e
outros envolvidos no filme busquem legitimar a situação de prosperidade relativa
que vive a Dinamarca e a Europa como um todo (muito as custas da miséria na África),
demonstrando que também há tristeza na sociedade (o que é óbvio). Fiquei sem entender
todo o sucesso internacional do filme.
Nota
71/100
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