Ficha Técnica: Le scaphandre et le papillon, 2007.
Gênero: Drama, Biografia.
Direção: Julian Schnabel
Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Anne Consigny, Marie-Josée
Croze, Niels Arestrup, Patrick Chesnais, Olatz López Garmendie, Max von
Sydow, Gérard Watkins, Marina Hands, Isaach De Bankolé.
País: França, Estados Unidos.
Tempo: 112 min.
Idioma: Francês.
Schnabel encontrou a melhor maneira para que o espectador tivesse a
mesma sensação que o personagem principal enfrenta ao ter o corpo inteiro
paralisado após um derrame, exceto seu olho esquerdo. A câmera subjetiva, em
primeira pessoa, nos dá a mesma sensação de encarceramento pela qual passa
Jean-Do (Amalric), ex-editor chefe da revista francesa Elle.
Jean-Do aprende a se
comunicar através de piscadelas com seu olho, num sistema ensinado por sua fonoaudióloga
Henriette (Croze), formando palavras e frases letra por letra, conforme ela as
pronuncia para que ele pisque. O filme, baseado no livro homônimo escrito desta
maneira pelo personagem principal, consegue nos manter atentos a todo momento,
mesmo tendo um potencial entediante muito grande, superado pela habilidade do
diretor em nos envolver na história.
Aos poucos vamos
conhecendo também o passado de Jean-Do, que não foi nenhum santo. Sua ex-mulher
(Seigner), seus três filhos, amigos e seu pai (Sydow) aparecem para visitá-lo,
telefonam ou mesmo em flashbacks. Temos também a constante presença de Claude
(Consigny), que transcreve de forma paciente e envolvente o livro ditado pelo
ex-editor.
A metáfora com o
título é perfeita – o confinamento do escafandro e a posterior libertação da
borboleta ao sair do casulo. O filme está cheio de cenas emocionantes e comoventes,
mas sem exageros bregas – a ex-mulher (que se mostrou fiel ao pai de seus
filhos na hora da doença) fazendo o papel de intérprete ao telefone para a
ex-amante e namorada de Jean-Do; o flashback em que Jean-Do faz a barba de seu
pai; o telefonema de seu pai, também enfrentando os problemas do encarceramento
da velhice; o momento em que o protagonista pede para morrer; a visita do amigo
que ficou refém durante quatro anos no Líbano.
Um filme inovador,
ousado, com propostas de reflexões e emoções à flor da pele, muito bem feito e
conduzido pelo diretor e sua equipe técnica, além de excelentes atuações. Nos envolve
de uma forma muito profunda.
Nota 98/100
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