Gênero: Drama, Guerra.
Direção: Stefan Ruzowitzky.
Elenco: Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow, Martin Brambach, August Zirner, Veit Stübner, Sebastian Urzendowsky, Andreas Schmidt, Tilo Prückner, Lenn Kurdjawizki.
País: Áustria, Alemanha.
Tempo: 98 min.
Tempo: 98 min.
Idioma: Alemão, Russo, Inglês, Hebraico.
O filme nos traz a história
do artista que ganha a vida através da falsificação de dinheiro, o judeu
Sorowitsch “Solly”, interpretado muito bem por Karl Markovics. Ao ser pego pela
SS, é enviado a um campo de concentração. Seus dotes artísticos lhe garantem
sua sobrevivência e inclusive um tratamento mais diferenciado, pois pintava
retratos dos oficiais nazistas. Contudo, com a derrota alemã se aproximando,
Solly é enviado para Sachsenhausen, um novo campo de concentração, onde irá
coordenar uma equipe de judeus na falsificação de passaportes e de notas de
libra e dólar para a Alemanha Nazista.
Esta foi a maior operação
de falsificação da história, conhecida como “Operação Bernard”. Talvez o ponto
mais fraco do filme seja tentar ser muito didático. Ao colocar a mesa de ping pong para seus prisioneiros, Herzog
explica exatamente a razão (motivação, etc.). Melhor seria deixar a dúvida no
ar sobre suas intenções, como no caso do banho (a suspeita de serem
assassinados por gás era forte) ou do suicídio de um colega no final (talvez
por não ter suportado ver a situação dos outros prisioneiros, quando tomaram o
controle do campo). O excessivo didatismo realmente atrapalha um pouco, bem
como a já quase exaurida temática do holocausto judeu – no entanto, com relação
a isso, há sim inovações. O lado dos judeus que, obrigados ou não, cooperaram
com o nazismo; o terror psicológico, de uma forma mais refinada do que geralmente
se mostra. E a própria questão da falsificação, algo novo ao menos para mim.
A temática da Segunda
Guerra e do Holocausto aparecem novamente no cinema, mas desta vez não em Hollywood,
e sim na Alemanha. Mas claro que agradou à academia estadunidense, que lhe atribuíram
o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, ainda que seja um bom filme. Podemos dizer
que a Academia Estadunidense de Cinema, talvez por conta de sua composição, tem
uma certa queda por estes filmes, principalmente se falam do holocausto judeu.
Há certa semelhança
com o clássico de Spielberg, A Lista de
Schindler, visto que apesar de se tratar de um campo de concentração, parte
da história gira em torno daqueles que mesmo sendo contrários ao nazismo,
acabaram por trabalhar em seu favor. Mas diferentemente de Schindler, neste caso estamos falando dos próprios judeus nos
campos de concentração.

Seu trabalho é
comandado por Herzog, o mesmo oficial que o prendeu no passado, e por conta
disso, havia sido promovido. Ele trata Solly e os demais especialistas judeus
de forma distinta de como os demais prisioneiros (sobre o comando de outros
oficiais) são tratados. Possuem aposentos e comida melhores, descanso e até
mesmo lazer, além de não serem torturados fisicamente. O trabalho deles passa a
ser cada vez mais importante para o Regime Nazista, visto que a Alemanha estava
à beira da falência, perdendo a guerra, e ainda tinha o plano de quebrar a economia
britânica e estadunidense através da falsificação, enchendo os mercados
financeiros destes países de moedas falsas.
Após o sucesso com a
libra, a SS solicita a falsificação do dólar. No entanto, neste momento passam
a surgir as divergências e questões morais e éticas entre os prisioneiros. Eles
sabem que o trabalho dele está apoiando o regime alemão, que destrói o seu
povo, e principalmente um deles, Burger (excelente atuação de August Diehl),
começa a sabotar a fabricação dos dólares. Além disso, mesmo dentro do campo de
concentração, eles eram os únicos judeus a serem tratados de forma
diferenciada. Isto passa a gerar o dilema ético entre os prisioneiros e a
aumentar as tensões entre eles. Ao mesmo tempo, passam a ser pressionados por
Herzog (os demais guardas não compartilhavam da filosofia do comandante) e
sofrem a ameaça final de serem executados. Muitos queriam entregar Burger aos
nazistas, mas Solly os proíbe e falsifica sozinho o dólar, salvando a vida dos
companheiros, a contragosto do próprio Burger, que diferentemente de Solly,
preferia morrer.
A tortura psicológica
está presente o tempo inteiro – apoiar o nazismo, fingir que nada acontece
enquanto ao lado seu povo é executado diariamente, não saber se aquela
boa-vontade dos oficiais pode mudar de uma hora para a outra, etc. Mas somente
Burger quer lutar e se rebelar. Solly gostava da vida boa, e quer apenas
sobreviver, enquanto os demais ou pensam igual, ou apenas têm medo. A grande questão
colocada por Burger, que o nazismo somente funcionava porque os prisioneiros
cooperavam, tem sim seu fundo de verdade – da mesma forma que na escravidão, se
os negros e índios se recusassem a trabalhar, seriam mortos, mas não produziriam
nada. No entanto, estes sistemas funcionaram enquanto possível, mesmo com
momentos de rebeliões e revoltas. É realmente justo exigir o heroísmo de um
indivíduo? É correto condená-lo por apenas querer sobreviver? Eles não estavam
assassinando ninguém, nem mesmo a mando de superiores (diferentemente de
Herzog, que como muitos oficiais nazistas, afirmaram somente terem cumprido
ordens). Apenas fabricavam o que lhe era solicitado.

Nota 83/100