sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Django Livre

Ficha Técnica: Django Unchained, 2012.
Gênero: Drama, Faroeste.
Direção: Quentin Tarantino.
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Walton Goggins, Dennis Christopher, James Remar, David Steen, Dana Michelle Gourrier, Zoë Bell, Quentin Tarantino, Michael Bacall.
País: Estados Unidos.
Tempo: 165 min. 
Idioma: Inglês, Alemão. 

    Tarantino é o diretor símbolo da cultura pop atual; ele se inseriu neste universo através de seus ótimos filmes do começo de carreira, na época ainda apenas do âmbito alternativo. No entanto, mesmo entrando para o mainstream hollywoodiano, o diretor conseguiu imprimir seu estilo em seus filmes, se mantendo fiel ao estilo que o consagrou, fazendo poucas ou mesmo nenhuma concessão a interesses diversos.
     Neste seu novo filme, ele novamente busca justificar a violência excessiva (uma de suas marcas) com uma causa “justa”, o socialmente aceita – como o fez em Bastardos Inglórios ou Kill Bill. O filme também trata de um tema recorrente seu – a vingança, ainda que este tenha como plano de fundo uma história de amor, algo raro na carreira do diretor.
      Outra marca sua é a qualidade que consegue extrair dos atores – sempre o melhor de cada um. Não sei até que ponto ele influencia, pois o elenco tem sido sempre bom “naturalmente”, mas é difícil vermos um grande ator com trabalhos abaixo de sua média em seus filmes, e no caso de Django, não é diferente. DiCaprio, Jackson e Waltz estão excelente. DiCaprio conseguiu fazer um ótimo almofadinha que ao mesmo tempo transmite sua crueldade apenas com o olhar; Jackson talvez esteja em seu melhor papel nos últimos 10 anos ou mais, mostrando o excelente ator que pode ser; e Waltz novamente nos brinda com uma atuação excelente, ainda que não tão brilhante quanto ao de seu anterior filme com Tarantino. Foxx está muito bem como Django, fazendo um ótimo contraste com os três companheiros mencionados acima.
     O roteiro é muito bom, nos traz excelentes diálogos (a cena da KKK é ótima) que nos fazem rir e aliviam a tensão e violência do filme na medida certa. No entanto, o filme se estende mais do que deveria – algumas cenas são demasiado longas, ainda que não nos canse, ao meu ver poderia ter sido um pouco mais enxuto. Podemos observar o quanto ele se inspira em clássicos westerns para fazer o seu próprio, com sua marca – e seria inútil ficar comparando, pois mesmo pertencendo ao mesmo gênero, são bem diferentes.
     Também podemos perceber que o diretor, agora que goza de prestígio no circuito de Hollywood, pode contar com um orçamento maior – podendo se dar ao luxo de efeitos visuais, cenários e figurinos grandiosos, demonstrando sua habilidade também em trabalhar estes aspectos do filme. Sua característica de violência e sangue espirrando na tela se acentuam ao final, num banho de sangue fortíssimo. Contudo, estas não são as cenas mais violentas – em determinados momentos eles até demonstram um humor negro (como a morte do próprio personagem de Tarantino). A cena dos cachorros e da luta dos escravos (uma certa provocação ao UFC) são muito mais chocantes e fortes.
    Ele também nos demonstra o dilema moral de um matador/caçador de recompensas ser um “herói civilizado” perante os senhores de escravos, ainda que não aborda profundamente o tema. Outro aspecto, talvez mais por atenuar a situação da Europa e principalmente dos alemães em Bastardos, temos o Dr. Schultz (Waltz) como o representante da civilidade e farol do mundo, que repudiam a escravidão. Sem mencionar o fato de que foram os próprios europeus que pilharam a África e escravizaram sua população por séculos (na verdade, não somente a África, mas a América e Ásia).
      As acusações de racismo sofrida por Tarantino são totalmente descabidas. O filme retrata o absurdo da escravidão e situações sofridas pelos negros na América. Ao mesmo passo que muitos considerem a violência excessiva, um exagero, ela talvez não represente o suficiente quão absurda foi a situação vivida por estes povos no passado que ainda afetam a todos. A trilha sonora, outra marca do diretor, é ótima, com uma variação de músicas muito interessantes. Um ótimo filme que mesmo não sendo o seu melhor, mantém a qualidade de produções do diretor e atores em seus filmes anteriores.

Nota 88/100

Um comentário: