sexta-feira, 23 de março de 2012

As Virgens Suicidas

Ficha técnica: The Virgin Suicides,1999
Gênero: Drama, Romance, Mistério;
Direção: Sofia Coppola
Elenco: James Woods, Kirsten Dunst, Kathleen Turner, Josh Hartnett, Michael Paré, Giovanni Ribisi, Hanna Hall, A. J. Cook, Danny DeVito, Leslie Hayman, Chelse Swain, Jonathan Tucker, Hayden Christensen, Anthony DeSimone. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 97 min.
Idioma: Inglês. 

         Esse é o filme de estréia de Sofia Coppola como diretora, e apesar de toda expectativa que se cria pelo fato de ela ser filha de um dos maiores diretores de cinema que Hollywood já produziu, ela se sai muito bem. Se ela recebeu alguma ajuda do pai ou não, é um fator irrelevante para quem deseja assistir o filme ou mesmo criticá-lo.
        A história, adaptada do romance de Jeffrey Eugenides, nos prende do início ao fim, mesmo com o final sendo revelado desde as primeiras cenas. Ele nos apresenta uma família tradicional e conservadora dos anos 1970 de Michigan (os Lisbons), com o pai professor de matemática na escola (James Woods), a mãe superprotetora e dona de casa (Kathleen Turner), e suas cinco belas e loiras filhas, com idade entre os 13 e 17 anos. O longa começa com a tentativa de suicídio da mais nova, Cecilia (Hanna Hall) que corta os pulsos.
            Após a frustrada tentativa, os pais são aconselhados por um médio (Danny DeVito) a serem menos protetores e não isolarem as meninas do mundo, principalmente do contato com meninos. Durante uma festa na casa, numa tentativa de modificar esse comportamento, a filha mais nova tenta mais uma vez o suicídio, e desta vez é bem sucedida.
Algum tempo após a tragédia, as meninas voltam para a escola, e tentam retomar suas vidas. A mais nova agora, Lux (Kirsten Dunst) começa a ser paquerada pelo playboy da escola, Trip Fontaine (Josh Hartnett), e os problemas voltam a surgir na casa dos Lisbons. Apesar de muito unidas, as irmãs não conseguem escapar da superproteção sufocante da mãe e da inação do pai, levando ao trágico final que dá nome ao filme.
A história é contada da perspectiva de meninos que eram colegas de escola das meninas, e eram apaixonados por elas. O filme tenta traz diversas metáforas e paralelos com nossa realidade. A maneira de tratar as pessoas é mostrada no filme, como no caso de Fontaine, que depois de abandonar Lux no campo após o baile, desencadeou toda a tragédia na família, e ele mesmo não se desculpa depois de anos. Mostra-nos um pouco da dimensão de nossas atitudes indiferentes em relação aos que nos cercam.
Mais explícitas são as questões do machismo da época e presentes ainda agora, além dos sentimentos e sensações enfrentados pela primeira vez por adolescentes. Outro fato interessante é a narração, feita sempre com o pronome “nós”, talvez englobando muito mais do apenas os meninos do filme, mas homens de maneira geral, que viam nas belas meninas sempre um objeto de desejo, identificando “sinais” enviados aos homens a todo tempo, e muitas vezes esquecendo que são apenas adolescentes.
Ainda que muitos desses aspectos poderiam ser explorados com mais profundidade, como no caso da visão machista da sociedade, e da criação superprotetora de filhos e a sistematização da vida social, o filme correria o risco de perder parte de sua leveza, apesar do mórbido tema, e talvez esse não fosse o objetivo da diretora.
As atuações do filmes estão excelentes, e apesar de um pouco estereotipada nos papeis de K. Turner, J. Woods e J. Hartnett, quem se sobressai é Kirsten Dunst, com o papel de mais destaque das irmãs Lisbon. A fotografia do filme é excelente, trazendo um ótimo jogo de cores.
Um filme muito interessante, que certamente foi um excelente cartão de entrada de Sofia Coppola, e que apesar de ter um final não resolvido, deixando muitas dúvidas e incertezas no ar, abre espaço para que tiremos nossas próprias conclusões e reflexões, de maneira inteligente, sem cair no senso comum.

Nota 81/100

Um comentário:

  1. Filme estranho esse. Só ficou conhecido pq a diretora é filha do Coppola.

    ResponderExcluir