Gênero: Drama, Faroeste.
Direção: Quentin Tarantino.
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Walton Goggins, Dennis Christopher, James Remar, David Steen, Dana Michelle Gourrier, Zoë Bell, Quentin Tarantino, Michael Bacall.
País: Estados Unidos.
Tempo: 165 min.
Idioma: Inglês, Alemão.
Tarantino é o diretor símbolo da cultura pop atual; ele se inseriu
neste universo através de seus ótimos filmes do começo de carreira, na época ainda
apenas do âmbito alternativo. No entanto, mesmo entrando para o mainstream hollywoodiano, o diretor
conseguiu imprimir seu estilo em seus filmes, se mantendo fiel ao estilo que o
consagrou, fazendo poucas ou mesmo nenhuma concessão a interesses diversos.
Neste seu novo filme,
ele novamente busca justificar a violência excessiva (uma de suas marcas) com
uma causa “justa”, o socialmente aceita – como o fez em Bastardos Inglórios ou Kill
Bill. O filme também trata de um tema recorrente seu – a vingança, ainda
que este tenha como plano de fundo uma história de amor, algo raro na carreira
do diretor.
Outra marca sua é a
qualidade que consegue extrair dos atores – sempre o melhor de cada um. Não sei
até que ponto ele influencia, pois o elenco tem sido sempre bom “naturalmente”,
mas é difícil vermos um grande ator com trabalhos abaixo de sua média em seus
filmes, e no caso de Django, não é diferente. DiCaprio, Jackson e Waltz estão excelente.
DiCaprio conseguiu fazer um ótimo almofadinha que ao mesmo tempo transmite sua
crueldade apenas com o olhar; Jackson talvez esteja em seu melhor papel nos últimos
10 anos ou mais, mostrando o excelente ator que pode ser; e Waltz novamente nos
brinda com uma atuação excelente, ainda que não tão brilhante quanto ao de seu
anterior filme com Tarantino. Foxx está muito bem como Django, fazendo um ótimo
contraste com os três companheiros mencionados acima.
O roteiro é muito
bom, nos traz excelentes diálogos (a cena da KKK é ótima) que nos fazem rir e
aliviam a tensão e violência do filme na medida certa. No entanto, o filme se
estende mais do que deveria – algumas cenas são demasiado longas, ainda que não
nos canse, ao meu ver poderia ter sido um pouco mais enxuto. Podemos observar o
quanto ele se inspira em clássicos westerns para fazer o seu próprio, com sua
marca – e seria inútil ficar comparando, pois mesmo pertencendo ao mesmo
gênero, são bem diferentes.
Também podemos
perceber que o diretor, agora que goza de prestígio no circuito de Hollywood, pode
contar com um orçamento maior – podendo se dar ao luxo de efeitos visuais, cenários
e figurinos grandiosos, demonstrando sua habilidade também em trabalhar estes
aspectos do filme. Sua característica de violência e sangue espirrando na tela
se acentuam ao final, num banho de sangue fortíssimo. Contudo, estas não são as
cenas mais violentas – em determinados momentos eles até demonstram um humor
negro (como a morte do próprio personagem de Tarantino). A cena dos cachorros e
da luta dos escravos (uma certa provocação ao UFC) são muito mais chocantes e
fortes.
Ele também nos
demonstra o dilema moral de um matador/caçador de recompensas ser um “herói
civilizado” perante os senhores de escravos, ainda que não aborda profundamente
o tema. Outro aspecto, talvez mais por atenuar a situação da Europa e
principalmente dos alemães em Bastardos,
temos o Dr. Schultz (Waltz) como o representante da civilidade e farol do
mundo, que repudiam a escravidão. Sem mencionar o fato de que foram os próprios
europeus que pilharam a África e escravizaram sua população por séculos (na
verdade, não somente a África, mas a América e Ásia).
As acusações de racismo
sofrida por Tarantino são totalmente descabidas. O filme retrata o absurdo da escravidão
e situações sofridas pelos negros na América. Ao mesmo passo que muitos
considerem a violência excessiva, um exagero, ela talvez não represente o
suficiente quão absurda foi a situação vivida por estes povos no passado que
ainda afetam a todos. A trilha sonora, outra marca do diretor, é ótima, com uma
variação de músicas muito interessantes. Um ótimo filme que mesmo não sendo o
seu melhor, mantém a qualidade de produções do diretor e atores em seus filmes
anteriores.
Nota
88/100
Tarantino é phoda! filme fantástico
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