domingo, 13 de janeiro de 2013

O Escafandro e a Borboleta

Ficha Técnica: Le scaphandre et le papillon, 2007.
Gênero: Drama, Biografia.
Direção: Julian Schnabel
Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Anne Consigny, Marie-Josée Croze, Niels Arestrup, Patrick Chesnais, Olatz López Garmendie, Max von Sydow, Gérard Watkins, Marina Hands, Isaach De Bankolé.
País: França, Estados Unidos.
Tempo: 112 min. 
Idioma: Francês.
 
   Schnabel encontrou a melhor maneira para que o espectador tivesse a mesma sensação que o personagem principal enfrenta ao ter o corpo inteiro paralisado após um derrame, exceto seu olho esquerdo. A câmera subjetiva, em primeira pessoa, nos dá a mesma sensação de encarceramento pela qual passa Jean-Do (Amalric), ex-editor chefe da revista francesa Elle. 
      Jean-Do aprende a se comunicar através de piscadelas com seu olho, num sistema ensinado por sua fonoaudióloga Henriette (Croze), formando palavras e frases letra por letra, conforme ela as pronuncia para que ele pisque. O filme, baseado no livro homônimo escrito desta maneira pelo personagem principal, consegue nos manter atentos a todo momento, mesmo tendo um potencial entediante muito grande, superado pela habilidade do diretor em nos envolver na história. 
    Aos poucos vamos conhecendo também o passado de Jean-Do, que não foi nenhum santo. Sua ex-mulher (Seigner), seus três filhos, amigos e seu pai (Sydow) aparecem para visitá-lo, telefonam ou mesmo em flashbacks. Temos também a constante presença de Claude (Consigny), que transcreve de forma paciente e envolvente o livro ditado pelo ex-editor. 
     A metáfora com o título é perfeita – o confinamento do escafandro e a posterior libertação da borboleta ao sair do casulo. O filme está cheio de cenas emocionantes e comoventes, mas sem exageros bregas – a ex-mulher (que se mostrou fiel ao pai de seus filhos na hora da doença) fazendo o papel de intérprete ao telefone para a ex-amante e namorada de Jean-Do; o flashback em que Jean-Do faz a barba de seu pai; o telefonema de seu pai, também enfrentando os problemas do encarceramento da velhice; o momento em que o protagonista pede para morrer; a visita do amigo que ficou refém durante quatro anos no Líbano. 
    Um filme inovador, ousado, com propostas de reflexões e emoções à flor da pele, muito bem feito e conduzido pelo diretor e sua equipe técnica, além de excelentes atuações. Nos envolve de uma forma muito profunda.




Nota 98/100
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário