sábado, 19 de janeiro de 2013

A Culpa é do Fidel!

Ficha Técnica: La faute à Fidel!, 2006.
Gênero: Drama.
Direção: Julie Gavras
Elenco: Nina Kervel-Bey, Julie Depardieu, Stefano Accorsi, Benjamin Feuillet, Martine Chevallier, Olivier Perrier, Marie Kremer, Mar Sodupe, Gabrielle Vallières, Raphaelle Molinier, Raphael Personnaz, Marie-Noelle Bordeaux, Christiana Markou, Francisco López Ballo.
País: França, Itália.
Tempo: 99 min. 
Idioma: Francês. 

   Inevitável falar de um filme da diretora Julie Gavras sem mencionar seu pai, o consagrado diretor Costa Gavras. Inegável a influência que o pai exerceu sobre a filha, o que foi muito bem trabalhada por ela no filme. Julie Gavras aproveita muito bem a influência e os anos de convivência com o pai (o que é legítimo, inteligente e louvável) e também consegue deixar sua marca e característica própria no filme. 
          Aqui temos um tema que já vimos algumas vezes no cinema – uma situação política/econômica/social do universo macro influenciando a vida cotidiana, vista pelos olhos de uma criança. Em o Labirinto do Fauno esse trabalho também é feito, de uma forma totalmente diferente e de maneira brilhante, assim como este filme. 
        A Culpa é do Fidel! nos apresenta uma personagem reacionária, que vai confrontar todos os lemas e ideais da esquerda. No entanto, o reacionário aqui é uma criança de nove anos, Anna, filha de Fernando e Marie (Accorsi e Depardieu) que decidem mudar de vida ao abraçar (ou retomar) o socialismo na prática política e diária – acabando com o estilo de vida burguês que levavam e, consequentemente, com o conforto e a rotina de Anna. 
        O filme que no início pode desagradar aos que defendem e acreditam numa política mais de esquerda e em uma sociedade minimamente igualitária, que sabem não ser possível dentro do sistema capitalista. Contudo, com o desenvolvimento do filme, ele acaba se tornando um tapa na cara dos conservadores e reacionários. Podemos observar alguns exageros de todos os lados, e muitos podem se identificar com a confusão pela qual passa Anna, com as inúmeras influências que sofre – a mãe que escreve um livro sobre o aborto, o pai e seus amigos que estão constantemente trabalhando no minúsculo apartamento deles em prol do governo de Allende (vermelhos barbudos), a babá cubana anticastrista, a grega, a vietnamita, a amiga da escola, as professoras freiras, os avós, dentre outras. Essa confusão, genuinamente infantil, pode ser vista, ironicamente, como uma confusão também em todos os adultos. 
      A descoberta de não haver uma verdade e certeza única, e de que ao mesmo tempo ela existir para cada um, é ótima e muito bem trabalhada. Os atores também fazem um ótimo trabalho, mas o destaque aqui é a protagonista – Kervel-Bey faz excelente papel na pele de Anna, mostrando as inúmeras faces de uma criança, que pode se portar de forma dócil, agressiva, mimada ou alegre. O fato do filme ser feito com a câmera dentro de seu plano de visão também é acertado. Também nos deixa evidente a dificuldade em se criar um filho com valores contrários ao do perverso sistema capitalista-consumista, o quanto pode nos fazer sofrer e principalmente fazê-los sofrer, além da demanda de tempo exigida por aqueles que lutam por uma sociedade minimamente igual, tempo neste caso roubado do convívio familiar (que não deixa de ser uma instituição burguesa e não necessariamente ruim).
 
Nota 99/100

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