sábado, 12 de janeiro de 2013

Amor

Ficha Técnica: Amour, 2012.
Gênero: Drama, Romance.
Direção: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignat, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell.
País: Áustria, França, Alemanha.
Tempo: 127 min. 
Idioma: Francês. 

      Após o pesado A Fita Branca, Haneke novamente nos apresenta um filme denso. Para os desavisados, o título do filme pode não corresponder às expectativas, pois não teremos aqueles romances melosos. Este é um filme conceitual, e o conceito trabalho é o título: o amor. 
      O longa nos traz um casal de idosos, com mais de 80 anos, músicos aposentados, que aparentemente levam uma vida tranquila morando apenas na companhia um do outro. Contudo, após Anne sofrer um derrame, a situação torna-se complicada, e é este o ponto central do filme. O marido Georges passa a cuidar da esposa. 
      Não há grandes declarações de amor melosas dos filmes blockbusters. Mas podemos ver o amor entre eles, nas pequenas coisas, ações, discussões e pedidos de desculpas. O diretor torna tudo muito real e cotidiano. Além disso, a ausência de uma trilha sonora constante e as cenas longas (algumas talvez excessivamente), nos fazem refletir muito sobre a situação e o que vemos. 
        Apesar de todos os esforços de Georges, o inevitável acontece – Anne piora a cada dia, exigindo cada vez mais da paciência, do esforço e acima de tudo, do amor de Georges. A cada momento que passa, ficamos mais inquietos com a situação, ainda que saibamos em partes o final do filme. Mesmo assim, o diretor não nos deixa de surpreender e chocar, com um final que demonstra o ápice da prova de amor entre os dois, e ao mesmo tempo, uma brutalidade muito chocante. Mas não teremos um único espectador que vai duvidar do amor que Georges sentia por ela, ainda que o fato de tê-la libertado da situação deplorável em que Anne se encontrava levante questões morais talvez insolúveis. 
      Mas o amor está presente em cada cena do filme, e o diretor deixa claro o conceito de amor que ele define – aquele capaz de se manifestar nas horas mais difíceis. Os dois protagonistas fazem um trabalho perfeito. Tanto os olhares e a fala dificultada de Anne (Riva) quanto toda a ação de Georges (Trintignat) estão ótimos e a química entre eles é invejável. Huppert também faz um excelente trabalho no papel da filha dos dois, que ainda distante, se preocupa e ama seus pais. Ótimo filme, que nos faz refletir muito sobre a velhice e como lidar com estas questões – deixando claro que o amor é essencial nestas horas.


Nota 94/100
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário