terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Indomável Sonhadora

Ficha Técnica: Beasts of the Southern Wild, 2012.
Gênero: Drama, Fantasia.
Direção: Benh Zeitlin.
Elenco: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Gina Montana, Levy Easterly, Lowell Landes, Pamela Harper.
País: Estados Unidos.
Tempo: 93 min. 
Idioma: Inglês. 

     Este filme é afortunado por ganhar (ainda que merecidamente, mas muitos com os mesmos méritos passam batidos) destaque da Academia de Cinema na premiação do Oscar e assim ganhar um impulso em sua divulgação. No entanto, no Brasil ele é um pouco prejudicado pela tradução terrível feita de seu título, subvertendo totalmente o significado original e a inteligentíssima metáfora que ele representa. 
    O filme conta com atuações surpreendentes e excelentes, com o grande destaque sendo Wallis no papel de Hushpuppy. Mas Henry, que faz seu pai Wink também fez um ótimo trabalho. Os dois protagonizam cenas fortes e emocionantes entre pai e filha, mostrando uma relação de afetividade profunda e conturbada pelos acontecimentos da vida. 
     A história se passa na Bathtub, supostamente numa ilha isolada do restante do estado da Louisiana após o furacão Katrina. Obviamente as pessoas que ali vivem são condenadas por continuarem ali, sendo constantemente arrastas de volta para a “civilização”. Mas a história poderia muito bem se passar em diversos lugares do mundo, incluindo o Brasil. Situações em que pessoas são obrigadas e forçadas a deixar suas casas, a contragosto, às vezes sendo uma decisão própria em razão das circunstâncias (nem sempre catástrofes naturais); outras tantas vezes sendo obrigadas pelo governo, que geralmente ignora as necessidades reais destas pessoas e os motivos por não desejarem abandonar o lugar. 
    O filme é claro em nos mostrar a pobreza e precariedade do lugar em que vive esta comunidade. A dureza imposta à sua população é muito bem retratada por Hushpuppy, que apesar de ter apenas seis anos, já está endurecida pela vida e pelo pai que busca prepará-la para continuar enfrentando as dificuldades quando ele partir. A temática é excelente, e a mistura que Zeitlin faz entre fantasia e realidade, muito em razão de ter como protagonista e narradora da trama a menina, encaixa perfeitamente. Entretanto, o filme mostra-se um pouco confuso em determinados momentos – o que chega a atrapalhar o andamento e a fluidez desta maravilhosa história, que em compensação é carregada de forma brilhante pelos seus atores.
No filme, a escola ensina às crianças sobre os animais, e inclui aí os seres humanos; no decorrer do filme, a forma como a comunidade vive, e é vista pela “civilização” também se encaixa nesta visão: quem são os animais, as bestas selvagens? Apenas aqueles da imaginação de Hushpuppy? Ela, seu pai e os outros habitantes de Bathtub? Os outros, que desejam levar uma suposta maneira melhor de se viver? Ou mesmo toda nossa sociedade, que não compreende o outro e tem dificuldade em se relacionar com o diferente?
 
Nota 85/100

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