quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Em um Mundo Melhor

Ficha Técnica: Hævnen, 2010.
Gênero: Drama.
Direção: Susanne Bier.
Elenco: Mikael Persbrandt, William Jøhnk Nielsen, Markus Rygaard, Trine Dyrholm, Ulrich Thomsen, Simon Maagaard Holm, Kim Bodnia.
País: Dinamarca, Suécia.
Tempo: 119 min. 
Idioma: Dinamarquês, Inglês. 

    No meu entender, o filme busca contrastar o cenário de miséria e guerra civil em algum ponto da África com uma pequena, “civilizada e desenvolvida” cidade do próspero Reino da Dinamarca. Neste contraste, o Bier procura nos mostrar situações semelhantes em contextos diferentes, com base nas relações violentas de cada sociedade. Ainda que seja um paralelo interessante e que conte com excelentes atuações (o grande destaque é Nielsen, que faz um trabalho excepcional), tal comparação beira o absurdo. 
        Não que ela não seja possível, mas o centro da história mostrada é a situação das crianças que se tornam amigas e que passam por grandes traumas na Dinamarca – a África é deixada praticamente de lado. O sofrimento dos meninos é muito grande, perder a mãe, o bullying sofrido na escola – todos são situações que não desejamos a ninguém, e o fato de provavelmente haver um sofrimento muito maior na situação mostrada na África não minimiza ou torna legítima a situação enfrentada pelas crianças.
O único porém é que a situação da África é mostrada de maneira tão superficial que a comparação é estabelecida nesses termos distorcidos mostrados no filme. Quantas das crianças ali não perderam a mãe, ou pai, um irmão ou qualquer pessoa querida; quantas não passaram por traumas imensos – e nada disso é mostrado, tornando possível tal distorção.
A própria trama dinamarquesa não nos mostra nada de original, ainda que seja um excelente drama (talvez a tentativa de comparar os dois mundos contribua de maneira negativa para o filme). Há uma certa ironia com o qual a diretora chama de um mundo melhor a Dinamarca com a África e surgem tantas turbulências no cenário europeu. Mas essa ironia também é fraca, pois de fato o mundo é melhor lá – pessoas não são mutiladas diariamente, e quando o são, o atendimento médico é infinitamente melhor; pessoas não estão sendo deslocadas para campos de refugiados, longe de suas casas; ainda que deixe evidente uma relação de xenofobia na escola, não é o suficiente para dar força ao título. Não é o mundo perfeito, mas é evidentemente melhor.
     Talvez um sentimento de culpa da própria diretora e outros envolvidos no filme busquem legitimar a situação de prosperidade relativa que vive a Dinamarca e a Europa como um todo (muito as custas da miséria na África), demonstrando que também há tristeza na sociedade (o que é óbvio). Fiquei sem entender todo o sucesso internacional do filme.
 

Nota 71/100

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