
Gênero: Drama.
Direção: Julie Gavras
Elenco: Nina Kervel-Bey, Julie Depardieu, Stefano Accorsi, Benjamin Feuillet, Martine Chevallier, Olivier Perrier, Marie Kremer, Mar Sodupe, Gabrielle Vallières, Raphaelle Molinier, Raphael Personnaz, Marie-Noelle Bordeaux, Christiana Markou, Francisco López Ballo.
País: França, Itália.
Tempo: 99 min.
Idioma: Francês.
Inevitável falar de um filme da diretora Julie Gavras sem mencionar
seu pai, o consagrado diretor Costa Gavras. Inegável a influência que o pai
exerceu sobre a filha, o que foi muito bem trabalhada por ela no filme. Julie
Gavras aproveita muito bem a influência e os anos de convivência com o pai (o
que é legítimo, inteligente e louvável) e também consegue deixar sua marca e característica
própria no filme.
Aqui temos um tema
que já vimos algumas vezes no cinema – uma situação política/econômica/social
do universo macro influenciando a vida cotidiana, vista pelos olhos de uma
criança. Em o Labirinto do Fauno esse trabalho também é feito, de uma forma
totalmente diferente e de maneira brilhante, assim como este filme.
A Culpa é do Fidel! nos apresenta uma personagem reacionária, que
vai confrontar todos os lemas e ideais da esquerda. No entanto, o reacionário aqui
é uma criança de nove anos, Anna, filha de Fernando e Marie (Accorsi e
Depardieu) que decidem mudar de vida ao abraçar (ou retomar) o socialismo na
prática política e diária – acabando com o estilo de vida burguês que levavam
e, consequentemente, com o conforto e a rotina de Anna.
O filme que no início
pode desagradar aos que defendem e acreditam numa política mais de esquerda e
em uma sociedade minimamente igualitária, que sabem não ser possível dentro do sistema
capitalista. Contudo, com o desenvolvimento do filme, ele acaba se tornando um
tapa na cara dos conservadores e reacionários. Podemos observar alguns exageros
de todos os lados, e muitos podem se identificar com a confusão pela qual passa
Anna, com as inúmeras influências que sofre – a mãe que escreve um livro sobre
o aborto, o pai e seus amigos que estão constantemente trabalhando no minúsculo
apartamento deles em prol do governo de Allende (vermelhos barbudos), a babá
cubana anticastrista, a grega, a vietnamita, a amiga da escola, as professoras
freiras, os avós, dentre outras. Essa confusão, genuinamente infantil, pode ser
vista, ironicamente, como uma confusão também em todos os adultos.

Nota
99/100
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